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3 FRAÇÕES BURGUESAS, HEGEMONIA E POLÍTICA ECONÔMICA NO

3.3 A hegemonia do capital industrial estrangeiro entre 1964 a 1974

As divergências dentro da literatura marxista se tornam mais acentuadas quando os autores buscam fazer uma caracterização mais precisa da hegemonia articulada durante a ditadura militar. Estas dificuldades parecem decorrer do fato de que tendências contraditórias que vinham se desenvolvendo do período anterior influenciaram de distintas formas e intensidade o arranjo hegemônico que se consolidou.

Ficou bastante conhecida a formulação segundo a qual o modelo de desenvolvimento da ditadura era baseado em um tripé formado pelo capital estrangeiro, pelo capital nacional e

23 O diagnóstico de crise do pensamento desenvolvimentista latino-americano é claramente apresentado

pelas empresas estatais (GORENDER, 1990, p. 94; OLIVEIRA, 1977, p. 117–118). Muitos autores enfatizaram esta articulação e ressaltaram como os três pilares do tripé passaram a trabalhar de maneira orgânica, sem muitas preocupações em definir qual era a fração hegemônica desse arranjo. De fato, verifica-se uma dificuldade maior em fazer essa identificação talvez devido ao cenário de crescimento econômico de fins dos anos 1960 e início dos 1970 que propiciava uma situação favorável para a classe dominante como um todo. Ainda que esta visão resuma de forma geral as relações entre estes três setores que comparecem no modelo econômico brasileiro, considera-se ela insuficiente para caracterizar as mútuas relações entre as frações da classe dominante. Assim, é necessário analisar com mais cuidado a composição da classe dominante, contemplando também as mudanças que ocorrem ao longo do período de vigência da ditadura militar.

Vale salientar que poucos autores que analisaram a dinâmica de classes no Brasil empregam o conceito de hegemonia tal qual está proposto neste trabalho. Ainda assim, é possível deduzir posições distintas. A primeira engloba autores como Gorender (1990), Boito Junior (1999) e Saes (2001). Com algumas diferenças de ênfase, estes afirmam que as frações monopolistas locais da burguesia foram as que predominaram durante a ditadura militar, comandando o processo de acumulação e a política econômica do período. Gorender aponta que o tripé constituído pelo capital estrangeiro, pelo capital nacional e pelas empresas estatais foi instável, mas ao longo do tempo viu-se o predomínio das empresas estatais e, ao lado delas, do capital nacional. Segundo ele,

Em suma, a forte presença do capital multinacional na indústria de transformação constitui o elo mais decisivo do entrosamento da economia brasileira no sistema capitalista mundial. Porém este processo de internacionalização não ocorreu, nem ocorre com o desaparecimento da burguesia brasileira. Bem ao contrário, ela conservou sua identidade de interesses e ainda conseguiu se fortalecer (GORENDER, 1990, p. 98–99).

O autor cita como evidências deste predomínio a forte presença do capital nacional entre os maiores grupos empresariais do país. Além disso, ele observa que ao longo dos anos 1970 e 1980 aprofundou-se o peso do capital nacional na economia em detrimento do capital estrangeiro.

Já Boito Junior, defende que a fração hegemônica era o capital monopolista de origem nacional. Sobre isto ele discorre:

Partimos da ideia de que, durante a ditadura militar e durante o governo Sarney, a hegemonia política no interior do bloco no poder era exercida pela fração monopolista da burguesia brasileira, composta pelas grandes empresas financeiras, industriais e

comerciais. Isso significa que a política do Estado brasileiro, além de preservar os interesses gerais do conjunto da burguesia, orientava-se de modo a priorizar, diante das inevitáveis disputas econômicas entre as diferentes frações burguesas, os interesses do capital monopolista (BOITO JUNIOR, 1999, p. 49–50).

