5.2 O que são idade e envelhecimento?
5.2.1 A experiência do amadurecimento e a maturidade
Nesta parte do trabalho, abordaremos o sentido atribuído ao envelhecimento a partir da experiência de amadurecimento e maturidade relatada pelas mulheres executivas. A partir da fala das entrevistadas, é possível verificar que o amadurecimento e a maturidade são fenômenos distintos do envelhecimento. Para elas, amadurecimento e maturidade estão associados a elementos positivos, como sabedoria e experiência de vida; já o envelhecimento
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está relacionado a elementos negativos, como declínio físico e perdas. A análise referente à experiência do amadurecimento e a maturidade é explorada a partir do sentido atribuído a esses termos, além do sentido atribuído à idade, como veremos a seguir.
Sentido do amadurecimento e maturidade
O sentido atribuído ao amadurecimento e maturidade pelas mulheres executivas é construído a partir da diferença entre estes fenômenos e o envelhecimento. Na fala de Anita, 45 anos, fica explícita a distinção entre eles. Quando questionada a respeito da sua identificação com o processo de envelhecimento, ela respondeu:
Num processo de envelhecimento? Não. Eu não sinto que teve um... “ai, estou ficando velha, estou envelhecendo...”, o que eu sinto de diferença e com relação ao amadurecimento, que eu não acho que tem a ver com o envelhecimento. Eu acho que e diferente. O amadurecimento você começa a olhar pra fora, o ponto de valores e importante enquanto você tem 20, 30 anos talvez não seja tão importante, valores, família, alguns princípios são importantes, você valoriza certas coisas e você passa a ser muito mais tolerante com o mundo. Isso sim eu identifico que vem acontecendo comigo, mas não envelhecimento, ate porque cabelo branco eu tinha com 20 anos.
O primeiro dado que chama a atenção na fala de Anita é a negação com relação ao envelhecimento. O segundo, é a diferença entre o significado dos termos amadurecimento e envelhecimento. Para ela, amadurecimento está relacionado à priorização de valores e princípios pessoais. Na medida em que ela alega que possuía cabelos brancos desde os 20 anos de idade e que, por esta razão, não justificaria afirmar que está envelhecendo, então, o envelhecimento parece ser conhecido por Anita a partir da aparência física dos cabelos brancos. Rosa, 56 anos, também diz não se identificar com o processo de envelhecimento, mas com a maturidade. Ela trata a maturidade a partir de características positivas e relata a questão da idade como algo negativo associado à limitação física:
Eu acho que e mais a maturidade. Porque eu posso dizer assim: tem muita coisa que me deixava mais irritada talvez com menos idade e que hoje já não me afeta tanto e isso eu acho que faz muita diferença. Agora tem a questão também de...a idade tem um peso... então tem muita coisa... assim... eu não tinha problema de correr pra cá, correr pra lá, e hoje eu já tenho uma certa limitação...
Por um lado, Rosa associa a maturidade à uma mudança de comportamento ligada à maior tolerância. Por outro, alega que a “idade tem um peso” – expressão utilizada para justificar sua limitação com relação à mobilidade física. Esta expressão foi utilizada por várias mulheres executivas para demonstrar o lado negativo que o envelhecimento possui. Cora, 60 anos, comentou que “até os 50 anos parecia que eu tinha 20 pro pique do trabalho… eu demorei
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muito pra idade pesar”. Assim, a expressão “sentir a idade” está relacionada à percepção dos efeitos do envelhecimento, tema que será abordado de forma ainda mais profunda na próxima seção. O amadurecimento e a maturidade não estão somente ligados aos valores pessoais e tolerância, mas também ao autoconhecimento e respeito próprio. Valentina, 58 anos, comenta:
A maturidade traz isso, autoconhecimento e traz uma outra coisa que e a gente conseguir lidar com as questões pessoais, por exemplo, eu com minhas limitações, com mais tolerância tambem. Então, eu consigo olhar quais são os meus limites, consigo perceber ate onde eu consigo dar resposta e a partir dai o que eu não consigo mais, e eu respeito isso, coisa que no passado era mais dificil.
