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5.3.1 – A estimativa do risco de doenças

No documento A Protecção Integrada (páginas 78-81)

A avaliação da intensidade de ataque de doenças normalmente é realizada atra- vés da técnica de observação visual, podendo recorrer-se, no caso do pedrado-da-pereira ou do pedrado-da-macieira, também à contagem de ascósporos, durante o período da sua emissão, através da utilização de armadilhas designadas capta-esporos (Fig. 27)

(85).

Na observação visual procede-se à identificação do patogénio através da observa- ção do sinal, ou seja, de micélio ou de esporos de fungos ou de sintomas como necroses ou perfurações nas folhas, frutos ou caules ou galhas nas raízes da planta atacada. Se a identificação do patogénio pode ser realizada com alguma facilidade em relação às doenças mais frequentes de certas culturas, frequentemente só através de técnicas

laboratoriais e recorrendo a especialistas é possível esclarecer, com rigor, esta questão tão importante.

Os períodos de risco, de particular importância para algumas doenças como oídio-

-da-videira (cachos visíveis, pré-floração à alimpa e fecho dos cachos) (15), são condici-

onados por factores abióticos como temperatura, humidade relativa e chuva e factores bióticos como a susceptibilidade das variedades e de alguns estados fenológicos.

Os factores de nocividade são variáveis com a natureza da doença, mas em cul- turas perenes como a vinha e as pomóideas é muito importante ter presente a história da cultura, isto é, a frequência com que nos últimos cinco a 10 anos se registaram ataques mais ou menos graves das várias doenças.

No caso particular da vinha normalmente os factores abióticos têm importância decisiva, por exemplo a temperatura, a humidade relativa, a chuva e a duração de humectação da folha no caso do míldio e da podridão-cinzenta da vinha. Entre os facto- res bióticos destaca-se a natureza do patogénio e a sua fase de desenvolvimento, a presença e quantidade de inóculo e a resistência a fungicidas. Nos factores culturais destaca-se, pela sua importância, a susceptibilidade da casta, o vigor, o arejamento e a natureza, drenagem e encharcamento do solo (Quadro 9).

Factor míldio oídio podridão-

-cinzenta

História história da vinha x x

Abiótico temperatura x x x

humidade relativa elevada x x

chuva x x

duração de humectação da folha x x

Biótico espécie de patogénio

fase de desenvolvimento do patogénio x x

presença em hospedeiros (ex.: outras vinhas na vizinhaça) x x

resistência do patogénio a fungicidas x x x

inóculo presente nos sarmentos x x

Cultural susceptibilidade da casta ou clone x x x

fase de desenvolvimento da cultura x x x

sistema de condução x x x

vigor (porta-enxerto, poda, adubação azotada) x x x arejamento (sistema de condução, poda, ladrões, intervenção em verde) x x x

exposição da vinha e dos cachos ao Sol x x

feridas nas folhas x

natureza do solo x x

drenagem do solo x x

encharcamento do solo x x

rega x

enrelvamento x

Quadro 9 – Factores de nocividade de particular interesse em relação a míldio, oídio e

Em geral é escassa a informação disponível sobre as técnicas de estimativa do

risco de doenças.

Nas regras de protecção integrada de arroz, cereais de Outono/Inverno e milho (47),

citrinos (46), oliveira (52), pomóideas (35), prunóideas (76) e vinha (50), a estimativa do

risco é consideradasomente para três doenças das pomóideas – oídio-da-macieira,

pedrado-da-macieira e pedrado-da-pereira – a par da disponibilidade de níveis económicos de ataque.

No Manual de Protecção Integrada de Culturas Hortícolas (64) que abrange 13 cultu-

ras, somente em 10 doenças do morango é considerada a estimativa do risco:

• observar três folhas por planta quando se verificarem condições climáticas

favoráveis à infecção (alternariose, antracnose, coração-vermelho-do-rizoma, -coração-vermelho-das-raizes, doença-das-manchas-castanhas, manchas- -vermelhas, manchas-púrpuras, oídio e podridão-cinzenta);

• observar a presença de frutos atacados quando se verificarem condições climáticas

favoráveis à infecção (Rizophus stolonifer);

• observar três folhas por planta quando se verificarem condições edafoclimáticaas

favoráveis à infecção (rizoctonia).

