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A realidade e as perspectivas da lei nº 11.419/2006

A Lei 11.419/06 trouxe grandes mudanças para o sistema processual brasileiro, visando acompanhar as transformações que a sociedade vem sofrendo e ampliar os desejos pela constante busca de aperfeiçoamento e novas tecnologias. O direito por sua vez é dinâmico e acaba por seguir essas mudanças e, muitas vezes, sofre alterações para se adaptar à nova realidade.

A informatização judicial chega aos Tribunais, sem recuar, exigindo espaços cada vez maiores, impondo seu sistema e trazendo consigo novos ares. É a revolução tecnológica processual, garantindo mais celeridade, economia e efetividade no trâmite processual. Emmerson Gazda (2009), destaca muito bem a importância dessa transição e elenca alguns cuidados necessários:

Nesse processo de transição, de criação do sistema eletrônico e migração da atuação dos atores processuais do meio físico para o meio eletrônico, é preciso que, além dos cuidados técnicos e processuais, exista um planejamento, uma preocupação da gestão de como operacionalizar de forma segura e sem atropelos esse momento inicial, bem como também o desenvolvimento futuro do sistema, que certamente demandará constante evolução e aperfeiçoamento. Por certo que a padronização nacional, ao menos por ramos da Justiça e com os sistemas dos diversos ramos “conversando” entre si, é algo bastante desejável, posto que, além de

concentrar esforços e recursos financeiros em um mesmo sentido, trará muitas facilidades aos usuários externos, em especial Advogados, determinando maior eficácia nas ações de treinamento e solução de problemas que possam surgir.

Portanto, a urgência do Judiciário em encontrar soluções para o acúmulo de processos em tramitação não pode ser o fator determinante do prazo para a construção e a implantação de um sistema eletrônico de tramitação processual. É preciso que sejam seguidas as etapas de levantamento de casos de uso junto aos usuários e documentação do que se espera do sistema, bem como desenvolvimento documentado do programa, testes e homologação pelos usuários.

Antônio Carlos Parreira (2007) embasa o entendimento acima, afirmando que:

Por certo nesta primeira fase de transição, as dificuldades a serem enfrentadas, inclusive na digitalização de muitos documentos, talvez até recomende a adoção apenas parcial do processo digital. Mas o ideal é que se implante desde logo o processo digital em sua inteireza, com a informatização ampla dos atos e digitalização completa de todos documentos, evitando-se procrastinar a evolução.

Como mencionado no decorrer do presente trabalho, o processo eletrônico trouxe e trará inúmeras mudanças, tanto para os operadores do direito quanto para os cidadãos que possuem ou não, causas ajuizadas através desse procedimento. Como forma de resgatar as principais mudanças trazidas pela Lei em comento ao Código de Processo Civil, Pinho (2012, p. 371-372) enumera-as da seguinte forma, indicando os respectivos artigos:

a) art. 38, parágrafo único: possibilita que as procurações sejam assinadas eletronicamente;

b) art. 154, § 2º: permite que os atos e termos do processo possam ser produzidos, transmitidos, armazenados e assinados por meio eletrônico; c) art. 164, parágrafo único: autoriza que a assinatura do juiz também possa ser feita por meio digital;

d) art. 169, §§ 1º a 3º: obriga o armazenamento dos arquivos digitais em sistema inviolável e com o aval dos sujeitos processuais. Determina que as eventuais impugnações sejam feitas oralmente no momento do ato;

e) art. 202, § 3º: as cartas precatórias e rogatórias podem ser enviadas e processadas por meio eletrônico;

f) arts. 221 e 237: instituem a citação, intimação e notificação digital; g) art. 365: equipara os arquivos digitais aos documentos físicos;

h) art. 399, §§ 1º e 2º: regulamenta a requisição, pelo juiz, de documentos de bancos de dados;

i) art. 399, §§ 1º e 2º: possibilita a transcrição digital dos depoimentos e atos ocorridos em audiência;

j) art. 556, parágrafo único: permite que os votos e acórdãos sejam registrados em arquivos eletrônicos.

Mas as mudanças não ficam por aí, haja vista o projeto do novo Código Civil que tem por objetivo acabar com os obstáculos do acesso à justiça e visa minimizar a atual situação de crise na qual se encontra o Poder Judiciário brasileiro. O intuito não é apenas dar mais recursos ao Poder Judiciário, mas também alcançar uma maior simplicidade procedimental e assegurar de que o processo não seja um fim em si, mas apenas um meio de garantir a tutela dos direitos.