Há uma consequência importante decorrente das proposições desses dois autores. Ela sugere que há certa continuidade histórica entre a fase anterior, marcada pelo nacional- desenvolvimentismo, e a fase pós-64, uma vez que em ambas a fração hegemônica tem bases nacionais. Deste ponto de vista, a política econômica da ditadura seria de alguma forma um desdobramento do nacional-desenvolvimentismo.

A visão de Saes pretende ser mais precisa do que as duas anteriores. Saes parte da constatação de que no período de vigência da hegemonia da fração industrial nacional o capital bancário foi “o grande derrotado no processo de transformação política aberto pelo movimento insurrecional de 1930” (SAES, 2001, p. 54). Partindo disto, o autor defende que o golpe de 1964 representou um retorno do capital bancário à posição central. Este movimento teria sido em parte uma reação do capital bancário à precoce oligopolização pela qual os setores industriais haviam passado no Brasil nas décadas anteriores. Por conseguinte, o autor acaba enfatizando a existência de uma ruptura com a hegemonia vigente no período de predomínio do nacional-desenvolvimentismo.

Neste contexto:

Como já notaram vários autores, a chamada “concentração bancária” é proporcionalmente maior, mais intensa e mais prolongada, no pós-64, que a concentração industrial. Esse deslocamento, operado graças à participação decisiva do Estado militar, no sistema de posições relativas em que se inserem o capital bancário e o capital industrial caracteriza a hegemonia do capital bancário no seio do bloco no poder, embora num nível mais geral de análise não seja incorreto sustentar que, quando confrontadas com outras classes dominantes, ou frações de classe dominante (propriedade fundiária, médio capital industrial), as frações monopolistas - bancário, industrial – parecem exercer em condomínio a hegemonia (SAES, 2001, p. 58).

As evidências apresentadas por Saes apontam para a reforma do sistema financeiro instituída pela Lei 4.595 de 1964 que favoreceu as fusões e incorporações no meio bancário.

Um segundo grupo de interpretações abarca os autores que argumentam que a fração hegemônica ao longo da ditadura militar foi o capital estrangeiro representado principalmente pelas grandes empresas estrangeiras e suas associadas. Dentre os que defendem esta posição encontram-se Ruy Mauro Marini (2005), Vania Bambirra (2013), Fernando Henrique Cardoso (1974) e Francisco de Oliveira (1977).

Estes autores ressaltam que houve uma transformação estrutural na composição da classe dominante que se iniciou ainda em meados dos anos 1950 e que se consolidou a partir

de 1964. O processo mais importante que marcou esta passagem teria sido a entrada das grandes empresas estrangeiras no parque industrial brasileiro, especialmente no setor de produção de bens duráveis. Esta entrada teria modificado o que os autores denominam de padrão de acumulação ou padrão de reprodução do capital vigente no período nacional- desenvolvimentista, tendo por consequência a instauração de uma clivagem entre as empresas estrangeiras e as nacionais. As primeiras teriam se tornado o eixo articulador do novo modelo econômico, passando a ser a fração hegemônica no conjunto da classe dominante.

Cotejando as duas grandes interpretações a respeito do período pós-64 considera-se esta última mais consistente e a que melhor explica o desenvolvimento das relações entre as frações da classe dominante no Brasil. Assim, argumenta-se ao longo deste trabalho que a fração hegemônica no Brasil foi o capital industrial estrangeiro, especialmente aquele alocado na produção de bens de consumo duráveis, a exemplo do setor automobilístico. Como bem observou Francisco de Oliveira,

