CAPÍTULO 1 POLÍTICA PÚBLICA EDUCACIONAL MUNICIPAL: A
1.2. A ELABORAÇÃO DO PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO NO
1.2.2. A Comissão de Acompanhamento do Plano Municipal de
No ano de 2008, para formalizar um instrumento de Acompanhamento e Avaliação, caracterizando o controle social das políticas públicas, foi organizada pela SMEC uma reunião com o intuito de realizar as primeiras providências a instituir uma comissão para acompanhar o desenvolvimento das metas e do Plano Municipal, que caracterizaria essa instância em um canal legítimo de controle social (LIMA, 2011).
Por meio do ofício n.º 669 – SMEC, de 26 de junho de 2008, foram convocados para tanto, representantes das escolas municipais, representantes dos Conselhos de Educação, FUNDEB, Da Criança e do Adolescente, Secretaria de Finanças, Assessoria de Educação Especial e Conselho Tutelar. Mediante a lista de recebimento, observamos seis ausências entre elas, membros de duas escolas municipais e dois Centros de Educação Infantil, um membro da Educação de Jovens e Adultos, um Membro do Conselho de Educação e um membro da Secretaria de Finanças.
Conforme Decreto n. 79/08 da Prefeitura Municipal de Carambeí (anexo 1), o prefeito municipal nomeou os membros a comporem a “Comissão para Acompanhamento do PME”. Entre eles, representantes do Conselho Municipal de Educação (CME), FUNDEB, dos Pais e Alunos, SMEC, dos Diretores dos Estabelecimentos de Ensino Municipal, do Corpo Docente Municipal, EJA, CMDCA, Educação Especial e da Secretaria Municipal de Finanças, totalizando 13 sujeitos. Em relação à “Comissão de Avaliação do PME”, não existe ato do executivo que normatize a sua composição.
Para entender os desdobramentos posteriores a esse fato, utilizamos como pontos de análise os depoimentos concedidos pela Presidente e pela secretária do Conselho Municipal de Educação, e pela coordenadora pedagógica de uma das
79 instituições de ensino, as quais estiveram presentes na reunião do dia 26 de junho de 2008, para composição da Comissão de Acompanhamento do Plano Municipal.
A coordenadora pedagógica foi convocada para participar da reunião cuja pauta era a composição da Comissão de Acompanhamento e Avaliação, representando a Escola Municipal José Pedro Novaes Rosas, e relata em entrevista que não se lembra do que foi tratado naquele momento e que também não participou da elaboração do Plano Municipal, caracterizando a descontinuidade na efetivação de ações.
Quando perguntada sobre a Comissão de Acompanhamento e Avaliação do Plano Municipal de Educação, se havia participado e se saberia posicionar como ela está funcionando hoje, ela declara que, “Olha, eu desconheço, não estive mais a par dos fatos, não participei em nenhum momento de acompanhar esse Plano.68”.
Ao expormos a fala da Presidente do Conselho Municipal de Educação da gestão 2005-2006, a questão sobre o conhecimento dos encaminhamentos posteriores, a resposta que nos deu foi, que desconhece a existência e a atuação desta instância de controle e que com certeza não está ativa.
Para complementar os depoimentos, citamos a fala da Secretária do Conselho de Educação da gestão 2005-2006, que ao indagarmos sobre a mesma questão, relata:
Olha, não participei dessa comissão, não participo, não faço parte dessa comissão, mas é, também não tenho conhecimento se eles ainda estão exercendo sua função ou não, mas eu acho assim, teria que funcionar. Como foi feito o Plano Nacional, teria que essa comissão verificar se realmente está sendo feitas as propostas que foram colocadas no Plano Nacional, então realmente eu não sei a que pé que está, e como eles estão, e se eles estão fazendo essa verificação ou não69.
Considerando a formalização da Comissão de Acompanhamento do Plano Municipal, por meio do Decreto n.º 78/08, que designa representantes para efetivar o controle social da Execução do Plano, entrevistamos duas representantes, objetivando identificar a atuação dos membros da comissão durante o período de sua existência.
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Entrevista concedida a Angelo Juliano Carneiro Luz pela coordenadora pedagógica de uma instituição de ensino, realizada em 18 de junho de 2014.
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Entrevista concedida a Angelo Juliano Carneiro Luz pela Secretária do CME da gestão 2005-2006, em 15 de junho de 2014.
80 Foram escolhidas, a representante do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMDCA), e uma representante do Corpo Docente Municipal, as quais relatam os acontecimentos posteriores à reunião realizada no dia 26 de agosto de 2008.
A representante do CMDCA relata que a princípio recorda de participar de uma reunião, aonde foram apresentados dados e o orçamento do município e que não possui conhecimento sobre a concepção de mundo que alicerçava a elaboração do Plano Municipal, bem como dos objetivos elencados no documento. Ao indagarmos se foi participante no processo, ela indica: “Eu fui indicada pelo conselho, mas a minha atuação não foi efetiva70”.
