1 CONHECENDO O CAMPO DA PESQUISA

1.4 A Escola Flor do Sertão

A escolha da Flor do Sertão, escola da Rede Municipal de Ensino de Guanambi, lócus desta pesquisa, ofereceu-nos as seguintes condições de trabalho: pertencia à Rede Pública de Ensino; atendia alunos da EJA, prioritariamente, da Aceleração I; estava em atividade no ano de 2012; e apresentava, em seu currículo, grande número de edições da atividade intitulada Noite Cultural da EJA. Tendo em vista essas especificações, fizemos, inicialmente, um levantamento, na SME/GBI, de todas as escolas que ofereciam a modalidade EJA. Em seguida, selecionamos aquelas que já participaram de uma ou mais edições das Noites Culturais. De posse desses dados, das oito escolas ativas no ano de realização desta pesquisa, apenas duas havia participado de todas as edições da referida atividade, inclusive, uma tinha

sido lócus da pesquisa A Inserção dos egressos da educação popular na escola pública: tensão entre regulação e emancipação (dissertação de mestrado) de autoria de Sônia Maria Alves de Oliveira Reis. Além disso, naquele momento, as turmas da Aceleração I, daquela instituição estavam sendo acompanhadas por estagiários por tempo indeterminado, o que nos levou a descartá-la. Assim, optamos pela outra escola, a qual nomeamos Flor do Sertão.

Vale ressaltar que, desde novembro de 2011, as escolas da Rede Municipal de Ensino foram comunicadas da nossa intenção de pesquisa. Além disso, a SME, no mesmo período, assinou o termo de consentimento livre e esclarecido concedendo-nos os espaços escolares que atendem à Modalidade da EJA, sob sua jurisdição, para campo de nossa pesquisa, quando apresentamos à SME (Secretária Municipal de Educação e Coordenadora Pedagógica da EJA na rede) os propósitos da investigação.

Isso posto, a Escola Municipal Flor do Sertão foi autorizado pelo Decreto nº 37/88 em 12/04/1988 e Ato de Criação Municipal, Lei Nº 24 de 12/04/1988, porém, já funcionava desde 1987. Começou a atender à EJA, em nível da Alfabetização e Séries Iniciais/Anos Iniciais do Ensino Fundamental, desde o início da década de 1990. No entanto, esse público-alvo era inserido no senso escolar até 2008, como alunos do Ensino Regular para que fossem contemplados pelo FUNDEF e FUNDEB.

Atualmente, com sede própria, a escola Flor do Sertão está instalada num prédio construído há cerca de vinte e cinco anos, e considerado velho por sua comunidade. Funciona nos três turnos, com 17 turmas assim distribuídas: 3 classes da Educação Infantil, 11 classes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e 3 da Educação de Jovens e Adultos. A escola conta com 7 salas de aula, 1 sala da direção, 1 laboratório de informática, 1 sala (reforço, almoxarifado, reunião com professores), 1 quadra poliesportiva, 1 sala de recursos multifuncionais, 1 cantina e 3 banheiros. As salas são amplas, exceto a da direção. A conservação do prédio é regular, pois apresenta problemas relacionados à iluminação e ventilação. Trata-se de uma construção de pequeno porte, que demanda muitas despesas para sua manutenção.

O quadro administrativo é formado por três gestoras (uma diretora, uma vice-diretora e uma coordenadora pedagógica) com formação em pedagogia e especialização em áreas afins, seis auxiliares de serviços gerais com formação de ensino médio, em sua maioria, e um guarda.

Com referência ao corpo docente, é composto por dezesseis professores, sendo quatorze com licenciatura em Pedagogia, um com Normal Superior e um com formação em

nível médio. Vale ressaltar que, onze desses profissionais possuem pós-graduação em nível de especialização, em áreas afins da Pedagogia.

A escola atende a alunos de 4 a 71 anos de idade, advindos dos bairros próximos e também de várias localidades da zona rural. Além da escolarização dos alunos, nas etapas de Educação Infantil, Anos Iniciais do Ensino Fundamental e Modalidade de Educação de Jovens e Adultos, a escola está cadastrada no Sistema Integrado de Monitoramento Execução e Controle do MEC (SIMEC) pelo programa Mais Educação38, implantado em junho de 2011. Portanto ela atende a 120 crianças de 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, com oficinas pedagógicas realizadas diariamente, no turno oposto ao de estudo dos alunos.

Segundo a coordenadora do programa na Rede Municipal de Ensino de Guanambi, as oficinas foram pensadas a partir do levantamento das necessidades e desejos dos educandos, assim definidos: letramento, informática, futsal, xadrez e teatro. Elas são desenvolvidas por pessoas da comunidade local, denominadas monitoras, as quais recebem apenas auxílio transporte para ajuda de custo. Esse Programa, no entanto, não atende à EJA.

Além disso, a escola trabalha em parceria com a UNEB/CAMPUS XII, no projeto de extensão Alfabetização em Foco. A universidade oferece os monitores para acompanhamento das turmas do ciclo de Alfabetização; o Instituto Euvaldo Lodi, com a monitoria do Laboratório de Informática, permite aos alunos o acesso à cultura digital; além do Reforço Escolar aos alunos dos primeiros Anos do Ensino Fundamental. Entretanto, a parceria também não abarca a EJA.

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O Programa Mais Educação, instituído pela Portaria Interministerial nº 17/2007 e regulamentado pelo Decreto 7.083/10, constitui-se uma estratégia do Ministério da Educação para induzir a ampliação da jornada escolar e a organização curricular na perspectiva da Educação Integral. As escolas das redes públicas de ensino estaduais, municipais e do Distrito Federal fazem a adesão ao Programa e, de acordo com o projeto educativo em curso, optam por desenvolver atividades nos macrocampos de acompanhamento pedagógico; educação ambiental; esporte e lazer; direitos humanos em educação; cultura e artes; cultura digital; promoção da saúde; comunicação e uso de mídias; investigação no campo das ciências da natureza e educação econômica. É coordenada pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI/MEC), em parceria com a Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC) e com as Secretarias Estaduais e Municipais de Educação. Sua operacionalização é feita por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Disponível em http://portal.mec.gov.br, acesso em 01 /04/12.

No documento O diálogo entre cultura escolar e cultura popular na educação de jovens e adultos e numa Escola de Guanambi (BA) (páginas 64-67)