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A importância da performance audiovi- audiovi-sual reactiva e interactiva na

contemporanei-dade

“Os media electrónicos são extensões não apenas do nosso sistema nervoso e do nosso corpo, mas também extensões da psicologia humana”. KERCKHOVE, DER

RICK ; 1998

Traçar um percurso entre a performance audiovisual e as vanguardas artísticas contemporâneas implica uma refl exão sobre os elementos de comunicação e a

realidade que nos rodeia. A abrangência do processo comunicativo contemporâ-nea é complexa.

“A ciência e a tecnologia multiplica-se à nossa volta. Esta crescente extensão dita a nossa linguagem e forma de pensar, comunicar e representar. Ou nos adap-tamos a estes processos, ou esadap-tamos dessincronizados com o mundo que nos rodeia.” J.G., BALLARD; 1977

. Esse processo está patente nas práticas artísticas contemporâneas. O projecto digital é capaz de criar processos que são constituídos por complexas relações temporais e espaciais. De forma a corresponder às expectativas da dinâmica de comunicação contemporânea, a obra audiovisual tem que estar sujeita à interac-ção.

“Na sua situação pós moderna a improvisação na performance electrónica, feita de próteses, abertura de opiniões, aceita a incompatibilidade.” BARRETO, JORGE;2004

A importância e impacto social e artístico da performance audiovisual é fruto da tradição histórica do cinema, e mais recentemente da música electrónica, e ,claro, pela arte multimédia num sentido mais amplo. Como já foi analisado e re-ferenciando, não há um discurso crítico e de apreciação artística sobre esta nova forma de performance improvisada e extensão do conceito de instrumento, para um complexo instrumento reactivo e interactivo audiovisual multimédia.

A nossa era e estado de alma das artes actual parece demonstrar que “tudo é possível, nada é historicamente mandatado: uma coisa é, por assim dizer, tão boa como outra: e esse é, na minha perspectiva, o objectivo fundamental. DANTO, ARTHUR C.; 1998

O espírito do “tudo é possível”, ou nada é impossível, domina hoje o interesse e o fascínio dos que se entregam às práticas artísticas. O discurso direccionou-se para apresentações tecnológicas, colóquios, estudos e tendências do mercado.

Terminologias como kbytess, soundbytess e pixels foram introduzidas como ele-mentos fundamentais de análise e apreciação, após décadas de refl exões profun-das e exaustivas sobres contemplações românticas de estados de alma e estética das artes convencionais. Parece não existirem critérios estéticos e de apreciação para uma refl exão e juízo de obras e projectos ligados à prática da performance audiovisual, em termos de signos, ritmo, textura, técnica e conceito da performan-ce audiovisual. Pareperforman-ce existir inclusive uma barreira de análise criativa que separa o formato quando inserido em eventos de musica electrónica, desmistifi cando o trabalho do artista e de todo o aparato tecnológico, para actividades secundárias associadas ao entretenimento, marginalizadas academicamente e artisticamente, como foi analisado, e desprovidas de análise formal. Talvez estes critérios de apre-ciação não sejam passíveis de análise da mesma forma que foram analisados ou-tros processos criativos, como é sugerido por alguns autores, pelas características inerentes à improvisação.

“Laboratório cultural, investimento individual na experimentação, prática de insuspeitos modelos como percepções e relações alternativas; sendo rizomórfi ca, a improvisação empreende novos processos criativos de produção e defi ne assim a sua situação pós moderna. Com o maior optimismo a pós modernidade é um si-tuacionismo crítico e de clariaudiência, associado às viragens da dimensão estética

da improvisação.” BARRETO, JORGE; 2004

Assim, a performance audiovisual representa e assume-se como uma postura objectiva e clara de uma actividade performativa com princípios artísticos bem defi nidos, fruto do vasto cruzamento cultural, tecnológico e artístico. O interesse de jovens estudantes que procuram realizar projectos e experimentar nesta área é crescente, motivada por fenómenos de identifi cação social, cultural e artística, e passa pelo cruzamento de diferentes áreas de formação ligadas às artes plásti-cas, audiovisuais, engenharias, design, programação, entre outras áreas de conhe-cimento. Exigem-se respostas no âmbito académico para catalogar processos e tipologias, e direccionar projectos e áreas de ensino vocacionados para esta área, personifi cando a prática artística numa entidade com um campo defi nido, ligando assim componentes tecnológicas, com meios expressivos, a poéticas e sinais de uma era digital adaptadas ao universo do digital jockey. É de realçar a importância que artistas contemporâneos como Holly Daggers, Jean Poople Keith, entre ou-tros, estão a realizar de forma a contextualizar e documentar processos audiovisu-ais performativos como formas de expressão cultural e artística, e o papel activo do digital jockey como artista contemporâneo, produto e produtor de cultura.