Para Marion, 53 anos, maturidade trouxe mais do que autoconhecimento – ela também se mostrou fonte de serenidade e evolução espiritual:
A maturidade me deu serenidade. Eu evoluí espiritualmente.
Amadurecimento e maturidade estão associados aos seguintes fatores: priorização de valores, autoconhecimento, respeito próprio, evolução espiritual e serenidade. Envelhecimento, por outro lado, está associado às mudanças e às limitações físicas corporais. Agnes, 49 anos, complementa a definição dos termos com a perspectiva negativa sobre o envelhecimento que também representa como ele é entendido pelas mulheres executivas:
Existe uma diferença entre amadurecimento e envelhecimento. A diferença esta em quanto você esta disposto a aprender, a se atualizar, a conhecer mais coisas, a associar o conhecimento, construir, sair da zona de conforto. Isso e amadurecimento. A experiência te da repertorio. Envelhecimento e a desatualização, acomodação, a não renovação. Ai, a pessoa envelhece.
Agnes posiciona o amadurecimento como disposição para o conhecimento e, opostamente, o envelhecimento como acomodação. A fim de reforçar o sentido positivo do amadurecimento, ela utiliza o termo como sinônimo de maturidade e comenta:
A maturidade trouxe maior credibilidade e tempo de mercado. Se eu comento sobre uma palestra, as pessoas vão. Me torno referência, ate mesmo intelectual, embora eu não seja.
Nina, 49 anos, também reconhece que o amadurecimento contribui para sua atuação profissional, uma vez que ele permite que ela faça escolhas consistentes:
A medida que você cresce profissionalmente e você amadurece tambem, você ja esta com uma certa idade, você obviamente se conhece e passa a fazer escolhas. Você passa a fazer escolhas e consegue contribuir tambem pra sociedade ou pra organização que você trabalha de uma forma serena, consistente.
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A maturidade parece, portanto, ser uma aliada na vida profissional de Agnes e Nina, uma vez que ela promove, além de uma contribuição consistente, a credibilidade que é capaz de tornar a mulher uma referência intelectual. A maturidade parece estar, então, associada ao conhecimento. Em termos profissionais, a maturidade também parece colaborar na relação com as pessoas. Quando questionada sobre a influência da idade no trabalho, Lina, 53 anos, comenta:
Hoje eu tenho muito mais maturidade, muito mais compreensão de como eu tenho que lidar com os jovens que trabalham comigo, de motivar pessoas, e como eu tenho que lidar com meus superiores.
Aída, 62 anos, também acredita que a maturidade permite que a pessoa lide melhor com os desafios no ambiente de trabalho:
A maturidade para lidar com uma serie de coisas, particularmente no trabalho, eu acho que tem alguns desafios que so a maturidade te ensina a lidar com eles, não e uma questão cognitiva. E resultante de uma serie de experiências que você viveu ao longo da sua vida, por isso muito provavelmente neste final de carreira, eu va me dedicar a tarefas que exijam menos do meu corpo e mais dessa maturidade.
De acordo com a fala de Aída, o conhecimento advindo da maturidade parece não estar associado, necessariamente, à questão cognitiva, mas sim, a uma série de experiências de vida que podem afetar positivamente na atividade profissional como executiva. No entanto, o envelhecimento parece não ter o mesmo efeito. É possível observar que, no momento em que Aída comenta sobre o significado de maturidade, ela também apresenta o entendimento que possui sobre o envelhecimento em termos profissionais. Ela pretende executar tarefas que exijam menos do corpo e mais da maturidade. Ainda que Aída não cite o envelhecimento em sua fala, ela coloca o corpo como algo que não deve ser submetido às tarefas muito demandantes neste final de carreira, uma vez que ele não se encontra na mesma condição que antigamente. Quando comenta sobre o uso que pretende fazer da maturidade, fica implícito que a maturidade não está relacionada à decadência física, mas que é algo distinto que poderá colaborar para suas futuras atividades. Para Nise, 58 anos, o amadurecimento é, justamente, compreender o momento de diminuir o ritmo de trabalho:
Eu acho que todo mundo tem que saber a hora que tem que desacelerar, eu acho que isso e o grande amadurecimento da vida de uma mulher, e o grande amadurecimento. Ou você faz porque você foi obrigada, ou porque você ficou doente, ou porque você perdeu alguem...
