• Nenhum resultado encontrado

- A Consulta de Enfermagem a Adolescentes

No documento Assistência de Enfermagem por Ciclos de Vida (páginas 109-116)

O Ministério da Saúde preconiza o uso de um Instrumento para a realização da Consulta de Enfermagem que se encontra no manual “A Saúde de Adolescentes e Jovens”. Você pode acessar esta publicação no ambiente virtual do curso.

Pontos específi cos a serem abordados durante a consulta servem como norteadores durante o diálogo; estes pontos são descritos abaixo:

Vulnerabilidade: investigar comportamentos de risco, envolvimento em práticas ilícitas, condições sociais e companhias com negativa infl uência, planos futuros e relacionamento familiar.

Sexualidade e contracepção: orientar e esclarecer dúvidas relativas aos métodos disponíveis e mais recomendados à sua faixa etária, desmistifi car e tranquilizar os adolescentes quanto aos mitos relacionados à sexualidade e incentivar a adesão ao uso da camisinha (masculina e feminina).

História pregressa de doenças: Investigar casos familiares de doenças sistêmicas, hereditárias/genéticas e o uso de medicações.

Atividade física: investigar sedentarismo, atividade inadequada para a fase de desenvolvimento, frequência e regularidade.

Acuidade visual e auditiva: questionar sobre a qualidade desses dois processos e possíveis difi culdades escolares associadas.

Calendário vacinal: solicitar cartão de vacinas e investigar imunização realizada na infância e adolescência.

Alterações na pele: por ação hormonal, a pele dos adolescentes tende a fi car mais oleosa, o que favorece o

VAMOS SABER MAIS!

surgimento de acne e dermatite seborreica, também comum nesta fase; ambas prejudicam a autoimagem do adolescente.

Avaliação da acuidade visual e auditiva: a avaliação da qualidade da audição e da visão é fundamental à detecção de alterações na acuidade auditiva e acuidade visual, podendo indicar disfunções que requeiram avaliação minuciosa e acompanhamento de profi ssional especializado.

Condições Gerais de higiene: atentar para a higiene do couro cabeludo, pele e unhas, observar cavidade oral e odores decorrentes do desenvolvimento das glândulas sudoríparas.

Alterações posturais: fatores comuns na adolescência em decorrência, principalmente, do estirão de crescimento, as alterações posturais - Cifose, Lordose e Escoliose - devem ser observadas. Alertar para o excesso de peso nas mochilas e a posição inadequada nas carteiras escolares.

Condições psicoemocionais: observar comportamentos sugestivos de alteração, como agressividade, nervosismo, depressão, ansiedade, hiperatividade, apatia e isolamento social. Investigar possíveis abusos sexuais, violência e negligência.

Alimentação: verifi car a qualidade da alimentação, orientando de acordo com a situação econômica do adolescente.

Estar atento a sinais e sintomas relacionados a distúrbios alimentares, como Anorexia, Bulimia e Obesidade.

Genitália: observar o desenvolvimento sexual, utilizando a tabela de Tanner, conferindo se está adequado para a idade.

Realizar o exame de mamas, atentando para a presença de ginecomastia nos meninos. Realizar exame colpocitológico nas meninas ou encaminhá-las para a Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua residência.

Existem ainda mais alguns pontos que você deve lembrar ao realizar sua consulta de enfermagem:

• Cada adolescente consultado é singular, sendo necessário adequar a abordagem do profi ssional.

• O exame físico deve ser realizado em local privativo e de preferência com a presença de outro profi ssional ou membro da família, resguardando o profi ssional de qualquer interpretação equivocada.

• Todo procedimento realizado com o adolescente deve ser explicado, não deixe o adolescente se sentir alheio ou preocupado com terminologias científi cas.

A Sistematização da Assistência de Enfermagem-SAE é uma atribuição específi ca do enfermeiro e deve fazer parte da Consulta de Enfermagem.

