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CAMBIO E O HORIZONTE DE ÉPOCA DO SOCIALISMO COMUNITÁRIO

A preservação da forma comunidad, de modelos de autogoverno autóctones,

de tipologias de apropriação do solo distintas da capitalista privado-individual e de

combinações mais ou menos flexíveis de trabalho associado, por mais que em graus

díspares e por vezes em escala residual, consubstanciam uma formação social

particular da Bolívia. Conforme demonstrei neste capítulo, considerando as

contribuições de Marx, Engels e García-Linera, tais elementos comunitários

aparecem como potencialidade para a constituição de outro padrão de sociabilidade,

quando conjugados com o domínio do poder político e o desenvolvimento de forças

produtivas que assegure algum nível de abundância capaz de garantir uma

adequada reprodução social da população boliviana.

Ressalto que, em outro momento histórico, os espanhóis aproveitaram-se do

regime mitayo de exploração do trabalho, desenvolvido durante o Império Inca, para

redirecioná-lo e desenvolver o modo de produção capitalista mercantil. Da mesma

maneira, a não realização plena do indivíduo liberal e do assalariamento possibilitam

um substrato para o trabalho associado e a propriedade comum de meios de

produção. García-Linera (2009) debruçou-se no cárcere sobre a possibilidade

socialista nos Andes, decorrente da organização rural e comunitária em Ayllus.

Materializando-se a abstração teórica da forma comunidad, tem-se que, no

atual processo em curso, o indígena camponês realizou-se como sujeito político,

histórico – protagonizou a crise estatal deste século XXI e, a partir daí, exerceu a

liderança do processo –, mas encontra dificuldades para realizar-se como sujeito

econômico, pressuposto para a expansão da forma comunidad. Comentando sobre

a base material do novo bloco histórico, García-Linera (2013a, p. 91-92) aponta que:

Su base material económica la constituye la pequeña producción mercantil, tanto agraria como urbana, la misma que caracterizó a la multitud movilizada en las grandes rebeliones sociales semi insurreccionales de 2000 a 2003. En ese bloque dirigente destacan campesinos indígenas con vínculos regulares con el mercado (el trópico [Chapare] y valles de Cochabamba; zonas de colonización en el oriente; comunarios del altiplano paceño, orureño, chuquisaqueño y potosino; valles tarijeños), indígenas campesinos de tierras bajas y de los ayllus andinos, también pequeños productores urbanos y sectores con actividad mercantil relativamente avanzada, entre los que se puede hablar de la presencia de un tipo de ‘empresariado de origen popular’ que auto identificado más como trabajador que como burguesía, abastece el mercado interno.

Esta base econômico-social, contudo, não tem o condão de produzir

excedentes capazes de alterar as condições de reprodução social do povo boliviano.

Por outro lado, a burguesia boliviana, historicamente débil e, após 2005, por vezes

em conflito aberto

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com o bloco histórico ascendente, tampouco poderia sustentar

outro padrão de desenvolvimento para o país

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.

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Aguilar-Gómez (2014, p.18 e 19) contava-me sobre as tentativas de boicote da burguesia local no período de transição, no empate catastrófico: “Nos vino el problema de una zafra muy baja caída en

O gráfico abaixo demonstra o grau de necessidades básicas insatisfeitas

quando da chegada de Evo-Linera ao governo, bem como que persistem demandas

elementares para a reprodução social de amplas massas bolivianas:

Gráfico 1 – População com necessidades básicas insatisfeitas, por área, censos 1976-2012, em

porcentagem

Fonte: Instituto Nacional de Estadistica – Unidad de Análisis de Políticas Sociales y Económicas (UDAPE)

Gráfico transcrito e adaptado pelo autor.

la producción de azúcar, empresarios sacando azúcar, boicot de los empresarios para no haber azúcar, crisis de azúcar, subida del precio y ahí estábamos entrando en una situación parecida a nuestros hermanos en Venezuela, muy crítica, desabastecimiento, etc. Se vino el, ta, primero corte, no hay exportación de azúcar y comienzan a fiscalizar, decomiso de azúcar que esté siendo exportada. Segundo, no podemos, igualito, no ha habido producción, no ha habido zafra, nos falta azúcar, ya. ¿Cuánto te falta? No me acuerdo cuanto era...500.000 toneladas de azúcar. “Tráigalas. ¿Qué país nos puede vender ahoritita 500.000 toneladas de azúcar? Colombia, compren a Colombia tráigase y listo, crece el MAPA, la empresa de producción...o sea a ella llegan 400.000 toneladas de azúcar y comienza a distribuir a los mercados. […] Pollo, harina, azúcar, aceite, son los elementos que eran más controlados por una agro-industria que manejada y controlada por Santa Cruz y los sectores más reaccionarios querían crear algo vulnerable. Se los ha tumbado con el tema de importación. Nosotros hemos tenido esa posibilidad porque somos economía todavía pequeña, un mercado pequeño y que con una cantidad pequeña puedes meterle una buena inyección a la economía.

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Em recente texto, García-Linera (2016) cunhava a denominação “burguesía offshore”: “La burguesía offshore tiene un pie en el lugar donde genera recursos, extrae materias primas, aprovecha mercados cautivos, hace negocios en base a favores políticos; pero a la hora de pagar impuestos, tiene el otro pie fuera del país; se refugia en paraísos fiscales para no pagar impuestos; se registra en una empresa offshore para proteger patrimonio, esconder propiedad y guardar dividendos. Se trata de una burguesía sin lealtad territorial y sin ningún tipo de apego nacional. El país donde proceden sus ganancias es solo un enclave laboral al que hay que sacarle todo lo que se pueda y al que hay que dejarle nada. La gente laboriosa que produce sus ganancias son solo mitayos modernos cuya vida importa menos que una taza de café”.

85,5 70,9 58,6 44,9 66,3 53,1 39,0 28,2 98,6 95,3 90,8 79,8 0 20 40 60 80 100 120 1976 1992 2001 2012