x ≥ 0. Este fato em conjunto com o resultado da conta (38) mostra que IP[max{X1, . . . , Xn} ≤x]→0 conformen→ ∞para cadax∈R, casocn= 1 e dn = 0. Isto significa que para esta escolha de {cn} e {dn}, as vari´aveis aleat´orias (20) n˜ao convergem em distribui¸c˜ao. (J´a que se convergissem, ent˜ao a distribui¸c˜ao limite s´o poderia ser a fun¸c˜ao que ´e 0 em todo x ∈ R, mas tal fun¸c˜ao n˜ao ´e uma fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao pois ela n˜ao atende o quesito limx→∞F(x) = 1.)
Outros exemplos podem ser encontrados nos livros citados na se¸c˜ao Referˆencias.
Nossos exemplos foram dados para ilustrar a solu¸c˜ao do problema de dis-tribui¸c˜ao assint´otica de extremos. Esta solu¸c˜ao, que aparecer´a na pr´oxima sub-se¸c˜ao, mostrar´a que todas as fun¸c˜oes de distribui¸c˜ao s˜ao separadas em classes – chamadas de dom´ınios de atra¸c˜ao de EVD’s – sendo que o crit´erio da separa¸c˜ao ´e o formato da distribui¸c˜ao da vari´avel aleat´oria limite da seq¨uˆencia (20). Os exemplos 1, 2 e 3 analisam fun¸c˜oes de distribui¸c˜ao pertencentes a algumas destas classes. Para quem quiser ver exemplos de outras classes, sugerimos a leitura da Se¸c˜ao 3.3 de [3].
5.4 A solu¸c˜ao do problema de distribui¸c˜ao assint´otica de
−10 −5 0 5 10 0
0.2 0.4 0.6 0.8 1
Frechet Weibull Gumbel
Figura 16: A distribui¸c˜ao de Fr´echet com α = 1, a distribui¸c˜ao de Weibull com α= 1, e a distribui¸c˜ao de Gumbel.
fun¸c˜aoF(·) que n˜ao satisfa¸ca as condi¸c˜oes a serem apresentadas no
´ıtem (IV).
(II) Se paraF(·) existir uma escolha de seq¨uˆencias num´ericascn ednonde a seq¨uˆencia de vari´aveis aleat´orias (20) convirja para uma distribui¸c˜ao n˜ao degenerada, estas seq¨uˆencias num´ericas podem ser escolhidas de maneira que (20) tenha como limite
· uma fun¸c˜ao da fam´ılia chamada distribui¸c˜oes de Fr´echet;
· uma fun¸c˜ao da fam´ılia chamada distribui¸c˜oes de Weibull;
· ou uma fun¸c˜ao chamada distribui¸c˜ao de Gumbel.
Eis as formas destas fun¸c˜oes e suas fam´ılias (veja seus gr´aficos na Figura 16):
a fam´ılia de Fr´echetconstitui-se das distribui¸c˜oes Φα(·) comα >0, onde:
Φα(x) =
0, sex≤0, exp{−x−α}, sex >0;
a fam´ılia de Weibull constitui-se das distribui¸c˜oes Ψα(·) com α > 0, onde:
Ψα(x) =
exp{−[(−x)α]}, sex≤0,
1, sex >0;
a distribui¸c˜ao de Gumbel´e definida por:
Λ(x) = exp{−e−x}, para todox∈R.
Esclarecimento: Lembre-se dos Exemplos 2 e 3. Recorde que na tentativa (c) de cada um deles tivemos o azar de escolher {cn} e {dn} de maneira que as vari´aveis aleat´orias (20) convergiam para uma vari´avel aleat´oria degenrada, enquanto que nas tentativas (d) estas vari´aveis aleat´orias sequer convergiam. Por´em, na tentativa (a)– dos Exemplos 2 e 3 – conseguimos encontrar {cn} e{dn}para as quais havia convergˆencia para uma fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao n˜ao degenerada. Esta fun¸c˜ao ´e Weibull com α = 1 no Exemplo 2 e
´e Gumbel no Exemplo 3. Dessa forma os ´ıtens (a), (c) e (d) de cada um destes exemplos ilustram o conte´udo da afirma¸c˜ao (II).
