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A importância do condicionamento operante

O princípio do condicionamento operante pode ser visto em todas as atividades multifárias dos seres humanos desde o nascimento até a morte. Isolado, ou combinado ao prin­ cípio pavloviano está envolvido em todos os reforçamentos de comportamento que serão considerados neste livro. Está presente nas nossas discriminações mais delicadas e habili­ dades refinadas; em nossos primeiros hábitos brutos e os

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mais refinados pensamentos criadores. Explica, em grande parte, nossas “fixações” anormais bem como nossos “ajusta­ mentos” normais; as nossas demonstrações de poder e de fraquezas; a cooperação tanto quanto a competição. Pode ser apreciado nas nossas relações amigáveis ou não com os nossos semelhantes; em nossas expressões de intolerância e tolerância; em nossas virtudes bem como nossos vícios.

Não esperamos que o leitor aceite, agora, esta aprecia­ ção sem discutir ou sem apresentar reservas. Apenas co­ meçamos a análise do comportamento. Somente alguns experimentos foram mencionados, a maioria deles provenien­ tes de laboratórios de pesquisa com animal. Outros prin­ cípios e outros resultados ainda devem ser considerados, e estes, por sua vez, devem ser relacionados aos já menciona­ dos. No entanto, a lei do condicionamento operante é tão básica e ampla que, desde já, o leitor deveria ser capaz de encontrar, na sua própria experiência, muitas ilustrações de sua ação. Mas adiante, ao discutirmos problemas ainda mais complexos, o leitor poderá apreciar cada vez mais o seu poder explicativo.

NOTAS

Ignoramos,, na nossa discussão do trabalho de Thorndike, seus vários estudos de formação de conexão em seres humanos, onde as simples palavras Certo ou Errado ditas pelo experimentador foram

usadas como uma recompensa ou punição para uma resposta, geral­ mente verbal, do sujeito. Esta omissão será compreendida no Ca­ pítulo 8, onde se verá como palavras e outro estímulo, não reforçadores no início, podem vir a exercer este efeito sobre o comportamento operante. Quando nos referimos à pista e ao labirinto não fizemos nenhuma menção sobre a maneira pela qual resultados desses dispo­ sitivos exemplificam, e mesmo esclarecem, a operação de outros prin­ cípios diferentes daquele ao qual se devotou este capítulo. Isto também será corrigido à medida que prosseguirmos.

A maneira pela qual tratamos o conceito de “insight” requer uma palavra de qualificação. Os relatórios fascinantes de Kohler sobre o comportamento de chipanzés ( T he mentality of apes, 1925)

foram uma vez amplamente considerados como demonstrações con­ vincentes da inadequacidade das teorias de reflexo condicionado. Seu método de experimentação umweg ou detour no qual se exigia que

Miiimais usassem instrumentos toscos (varas, barbantes, e tc.) ou abor­ dagens round-about ao seu objetivo-alimento, foi apontado por alguns

ibmo o melhor de todos os instrumentos para analisar comportamento "inteligente”. Hoje, porém, vemos que o método de Kohler deixou ituiito a desejar, pois não envolveu o estudo da relação entre variá- \ cls conhecidas, como é pressuposto na investigação científica. Suas ubgervações quase nada mais fizeram do que sugerir problemas para

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pesquisa ulterior. Os princípios do condicionamento se aplicam a estes bem como a qualquer outro exemplo de solução de problema diário,

A distinção entre condicionamento operante e respondente embora antecipada em escritos de vários psicólogos, só foi feita com clareza em 1935, num importante artigo de Skinner. Desde então foi en­ dossada e discutida por várias autoridades nesta área de pesquisa (Sehlosberg, 1937; Hilgard, 1937; Razran, 1939a; Hilgard e Mar quis, 1940; e Mowrer 1947). Os termos clássico e instrumental, empre­

gados por Hilgard e Marquis são amplamente usados como equiva­

lentes, respectivamente, do condicionamento Tipo S e Tipo R.

Hilgard e Marquis descreveram quatro categorias de condiciona­ mento instrumental (operante). (1 ) Treino d e recompensa, no qual

as respostas são reforçadas pela apresentação de estímulos reforçadores positivos; (2 ) treino de fuga, no qual são reforçadas através da ces­

sação ou redução dos estímulos desagradáveis (isto é, estímulos nega­ tivamente reforçadores): (3 ) treino de esquiva que se realiza quando

“a reação aprendida impede o aparecimento do estímulo desagradável’*;

e (4 ) treino de recompensa secundária, no qual os resultados são

fortalecidos pela apresentação de estímulos que foram previamente acompanhados por reforços positivos. Como se pode notar já conside­ ramos as duas primeiras categorias; comportamento de esquiva e treino de recompensa secundária serão considerados nos Capítulos 8 e 9.

