5. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

5.2 As áreas, estruturas e atividades no Parque Ecológico

5.2.1 A Área Silvestre

Na figura 9, ao entrar pela portaria 1 (ponto 1), dá-se início à Área Silvestre que acomoda um pequeno parque com brinquedos em madeira (ponto 2), uma estação de tratamento de água (ponto 3), utilizada para irrigação do parque e para abastecer o espelho d’água que fica escondida dentre as árvores, o Memorial em homenagem à Imigração Japonesa (ponto 4) e um caramanchão (ponto 5) bem próximo a ele, destinado ao descanso e contemplação da natureza.

FIGURA 9 – Área Silvestre, equipamentos e serviços

Fonte: Criado pela autora, 2012.

Após a entrada no parque, pela portaria 1, há uma ponte em madeira (FIGURA 10), pois nesse trecho há passagem de um canal de tratamento de água que separa o interior do parque da portaria. A ponte é larga e conta com guarda-corpo de vidro e corrimão de inox em toda sua extensão, no entanto os corrimãos estão muito distantes um do outro, e caso uma pessoa necessite desse apoio em ambos os lados para auxiliar na travessia não será possível fazê-lo.

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FIGURA 10 – Ponte em madeira, ligação da portaria 1 ao parque

Fonte: Arquivo da autora, 2011.

Ao terminar de subir a rampa, o usuário encontra o primeiro totem de sinalização, que dá as direções de elementos na Área Silvestre e na Área de Proteção Ambiental, sua localização pode ser vista pelo ponto vermelho em planta, e seu conteúdo na imagem que compõe a figura 11.

FIGURA 11 – Totem de sinalização direcional Fonte: Criado pela autora, 2012.

Vale salientar que dos elementos sinalizados, o “Caramanchão Ilha” fazia parte do projeto original com acesso para os usuários, mas hoje fica dentro da Área de Proteção Ambiental que foi ampliada e tem seu acesso restrito.

Como a placa não sinaliza os itens em vermelho como sendo de áreas restritas, alguns usuários tendem a seguir o sentido do “Caramanchão Ilha” e acabam se deparando com um portão (FIGURA 12), no qual há a restrição de acesso escrita numa folha de papel.

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FIGURA 12 – Portão da Área de Proteção Ambiental

Fonte: Arquivo da autora, 2011.

Se o usuário do parque segue a sinalização para a Área Silvestre, ele avistará um parquinho (FIGURA 13), que fica numa região gramada, mas com árvores ainda muito jovens e, por isso, poucas áreas de sombra. Nele há poucos brinquedos e todos com baixa manutenção, sendo que nenhum deles prevê a utilização por crianças com deficiência, e ainda, o fato de estar numa área completamente gramada pode ser uma dificuldade para pessoas que utilizam cadeiras, muletas, ou empurrem carrinhos de bebê de se aproximarem dos brinquedos.

FIGURA 13 – Brinquedos na Área Silvestre

Fonte: Arquivo da autora, 2011.

Em volta da área gramada onde ficam os brinquedos há uma trilha periférica, como demarcada na figura 14, em areia e pequenos seixos, que normalmente é utilizada

72 por quem anda de bicicleta, sendo que o acesso aos brinquedos quase sempre se dá pelo próprio gramado.

FIGURA 14 – Brinquedos na Área Silvestre e trilha periférica

Fonte: Criado pela autora, 2012.

Na porção oeste da Área Silvestre está o Memorial da Imigração Japonesa24 (representado pelo ponto 4 na figura 14), que fica resguardado por uma barreira de árvores tornando-o um elemento oculto na paisagem, e por este fato, muitos usuários não conhecem a estrutura.

Para vê-lo e para acessá-lo, há duas possibilidades, como ilustrado na figura 15. O trajeto denominado “oficial” na figura, é o que se realiza utilizando as trilhas com piso intertravado e seguindo a sinalização do parque que indica a localização do memorial.