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A partir das falas de Aída e Nise, é possível observar que o corpo exige que se adeque o ritmo de trabalho, apesar dos aspectos positivos da maturidade. Patrícia, 52 anos, igualmente reconhece:
Como a gente ta falando do trabalho executivo, a gente tem um trabalho mais intelectual do que fisico, porque como o fisico vai declinando, se você tem uma demanda fisica muito grande você vai sentir muito mais (...). Mas não e so porque a gente não tem essa coisa do fisico que a gente não sinta tambem. Porque assim, você tem pressão, mundo corporativo... o que tem? A pressão so aumenta e se você tiver 60 ou tiver 20 anos, você e cobrada do mesmo jeito se você estiver na posição, se você e um diretor de area e tem 30 ou tem 60 a pressão e a mesma so que seu corpo não reage do mesmo jeito a pressão, seu psiquismo não reage do mesmo jeito a pressão, de acordo com a idade. E claro que a maturidade te da um colchão pra você lidar melhor com algumas pressões e outras, mas chega uma hora que cansa porque e uma pressão sem fim, eu trabalho ha 33 anos e você não vê as coisas ficaram mais confortaveis no sentido de acomodação, mas confortaveis no sentido da pessoa poder parar e trabalhar no ritmo dela, ter o proprio ritmo respeitado. E acho que esse desrespeito ao ritmo das pessoas que adoece, que envelhece...
A partir da fala de Patrícia, podemos observar que o sentido do envelhecimento como declínio físico é ainda mais reforçado. A demanda do cargo executivo parece não respeitar a decadência do corpo que envelhece ao exigir os mesmos resultados para pessoas com diferentes idades. Nota-se que ela considera o envelhecimento como um adoecimento. A maturidade, no entanto, colabora para que a mulher lide com as pressões do trabalho, quando afirma que a “a maturidade te dá um colchão”. Ela considera que a exigência do cargo é um desrespeito ao ritmo das pessoas que envelhecem. A adequação do ritmo do trabalho se mostra, então, mais uma necessidade da mulher em conjunto com outras identificadas no estudo de Gordon e Whelan (1998). Segundo os autores, as necessidades da mulher profissional da meia- idade estão relacionadas à busca pela boa maternidade dos filhos adolescentes, à construção de suas carreiras e ao contínuo avanço em suas organizações, à manutenção do equilíbrio em suas vidas, ao desenvolvimento de competências na carreira e à necessidade de lidar com os pais.
Ao facilitar o relacionamento pessoal e a forma de lidar com desafios no trabalho, entendemos que a maturidade promove segurança pessoal e profissional para a mulher executiva. Leila, 50 anos, confirma:
Então, a maturidade fez com que eu focasse mais no desenvolvimento de todas as pessoas da minha equipe, olhasse pra ela do tipo: “O que ela faz bem e o que pode fazer melhor?”. Do que ficar focando naquilo que ela não estava bem. Então, eu acho que a maturidade ajuda muito. Tem a questão tambem de não precisar ficar provando pras pessoas que você e competente porque você ja sabe que toda a sua trajetoria, coisas que você entregou e que você aprendeu. Eu acho que a gente aprende todos os dias, mas a maturidade te da uma segurança de não ficar preocupada com o que as pessoas vão achar de você, se vão gostar do seu trabalho ou não.
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É possível observar que a maturidade implica em experiência e conhecimento acumulado e, por esta razão, dispensaria a mulher de provar sua competência. Com isso, ela se sente mais segura em sua relação com as outras pessoas. Mais uma vez, a maturidade parece ser aliada da mulher executiva, uma vez que “a maturidade ajuda muito”. Teresa, 53 anos, também reconhece que o amadurecimento a isenta de provar sua competência no trabalho:
Hoje em dia, existe um amadurecimento, eu ja provei tudo o que eu tinha que provar aqui, hoje eu não tenho mais o que provar.
