3 METODOLOGIA
3.3 A Pesquisa
A pesquisa consiste em uma investigação-ação de caráter qualitativo, caracterizada como uma proposta de ensino. Qualitativa porque conforme Minayo (2002, p. 21-22) preocupa-se com aspectos da realidade e esses não podem ser quantificados, pois tem a preocupação em compreender e explicar a dinâmica das relações sociais. Investigação-ação que segundo Franco (2005):
[...] é uma pesquisa eminentemente pedagógica, dentro da perspectiva de ser o exercício pedagógico, configurado como uma ação que cientificiza a prática educativa, a partir de princípios éticos que visualizam a contínua formação e emancipação de todos os sujeitos da prática (FRANCO, 2005, p. 489).
Também se caracteriza como uma pesquisa etnográfica, o estudo de um grupo. Nesse caso, estudo de um grupo de professores e seus processos educativos, as relações que se estabelecem entre escola, professor, aluno e sociedade, com o objetivo de conhecer o processo de ensino e aprendizagem nesses espaços.
A pesquisa etnográfica permite que os processos de coleta e análise de dados sejam determinados explícita ou implicitamente pelas questões do pesquisador.
A etnografia é um processo guiado preponderantemente pelo senso questionador do etnógrafo. Deste modo, a utilização de técnicas e procedimentos etnográficos, não segue padrões rígidos ou pré-determinados, mas sim, o senso que o etnógrafo desenvolve a partir do trabalho de campo no contexto social da pesquisa (MATTOS, 2011, p. 50).
Na etnografia há interação entre o pesquisador e os sujeitos pesquisados, tendo o pesquisador a flexibilidade de modificar os rumos da pesquisa. Nesse tipo de pesquisa, a ênfase está no processo muito mais do que nos resultados finais. E proporciona a visão dos sujeitos pesquisados sobre as suas experiências. Para Trivinos (1987) “o pesquisador não fica
fora da realidade que estuda, à margem dela, dos fenômenos aos quais procura captar seus significados e compreender”.
O foco da pesquisa foi desenvolver e aplicar uma SD que inter-relacione as disciplinas da área de Ciências da Natureza num curso de formação inicial de professores e analisar de que maneira essa proposta de ensino contribuiu para um ensino de Ciências da Natureza interdisciplinar. Para isso, foram utilizados como instrumentos de coleta de dados o diário de bordo que cada professor participante da proposta recebeu no primeiro encontro. No diário de bordo, cada professor fez durante os encontros e no final de cada aula o registro das suas considerações sobre o trabalho realizado, reflexões sobre a aprendizagem dos alunos, algumas falas dos alunos. Como segundo instrumento de coleta, realizou-se uma entrevista3 semiestruturada com as professoras no início e no final da pesquisa. O objetivo
da entrevista foi conhecer as professoras participantes da pesquisa, qual era a compreensão e o conhecimento que tinham sobre a Interdisciplinaridade, os 3MP, e se já haviam trabalhado com propostas interdisciplinares e com o uso de temas. Além disso, perceber como viam a possibilidade de realizar um trabalho interdisciplinar a partir de temas na escola.
Segundo Triviños compreende-se de uma forma geral a entrevista semi-estruturada como:
[...] aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa, e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem às respostas do informante. Desta maneira, o informante, seguindo espontaneamente a linha de seu pensamento e de suas experiências dentro do foco principal colocado pelo investigador, começa a participar na elaboração do conteúdo da pesquisa (TRIVIÑOS, 1987, p. 146).
O diário de bordo permite a coleta e a análise de dados, possibilita, também, conhecer os critérios utilizados pelo professor ao escrever o diário de bordo, suas experiências, suas observações. O ato de escrever contribui para uma formação mais crítica do professor em relação a sua prática. De acordo com Zabalza (1994):
A análise dos diários de professores permite compreender como funciona esse instrumento e que tipo de seleção de acontecimentos fazem os professores que participam na experiência, qual o aspecto da dinâmica de suas aulas e de sua própria experiência profissional que destacam como mais relevante (ZABALZA, 1994, p. 104).
3 Este trabalho foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa com seres humanos. Número do Comprovante:
O diário de bordo corrobora com o segundo fundamento de um trabalho interdisciplinar, proposto por Fazenda (2011). A autora traz o recurso da memória como sendo de grande valia no trabalho docente. A memória-registro escrita, as anotações das aulas, contribui para que o professor faça uma revisão e uma releitura crítica das práticas docentes. Esses registros constituem-se um excelente material de pesquisa e de produção de conhecimento, um movimento dialético próprio de um projeto interdisciplinar. Ao final do trabalho, foi realizada uma análise e reflexão de todo o processo, analisando de que maneira as atividades realizadas contribuíram para a aprendizagem dessas alunas e quais foram os desafios e potencialidades encontradas pelas professoras na realização de uma proposta interdisciplinar.
A metodologia de análise da pesquisa foi a Análise de Conteúdo proposta por Bardin (2009). Tal metodologia se constitui em um conjunto de procedimentos de análise das comunicações que utiliza métodos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens. A modalidade da Análise de Conteúdo será a análise temática, que conforme Minayo (2007, p. 316) ocorre em três fases: Pré-análise, em que se organiza o que vai ser analisado; Exploração do material: momento de codificação do material de onde surgem as categorias; e Tratamento dos resultados: interpretação dos dados e destaque das informações obtidas.