6.5. Conclusão

O percurso realizado explora os elementos performativos audiovisuais, na sua evolução cultural, tecnológica e artística.

O objectivo deste estudo não é realizar uma análise compreensiva da perfor-mance audiovisual na sua globalidade, mas na localização de referentes que per-mitam aceder à compreensão do live cinema como forma de arte híbrida pela sua natureza performativa. O live cinema é fruto da evolução da cultura audiovisual na contemporaneidade, proveniente da evolução da música electrónica e do cine-ma, encontrando no digital jockey o canal de comunicação para a obra em aberto.

Para isso, foi necessário realizar um percurso entre a produção e reprodução de música, a prática de música visual e a produção cinematográfi ca, e, a entrada na era digital. Existe aqui uma diferença fundamental que transforma a produção da obra de arte audiovisual: a dimensão da interactividade.

O cruzamento de diferentes áreas de conhecimento e produção cultural das últimas décadas é fundamental para encontrar signifi cados e tipologias do digi-tal jockey. Assim, foram avançadas terminologias e categorizações para o digidigi-tal jockey, fruto de uma incoerência e confusão aparente destas actividades e a sua constituição na pouca documentação existente, nas suas formas mais signifi cati-vas: o dj (disc jockey), vj (visual jockey), cj (computer jockey) e dvj (disc visual jockey).

É realizada também uma análise às tipologias de cada um dos subgéneros do di-gital jockey, em particular ao vj.

O digital jockey, que pode ser descrito também como performer audiovisual interactivo, experimenta as faculdades de músico, performer, designer, progra-mador, escritor, entre outras, e experimenta tecnologias e metodologias em tem-po real. Este processo permitiu aceder aos princípios fundamentais do live cinema, que sugerem estratégias de realização e edição desta prática, que pela sua natu-reza experimental e em constante mudança e evolução, não constituem um guia teórico-prático, mas um processo de identifi cação de alguns princípios fundamen-tais da prática, ainda pouco aprofundada, experimentada e conceptualizada. Estes veículos de comunicação audiovisual representam o canal. O meio é analisado através da identifi cação de elementos linguísticos –“gramática” e “vocabulário”- fundamentais à performance audiovisual na contemporaneidade.

Também é activado um processo de sinergia cultural e informativa através do meio privilegiado de comunicação destas práticas, o meio virtual. O portal Av cria uma plataforma informativa em aberto e actualizada, reunindo num mesmo local os diferentes quadrantes da performance audiovisual (tecnologias, artistas, eventos e obras); e mais importante ainda, permite um diálogo sinérgico entre os utilizadores e este estudo.

Finalmente, são apresentados dois projectos emergentes que se complemen-tam, um por estar associado ao processo de montagem criado pelo cinema – pre-dominantemente visual - e outro por representar um instrumento de composição – predominantemente sonora. Estes dois processos, composição e improvisação, representam a complementaridade necessária à interactividade proposta pelas ferramentas de edição digital que transformaram a audiovisual num novo género linguístico e performativo. Estes processos são relativas a um momento único no tempo e espaço onde o áudio encontra a imagem, e vice versa, para um diálogo complexo e dinâmico e onde os artistas encontram o público para criar uma liga-ção e comunicaliga-ção directas. O futuro da performance audiovisual acredito que

FIGURAS 66: D-fuse ao vivo, 2007.

passa pela procura e aglomeração de diferentes áreas em novos formatos, como o live cinema, plenos de experimentação, reacção e interacção.

As possibilidades de estudo futuro passam pela criação de uma ferramenta/

sistema que permita a complementaridade de diferentes práticas artísticas inte-gradas num mesmo sistema e setup. Os objectivos são centrados no desenvol-vimento do fi lme interactivo, reactivo e hiper-narrativo. Um dos temas pelo qual manifesto mais interesse e fascínio é também a relação da imagem/suporte. Inte-grar a articulação audiovisual dinâmica em ambientes imersivos de tridimensio-nalidade e ilusão de óptica é porventura um dos caminhos a percorrer. Acredito também que este processo será fruto da colectividade, e complementaridade de diferentes conhecimentos.

As conclusões que resultam da análise deste estudo e percurso teórico estão materializadas e actualizadas no portal que a sustentam. Potenciar actividade ar-tística performativa audiovisual, sem marginalizar as diferentes correntes culturais e artísticas. A abrangência teórica e prática da performance audiovisual está pre-sente agora na minha rotina diária, pelo compromisso assumido com o jornal AV.

Acredito ser esta a melhor forma de a explorar, experimentar, e materializar.

Algoritmo

Uma sequência detalhada e não ambígua de acções necessárias para desempe-nhar uma determinada tarefa, num número fi nito de passos. Um algoritmo efi caz deve ser fi nito, determinístico e geral.