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3.2 Procedimentos adotados

3.2.2 A coleta de dados

Com vistas a compreender com maior profundidade as razões que fazem os administradores resistirem à leitura, mais do que outras profissões, selecionaram-se os pós- graduados em administração, em nível lato sensu, do curso Gestão e Competividade Empresarial para comporem o conjunto de respondentes, agrupados de acordo com o curso de graduação: os administradores compõem o Grupo 1, enquanto que os outros profissionais, o Grupo 2, totalizando 12 sujeitos respondentes. A coleta dos dados foi realizada por meio de entrevistas, que serviram como fontes primárias, porque esta técnica, “ao mesmo tempo em que valoriza a presença do investigador, oferece todas as perspectivas possíveis para que a informação alcance a liberdade e a espontaneidade necessárias, enriquecendo a investigação” (TRIVINOS, 1987, p. 146).

Para a condução das entrevistas foram utilizadas as orientações de Gil (1999), que sugere os seguintes cuidados iniciais: preparação do roteiro de entrevista, estabelecimento do contato inicial, formulação das perguntas, estímulo a respostas completas, registro das respostas e conclusão da entrevista. Essas unidades se traduzem em qualidade dos dados coletados caso o pesquisador utilize um protocolo de entrevista, o qual é apresentado no Apêndice B. As entrevistas foram realizadas no período de 21 de novembro a 16 de dezembro de 2005 com os pós-graduados do curso de Gestão e Competitividade Empresarial da Universidade de Passo Fundo, de forma individual e seguindo um roteiro de questões (Apêndice C). O roteiro foi pré-testado com sujeitos formados em outros cursos de pós- graduação na UPF. No pré-teste buscou-se desenvolver os procedimentos de aplicação, testar o vocabulário empregado nas questões para ter a garantia de que possibilitariam a geração dos objetivos almejados e o tempo necessário.

Para Gil (1999), o pré-teste dos instrumentos de coleta de dados é uma forma de garantir pertinência e clareza e deve ser feito com o público tão similar quanto possível ao que será estudado. Depois de revisados os instrumentos de coleta de dados, iniciou-se a pesquisa. No contato inicial buscou-se explicitar os objetivos da investigação, para, na seqüência, realizar a entrevistas, as quais foram gravadas com o auxílio de um microgravador com autorização dos sujeitos entrevistados.

O processo de coleta de dados ocorreu em dois momentos seqüenciais, nos quais os sujeitos respondentes foram submetidos a um roteiro de questionamentos (Apêndice C), com o objetivo de validar o modelo proposto por Witter (1997) sobre as variáveis que influenciam

no processo de aprendizagem pela leitura. Nesse contexto, o roteiro de entrevista foi elaborado de forma que todas as variáveis propostas por Witter (1997) fossem contempladas. As questões foram agrupadas em seis categorias, que são: história de vida como leitor, contingências familiares, contingências acadêmicas, disponibilidade de material, perspectivas futuras, características pessoais.

Os dados coletados foram analisados qualitativamente e o nível de compreensão de textos, além da análise de conteúdo de acordo com as orientações de Bardin (1977), foi confirmado pelo teste estatístico não-paramétrico Kruskal Wallis.

Na análise qualitativa é a presença ou a ausência de determinada característica de conteúdo ou de um conjunto de características num dado fragmento de mensagem que é levada em consideração. Diante de tais considerações, define-se que o presente estudo segue o paradigma interpretativista, para orientar a visão de mundo, o método qualitativo e a técnica análise de conteúdo, para o tratamento dos dados. Aplicou-se a técnica de Cloze com vistas a avaliar as habilidades básicas da compreensão em leitura (TAYLOR, 1953; BORMUTH, 1968).

A técnica de Cloze consiste na seleção de um texto de aproximadamente duzentos vocábulos (Apêndice D) do qual se omite o quinto vocábulo, sendo atribuído um ponto a cada palavra grafada de forma idêntica à omitida e usada a forma de correção literal, podendo ser alcançado o número máximo de 40 pontos. Aplicada em vários estudos relacionados à compreensão da leitura, a técnica de Cloze tem se mostrado bastante eficaz, tanto do ponto de vista prático, tendo em vista a facilidade de elaboração, aplicação e correção, como do ponto de vista empírico, em razão dos altos índices de correlação positiva de seus resultados com o desempenho acadêmico, isto é, alunos com maiores percentuais no teste apresentam melhores resultados nas médias das disciplinas (SANTOS, 1990).

A coleta de dados transcorreu normalmente nos três momentos, uma vez que todas as entrevistas foram gravadas (gerando um total de cerca de nove horas de gravação). O primeiro momento da entrevista foi o mais difícil, tanto para a entrevistadora quanto para os entrevistados. Depois do impacto inicial e do desconforto dos sujeitos respondentes em reconhecer a não-leitura, foi criada uma atmosfera de cumplicidade, o que gerou relatos muito interessantes, permitindo que as narrativas expressassem realmente os sentimentos e as percepções dos entrevistados.

O segundo momento do contato com cada indivíduo era precedido por certa ansiedade em relação à aplicação da técnica de Cloze, pois, mesmo sendo orientados que não havia controle do tempo para realização do teste, alguns entrevistados demonstraram reações

como ansiedade, emoções relacionadas às recordações, nervosismo e euforia. Porém, todos concordaram em realizá-lo, questionando se podiam rasurar quando, na seqüência da leitura, recordavam-se da palavra correta para o preenchimento das lacunas. O terceiro momento foi representado pelo término da entrevista, no qual ocorreu a fase de saída do campo e caracterizou-se o fim do relacionamento entre pesquisadora e entrevistado. Nesse momento agradeceu-se a colaboração de dados e assumiu-se o compromisso de apresentar os resultados finais. Dos 12 entrevistados, sete sujeitos comentaram sobre a importância de trabalhos sobre o assunto hábitos de leitura e compreensão de textos. Posteriormente, quatro entrevistados fizeram contatos com a entrevistadora solicitando livros, pois se sentiram motivados a ler.