Alguns psicólogos preferem não usar o termo condicionamento para

indicar o fortalecimento de respostas operantes, pressionar a barra ou outras. Falam de ensaio-e-erro, lei ào efeito, ou simplesmente, apren­

dizagem pelo efeito. Não nos precisamos opor a estes termos enquanto

a referência for clara, mas consideramos ser mais apropriado adolar a noção de dois tipos de condicionamento: 1) o caso pavloviano no qual o estímulo reforçador (por exemplo, alimento) é dado em conexão com a apresentação de um estímulo (por exemplo, som); e 2 ) o caso

thorndíkeano, no qual <> estímulo reforçador é contingente a uma

resposta. O importante para nós é que existem duas contingências reforçadoras — uma com um S e a outra com um R.

Argumentou-se que no conceito de reforçamento positivo (por exemplo, Hilgard e Marquis, 1940) nosso princípio de condiciona­ mento operante à página 66 é circular. Usamos estímulo reforçador

para explicar o fortalecimento de um operante; mas definimos um

estímulo reforçador em termos de seu efeito de intensificação. O fato importante é o de que alguns estímulos reforçam a resposta que o precedem, e outros não. Somente aos primeiros aplicamos o termo

reforçador. Uma apresentação mais clara do nosso princípio poderia ser: Existem estímulos que iêm o poder de reforçar as resr>ostas ope­ rantes que os produzem. Este reforçamento pode ser denominado

“coTulicionamenio operante e os estímulos como pertencentes a classe

de “reforçadores”. Esta é a essência do principio que mencionamos e a circularidade é superficial.

NOTAS PARA A KDTÇÃO BRASILEIRA

O assunto da superposição entre qperante-respondente não está

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mencionadas duas tomias de superposição. A segunda uma na qual um

estímulo (choque elétrico) eliciou um respondente (retirada do p é), que foi então reforçada como num operante (pela remoção do choque ou pelo alimento). A resposta inicialmente eliciada pelo choque é básica e se assemelha à resposta que se desenvolve com a eliminação do choque (ou obtenção do alimento). Existem diferenças entre as duas respostas, mas elas claramente se superpõem. Em relação ao nosso primeiro exemplo de superposição, o ponto a ser acentuado, tal­

vez, é o de que: um estímulo como choque pode eliciar respondentes que trabalham contra o fortalecimento de certos operantes como pres­

sionar a barra. A “ superposição” é de exclusão mútua — tuna resposta é “incompatível com o desenvolvimento da outra. A resposta eliciada, neste caso, é um impedimento ao fortalecimento do operante, enquanto que no nosso segundo caso, é um auxílio. Este assunto será men­ cionado novamente no próximo capítulo ao discutirmos o problema de punição.

A distinção entre condicionamento Tipo S e Tipo R teve grande

importância histórica. Contribuiu enormemente para o crescimento da ciência do comportamento. Entretanto, um exame mais próximo e pormenorizado dos dois princípios revelará muitos problemas curiosos que não foram aindá. resolvidos. Por exemplo, os itens comparativos da Tabela II nos ajudam a fazer uma discriminação geral entro os Tipos S e E . Mas, dificilmente uma diferença incluída nesta tabela deixou de ser discutida por alguém — dificilmente uma diferença, mas resultados que constituem exceções em alguns exemplos particulares. Basicamente a distinção real reside nos dois paradigmas — isto é, nas operações experimentais reais, nas contingências do reforçamento, que são empregados.

Depois de 12 anos de ensino com este texto, os autores estão Inclinados a fazer esta sugestão ao leitor: No nosso estudo do con­ dicionamento operante, não se deixe levar muito pela “ caixa de Skin- ner”, como uma situação experimental; pelo rato, como um animal experimental; ou pela pressão à barra, como uma resposta operante. ( A caixa, o rato e a resposta, inicialmente escolhidos por Skinner para estudar uma amostra representativa do comportamento de um orga­ nismo biológico, intacto e livre, para se movimentar dentro d e um espaço ou campo experimental bem definido). Hoje, nosso livro po- deria ser escrito com apenas uma referência ocasional a esta resposta, a este organismo e a este tipo de espaço experimental. Uma tremenda expansão se verificou na esfera do condicionamento opqrante desde 1950. Tanto as amostras de comportamento quanto as espécies ani­ mais estudadas foram grandemente ampliadas — das respostas de bicar dos pássaros e os movimentos de nadar do peixe, a resposta de sorrir

das crianças, as palavras dos adultos, e o comportamento “ anormal”

dos indivíduos com distúrbios mentais — em situações que variam

tias mais controladas que se podem imaginar àquelas não mais res-

t r ita s de que uma sala de estar comum de família. A resposta de pressionar a barra do rato continua a ser estudada, e deve ser, mas não constitui em nenhuma hipótese o único tipo de comportamento que contribui para a abordagem experimental descrita neste livro.

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E X T I N Ç Ã O E R E C O N D I C I O N A M E N T O

Nunca ocorre uma exceção.. . Cada in te rv a lo d e tempo é como o deixar cair de vim novelo por um fio que alguém está cuidadosamente enrolando; u m ú n ico deslize desfaz mais do que várias voltas e n ro la ria m novamente.

Wi l l i a m Ja m e s, sob re a a q u isiçã o e o d e s a p a re c i­