[...] esse tripé que, ao longo de todo o processo, mudou significativamente, de tal forma que a chamada burguesia nacional hoje tem um peso econômico insignificante na estrutura de dominação, ou na repartição do comando da estrutura de produção material. A ironia reside em que a grande parcela das classes dominantes de caráter estritamente nacional está no campo. E este, pelo seu caráter subordinado no processo produtivo, confere à burguesia nacional agrária e aos latifundiários um peso político descendente. No nível do setor industrial, a burguesia nacional também tem um peso específico que é declinante desde há muito tempo. Os dois outros pés desse tripé evoluíram de forma diferente. O Estado cresceu enormemente como produtor direto; suas empresas hoje respondem pela totalidade da produção de combustíveis, pela totalidade da produção de certos insumos básicos, como o aço; enfim, estruturou-se um conjunto enorme de empresas estatais que são, também, de estruturação, de comportamento e de reprodução típica e caracteristicamente monopolísticas, isto é, espaços e mercados econômicos reservados para a operação das grandes empresas estatais. E o outro pé do tripé que é o capital estrangeiro, comandando a parcela mais importante da própria produção de bens de capital, penetrando já agora na própria produção dos chamados bens de consumo não duráveis (OLIVEIRA, 1977, p. 122– 123).

Apesar disso, vale salientar que as definições dos autores oscilam em relação ao tema da hegemonia. O próprio Francisco de Oliveira, em outro texto, afirma que a ditadura militar era “ela mesma sinal da impossibilidade de hegemonia” (OLIVEIRA, 2006, p. 266), enfatizando a natureza do regime político e secundarizando a hierarquia de classes.

De fato, a hegemonia que se estruturou na ditadura militar foi resultado de tendências já em curso nos anos antecedentes. Em primeiro lugar, destaca-se o aprofundamento da internalização das empresas industriais estrangeiras no território brasileiro que já estava em curso desde a gestão do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961) e que passou por percalços a partir de 1962. O grande capital estrangeiro estava alocado nos setores industriais

mais importantes que, em grande medida, demandavam investimentos em alta tecnologia: mineração, metalurgia, equipamentos de transporte, eletroeletrônica, mecânica, química e farmacêutica, borracha, pneus, plástico, têxtil, fumo e tabaco, entre outros (BRUM, 1997, p. 339). Como ressalta Guido Mantega:

Em pouco tempo, o capital estrangeiro, munido de seu arsenal monopolista, impôs a tônica do processo expansivo e implementou um salto qualitativo na escala de acumulação do país, transformando os setores sob seu controle no carro-chefe da economia brasileira (MANTEGA; MORAES, 1979).

As empresas estrangeiras eram favorecidas pelo baixo custo da força de trabalho, pelo acesso fácil ao crédito e pela possibilidade de remeter sem controle seus lucros para as matrizes sediadas nos países centrais. Este último aspecto contribuía para a sistemática evasão de divisas do país, ainda que a abundância de crédito internacional mascarasse temporariamente este fenômeno.

Por outro lado, ao longo da década de 1950 e 1960 a fração industrial nacional foi progressivamente se transmutando em fração industrial interna, uma vez que passou a ter vínculos crescentes com o capital internacional.Segundo Saes, a fração da burguesia interna diferencia-se da burguesia nacional na medida em que ela se encontra parcialmente vinculada ao capital internacional:

A primeira forma de subordinação se estabelece quando o capital nativo se encaminha para a prestação de serviços permanentes ao capital estrangeiro instalado no país. É o caso das empresas que fornecem insumos para as indústrias montadoras de origem estrangeira. A segunda forma de subordinação emerge quando o capital nativo se volta preferencialmente para a exploração do mercado externo, colocando em segundo plano o desenvolvimento do mercado interno. É o caso da burguesia industrial exportadora, por exemplo (SAES, 2014, p. 116).

O excerto acima descreve com bastante precisão o processo que ocorreu durante a ditadura militar brasileira. Afinal, uma parte da burguesia nacional foi deixando de produzir bens de consumo básicos voltados para as massas urbanas e passou a investir em bens intermediários cujos compradores eram as empresas estrangeiras instaladas no país. Um dos setores especialmente favorecidos neste processo foram as grandes empreiteiras ligadas à construção civil (CAMPOS, 2012). Esta transformação veio acompanhada de um movimento de concentração do capital interno em grandes grupos monopolistas. Outro setor beneficiado por este arranjo foi o setor exportador, que ganhou com as exportações de bens de consumo de primeira necessidade de baixa tecnologia, além dos já tradicionais artigos agrícolas. O governo criou diversos mecanismos para incentivar as exportações, dando isenções fiscais e disponibilizando crédito barato. Desta forma, o acesso ao mercado externo compensou em

grande medida a restrição do mercado interno para bens de primeira necessidade fruto da contenção da massa salarial (SOUZA, 2008, p. 83–85).