Esse sentimento de “não ter mais o que provar” é libertador para as mulheres executivas. Como discutido no capítulo anterior, um dos pontos da trajetória destas mulheres foi justamente a necessidade de provarem sua competência dentro do mundo do trabalho. Quando questionada sobre o significado da idade, Gabrielle, 53 anos, respondeu:
Liberdade, liberdade. A idade pra mim significa isso, eu não preciso mais provar, eu não preciso mais ter um corpo perfeito, eu acho que não preciso mais provar pros outros. Por outro lado, o inconveniente e a degradação fisica, eu ja não enxergo como eu enxergava antes, ja não consigo mais...
Para Gabrielle, apesar da idade significar que ela não precisa provar mais nada a ninguém, ela também acarreta a degradação física, fator que está intimamente relacionado à ideia de envelhecimento compreendida pelas mulheres entrevistadas. A idade parece ser uma aliada da maturidade, mas uma inimiga do envelhecimento. Iara, 58 anos, associa explicitamente a questão da aparência, no sentido de decadência, ao envelhecimento:
Eu ate vejo diferente, eu acho que amadurecimento não tem nada a ver muito com envelhecimento, podem ate andar juntos mas pra mim são coisas diferentes. Eu vejo assim... amadurecimento você pode ter não necessariamente quando você envelhecer, ele pode ate quando você envelhecer estar acontecendo, mas amadurecimento e uma coisa que você vai aprendendo com a vida, com as experiências, envelhecimento tem a ver com o fisico, estou envelhecendo, os anos estão passando, coisas que vão ficando velhas. Eu tenho um carro... o carro esta velho porque tem bastante ano... são coisas fisicas que vão acontecendo, meu cabelo esta ficando branco, estão aparecendo rugas, isso tudo e por causa do envelhecimento. So que amadurecimento e uma coisa assim... um aprendizado, coisas que você vai tendo ao longo do tempo independente de estar envelhecendo ou não, pode ate chegar um momento da vida que os dois vão estar caminhando junto mas não necessariamente.
Assim como outras mulheres afirmaram, Iara também entende que o amadurecimento não está associado ao envelhecimento. No entanto, ela comenta que eles podem coexistir. Para ela, a diferença entre amadurecimento e envelhecimento é clara: o amadurecimento é um aprendizado com a vida e com as experiências e o envelhecimento causa
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mudanças físicas significativas, como cabelos brancos e rugas. Amelia, 46 anos, igualmente estabelece a diferença entre a maturidade e o declínio físico:
Eu percebo, eu acho que cada fase tem sua energia fisica e sua maturidade, então eu percebo sim uma diferença dos 30 pros 40, e eu vou fazer 47 daqui a pouco, eu acho que fisicamente eu tenho um ponto que me favorece que e eu pareço mais nova do que sou, eu acho que fisicamente e um aspecto que me favorece, e a medida que o tempo vai passando eu vou ganhando maturidade, conhecimento, senioridade, mais experiência, isso me favorece na carreira. Sendo bem sincera com você, eu estou no auge, num excelente momento para minha atuação em consultoria, eu nem sou muito nova e nem sou “muito velha”.
É possível observar, a partir da citação de Amelia, que a percepção da energia física é algo diferente do que ela entende por maturidade. Então, envelhecimento está associado a ser “velha” e a maturidade está associada ao conhecimento e à experiência profissional. Novamente, a maturidade surge como um elemento que “favorece na carreira”. Quando ela comenta que está no auge da trajetória profissional, por não ser nem muito nova, nem muito velha, é possível supor que a idade se mostre como um indicador de utilidade do profissional em termos de produtividade (SENNETT, 2006). Assim, qual é o sentido que as mulheres entrevistadas para este trabalho atribuem à idade?
Sentido da idade
A idade parece ser aspecto importante para as mulheres entrevistadas para este trabalho, principalmente em relação ao amadurecimento e maturidade e ao envelhecimento. Patrícia, 52 anos, comenta:
Eu acho que não e ser mais velha, a palavra e ser mais experiente. Porque assim. Você ter mais idade... porque e engraçado, você tem que mostrar mais experiência e você não adquire experiência se não for atraves dos anos, do exercicio, so que você não pode aparentar idade. Então assim, você tem que ter uma aparência jovial, você tem que estar moderna, conectada com o que tem, e tudo mais, mas você ter uma bagagem de experiência que mostre pra pessoa que ela pode confiar naquele conhecimento, que ele esta ancorado em algumas coisas.