O novo CPC não regulará o processo eletrônico, apenas cuidará da privacidade das partes litigantes nesse sistema. Além do mais o CPC admitirá recursos eletrônicos totais ou parciais, não dispondo sobre a regulamentação dos processos que já existem no âmbito dos Juizados Especiais, deixando a cargo de sua própria legislação.

Acerca das alterações propostas pelo novo CPC, Sebastião Tavares Pereira (2012), ressalta:

O processo digital exibirá, cada vez mais, sua incapacidade para produzir os resultados esperados de aceleração dos prazos e de otimização da qualidade da prestação jurisdicional. Sua concepção sistêmica aponta para esse resultado. Portanto, o avanço para um processo virtual é uma imposição do tempo sobre o legislador.

Se este, ao elaborar a mais relevante lei do país atinente ao processo, passar ao largo dessa questão, negando-se a enfrentar o problema do novo processo – que será obrigatoriamente virtual, o processo eletrônico do novo CPC – estará cometendo, permite-se pensar, um erro histórico. A cidadania clama por uma Justiça célere e de qualidade. Somente um processo virtual é capaz de responder a esse reclamo constitucional do brasileiro.

Os detalhes poderão ser remetidos para legislação esparsa. Entretanto, o grande arcabouço, as grandes diretrizes, terão de ser postas pelo novo diploma processual. (grifo do autor)

Segundo o autor a digitalização é feita apenas para a máquina, enquanto a virtualização é feita para o homem, envolvendo-o, numa ponta do processo, como destinatário. Desta forma a virtualização é mais perceptiva e menos física, concretizando-se apenas no homem ou com o homem, sendo que sem ele não há virtualização, tampouco processo.

Assim, o novo CPC deverá abrir caminho para o processo virtual/eletrônico, sem excluir ou afrontar princípios processuais, jurídicos ou materiais. O processo não pode ser

apenas digital, com inúmeras peças anexadas ao autos digitais, mas sim um ambiente de percepção, aprendizado, criação e interatividade.

Outro fato importante é a crescente atuação do processo eletrônico no âmbito dos Juizados Especiais, os quais são referencia em nosso país. Apesar do sistema dos Juizados Especiais serem diferentes das disposições do Código Processual Civil, a análise do processo eletrônico é um importante mecanismo de informatização da atividade judicial.

O avanço ocorrido no ordenamento jurídico brasileiro é grandioso, onde, a cada dia, os paradigmas tradicionais estão sendo quebrados. Pensando desta forma, Alessandra Alves Scheffel (2006, p. 14) afirma:

Os Juizados Especiais Federais foram criados não só com a proposta de desafogar a Justiça Federal, mas, também, de expor pela primeira vez uma nova Justiça, menos burocratizada, mais célere e menos distante do cidadão. Com a adoção do processo eletrônico, esses objetivos se tornaram cada vez mais reais.

Percebe-se que a revolução proposta pela informática está presente em todas as áreas de trabalho dos profissionais que atuam na área do Direito, desde a simplificada consulta processual, até a criação e ajuizamento de petições iniciais.

[...]

Todo acesso é feito através de um site seguro, sendo possível determinar com precisão a origem de cada consulta ou movimentação dos autos virtuais. Qualquer documento enviado recebe um protocolo eletrônico e uma assinatura digital, certificando a origem e garantindo o conteúdo. Além disso, os dados são protegidos pelos procedimentos normais de backup.

Complementando a ideia acima, Pinho (2012, p. 375) traz uma breve explicação sobre o peticionamento eletrônico no Juizado Especial Federal, veja-se:

De qualquer lugar em que o acesso via internet seja possível, a ação perante os Juizados Especiais Federais Cíveis poderá ser ajuizada, já ocorrendo automaticamente a sua distribuição. Para cada tipo de usuário há uma tela no sistema virtual. As partes cadastradas terão acesso instantâneo ao processo eletrônico, através de um site seguro. Dessa forma, é possível acompanhar todo andamento processual.

Qualquer pessoa que desejar acessar o processo virtual poderá fazê-lo através de uma consulta pública sem a necessidade de cadastro e, tampouco, de senha, porém, só serão disponibilizados para visualização alguns documentos que fazem parte do processo.