Outra tendência herdada do passado e que continuou a se desenvolver foi o crescimento do papel interventor do Estado. Além de ser o fiador do financiamento externo, cresceu também a sua capacidade arrecadatória. Assim, se em 1959 os impostos diretos e indiretos somados atingiam cerca de 18% do Produto Interno Bruto (PIB), em 1970 os mesmos chegavam a mais de 23%. O Estado também envolveu-se diretamente no processo produtivo por meio das empresas estatais alocadas em áreas estratégias. Esta foi de fato uma característica original do modelo brasileiro que teve sua gênese na Era Vargas (1930 – 1945). Werner Baer enfatiza que

Um aspecto do crescimento econômico brasileiro que apenas começava a ser notado foi o grande e crescente envolvimento do Estado na economia. Os gastos do governo (em todos os seus níveis) em comparação ao PIB aumentaram de 17,1% em 1947 para 22,5% em 1973. As empresas do governo dominavam no aço, mineração e produtos petroquímicos e controlavam mais de 80% da capacidade geradora de energia e a maioria dos serviços públicos. Calcula-se que em 1974, entre as cem maiores empresas (em valor de ativos), 74% dos ativos combinados pertenciam a empresas estatais, enquanto nas 5.113 maiores empresas, 37% dos ativos pertenciam a estatais. Da mesma forma, os bancos estatais representaram um papel predominante no sistema financeiro. Dos 50 maiores bancos (em termos de depósitos), os estatais eram responsáveis por cerca de 56% do total de depósitos em 1974 e por cerca de 65% dos empréstimos feitos ao setor privado (BAER, 2009, p. 99).

Como demonstra a Tabela 1 a participação econômica do Estado ao longo do século XX foi crescente até pelo menos meados dos anos 1970. As empresas estatais não concorriam com o setor privado. Pelo contrário, elas estavam alocadas de forma a contribuir positivamente no processo de acumulação, garantindo infraestrutura, energia e serviços públicos e, além disso, realizar investimentos estratégicos que não eram imediatamente rentáveis para o capital privado. Assim, constata-se que durante a ditadura militar o Estado continuava cumprindo o papel de indutor da economia.

TABELA 1- Ano de criação de empresas governamentais em nível federal, estadual e municipal

Fonte: Martins (1985).

Uma terceira fração da burguesia que teve papel chave na alavancagem do desenvolvimento econômico pós-1964 foi o capital financeiro internacional. É interessante notar como a existência desta fração exterior é sistematicamente ignorada por muitos autores

que analisam a composição da classe dominante no Brasil, acobertando-a como um mero fator de ordem conjuntural internacional. Um dos problemas da análise que trabalha com a noção de fracionamento de classes é que ela parece pressupor que apenas as classes que atuam desde dentro das fronteiras de uma formação social devem ser consideradas, secundarizando o fato de que uma formação dependente como a brasileira caracteriza-se exatamente pelo poder que é exercido desde fora não apenas do ponto de vista das relações interestatais, mas também das relações entre frações burguesas.24

Um dos principais eixos da política econômica dos governos militares foi criar mecanismos de captação de recursos no exterior com a estruturação de instituições de intermediação financeira. Foram tomadas uma série de iniciativas neste sentido ainda nos primeiros anos do regime, como a criação do Banco Central, do Conselho Monetário Nacional e a reforma do sistema bancário. Evidentemente o conjunto de medidas adotadas para impulsionar este movimento de entrada de capitais impactou também positivamente as demais frações da burguesia, como pode-se inferir na descrição abaixo:

Outro aspecto importante das reformas de 1964-66 foi a ampliação do grau de abertura da economia ao capital externo, de risco (investimentos diretos) e, principalmente, de empréstimo. Os principais expedientes criados para atrair esses recursos foram os seguintes: (1) regulamentação de alguns tópicos da Lei nº. 4.131 (de 1962), de forma a permitir a captação direta de recursos externos por empresas privadas nacionais; (2) Resolução 63 do Bacen, que regulamentou a captação de empréstimos externos pelos bancos nacionais para repasse às empresas domésticas; (3) mudança na legislação sobre investimentos estrangeiros no país, de modo a facilitar as remessas de lucros ao exterior – o objetivo era tornar o mercado brasileiro mais competitivo na captação de investimentos diretos (HERMANN, 2005, p. 78).

As frações internas da burguesia brasileira beneficiavam-se das condições externas existentes dadas por uma situação de superacumulação nos países centrais que tornou rentável a exportação de capitais para as regiões periféricas do mundo. Um indicador destas condições favoráveis pode ser encontrado nas baixas taxas de juros que vigoraram no mercado internacional, facilitando o investimento direto nos países subdesenvolvidos ou a aquisição de empréstimos por parte de seus Estados. Sendo assim, o modelo econômico sustentava-se na facilidade de entrada e saída de capitais do país e no endividamento externo. A dimensão do processo de endividamento do Estado brasileiro pode ser captada pela série história a seguir:

24 Sobre a questão do Estado nas sociedades dependentes ver Gomariz Moraga (1977), Mathias e Salama

GRÁFICO 1 - Brasil: Dívida externa bruta – 1950 – 1973 (US$ Bilhões)

Fonte: IPEADATA (2019).

Como pode ser notado, há uma aceleração do endividamento a partir do ano de 1968. Isto mostra que o modelo econômico teve como tônica o financiamento externo, cumprindo com isso a função de absorver o excedente de capitais acumulados nos países centrais.

Vinculado ao processo de intermediação financeira uma quarta fração destaca-se. Trata- se da fração bancária interna fortemente beneficiada por esta entrada de capitais do exterior. Como aponta Saes, a política econômica de caráter monetarista vigente entre 1964 e 1968 beneficiou fortemente este setor, especialmente porque manteve as taxas de juros em patamares elevados com o objetivo de controlar a inflação (SAES, 2001, p. 54). Além disso, ao longo das décadas de 1960 e 1970 verificou-se um rápido processo de fusões e incorporações que deram origem a conglomerados bancários (SAES, 2001, p. 56).

Apesar da importância que o afluxo de capitais vindos de fora e que a intermediação financeira interna representaram no modelo econômico da ditadura, uma de suas características centrais fera a capacidade de converter esta riqueza em capital produtivo. O empuxo econômico foi liderado pelo setor industrial. Os dados a respeito da Formação Bruta de Capital Fixo (FBKF), importante indicador do investimento industrial, apontam que se manteve um patamar elevado de investimento, sendo que de 1964 a 1967 a proporção da Formação Bruta de Capital Fixo em relação ao PIB manteve-se em 15,5% do PIB e chegou a 19,5% entre 1968 e 1973, (HERMANN, 2005, p. 85). Ademais, segundo cálculos apresentados por Pedro Fonseca e

0 2 4 6 8 10 12 14 16

Marcelo Arend, a capacidade industrial possibilitou ao Brasil passar de uma participação de 1,7% no PIB global em 1950 para 3,2% em 1980 (AREND; FONSECA, 2012, p. 35), ou seja, um desempenho global notável. Daí porque é incorreto tratar o capital bancário nacional ou o capital financeiro internacional como a fração hegemônica no período. E o núcleo deste processo de conversão produtiva teve como centro o capital industrial estrangeiro associado ao capital financeiro internacional, às frações da burguesia interna industrial, financeira e agrária e contou com o papel articulador do Estado.