A outra opção, denominada “trajeto alternativo”, é atravessar a Área Silvestre no sentido leste-oeste, passando em frente ao espelho d’água e seguir pela trilha que leva ao memorial, o que normalmente é feito por quem já conhece o parque.

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O Memorial da Imigração Japonesa foi criado em comemoração aos 100 anos da imigração japonesa no Brasil e inaugurado em maio de 2009, cinco anos após a inauguração do Parque Ecológico da Pampulha. Gustavo Penna e Mariza Machado Coelho foram contratados pela Usiminas, principal patrocinadora do projeto, que decidiu implantar o memorial em meio a uma área verde ao levar em consideração a “ligação atávica da cultura japonesa com a jardinagem e o paisagismo”. Já a escolha pelo parque ecológico teve reforço no fato de este ter sido projetado pelos mesmos arquitetos contratados pela empresa para desenhar o memorial. (ARCOWEB, 2012).

Área com brinquedos

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FIGURA 15 – Opções de trajeto para o Memorial da Imigração Japonesa Fonte: Criado pela autora, 2012.

Como o memorial não pode ser facilmente visto, os usuários só o descobrem se passam por algum trecho do parque que tenha a indicação do mesmo na sinalização, ou se decidem desbravar a parte “escondida” da trilha.

Talvez isso explique o fato de a área onde ele está localizado ficar quase sempre desocupada, como mostra a figura 16 e, por essa reduzida demanda, também a pouca manutenção que o monumento recebe, seu espelho d’água, por exemplo, está sempre vazio.

FIGURA 16 – Memorial da Imigração Japonesa

Fonte: Arquivo da autora, 2012.

Trajeto oficial

74 A figura 17 ilustra melhor a arranjo do Memorial que é composto por dois painéis opostos e externos, em alvenaria alva, sendo que em um deles há um círculo vermelho e no outro um triângulo que, de acordo com seus autores, representam respectivamente o Japão e Minas. Há um pavilhão circular que “flutua” sobre um espelho d’água entre esses dois painéis e que é ligado às duas extremidades do espelho por rampas curvas que representam a ligação Minas-Japão que são separados pelo oceano, representado pela água.

FIGURA 17 – Memorial da Imigração quando da inauguração Fonte: Arcoweb, 2012.

Além dos limites do Memorial há outra estrutura, um Caramanchão. Este, ainda mais oculto que o Memorial, já existia antes da implantação do monumento de homenagem aos imigrantes japoneses e é o único dos caramanchões que continua com livre acesso para os usuários.

O Caramanchão, como pode ser visto na figura 18, é composto por quatro pilares de sustentação e uma cobertura que intercala ripas de madeira e áreas vazadas. Sob a estrutura há dois bancos de madeira em “L”, um espaço agradável pela tranquilidade e a meia-sombra gerada pela cobertura, ideal para o descanso e a meditação. Mas apesar da beleza e tranquilidade, esse espaço é ainda menos utilizado devido à localização que o torna quase “inexistente” para os usuários e ao fato de a trilha que chega até ele ser de areia e pedriscos, e de eles estar em meio à grama, dificultando o acesso para determinados usuários.

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FIGURA 18 – Caramanchão da Área Silvestre

Fonte: Arquivo da autora, 2012.

De um modo geral, a área silvestre foi projetada para acolher espécies da fauna e da flora e possibilitar que as pessoas pudessem ter contato com as mesmas através da observação e contemplação, essa intenção se confirma na sinalização da área, como na figura 19.

FIGURA 19 – Placa da Área Silvestre Fonte: Arquivo da autora, 2012.

Para as crianças, há também a possibilidade de se divertir nos brinquedos do parquinho e, para os usuários em geral, caminhar pela Área Silvestre é a alternativa para quem quiser conhecer outras áreas do parque, visto que ela dá acesso a elas.

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No documento Acessibilidade e interação social: comportamento social em face de problemas de mobilidade no parque ecológico da Pampulha (páginas 70-77)