Os atos processuais, como a juntada de petições, documentos e certidões, serão praticados virtualmente pelos usuários cadastrados, que possuirão login e senha pessoal. Através do acesso à internet, o sistema identificará a

senha do operador e demonstrará uma relação dos processos pendentes onde atua, para que este possa trabalhar nos processos e gerar suas fases e eventos, que no momento da movimentação já restarão registrados, sendo, dessa forma, abolida a tradicional carga dos autos para cumprimento de diligências.

Da mesma maneira mencionada acima, serão proferidos os atos e pronunciamentos judiciais, dentre outros: as sentenças, as decisões interlocutórias e os despachos. O magistrado, do mesmo modo que os advogados e demais usuários cadastrados, terá através do sistema acesso aos processos em que atua e assinará digitalmente suas decisões com seu login e senha, aparecendo sua assinatura digital quando concluído o ato processual.

Os documentos que integrarem os autos virtuais serão anexados eletronicamente e receberão uma assinatura digital para identificar qual usuário que realizou a movimentação. As partes que não tiverem advogado receberão um aviso de recebimento em mão própria (ARMP), para que possam tomar conhecimento das fases processuais, o qual, após assinado, será digitalizado pelo servidor e anexado aos autos.

Verifica-se desta forma que o processo eletrônico está cada vez mais presente em nossa sociedade, ajudando na celeridade do sistema judiciário assim como os Juizados Especiais. Na busca pela efetividade e eficiência, a criação de novos mecanismos e estruturas judiciárias são elementos importantes para a expansão do Poder Judiciário, consequentemente proporcionalizando um maior acesso à justiça.

Mas apesar de tantas mudanças e progressos, o processo eletrônico também apresenta algumas falhas. Além da exclusão digital que muitas pessoas enfrentam e a falta de qualificação e compreensão dos recursos tecnológicos, até mesmo por parte de servidores e operadores do direito, o processo eletrônico enfrenta um problema, como explicam Caio Miachon Tenório e Orides Mezzaroba (2013, p. 43-44):

Em virtude do artigo 18 da Lei n. 11.419/2006, permitir que cada Tribunal, a sua maneira, regulamente o processo eletrônico no âmbito de sua jurisdição, o processo digital se transformou numa verdadeira “salada digital”, de difícil utilização, com 5 (cinco) diferentes tipos de sistemas processuais vigentes e regidos por diferentes tipos de programas de informática.

[...]

O artigo 18 da Lei n. 11.419/2006, estabelece que “Os órgãos do Poder Judiciário regulamentarão esta Lei, no que couber, no âmbito de suas respectivas competências.” Embora o artigo 18 da lei do processo eletrônico tenha estabelecido que cada Tribunal regulamentará o processo eletrônico no âmbito de suas competências, isso não significou que a lei deu “cartão verde” para que cada Tribunal faça o que quiser, ou que dê uma nova regulamentação ao processo civil brasileiro.

[...]

Ao estabelecer em seu artigo 18 que cada Tribunal regulamente a Lei no âmbito de sua competência, não se estabeleceram limites para tal regulamentação. Tal permissiva regulamentar é inconstitucional. É grande a possibilidade de que cada um dos Tribunais brasileiros crie seu próprio “código de processo” na implantação do processo eletrônico e, na ânsia de fazer justiça, prejudicar os jurisdicionados com o sacrifício do contraditório e da ampla defesa, apesar de justos os clamores por justiça da sociedade.

Ainda que diferentes os sistemas de cada Estado, todos devem obedecer o que manda a lei, sendo que cabe ao programador adequar os sistemas ao ordenamento jurídico vigente e não criar novos ou em desacordo com a lei. Nenhum Tribunal ou Juízo pode legislar da maneira que achar melhor, violando regras de caráter processual e constitucional.

Apesar de ser digital, o sistema e a forma de protocolo, petição e juntada devem obedecer ao que a lei descreve em seus respectivos artigos. Assim como a contagem do prazo, o programa também está sujeito à lei, sendo que a cada dia deve-se buscar aprimorar o processo eletrônico.