Você pode desenvolver a SAE baseando-se nos Diagnósticos de Enfermagem da NANDA ou na Classifi cação Internacional das Práticas de Enfermagem em Saúde Coletiva – CIPESC. Esse material se encontra disponível no ambiente virtual.

Segue abaixo um exemplo utilizado em casos de adolescentes usuários de drogas:

VAMOS SABER MAIS!

Quadro 1 - Diagnóstico de Enfermagem: Uso de álcool e outras drogas

Fonte: CIPESC

Intervenções Responsável

Auxiliar nas mudanças de hábitos Enfermeiro

Comparecer diariamente a US para uso de medicamentos, controle da PA e

hidratação Usuário

Encaminhar para grupo de autoajuda Enfermeiro

Esclarecer dúvidas quanto ao uso de drogas Enfermeiro

Estabelecer relação de confi ança com o paciente Enfermeiro Identifi car rede de apoio familiar e comunitário Enfermeiro

Inscrever no programa de saúde mental Enfermeiro

Inserir o paciente em atividades recreativas e educativas da US Enfermeiro Investigar o uso de medicamentos ou outras drogas Enfermeiro

Monitorar através de visita domiciliar Enfermeiro

Orientar os prejuízos do uso de drogas para a mãe e bebê Enfermeiro Orientar sobre grupos de autoajuda: AA, ALANON Enfermeiro

Orientar sobre as crises de abstinência Enfermeiro

Realizar visita domiciliar Enfermeiro

Solicitar o comparecimento dos familiares para esclarecimentos da doença Enfermeiro

REFERÊNCIAS

AGÊNCIA NACIONAL DOS DIREITOS DA INFÂNCIA – ANDI, ANO 06, N. 277, 2002.

CAMPO, S. Aborto. Disponível em: www.drashirleydecampos.

com.br. Acesso em: 13.03.2010.

FANTE, C.A.Z. O fenômeno bullying e as suas consequências psicológicas. Disponível em: www.psicologia.org.br. Acesso em:

13.03.2010.

FERRIANI, M.G.C.; SANTOS, G.V.B. Adolescência, puberdade e nutrição. In: Adolescer: compreender, atuar, acolher: Projeto Acolher / Associação Brasileira de Enfermagem. Brasília: ABEn, 2001.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE.

Projeção da População do Brasil, 2008. Disponível em: www.

ibge.gov.br. Acesso em: 13.03.2010.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE.

Cresce número de mortes violentas de jovens. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/noticias/ Acesso em:

13.03.2010.

MARQUES, A.C.P.R.; CRUZ, M.S. O adolescente e o uso das drogas. Ver. Brás. Psiquiatria. Vol. 22. São Paulo, 2000.

MARQUES-LOPES, Iva et al . Aspectos genéticos da obesidade.

Rev. Nutr., Campinas, v. 17, nº 3, set. 2004 . Disponível em

<http://www.scielo.br/scielo. Acesso em: 17.03.2010.

MÜLLER, R.C.L. Obesidade Exógena. In: BEZNOS, C.G.W.;

FRANÇOSO, L.A. Medicina do Adolescente. 2ª ed. São Paulo:

Sarvier, 2003.

NEAD - Núcleo Einstein de Álcool e Drogas do Hospital Israelita Albert Einstein. Álcool e Drogas sem distorção. Disponível em:

www.einstein.br/alcooledrogas. Acesso em: 14.03.2010.

PEREIRA, S.M.; SANTANA, J.S.S.; FERRIANI, M.G.C. Violência rima com adolescência? In: Adolescer: compreender, apoiar e acolher. Projeto Acolher/Associação Brasileira de Enfermagem – ABEn, 2001.

SAITO, M.I; SILVA, L.E.V Obesidade na Adolescência. In:

Adolescência, prevenção e risco. São Paulo: Atheneu, 2001.

SCIVOLETTO, S. Abuso e Dependência de Drogas. In:

Adolescência, prevenção e risco. São Paulo: Atheneu, 2001.

No documento Assistência de Enfermagem por Ciclos de Vida (páginas 109-116)