Resta ent˜ao apenas uma d´uvida: como os resultados dos ´ıtens (b) enquadram-se nesta afirma¸c˜ao? Eles se enquadram na afirma¸c˜ao do pr´oximo ´ıtem.
Daqui adiante usaremos o termo fam´ılia de distribui¸c˜oes de valores ex-tremos para nos referir `a uni˜ao que cont´em a fam´ılia de Fr´echet, a fam´ılia de Weibull e a distribui¸c˜ao de Gumbel. Qualquer membro desta uni˜ao ser´a chamado de distribui¸c˜ao de valores extremos, EVD (do Inglˆes extreme value distribution).Nossa nomeclatura n˜ao ´e tradicional . Sobre isso veja a Nota sobre nomeclaturaabaixo.
(III) Suponhamos que uma fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao F(·) e duas seq¨uˆencias num´ericas {cn} e {dn} s˜ao tais que a seq¨uˆencia das vari´aveis aleat´orias (20) convergem para uma EVD H(·) (que pode ser, devido a nossa simboliza¸c˜ao, uma distribui¸c˜ao Gumbel, uma distribui¸c˜ao da fam´ılia Fr´echet, ou uma distribui¸c˜ao da fam´ılia Weibull). Sejam agora {c0n} e {d0n} duas outras seq¨uˆencias num´ericas quaisquer. Nessas condi¸c˜oes pode ocorrer uma e somente uma das duas seguintes alternativas:
ou (c0n)−1[max{X1, . . . , Xn} −d0n] converge para uma vari´avel aleat´oria cuja distribui¸c˜ao ´eH(x−ba ),x∈R, paraa∈R, a6= 0 eb∈R(cujos valores dependem das seq¨uˆencias {c0n} e{d0n});
ou (c0n)−1[max{X1, . . . , Xn} −d0n] converge para uma distribui¸c˜ao de-generada ou nem sequer converge.
Para que este resultado importante seja adequadamente compreendido, ressaltamos a rela¸c˜ao entre a fun¸c˜ao H(x−ba ) e a fun¸c˜aoH(x), x∈R: a primeira ´e obtida da segunda por re-escala e transla¸c˜ao ao longo do eixo das abcissas. Portanto o resultado acima formulado pode ser interpre-tado da seguinte maneira:
Dada uma distribui¸c˜ao F(·) o limite (20), quando existe e n˜ao ´e uma vari´avel aleat´oria degenerada, tem a forma H(x−ba ), x ∈ R, onde H(·) ´e uma EVD que ´e espec´ıfica para a F(·) dada; ou, em outras palavras, ´e imposs´ıvel que para dois pares de seq¨uˆencias num´ericas {cn}, {dn} e {c0n}, {d0n} ocorra que
c−1n [max{X1, . . . , Xn} −dn] convirja `a distribui¸c˜ao n˜ao degener-ada H(·), e
(c0n)−1[max{X1, . . . , Xn} −d0n] convirja `a distribui¸c˜ao n˜ao degen-erada K(·),
sem que H(·) eK(·) estejam relacionadas viaK(x) =H(x−ba ) para todo x∈R.
Esclarecimento: A propriedade afirmada neste ´ıtem est´a i-lustrada nos Casos (a) e (b) dos Exemplos 2 e 3. No Caso (a) do Exemplo 2 a fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao limite ´e Weibull de parˆametro α = 1, isto ´e Ψ1(x), x ∈R, enquanto que no Caso (b) a fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao limite ´e Ψ1(x+1),x∈R. O mesmo
“efeito” ´e observado no Exemplo 3: no Caso (a) a fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao limite ´e Gumbel: Λ(x), x ∈ R, enquanto que no Caso (b) a fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao limite ´e Λ x+23
, x∈R. A propriedade discutida acima diz que cada fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao F(·) ´e
“fiel” a somente uma EVD. Podemos analisar esta rela¸c˜ao sob outra perspec-tiva: cada EVD possui um conjunto de fun¸c˜oes de distribui¸c˜ao relacionado a ela. Este conjunto ´eo dom´ınio de atra¸c˜ao da EVD. Em termos precisos. Diz-se que uma fun¸c˜ao de distribui¸c˜aoF(·) est´a no dom´ınio de atra¸c˜ao de uma EVD H(·) se existem seq¨uˆencias {cn} e {dn} tais que as vari´aveis aleat´orias (20) convergem para H(·). O conceito “dom´ınio de atra¸c˜ao de uma EVD”
ser´a utilizado na formula¸c˜ao do ´ıtem (IV) e, o que ´e mais importante, na formula¸c˜ao do teorema que d´a origem ao m´etodo POT (veja Sub-se¸c˜ao 6.2).
