Você já viu que o sintoma psicomotor não tem correspondente neurológico, ou seja, pode não haver lesão cerebral. Entretanto, quando temos crianças com lesões cerebrais, podemos ter sintomas psicomotores. Por exemplo: os cadeiran-tes, que em sua maioria, possuem paralisia cerebral, ou seja, patologia com lesão cerebral na área motora e muitas vezes não apresentam sintomas psicomoto-res, porque sua imagem corporal e a representação do corpo estão preservadas.
O sintoma psicomotor propriamente dito equivale a uma desorganização corporal. A criança não controla seu corpo, é o corpo que controla a criança.
Como no caso de hiperatividade, vista como sintoma e não como doença ou síndrome. Há uma angústia que invade a criança e não permite organizar sua corporeidade, deixando a criança em total agitação.
As percepções do mundo estão afetadas. O espaço e o tempo não podem ser vividos com harmonia pela criança. O equilíbrio subjetivo determina o equilíbrio físico, portanto, somos afetados pela nossa subjetividade. Isso é possível de ser
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
observado quando, em situações de medo, perdemos o controle corporal, ou quando estamos com o nosso humor alterado, não temos coordenação de nossas ações.
O desenvolvimento psicomotor, portanto, depende de aspectos subjetivos para se estabelecer com sucesso e estruturar-se adequadamente. As relações humanas são fundamentais nessa estruturação.
Os Distúrbios Psicomotores se caracterizam pela dificuldade da criança no domínio corporal. As dificuldades da criança se potencializam, porque ela vê o que produz no olhar do Outro e isto é muito aniquilador do sujeito.
Por isso, os tratamentos requerem uma reconstrução da posição da criança em seus tutelares. Uma outra forma de ver e aceitar os limites para uma poste-rior superação do distúrbio psicomotor e psíquico.
Principais sintomas psicomotores:
• Debilidade psicomotora
É o estado de insuficiência, de imperfeição das funções motoras, na adaptação aos atos de vida.
• Instabilidade psicomotora (hiperatividade)
A criança instável ou hiperativa se mostra agitada, com descargas explosivas, e até autoagressivas.
• Inibição psicomotora
A criança se mostra aprisionada em si mesma. Ela teme o movimento. Defende-se do olhar do Outro.
• Dispraxias
É a dificuldade para executar a combinatória de gestos.
Adiante estudaremos cada um de forma pormenorizada. Podemos perceber que sempre são “visíveis”, ou seja, afeta o movimento e é dado a ver. O modo como nos movimentamos denuncia nossa estrutura global. Externamos aquilo que vivemos. Alfredo Jerusalinsky (2007, p. 67) diz: “o corpo explode, enquanto o su-jeito implode” Ou seja, sempre que estamos em dificuldades emocionais, nosso corpo demonstra, se desorganiza.
A Psicomotricidade e os Sintomas Psicomotores
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
SINTOMAS PSICOMOTORES
Debilidade Psicomotora
É o estado de insuficiência, de imperfeição das funções motoras, na adaptação aos atos de vida.
As características desse quadro psicomotor são as sincinesias e paratonias.
As sincinesias são movimentos associados de certas partes do corpo que repro-duzem ou imitam o movimento principal. Também chamados de “movimentos parasitas”. Por exemplo: quando uma pessoa recorta algo, repete um movimento de abrir e fechar a boca como faz com a mão que abre e fecha a tesoura no ato de recortar. Esse movimento com a boca seria um movimento desnecessário, e por isso chamado de “movimento parasita”.
As sincinesias se classificam em Simétricas e de Ponto de partida axial:
■ Simétricas
■ Sincinesias de Imitação (que desaparecem entre 5 e 9 anos).
■ Sincinesias Tônicas.
■ De Ponto de partida Axial ■ Desaparecem mais tarde.
Quanto mais diferenciado o movimento, menos sincinesias aparecerão. Com a maturação, as sincinesias desaparecem possibilitando mais independência no funcionamento de um lado em relação ao outro do corpo.
Paratonia
Paratonia é a dificuldade de relaxar a musculatura de forma voluntária. Henry Wallon chama de reação prestância a mudança tônica perante o olhar do Outro. Está rela-cionada com estado de tensão e excitação constante que é próprio das crianças com patologias psíquicas severas, mostrando a íntima relação entre tônus e psiquismo.
Wallon e Ajuriaguerra se referiam muito a estas questões (LE CAMUS, 1986, p. 38 - 39).
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Instabilidade Psicomotora
Este termo é usado pelos autores franceses. Os anglo-saxões usam o termo Hiperatividade. A criança instável ou hiperativa se mostra agitada, com descar-gas explosivas, e até autoagressivas, como arrancar cabelo, bater a cabeça, sempre apressada, ansiosa e angustiada. Wallon (1925) chama de “criança turbulenta”, em sua tese de doutorado.
Nesse quadro é necessário recompor o movimento adequado interpretando os atos da criança, inserindo palavras. Como se alguém externo lhe ajudasse a se perceber e assim acalmá-la. Todo esse quadro se dá por falta de inscrições pri-mordiais que lhe possibilitassem a organização corporal.
Inibição Psicomotora
Um quadro que mostra a criança aprisionada em si mesma. Ela teme o movi-mento. Defende-se do olhar do Outro. Faz-se “morta” pela imobilidade.
Extremamente limitante, visto que impede a pessoa do convívio normal entre seus semelhantes.
Há necessidade de reconstruir a imagem de si. Uma ressignificação das mar-cas primordiais, valorizando seu movimento e sua existência.
Dispraxia
É a dificuldade para executar a combinatória de gestos. A sequência insatisfatória das ações. Existe o projeto motor, porém há dificuldade para combinar as ações.
O que se manifestará, então, é uma lentidão no movimento como uma descoor-denação, além de uma falha na percepção espacial, o que provoca o “espelhamento”
na escrita, por exemplo. Além de dificuldades de percepção em geral, como para montar quebra-cabeça, para se vestir, abotoar, comer, saltar entre outros. As ati-tudes de superproteção das mães acabam por produzir comumente estes quadros.
Além disso, causa muita insegurança na criança, pela repetição de fracassos.
Será muito importante que a professora perceba ainda na Educação Infantil para que se esclareça o diagnóstico, em eventual encaminhamento, e posterior tratamento.