Na tomada de decisão aconselha-se: em relação às viroses de várias culturas a intensificação de observações quando se detectarem vectores; e no caso das nematoses

de várias culturas (cenoura, feijão-verde, melão, morango, pimento e tomate) (64):

• conhecimento dos nemátodes presentes no solo, pela monitorização prévia de

galhas em culturas anteriores;

• observar na parte área da planta o eventual amarelecimento das folhas;

• aparecimento de folhas amareladas no estrato inferior da planta e/ou das

primeiras galhas nas raízes.

Nos dois livros sobre Produção Integrada da Pêra Rocha (13) e Protecção Integrada

da Vinha na Região Norte (15) indicam-se para todos os inimigos, incluindo as doenças,

sempre que se justifique, a intensidade de ataque, os períodos de risco e os factores de nocividade.

Nos cursos de Protecção Integrada da Vinha, SAPI/ISA, realizados entre 1995 e 1999, procedia-se, nas observações semanais, na vinha da Tapada da Ajuda e nas vinhas dos alunos, à determinação da intensidade de ataque num percurso ao longo da vinha e através da avaliação da presença de sintomas e da respectiva intensidade de ataque de míldio, oídio e podridão-cinzenta, adoptando a classificação seguinte:

0 – ausência;

1 – presença incipiente; 2 – ataque médio;

3 – ataque intenso (15).

Para a estimativa do risco de oídio, míldio e podridão-cinzenta e o condicionamento

da tomada de decisão foram adoptadas as orientações seguintes (20):

“Na estimativa do risco do oídio é fundamental conhecer a vinha e, em particular, a presença de castas susceptíveis, a história dos ataques de oídio nos

anos anteriores e a presença de ataque de oídio em vinhas próximas, o que condicionará a probabilidade de realizar, com rigor, os tratamentos obrigatórios nos estados fenológicos de maior sensibilidade (cachos visíveis, floração-alimpa e bago de ervilha) ou, até, de realizar menor número de tratamentos. Verifica-se, assim, a importância do estado fenológico e da natureza e história da vinha para decidir os tratamentos obrigatórios a efectuar com carácter preventivo.

Se houver sintomas de ataque é essencial acompanhar a evolução desses sintomas, tendo sempre presente a importância de temperaturas favoráveis (em especial 25 a 28 °C) e da chuva (pela lavagem que poderá ocasionar em certos fungicidas), para realizar outros tratamentos considerados indispensáveis.

Para o míldio, o apoio dos Avisos é muito importante, assim como a evolução da chuva. As temperaturas mais favoráveis ao desenvolvimento do míldio, cerca dos 25 °C (com mínimo de 11 °C e máximos de 30 a 35 °C), devem ser, também, tomadas em consideração.

Após a presença de infecções primárias do míldio ou dos primeiros sintomas, a evolução das condições meteorológicas é determinante para a evolução desta doença e a indispensabilidade de proceder a tratamento.

São consideradas épocas mais susceptíveis ao míldio as 4-8 folhas, a floração- -alimpa e o pintor.

A podridão-cinzenta, também muito favorecida pela chuva, além dos prejuízos que pode causar durante a floração (e, por vezes, até antes da floração) e antes do fecho dos cachos, é particularmente de temer ao pintor e depois, em especial, perto da vindima.

Em conclusão, além da importância da história da vinha e da natureza das suas castas (pela sua maior susceptibilidade ao oídio e também ao míldio e à podridão-cinzenta), os estados fenológicos mais susceptíveis e a evolução das condições meteorológicas condicionam o risco dos ataques destas doenças.

Se, após sucessivas visitas, não houver sintomas de ataque, mas outros factores de risco, em especial as condições meteorológicas, forem favoráveis, a prudência exige que se proceda regularmente à determinação da intensidade do ataque destas doenças.

Ter ainda presente que a persistência dos fungicidas é limitada e condicionada pela maior ou menor produção de novas folhas e pelas condições meteorológicas, em particular a chuva.”

No documento A Protecção Integrada (páginas 78-81)