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A PSICOMOTRICIDADE E OS SINTOMAS PSICOMOTORES

No documento DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR NA INFÂNCIA (páginas 151-155)

Você já viu que o sintoma psicomotor não tem correspondente neurológico, ou seja, pode não haver lesão cerebral. Entretanto, quando temos crianças com lesões cerebrais, podemos ter sintomas psicomotores. Por exemplo: os cadeiran-tes, que em sua maioria, possuem paralisia cerebral, ou seja, patologia com lesão cerebral na área motora e muitas vezes não apresentam sintomas psicomoto-res, porque sua imagem corporal e a representação do corpo estão preservadas.

O sintoma psicomotor propriamente dito equivale a uma desorganização corporal. A criança não controla seu corpo, é o corpo que controla a criança.

Como no caso de hiperatividade, vista como sintoma e não como doença ou síndrome. Há uma angústia que invade a criança e não permite organizar sua corporeidade, deixando a criança em total agitação.

As percepções do mundo estão afetadas. O espaço e o tempo não podem ser vividos com harmonia pela criança. O equilíbrio subjetivo determina o equilíbrio físico, portanto, somos afetados pela nossa subjetividade. Isso é possível de ser

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

observado quando, em situações de medo, perdemos o controle corporal, ou quando estamos com o nosso humor alterado, não temos coordenação de nossas ações.

O desenvolvimento psicomotor, portanto, depende de aspectos subjetivos para se estabelecer com sucesso e estruturar-se adequadamente. As relações humanas são fundamentais nessa estruturação.

Os Distúrbios Psicomotores se caracterizam pela dificuldade da criança no domínio corporal. As dificuldades da criança se potencializam, porque ela vê o que produz no olhar do Outro e isto é muito aniquilador do sujeito.

Por isso, os tratamentos requerem uma reconstrução da posição da criança em seus tutelares. Uma outra forma de ver e aceitar os limites para uma poste-rior superação do distúrbio psicomotor e psíquico.

Principais sintomas psicomotores:

• Debilidade psicomotora

É o estado de insuficiência, de imperfeição das funções motoras, na adaptação aos atos de vida.

• Instabilidade psicomotora (hiperatividade)

A criança instável ou hiperativa se mostra agitada, com descargas explosivas, e até autoagressivas.

• Inibição psicomotora

A criança se mostra aprisionada em si mesma. Ela teme o movimento. Defende-se do olhar do Outro.

• Dispraxias

É a dificuldade para executar a combinatória de gestos.

Adiante estudaremos cada um de forma pormenorizada. Podemos perceber que sempre são “visíveis”, ou seja, afeta o movimento e é dado a ver. O modo como nos movimentamos denuncia nossa estrutura global. Externamos aquilo que vivemos. Alfredo Jerusalinsky (2007, p. 67) diz: “o corpo explode, enquanto o su-jeito implode” Ou seja, sempre que estamos em dificuldades emocionais, nosso corpo demonstra, se desorganiza.

A Psicomotricidade e os Sintomas Psicomotores

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

SINTOMAS PSICOMOTORES

Debilidade Psicomotora

É o estado de insuficiência, de imperfeição das funções motoras, na adaptação aos atos de vida.

As características desse quadro psicomotor são as sincinesias e paratonias.

As sincinesias são movimentos associados de certas partes do corpo que repro-duzem ou imitam o movimento principal. Também chamados de “movimentos parasitas”. Por exemplo: quando uma pessoa recorta algo, repete um movimento de abrir e fechar a boca como faz com a mão que abre e fecha a tesoura no ato de recortar. Esse movimento com a boca seria um movimento desnecessário, e por isso chamado de “movimento parasita”.

As sincinesias se classificam em Simétricas e de Ponto de partida axial:

Simétricas

■ Sincinesias de Imitação (que desaparecem entre 5 e 9 anos).

■ Sincinesias Tônicas.

De Ponto de partida Axial ■ Desaparecem mais tarde.

Quanto mais diferenciado o movimento, menos sincinesias aparecerão. Com a maturação, as sincinesias desaparecem possibilitando mais independência no funcionamento de um lado em relação ao outro do corpo.

Paratonia

Paratonia é a dificuldade de relaxar a musculatura de forma voluntária. Henry Wallon chama de reação prestância a mudança tônica perante o olhar do Outro. Está rela-cionada com estado de tensão e excitação constante que é próprio das crianças com patologias psíquicas severas, mostrando a íntima relação entre tônus e psiquismo.

Wallon e Ajuriaguerra se referiam muito a estas questões (LE CAMUS, 1986, p. 38 - 39).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Instabilidade Psicomotora

Este termo é usado pelos autores franceses. Os anglo-saxões usam o termo Hiperatividade. A criança instável ou hiperativa se mostra agitada, com descar-gas explosivas, e até autoagressivas, como arrancar cabelo, bater a cabeça, sempre apressada, ansiosa e angustiada. Wallon (1925) chama de “criança turbulenta”, em sua tese de doutorado.

Nesse quadro é necessário recompor o movimento adequado interpretando os atos da criança, inserindo palavras. Como se alguém externo lhe ajudasse a se perceber e assim acalmá-la. Todo esse quadro se dá por falta de inscrições pri-mordiais que lhe possibilitassem a organização corporal.

Inibição Psicomotora

Um quadro que mostra a criança aprisionada em si mesma. Ela teme o movi-mento. Defende-se do olhar do Outro. Faz-se “morta” pela imobilidade.

Extremamente limitante, visto que impede a pessoa do convívio normal entre seus semelhantes.

Há necessidade de reconstruir a imagem de si. Uma ressignificação das mar-cas primordiais, valorizando seu movimento e sua existência.

Dispraxia

É a dificuldade para executar a combinatória de gestos. A sequência insatisfatória das ações. Existe o projeto motor, porém há dificuldade para combinar as ações.

O que se manifestará, então, é uma lentidão no movimento como uma descoor-denação, além de uma falha na percepção espacial, o que provoca o “espelhamento”

na escrita, por exemplo. Além de dificuldades de percepção em geral, como para montar quebra-cabeça, para se vestir, abotoar, comer, saltar entre outros. As ati-tudes de superproteção das mães acabam por produzir comumente estes quadros.

Além disso, causa muita insegurança na criança, pela repetição de fracassos.

Será muito importante que a professora perceba ainda na Educação Infantil para que se esclareça o diagnóstico, em eventual encaminhamento, e posterior tratamento.

No documento DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR NA INFÂNCIA (páginas 151-155)