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A imprensa durante o Miguelismo (1828-1834)

No documento Portugal (páginas 112-115)

imprensa artesanal política (1820-1834)

3.8 A imprensa durante o Miguelismo (1828-1834)

Tabela 14

Exemplos de periódicos que circularam em Portugal Continental durante o Miguelismo.

Título Fundação Características

Folha Comercial do Porto 1828 Periódico portuense especializado em informação comercial, económica e financeira. Inócuo, por isso, para o poder miguelista. Durou de 1 de julho de 1828 até 12 de agosto de 1836, com interrupções. Bernardo José Duarte foi seu editor e redator até 1831, ano em que morreu. Foi sucedido por José Maria Alves, que lhe alterou o título para Folha Comercial (janeiro de 1832). Cada número avulso custava 160 réis, mas, apesar do preço, teve considerável aceitação entre a burguesia comercial e industrial — sinal de que a

informação comercial, financeira e económica era apreciada principalmente por aqueles que dela necessitavam e estavam dispostos a pagar por ela. Tal como era habitual nas publicações especializadas da área, inseria, sobretudo, notícias das taxas de câmbio, preços dos produtos, movimento de navios, estatísticas e números absolutos da produção agrícola e industrial, etc.

Folha Mercantil da

Cidade do Porto 1828 Concorrente da Folha Comercial do Porto, publicava o mesmo tipo de informações especializadas. Conotada com o Absolutismo, viu a sua

tipografia assaltada e destruída aquando da revolta liberal do Porto, em maio de 1828, não tendo, por isso, sido publicado entre 24 de maio e 4 de outubro deste ano. Publicou-se até 1832.

A Estrela Lusitana 1828 Trissemanário miguelista publicado, em Lisboa, entre 5 de janeiro e 21 de agosto de 1828.

O Realista Portuense 1828 Trissemanário miguelista publicado no Porto entre 2 de setembro e 29 de novembro de 1828. Poderá ter sido redigido pelo padre Alvito Buela Pereira de Miranda.

Correio de Lisboa: Jornal Histórico, Político e Mercantil

1828 Jornal político pró-absolutista que, no entanto, também publicava notícias sobre economia, comércio e finanças e mesmo artigos de promoção do conhecimento histórico, apresentando, portanto, um temário mais variado do que os seus congéneres. Publicou-se em Lisboa, entre 7 de maio e 19 de julho de 1828, ao longo de somente 30 números.

A Besta Esfolada 1828 Publicação opinativa absolutista, redigida e editada pelo padre José Agostinho de Macedo. Assume um tom de crítica desbocada para com os liberais e perfila-se sem reservas como uma das vozes do Absolutismo miguelista. Durou até 1831.

O Desengano: Periódico

Político e Moral 1830 Trata-se de mais um da longa série de periódicos redigidos e editados pelo campeão periodístico do Absolutismo Régio — o padre José Agostinho de Macedo.

Ferozmente desbocado e exaltado, mas analítico, irónico e até comicamente surpreendente, observador arguto da realidade, Macedo, o mais prolixo dos “escritores públicos” portugueses do seu tempo, usou os seus melhores dotes oratórios para produzir periódicos que contribuíssem para a causa absolutista, inflamando os apoiantes de D. Miguel, dos quais O Desengano foi o último, datando o 27.º e último número, de setembro de 1831, de data posterior a 9, dia em que concluiu o número 26, e anterior a 19, dia em que adoeceu para não mais recuperar (Macedo morreu a 2 de outubro de 1831). O seu primeiro número é de setembro de 1830.

A Contra Mina:

Periódico Moral e Político 1830 Periódico antiliberal redigido e editado pelo monge cisterciense frei Fortunado de São Boaventura, entre 2 de dezembro de 1830 e 29 de abril de 1832.

