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A prova do direito da vigência e do texto

No documento Prova ilícita-inadmissibilidade relativa (páginas 46-50)

3. O objeto da prova no processo civil

3.3. A prova do direito da vigência e do texto

A obrigatoriedade do conhecimento da lei é um dos seus atributos fundamentais, não sendo lícito nem ao juiz nem ás partes alegar o seu desconhecimento, outrossim as regras de direito, dado o seu caráter institucional, independem de prova, por serem a fonte primordial do ordenamento jurídico, representando a vontade do Estado cujo cumprimento é compulsório. Uma vez

promulgado e publicado o texto legal, a ninguém é dado alegar o desconhecimento de suas regras e princípios sob pena de desestabilização da ordem pública.

Em oposição a este direito comum, situa-se o direito singular ao qual se refere o art. 337 do CPC: "A parte, que alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim determinar o juiz."

O conjunto revelado pela diversidade das leis e costumes, oriundos dos diversos estados e municípios da Federação e dos países estrangeiros, não se confunde com o direito comum que se presume conhecido por todos, daí a pertinência do supracitado art. 337 do CPC que justifica a demanda do julgador em pedir a quem invocou o direito singular a trazer aos autos o seu inteiro teor, por meio de produção da prova documental – certidão ou publicação da imprensa oficial, em se tratando de norma legal expressa, desde que o direito invocado se situe fora da jurisdição do juiz da causa. A prova do direito consuetudinário se revela mais complexa, em razão da sua característica de direito não-escrito e dada a sua complexidade enquanto fenômeno social. Destarte, a prova dos usos e costumes será realizada segundo os meios gerais admitidos em juízo, podendo a parte se valer das provas testemunhais, periciais, documentais e de jurisprudência, que atestem a existência do costume como regra de direito. Em relação ao direito estrangeiro, dispensável dizer que o texto trazido aos autos deverá ser acompanhado da respectiva tradução oficial, produzida por tradutor juramentado.

A vigência da lei singular poderá ser comprovada através da doutrina e dos pareceres dos especialistas versados na matéria sub judice, atestando que a mesma não foi revogada por nenhum outro dispositivo legal.

Logo, salvo as exceções expressas no art. 337 do CPC, não é necessário que a parte junte nos autos o texto da lei em que se baseia a sua pretensão, dispensando-se a produção da prova do direito comum.

3.4. Modalidades de prova

Em relação à forma, são admitidos em direito a prova testemunhal, a confissão, o depoimento pessoal, a prova documental e a prova pericial. Por prova testemunhal tem-se o depoimento, pessoal, oral, reduzido a termo, por quem, por ter conhecimento do fato controvertido entre as partes, informa ao juízo sobre as suas circunstâncias e existência deste fato. Ao lado da prova testemunhal situamos a confissão e o depoimento pessoal das partes, dado o caráter eminentemente oral que envolve a produção destes meios de prova. A confissão importa no reconhecimento voluntário acerca dos fatos em juízo, desfavoráveis ao confitente e favoráveis á parte adversa, constituindo meio excepcional de prova em favor da verdade sobre os fatos controvertidos. A confissão poderá ser extrajudicial ou judicial, conforme seja realizada em juízo ou não, bem como verbal ou escrita, é certo que a forma da confissão influi de modo decisivo para a formação da convicção do juízo, haja vista que, sendo oral e judicial, ouvindo-se o confitente e tomando-se por termo as suas declarações, revela, contrastada aos demais elementos de prova, maior verossimilhança.

O depoimento pessoal envolve depoimento das partes que contendem em juízo, em oposição á prova testemunhal que diz respeito a depoimento a terceiro, que está alheio aos interesses em lide. Em verdade, "É o meio de que se socorre a parte, ou o próprio juiz, para a provocação da confissão em juízo – "confissão

provocada" (Cod. Proc. Civil, art. 349), ou mesmo, apenas, para esclarecimento dos fatos controvertidos." 25

A prova documental envolve exibição de afirmação escrita, degravação, documentos públicos, documentos particulares, fotografias, filmes, desenhos, cartas ou qualquer outro material que reproduz, confirma ou nega os fatos controvertidos.

A prova pericial envolve o exame material e especializado que perscruta o fato controvertido. Neste caso, a análise da prova reside na própria materialidade das coisas, a própria coisa ou o fenômeno é que atesta o fato e suas conseqüências jurídicas, a exemplo do exame de DNA, nas ações de reconhecimento de paternidade, e dos exames grafotécnicos para reconhecer como autêntica ou não uma assinatura lançada sobre uma escritura.

Neste caso a análise da materialidade poderá ser realizada pelo próprio julgador que, quando se desloca e entra em contato direto com a coisa, realiza inspeção judicial, em se tratando de questão envolvendo direito possessório, por exemplo, ou por meio de peritos especializados, nomeados pelo juízo, que com formação técnica diferenciada se incumbirão de informar ao juízo suas conclusões sobre a natureza das coisas, os fatos e as conseqüências deles advindos. A sistemática processual instituiu a audiência de saneamento após a tentativa de conciliação. Outrossim, após a conciliação, o juiz fixará os pontos controvertidos e determinará as provas a serem produzidas de acordo com a pertinência da controvérsia que envolve os fatos.

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SANTOS, Moacir Amaral. Primeiras Linhas de Direito Processual Civil. Vol. 2, 5a Ed. São Paulo, Editora Saraiva, 1980, 386p;

A produção da prova obedece a toda uma sistemática que disciplina o processo, assim, o rol de testemunhas deverá ser depositado, em se tratando de rito ordinário, até cinco dias antes da de instrução – art. 407 do CPC, a petição inicial e a contestação deverão ser instruídas com os documentos destinados a provar-lhes as alegações – art.396 do CPC, quando a lei exigir como substância do ato o instrumento público, nenhuma outra prova, por mais especial que seja, pode suprir-lhe a falta – art.366 do CPC, incube as partes no prazo de cinco dias, contados do despacho da intimação do perito indicar assistente técnico – art. 421 § 1º do CPC, é impedida de testemunhar a pessoa que for parte na causa ou que intervém em nome de uma parte, bem como o cônjuge e o ascendente de qualquer das partes – art. 405 § 2º I, II e III do CPC. A inobservância das regras processuais na produção da prova implica na não-idoneidade da prova que foi irregularmente produzida, bem como na nulidade da sentença que a admitiu como fundamento para a sua decisão.

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