Para Araújo e Silva (2010) a grande parte dos sistemas processuais eletrônicos não foi projetado visando sua interoperatividade, como pode ser verificado abaixo:

[...] A importância desse requisito mostra-se mais clara à medida que os autos vão tornando-se eletrônicos, pois é preciso que sua movimentação entre instâncias e entre diferentes Justiças seja feita de modo rápido, seguro e transparente. O CNJ, que, nos últimos anos, tem envidado esforços na tentativa de informatizar todo o Judiciário, também lidera um convênio composto por vários tribunais com a finalidade de construir um sistema único e padronizado para toda a Justiça, eliminando, desse modo, problemas como a dificuldade na troca de informação entre os diversos órgãos e o desperdício de recursos na construção de soluções de software similares e independentes nos diversos tribunais.

Por esses motivos que é necessário o cuidado ao se criar o programa que dará andamento ao processo, haja vista a necessidade de uniformização que o nosso sistema precisa alcançar. Seguidamente advogados e servidores precisam acessar sistemas e sites de outros Estados e acabam ficando perdidos no meio de tanta diversidade. Do mesmo modo o processo eletrônico deve ser uniforme em todo o território nacional, para evitar que problemas técnicos aconteçam.

Outros pontos a ser analisado é o armazenamento de todas as informações contidas no processo, antes ou após ser arquivado. Tendo em vista da grande demanda de processos ajuizados futuramente será imprescindível a apresentação de uma solução para a grande quantidade de arquivos que serão anexados ao “mundo digital”, sendo necessário encontrar uma forma fácil de guardá-los ou um modo de se desfazer desse material.

Analisando as principais mudanças e reflexos da Lei 11.419, Gazda (2009) afirma:

De tudo o que foi visto, pode-se dizer que a realidade sobre o que o processo eletrônico representará para o Judiciário do Brasil somente o futuro dirá. Contudo, o que se espera é que bons resultados sejam alcançados, de forma que a geração atual consiga mudar concretamente os rumos da Justiça pátria, entregando uma estrutura mais ágil e eficiente para as gerações futuras. A verdade é que todos os que estão ligados a essa transformação, mesmo que a participação seja apenas como usuários dos sistemas que estão surgindo, formam parte deste momento histórico, uma vez que só isso já exige atitude positiva, com disponibilidade para aprender e trabalhar com o novo.

Assim, cabe a todos a responsabilidade de buscar o conhecimento, debater ideias e conceitos, propondo soluções para que o objetivo final seja alcançado.

Por fim, pode-se afirmar que o processo eletrônico é uma nova roupagem ao processo que já existia, não significando o surgimento de um novo processo, mas sim o velho sistema que agora deixa de lado o papel e adere o certificado digital, a senha, o login e o envio de peças, petições e documentos através da internet.

O processo eletrônico pode e deve melhorar muito ainda, mas já se consegue visualizar o sistema com o qual nossos filhos e netos conviverão. Há ainda um longo caminho a ser trilhado, porém os resultados já conquistados permitem visualizar a nova era que chega ao Poder Judiciário.

Não se trata apenas de dados virtuais, mas sim de constatações reais. Após a implantação do processo eletrônico e a utilização de ferramentas tecnológicas, a nova face da justiça brasileira apresenta-se mais eficiente, célere e produtiva, com resultados diretos na prestação jurisdicional bem mais eficaz.

CONCLUSÃO

Com a implementação do PJe, o CNJ vem conseguindo obter mais transparência e agilidade no trânsito de informações, além de mais ocorrências nas pesquisas relacionadas à atividade jurisdicional. Primeiramente conhecido como “processo virtual”, hoje, o processo eletrônico brasileiro já possui a Lei n 11.419/2006 regulando e tornando incontroversa a validade de comunicação por meios alheios aos procedimentos tradicionais.

Devido a sua recente implementação o processo eletrônico ainda está sendo desvendado por seus usuários, sejam eles juízes, servidores e advogados, porém, o que todos já sabem é que um dos objetivos do e-processo é “desafogar” nosso sistema judiciário.

Como visto, o processo eletrônico não surgiu instantaneamente no nosso ordenamento, mas é fruto de uma caminhada e de uma série de avanços. A informatização judicial bateu à porta da justiça nacional em 1999, com a Lei do Fax, sendo que desde então cada vez mais busca-se ampliar o uso da tecnologia no dia-a-dia forense.

Muitos que ainda resistem ao uso das novas tecnologias é em razão do medo de que as informações processuais ficarão à mercê de fraudes, alterações ou manipulações por parte de usuários não cadastrados no sistema. Entretanto percebeu-se que a validade e a segurança dos documentos digitais garantirão a autenticidade e a integridade dos mesmos, através do uso adequado e imprescindível do certificado digital e da assinatura eletrônica.