Pode consultar-se aqui: https://books.google.pt/books?id=jBJgAAAAcAA J&printsec=frontcover&dq=A+contra+mina.+Peri%C3%B3dico+moral,+e +politico&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjzrZOM9vzqAhVtCWMBHW DvA_sQ6AEwAHoECAMQAg#v=onepage&q=A%20contra%20mina.%20 Peri%C3%B3dico%20moral%2C%20e%20politico&f=false

O Cacete: Periódico

Antirrevolucionário 1831 Publicação seriada antiliberal e apologética de D. Miguel, sem periodicidade definida, redigida e editada pelo padre Francisco Recreio, num estilo bastante semelhante ao do campeão pró-absolutista padre José Agostinho de Macedo. Nos primeiros números, o autor não se identifica. Durou onze números e deixou de ser publicado em 1832.

Defesa de Portugal:

Semanário Político e Moral

1831 Jornal antiliberal redigido e editado pelo padre Alvito Buela Pereira de Miranda. Teve cem edições, entre 16 de julho de 1831 e 7 de março de 1833.

Copiou o subtítulo do periódico O Desengano.

Alguns números acessíveis no Google Books: https://books.google.pt/books/

about/Defeza_de_Portugal.html?id=zSMrAQAAMAAJ&redir_esc=y Aí Vem o Papão 1831 Editado e redigido por José Luís Pinto de Queirós, este jornal miguelista foi

publicado em Lisboa, entre 13 de dezembro de 1831 e 16 de abril de 1832. Por vezes era sarcástico — opção que se revela no próprio título, já que o “papão”

era, obviamente, D. Pedro.

Museu Literário, Útil e

Divertido 1833 Quinzenário cultural editado pelo jurista António Mascarenhas de Mesquita Pimentel de Carvalho e Melo, com a colaboração do conhecido miguelista Joaquim José Pedro Lopes, redator da Gazeta de Lisboa e de periódicos da sua iniciativa, como o importante Gazeta Universal (1821). Foi publicado entre janeiro e julho de 1833. Ocasionalmente, publicava, também, peças de natureza política.

Pode consultar-se aqui: https://catalog.hathitrust.org/

Record/007436201?type%5B%5D=all&lookfor%5B%5D=portuguese&ft=ft Fonte: produção própria a partir de dados da Porbase, Tengarrinha (2013) e outros autores (cf. bibliografia).

Destaque para o facto de durante a revolva liberal ocorrida no Porto entre maio e julho de 1828, a Junta Provisória do Porto ter publicado periódicos oficiais: o Diário do Porto59 (18 a 26 de maio de 1828) e o seu sucessor, a Gazeta Oficial, entre 27 de maio e 2 de julho do mes-mo ano. O poder, fosse ele qual fosse, já não podia passar sem periódicos que funcionassem como correia de transmissão de informações e posições políticas. Desempenhavam, igual-mente, uma função perlocutória, enquanto depositários dos atos oficiais.

As perseguições políticas desencadeadas em Portugal pelos absolutistas originaram, por outro lado, uma segunda emigração de liberais, em número bastante superior aos da primeira vaga emigratória. Alguns desses novos exilados liberais que rumaram a Espanha, França e Inglaterra, reproduzindo a situação verificada anos antes, editaram jornais políticos (alguns deles também satíricos) e político-noticiosos (tabela 13), que enviavam, clandestina-mente, para Portugal. A estes podem ser adicionados, no campo liberal, os jornais constitu-cionais publicados nos Açores, designadamente a Crónica da Terceira, e no Porto, nomeada-mente a Crónica Constitucional do Porto.

59 Pode consultar-se aqui: https://books.google.pt/books?id=Dl0sAAAAYAAJ&printsec=frontcover&dq=Diario+do+Por-to&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwj_nNW99fzqAhWJFxQKHScuBvsQ6AEwAXoECAEQAg#v=onepage&q&f=false

Após a queda de D. Miguel, vários absolutistas exilaram-se noutros países, nos quais fundaram jornais legitimistas, ainda que com pouca expressão e curta longevidade — como A Península (Londres, 15 de abril a 15 de maio de 1840).

3.9 A imprensa da Segunda Emigração Liberal

No documento Portugal (páginas 112-115)