Ao mesmo tempo em que não se adquire experiência sem o passar dos anos, recurso importante para o mundo do trabalho, igualmente não é possível aparentar jovialidade, que também é um fator relevante, à medida em que se envelhece. Parece haver um trade-off com relação às exigências do ambiente corporativo sob as perspectivas do envelhecimento e amadurecimento. Para Patrícia, o mundo do trabalho exige que não se “aparente a idade”, ou seja, não se deve aparentar “velha”. Envelhecimento, então, está associado a não ter uma aparência moderna e a não estar conectado. Patrícia parece supor que, apesar da idade, é
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necessário ter uma “aparência jovial”. Seria esta uma forma de omitir o envelhecimento? O tópico será explorado de forma mais profunda no próximo subcapítulo. Aretha, 45 anos, também se mostra satisfeita com os efeitos da maturidade, ainda que preferisse ter alguns anos a menos:
Eu falo que queria ter a cabeça de hoje com 15 anos a menos. Eu ia amar. Porque e uma fase muito gostosa, e uma fase que você esta muito dona do seu nariz, com respeito aos outros, não e desrespeitando, mas muito dona do seu nariz, muito senhora de si, muito sabendo o que você quer e as vezes quem te vê no meio de uma roda, você percebe essa maturidade. Não e que você se impõe do lado negativo, do lado positivo, construtivo, você vem com ideias, você tem mais segurança pra falar do seu trabalho, discutir um determinado assunto sobre seu segmento, você ter essa desenvoltura, so o tempo realmente que me trouxe isso. Maturidade que me trouxe isso, que me deu esse presente.
Aretha parece se deleitar com os efeitos positivos que a maturidade trouxe, mas eles não parecem ser suficientes. Se Aretha está satisfeita com os efeitos da maturidade, por que ela gostaria de ter menos idade? A idade parece não ser somente um indicador da somatória de anos, mas sim, um informativo permeado de significados. Esta ideia fica ainda mais clara a partir da fala de Virgínia, 52 anos. Ainda que Virgínia tivesse dito no início da entrevista que não tinha problemas com a idade, ela mostrou contradição ao se expressar preocupada com o uso desta informação pessoal neste estudo. Então, ela evitou revelar sua idade. Na tentativa de omitir a informação, ela comentou somente o ano de seu nascimento:
Eu vou ser bem sincera, eu não tenho problema com idade, acho que as pessoas ate me estranham um pouco, eu tenho uma cabeça superjovem, foi um choque pra muita gente quando eu comecei a divulgar que eu tinha neto, as pessoas ficavam chocadas!
Alias eu não costumo falar a minha idade não, eu não sei como você vai divulgar isso.... mas eu nasci em 1963.
Virgínia tanto nega a idade, como afirma o valor da juventude, quando expõe que possui uma “cabeça superjovem”. Ela demonstra desconforto em revelar sua idade, reforçando o tabu em torno do tópico. Neste sentido, Virgínia, implicitamente, reforça a ideologia da idade quando demonstra antipatia em admitir este dado, revelando sua dificuldade em reconhecer que não é tão jovem como ela era, ou seja, ela parece estar protelando o declínio (TRETHEWEY, 2001). Iara, 58 anos, também nega o envelhecimento e apresenta aspectos relacionados ao significado da idade:
Então, assim... eu estou velha? Não. Eu falo assim que as mulheres hoje em dia... o pessoal não deixa você ficar velha... porque estão sempre aumentando a idade... você esta chegando perto da idade de 70 anos... aí aumentam pra 90...mas eu acho que você tem que identificar: o que eu posso fazer aos 60? Eu não vou querer fazer coisas de quem tem 20... “ai sou jovem”... você pode ate ir dançar... você não vai
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numa discoteca, num baile funk, eu não vou me identificar la... eu ate acho legal... mas não vou passar a