Nota sobre nomenclatura. Nossa nomenclatura ´e diferente da cl´assica (usada em todos os livros citados na se¸c˜ao Referˆencias). A nomenclatura cl´assica d´a nome standard extreme value distribution a qualquer fun¸c˜ao Φα(·), Ψα(·) ou
Λ(·), definidas no ´ıtem (II) acima. J´a as extreme value distributions s˜ao as fun¸c˜oes
Φα(x−ba ), x∈R, paraα >0, a >0, b∈R; Ψα(x−ba ), x∈R, paraα >0, a >0, b∈R; Λ(x−ba ), x∈R, para a >0, b∈R.
(39) N´os demos o nome extreme value distributions para as fun¸c˜oes Φα(·), Ψα(·) ou Λ(·), e chamaremos qualquer uma das fun¸c˜oes em (39) de extreme value distribution com parˆametro de escala a e parˆametro de loca¸c˜ao b. Notamos que estes nomes paraaebs˜ao tradicionais e s˜ao justificados pelo conte´udo do Fato 1da Sub-se¸c˜ao 4.2. J´a o nome tradicional para α´e parˆametro de forma (shape parameter).
Nossa mudan¸ca na nomenclatura tem dois objetivos. O primeiro ´e de encurtar a nota¸c˜ao: de fato, “EVD” nos parece mais econˆomico de que “EVD padr˜ao”, e ainda admite o plural “EVD’s” mais bonito de que “EVD’s padr˜ao”.
Segundo, queremos dar maior clareza `a frase: “Cada distribui¸c˜ao de valores extremos possui seu dom´ınio de atra¸c˜ao.” Esta n˜ao est´a muito certa com a nomenclatura cl´assica, pois se H(·) for qualquer standard EVD, ent˜ao seu dom´ınio de atra¸c˜ao coincide com a da fun¸c˜ao H(x−ba ),x∈R, para quaisquer ae b; tal coincidˆencia foi afirmada agora pouco no ´ıtem (III). A frase correta compat´ıvel com a nomenclatura cl´assica seria: ““Cada distribui¸c˜aostandard de valores extremos possui seu dom´ınio de atra¸c˜ao.” Mas h´a muita gente que prefere usar a primeira frase ao inv´es da segunda. Ent˜ao adaptamos nossa nomenclatura `a liguagem mais comum.
Nossa outra discordˆancia com a nomenclatura cl´assica est´a no que chamamos dedom´ınio de atra¸c˜ao , que ´e referido comomaximum domain of attraction.
(IV) ´E o comportamento da cauda direita16 de uma distribui¸c˜ao F(·) que determina se esta estar´a no dom´ınio de atra¸c˜ao de uma EVD e, se sim, qual a forma desta EVD.
·Uma fun¸c˜ao de distribui¸c˜aoF(·) est´a no dom´ınio de atra¸c˜ao da EVD de Fr´echet com parˆametroαse e somente seF(·) tem cauda direita infinita e, para valores suficientemente grandes de x, ocorre que
F¯(x) ( que ´e a nota¸c˜ao para 1−F(x)) =x−αL(x), (40)
16A defini¸c˜ao de “cauda” e dos conceitos relacionados a serem usados em seguida foram definidos na Sub-se¸c˜ao 4.3.