O Conselho Nacional da Justiça, ao implementar o processo eletrônico, visou apenas beneficiar o sistema processual brasileiro, buscando tornar o acesso à justiça mais fácil e eficaz, pois onde não há um amplo acesso, a democracia estará em risco e não será possível desenvolver um país sustentavelmente.

Pensar em acesso à justiça leva-nos a pensar na ampliação da mesma. Quanto mais pessoas tiverem esse acesso, podendo ajuizar, acompanhar e informar-se acerca dos seus direitos e suas respectivas causas litigiosas, mais célere e eficaz será nosso sistema judicial, garantindo o exercício da cidadania e fortalecendo a democracia. Um povo confiante é aquele que conhece suas bases, tem convicção de seu caráter e busca um mesmo ideal.

Não basta apenas incluir, deve-se também instruir, para que a sociedade possa apropriar-se de seu direito e ter conhecimento dos deveres fundamentais (individuais ou coletivos) que o Estado tem para com ela. Não deve-se apenas visionar crescimento no Poder Judiciário, mas em todas as áreas de nossa comunidade.

A parte que cabe ao direito, a realidade esta em frente ao nossos olhos. O processo eletrônico vem sendo implantando cada dia mais, comarcas e órgãos jurisdicionais vem adotando o procedimento pois constataram que este é o futuro. Claro que ainda existem mudanças a serem feitas, pequenos detalhes que podem contribuir ainda mais para facilitar o uso do procedimento digital, mas sem nunca deixar de lado os princípios que norteiam todo o nosso Poder Judiciário, seja cível, penal ou trabalhista.

O processo eletrônico sempre será questionado, assim como o processo utilizado anteriormente e ainda em aplicação em nosso país. Enquanto não ocorrer uma uniformização do programa e a preparação de servidores, advogados e demais participantes para a utilização correta e perfeita do procedimento, haverá dúvidas.

Por fim, pode-se afirmar que o processo eletrônico é uma inovação, fundamentado em princípios como o da universidade, da investidura, da publicidade e transparência, da celeridade e do acesso à justiça e que visa auxiliar à prática processual, tornando-a mais rápida e eficaz. Além do mais, o e-processo traz comodidade e conforto para seus usuários, haja vista a possibilidade de peticionar em horários diferenciados.

Verificou-se que o processo eletrônico não é um sistema implantado com descuido, pelo contrário, possui metas e objetivos claros. Por isso pode-se afirmar que é um procedimento seguro, eficiente e que garante veracidade aos seus atos. A tecnologia cresce a cada dia e com ela os mecanismos de auxílio ao Poder Judiciário que encontra-se "afogado" em litígios dos mais variados tipos, entre os quais alguns pode se resolver através da

mediação e arbitragem, e outros apenas com o uso de todo o aparato judicial, levando meses e até anos para chegar ao seu desfecho.

A informatização do judiciário é importante e o processo eletrônico é uma tendência que vem para ficar, instalando-se de maneira gradativa para uma melhor adequação e assimilação por parte dos seus usuários, sendo capaz de reduzir o tempo gasto com o andamento processual e substituir o processo físico pelo digital, a partir do uso de computadores, internet e scanners.

O e-processo não irá solucionar todos os problemas encontrados no sistema judicial brasileiro, mas o tornará mais célere e eficaz, efetivando o direito fundamental ao acesso à justiça e todos os demais direitos que amparam nosso sistema. Não é apenas um mero investimento tecnológico, mas um meio de utilizar a tecnologia em favor de um bem essencial, o bem comum.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA FILHO, José Carlos de Araújo. Processo eletrônico e teoria geral do processo eletrônico. Porto Alegre: TRF - 4ª Região, 2008 (Caderno de Direito Processual Civil: módulo 7).

ALVIM, J. E. Carreira. Justiça: acesso e descesso. (Jus Navigandi). Disponível em: <http://jus.com.br/revista/texto/4078>. Acesso em: 9 jun. 2013.

AMENDOEIRA JR., Sidnei. Manual de direito processual civil. Volume 1: teoria geral do processo e fase de conhecimento em primeiro grau de jurisdição. 2. ed. – São Paulo :