Em relação à composição da comissão para acompanhamento do Plano Municipal de Educação a qual é representante, relata:
Eu fui indicada no Conselho para fazer parte dessa comissão, e participei então nesse primeiro momento, nessa reunião, achei muito interessante porque foram apresentados vários dados, orçamentos e uma visão geral da situação do município, mas talvez por culpa minha, não fui tão efetiva porque não, né, não fiquei a par de tudo que estava acontecendo, não pude também acompanhar, nem me recordo também de ser convocada para mais reuniões.71
A representante do CMDCA considera importante o processo de elaboração e acompanhamento de um Plano Municipal de Educação, porém destacamos que ela foi incluída no decorrer das ações, fato que tolheu a sua efetiva participação, pois o processo já estava em andamento, isso não permitiu que a mesma pudesse se dispor a contribuir ativamente no desenvolvimento das ações posteriores a sanção do Plano. A formalidade da representação indica o que Lima & Nunes (2011) asseveram sobre a participação fictícia, informacional e controlada, pois a presença do sujeito restringe-se a compor a efetivação do ato legal.
Nesse sentido, corrobora com a nossa análise, o depoimento da professora da rede municipal de ensino, que representava o Corpo Docente Municipal na Comissão de Acompanhamento do Plano Municipal, aonde relata que não tinha
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Entrevista concedida a Angelo Juliano Carneiro Luz pela representante do CMDCA, realizada em 07 de novembro de 2014.
71 id.
81 conhecimento a respeito da concepção de mundo e dos objetivos contidos no Plano, bem como não participou do início ao fim do processo:
Então, eu lembro bem assim, de uma reunião apenas. De uma reunião eu lembro até porque me marcou a questão do pátio coberto da nossa escola, que teve uma data que ficou definida para entrega do pátio coberto, única reunião, ainda eu lembro que ela tinha poucos representantes, foi uma reunião bem rápida e que ela ficou de remarcar novamente e depois disso nunca mais, não lembro de mais nada.72
Diante destes depoimentos, concluímos que não ocorreu o prosseguimento da ação proposta pela SMEC, à comissão não deu continuidade aos trabalhos de controle social, e a gestão do Plano Municipal de Educação ficou a cargo exclusivo da Secretaria Municipal de Educação de Carambeí.
Do processo de elaboração e acompanhamento do Plano Municipal de Carambeí, mediante o Controle Social, podemos inferir que nas relações de força, prevaleceram à hegemonia da ordem capitalista, expressa por um movimento conjuntural de caráter imediato, que conforme Gramsci apud Coutinho (2011, p. 125) equacionado no movimento da “[...] grande política tentar excluir a grande política do âmbito interno da vida estatal e reduzir tudo a pequena política”.
Caracterizado assim, pela pequena política, que envolve a preocupação em questões pontuais, e restrita aos responsáveis pela dominação da classe trabalhadora em engendrar, ideologicamente, a manutenção dos interesses do modo de produção vigente, contudo a investigação propiciou à crítica histórico-social, compreensão desse movimento que se apresentou no processo de elaboração do Plano Municipal, tendo em vista possibilitar uma maior amplitude de intervenção, a qual corresponde ao „dever ser‟.
Uma ação que engendre essa perspectiva pauta-se na existência de sujeitos comprometidos, envolvidos nos processos decisórios, de forma consciente, das condições objetivas, de sua posição na história, que promova uma nova ética política, ou seja, consubstancie a responsabilidade de promover a mudança e a transformação histórica da realidade, uma personificação do conceito de intelectual orgânico.
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Entrevista concedida a Angelo Juliano Carneiro Luz pela representante do Corpo Docente Municipal, realizada em 06 de novembro de 2014.
82 Dialeticamente, as contradições produzidas e as mediações presentes, produziram como afirma Lima (2011), quase participações, quase democracia, quase Plano produzido no coletivo. Porque o processo de participação em Carambeí exemplifica a situação de um Plano elaborado a partir de elementos previamente estipulados, como aconteceu nos trâmites do Plano Decenal, na elaboração do PDE, que reflete conforme Brzezinski (2003 p. 35):
O mundo oficial demonstra cautela ou temor diante de uma participação efetiva do mundo dos educadores, do mundo real, na elaboração dos planos. Uma prova disso é o seguinte enunciado do documento que expressa à importância da habilidade na condução do processo participativo para evitar „o assembleísmo ou a abertura de intermináveis debates, que apenas alimentam as divergências e não chegam à conclusão nenhuma.
Portanto, não ocorreram impasses na elaboração do documento Plano Municipal, foi orquestrado conforme o movimento neoliberal categorizado pelo processo histórico que consolida a reforma do aparelho do Estado, e que coloca o Controle Social no seu devido lugar, um agente comportado e dentro das linhas estipuladas pelo Estado gerencial, descentralizador-centralizador, no qual a sociedade civil é refém do poder hegemônico das concepções políticas neoliberais, entendendo que o movimento de elaboração do Plano Municipal contêm elementos de classe incorporados nas relações políticas que mediaram o processo, os próprios funcionários do executivo, que estão no seio do Estado permaneceram no estado corporativo-passional, determinado pela classe hegemônica que articula o processo, acabando por descaracterizar a participação (POULANTZAS, 1985).
É preciso avançar „muito‟ no terreno da perspectiva de Controle Social, pois entre as forças objetivas e o descompasso da ação política existe a mediação de pressupostos neoliberais coordenados por roteiros pré-estabelecidos, a partir dos quais os sujeitos envolvidos apresentam desinformação, falta de consciência de classe, desorganização coletiva, e a presença destes no estado corporativo- passional.
1.3. UMA ABORDAGEM DA SOCIEDADE CIVIL SOB A PERSPECTIVA DE