onde L(·) ´e uma fun¸c˜ao de varia¸c˜ao lenta – termo que ser´a definido mais adiante: logo depois do Coment´ario 9. Caso F(·) satisfa¸ca esta condi¸c˜ao, a escolha das constantes dn= 0 e cn =F←(1−n−1) garante a convergˆencia das vari´aveis aleat´orias em (20) `a distribui¸c˜ao de Fr´echet com parˆametroα, ondeF←(·) ´e a “fun¸c˜ao inversa” deF(·), definida pela f´ormula
F←(t) = inf{x∈R : F(x)≥t}, t∈(0; 1),
que permite contornar o problema da determina¸c˜ao do valor inverso nos pontos de descontinuidade de F(·).17
· Uma fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao F(·) est´a no dom´ınio de atra¸c˜ao da EVD de Weibull de parˆametroα se e somente seF(·) tem cauda direita finita e para valores suficientemente grandes de x ocorre que
F¯(xF −x−1) =x−αL(x), (41) onde xF ´e a abcissa do fim da cauda direita, ou seja, o menor valor onde F(·) assume 1, e onde L(·) ´e uma fun¸c˜ao de varia¸c˜ao lenta. Se F(·) satisfizer esta condi¸c˜ao, ent˜ao a escolha das constantes dn =xF e cn =xF −F←(1−n−1) garante a convergˆencia das vari´aveis aleat´orias em (20) `a distribui¸c˜ao de Weibull com parˆametro α.
Esclarecimento. Note que x em (41) ´e uma vari´avel auxiliar. Note que quando esta tende ao ∞, ent˜ao o ponto xF −x−1 tende ao ponto xF, o fim da cauda de F(·). Portanto, a vari´avel x “ajuda”
na descri¸c˜ao do comportamento de F(·) quando seu argumento se aproxima `a esquerda ao fim de sua cauda. O fato da condi¸c˜ao (41) ter sido colocada em termos de “valores grandes dex” n˜ao significa, portanto, que esta condi¸c˜ao considera o comportamento de ¯F(·) para valores grandes de seu argumento; isto n˜ao faria sentido pois F(·) possui cauda finita que acaba no pontoxF. Mais ainda: esta vari´avel auxiliar x permite aproveitar fun¸c˜ao de varia¸c˜ao lenta no infinito para expressar o comportamento de fun¸c˜ao que tem cauda
17N˜ao faremos uso muito da fun¸c˜aoF←(·) em nossos futuros agrumentos, pois na maioria dos casosF(·) ser´a cont´ınua or ser´a assumida ser cont´ınua.
finita. Se abdic´assemos o uso dex, a condi¸c˜ao (41) teria o seguinte formato:
F¯(y) = 1
xF −y −α
L 1
xF −y
, conformey↑xF.
· A EVD de Gumbel cont´em no seu dom´ınio de atra¸c˜ao tanto fun¸c˜oes com caudas finitas quanto fun¸c˜oes com caudas infinitas (no segundo caso, xF ´e entendido com ∞ nos argumentos a seguir). Uma fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao F(·) est´a neste dom´ınio se e somente se existe z < xF tal que F(·) admita a seguinte representa¸c˜ao:
F¯(x) =h(x) exp
− Z x
z
g(t) a(t)dt
, parax∈(z, xF), (42) onde as fun¸c˜oesh(·) eg(·) s˜ao tais queg(x) converge a 1 eh(x) converge a uma constante positiva conforme xse aproxima dexF, enquanto que a fun¸c˜aoa(·) ´e diferenci´avel e sua derivadaa0(·) satisfaz limx↑xF a0(x) = 0.
Mais ainda, caso F(·) satisfa¸ca esta condi¸c˜ao, ent˜ao a escolha dn = F←(1−n−1) ecn=a(dn) garante a convergˆencia das vari´aveis aleat´orias (20) `a distribui¸c˜ao de Gumbel.
A representa¸c˜ao (42) n˜ao ´e ´unica, pois as fun¸c˜oesh(·), g(·) ea(·) n˜ao foram especificadas de forma muito r´ıgida. Isto faz com que pos-samos, por exemplo, modificar um pouco a fun¸c˜aog(·) e compensar esta modifica¸c˜ao com a mudan¸ca de h(·), de sorte que a express˜ao (42) preserve todos os seus valores. A compreens˜ao detalhada da f´ormula (42) ´e, por enquanto, desnecess´aria. Entretanto ser´a im-portante na Sub-s¸c˜ao 8.2 onde discutiremos a execu¸c˜ao do m´etodo POT para fun¸c˜oes do dom´ınio de atra¸c˜ao da EVD Gumbel . O conte´udo do ´ıtem (IV) supreende: ele resolve plenamente o problema (P5) da distribui¸c˜ao assint´otica de extremos (para as fun¸c˜oes de distribui¸c˜ao F(·) para as quais a resolu¸c˜ao ´e poss´ıvel em princ´ıpio, conforme especificado nos itens (I)-(III)). Gostar´ıamos de indicar aos leitores a raz˜ao de tal resolu¸c˜ao existir. Para tanto, lembramos ao leitor a parte de conta que est´a presente em todos os exemplos da Sub-se¸c˜ao 5.3, nos quais conseguimos achar a fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao limite n˜ao degenerada. Esta parte da conta baseia-se no pres-suposto principal do problema (P5) de que as vari´aveis aleat´orias X1, X2, . . .
s˜ao independentes e identicamente distribu´ıdas de acordo com uma vari´avel aleat´oria X, que tem F(·) como fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao. Eis a parte da conta
`a qual nos referimos:
IP
c−1n (max{X1, . . . , Xn} −dn)≤x
=
= (IP[X ≤cnx+dn])n= (F(cnx+dn))n. (43) O resultado da rela¸c˜ao acima mostra que seF(cnx+dn) ´e 0 ou ´e 1 para todos valores densuficientemente grandes, ent˜aoIP
c−1n (max{X1, . . . , Xn} −dn)≤x convergir´a para 0 ou para 1, respectivamente. Mas se o limite da convergˆencia for 0 ou 1 para cadax, ent˜ao as vari´aveis aleat´oriasc−1n (max{X1, . . . , Xn} −dn) n˜ao convergem ou convergem para uma vari´avel aleat´oria degenerada. Por-tanto, se quisermos descobrir em que condi¸c˜oes a convergˆencia dessas vari´aveis aleat´orias para uma distribui¸c˜ao n˜ao degenerada se d´a, devemos nos perguntar:
Como pode se comportarF(cnx+dn), sem que este seja 0 ou 1,
para que (F(cnx+dn))n convirja a um valor diferente de 0 e de 1? (44) E ´obvio que tal convergˆencia s´o ser´a poss´ıvel caso´ F(cnx+dn) tenda a 1 conforme n → ∞. Mas isto s´o ´e poss´ıvel caso cnx+dn tenda ao ponto xF (que ´e o ponto onde F toca no n´ıvel 1 se F tem cauda finita, ou ´e +∞ se F tem cauda infinita). Esta conclus˜ao explica porque o valor do limite de (F(cnx+dn))n depende apenas do comportamento da cauda direita deF.
A pergunta (44) pode ser respondida com maior precis˜ao se empregarmos o resultado citado no Coment´ario 8: a converˆencia desejada pela pergunta s´o ser´a poss´ıvel se para alguma fun¸c˜aot(·) ocorre que
F(cnx+dn) = 1 +t(x)
n + ∆(n), (45)
e, este for o caso, ent˜ao o limite ser´aet(x). A resposta explica porque todas as fun¸c˜oes EVD tˆem o formato “exp de alguma express˜ao” (se vocˆe ainda n˜ao se deu conta desta propriedade, volte `as defini¸c˜oes das EVD’s dadas no ´ıtem (II) acima): de fato, se H(·) ´e uma EVD, ent˜ao, devido a pr´opria defini¸c˜ao das EVD’s,H(x) deve ser o limite quandon→ ∞de (F(cnx+dn))n para alguma fun¸c˜ao de distribui¸c˜aoF(·), mas, conforme alegamos agora pouco, este limite s´o pode ser ou 0 ou 1 ouet(x), logo, H(x) =et(x) para a fun¸c˜aot(x) dada em (45). Acontece que a classifica¸c˜ao de todas ast(·)00sque podem surgir em (45) n˜ao ´e uma tarefa simples. Sua solu¸c˜ao pode ser encontrada em livros sobre a
Teoria dos Valores Extremos, particularmente em [4]. Esta solu¸c˜ao ´e o miolo da demostra¸c˜ao do principal teorema da Teoria cl´assica dos Valores Extremos, que d´a resposta ao problema(P5) da distribui¸c˜ao assint´otica de extremos.
A rela¸c˜ao (45), revelada no par´agrafo anterior como a condi¸c˜ao necess´aria para convergˆencia de (F(cnx+dn))n, diz que tal convergˆencia ocorrer´a caso F(cnx+dn) seja, a grosso modo, 1 +t(x)/n mais uma corre¸c˜ao cujo formato exato n˜ao tem importˆancia, desde que decaia a 0 mais r´apido que 1/nquando n→ ∞. As fun¸c˜oes que satisfazem esta condi¸c˜ao podem ser descritas como
F¯(x) (o que ´e a nota¸c˜ao para 1−F(x)) =
= (parte essencial)×(parte n˜o essencial), conformex aproxima-se axF,
(46) onde a parte essencial ´e o que determina a contribui¸c˜ao 1 +t(x)/n, e em par-ticular determina o formato da fun¸c˜aot(·), enquanto que a parte n˜ao essencial
´e a “sujeira” que pode ser “escondia e esquecida” debaixo do “tapete” ∆(n).
E por isso que a resposta (I)-(IV) ao problema´ (P5)da distribui¸c˜ao assint´otica de extremos descreve as fun¸c˜oes de distribui¸c˜ao F(·), para as quais o prob-lema n˜ao tem solu¸c˜ao trivial, nas formas (40), (41) e (42): s˜ao as maneiras matem´aticas de descrever as partes essencial e n˜ao esencial da decomposi¸c˜ao (46).
Coment´ario 9. Deve ser notado que a “parte n˜ao essencial” da decomposi¸c˜ao (46) n˜ao pode ser totalmente desprezada: ela de fato n˜ao inluencia a forma da fun¸c˜ao limite do problema da distribui¸c˜ao assint´otica de extremos, mas entra na defini¸c˜ao dos valores das seq¨uˆencias{cn}e{dn}envolvidas neste problema – o fato que fica claro se vocˆe voltar `as defini¸c˜oes destas seq¨uˆencias dadas no
´ıtem (IV) da solu¸c˜ao do problema. Fim do coment´ario.
Para completar nossa exposi¸c˜ao, falta apenas explicar o conceito defun¸c˜ao de varia¸c˜ao lenta. Conforme explicamos acima, varia¸c˜ao lenta ´e a condi¸c˜ao que uma fun¸c˜ao deve satisfazer para desempenhar o papel da “parte n˜ao essencial”
da decomposi¸c˜ao (46). Daremos a defini¸c˜ao: qualquer fun¸c˜ao L(x), x >0, se chamade varia¸c˜ao lenta18 se ela satisfizer a seguinte condi¸c˜ao
x→∞lim L(tx)
L(x) = 1 para todo t >1 (47)
18O correto seria o nome varia¸c˜ao lenta no infinito, mas j´a que usamos somente fun¸c˜oes deste tipo de varia¸c˜ao lenta, ent˜ao abdicamos do “no infinito” no nome.
O nome “varia¸c˜ao lenta” ´e justificado pela interpreta¸c˜ao da propriedade (47).
Eis esta: fixe um t > 1; fixe uma seq¨uˆencia crescente de valores x1, x2, . . ., e seja esta tal que seus valores s˜ao equiespa¸cados (o que n˜ao ´e obrigat´orio para a validade da propriedade (47), mas que ajuda na compreen¸c˜ao); ent˜ao, conforme o ´ındice i cresce, o par de valores xi e txi desloca-se `a direita e a distˆancia entre os pontos do par cresce (pois esta distˆancia ´e txi −xi = xi(t−1)); uma fun¸c˜ao L(·) ser´a de varia¸c˜ao lenta caso a raz˜ao entre os seus valores nos pontos de cada par convirja para 1. ´E f´acil ver que a fun¸c˜ao
x2
1 +x2 (48)
´e uma fun¸c˜ao de varia¸c˜ao lenta. Por´em, para que uma fun¸c˜ao goze desta propriedade, n˜ao ´e necess´ario que ela seja assintoticamente constante, como ´e o caso em (48). Por exemplo, a fun¸c˜ao
log(1 +x) (49)
possui varia¸c˜ao lenta, apesar de n˜ao ser assintoticamente constante, uma vez que n˜ao h´a constante C tal que
x→∞lim
log(1 +x)
C = 1
Por´em, a propriedade (47) ´e v´alida para esta fun¸c˜ao.
5.5 Uso da Teoria de Valores extremos para solu¸c˜ao do