A TRANSFORMAÇÃO PELA EDUCAÇÃO

No documento VIOLÊNCIA DOMÉSTICA A FRAGILIDADE DO ESTADO EM DEFENDER A VÍTIMA DO SEXO FEMININO (páginas 20-26)

1. UM RECORTE HISTÓRICO

3.2 A TRANSFORMAÇÃO PELA EDUCAÇÃO

A educação é uns dos principais meios para a evolução humana, é a base sobre a qual se programa uma vida saudável, social e digna, é por meio da educação que se relaciona a conduta das pessoas e sua relação com o meio social em que vivem. É através da educação que as pessoas compreendem o que é respeito e como moldar a personalidade de um indivíduo.

Desde cedo, no desenvolvimento de nossa sociedade, a ideia factual de educação não existia, as crianças se espelham nos pais e repetem suas atitudes, uma fase que molda o caráter de um ser desde de que é criança.

Viver em sociedade requer educação e disciplina, uma coisa que raramente é ensinada em casa, é o respeito às mulheres, muito provavelmente porque a ideia da mulher como objeto, propriedade dos pais, maridos e até filhos foi passada de geração em geração.

A realização da violência doméstica é um tipo de aprendizagem pela observação, os abusadores do sexo masculino tendem a repetir as atitudes do pai.

Cresceram vendo como eram tratadas suas mães ou as mulheres que moravam na casa, como alguém para bater, xingar e humilhar.

É de grande valor mudar o comportamento mental machista de membros da sociedade tanto do povo masculino quanto do feminino, e a educação é o primeiro passo, quando se trata de educação, desde a família até escola.

Abordando e discutindo a violência doméstica com crianças e adolescentes no contexto da educação formal, por meio de atividades como palestras, aulas voltadas ao nível de compreensão e aprendizagem, essa abordagem incluirá apresentações de informações iniciais sobre violência de gênero na vida doméstica violência.

O papel do estado na ação para combater possíveis futuros agressores é fazer abordagens relacionadas a educação e prevenção que visam trazer informações para a infância acadêmica para desconstruir estereótipos de gênero sobre os papéis de meninos e meninas, potenciais agressores e vítimas de violência doméstica a fim de ter um impacto positivo neste índice para a próxima geração.

De acordo com, Madaliz (2015):

O espaço escolar não é apenas um espaço de transmissão de conteúdos acadêmicos. A escola é um espaço onde interações de diversos tipos acontecem, resultando, de modo geral, em reflexões, conhecimentos, comportamentos, tendências, construção de redes de amigos e relações sociais. (MADALOZ, 2015, p. 15)

Portanto essa forma de instrução em sala de aula permite que as meninas desenvolvam uma atitude crítica e responsável e saibam como procurar serviços de ajuda quando necessário, e os meninos são capazes até de treinar suas mães e irmãs contra parceiros abusivos contra elas, denunciar abusos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Perante os fatos mencionados, é de fato que o estado tem falhas em seu sistema para proteger a mulher vítima de violência doméstica de seu agressor, a sensação de impunidade já é vista por muitos, principalmente para as vítimas que sofrem diariamente com esse temor.

21

O medo da impunidade por parte do judiciário em relação ao agressor é peça proveniente que gera esse medo, pois grande parte das vezes em caso de flagrante de delito, o acometedor do dolo é solto antes mesmo da vítima terminar de dar seu depoimento, o que mostra o quão vulnerável está quem é polo passivo deste tipo de crime.

É fato que o estado mostra desempenho em tentar suprimir essas violências vividas por milhares de mulheres no Brasil, porém os meios usados por tais são insuficientes para poder suprir com tamanha demanda, tendo em vista que as chamadas medidas protetivas, que são uns dos mecanismos criados no intuito de coibir tais agressões, se mostra bastante ineficiente, pois mesmo tendo penas privativas de liberdade para quem descumpri-las, o simples fato do agressor está solto, deixa a vítima suscetível a qualquer ato do mesmo, pois um simples pedaço de papel não o impede de tentar contra a vida da vítima.

Como já mencionado a lei maria da penha veio para endurecer e ampliar a pena para os infratores que descumprir tais medidas, porém ainda assim são penas consideradas baixas e que não tem tanto resultado, pois os números de casos de violência doméstica contra a mulher são altos.

Em analise fáctica, fica claro o tamanho do problema que é esse tema, a solução mais plausível é investir na educação, desde os ensinos básicos com as crianças e até mesmo em nível superior, tendo essa linha temporal de conscientização, com o passar do tempo iria resolver de forma gradual esses problemas que é enfrentado em todo território Brasileiro

Portanto o caminho que o estado brasileiro deve percorrer é a educação, pois é o meio que através dele, tais violências iram cessar.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Mágida Cristiane. UMA TERCEIRA VIA PARA A PROTEÇÃO DA MULHER VÍTIMA DE VIOLENCIA DOMÉSTICA: O RECONHECIMENTO TRANSFORMATIVO PELA EDUCAÇ‹O. Revista do Ministério Público do RS, Brasil,

ano 2012, p. 03-04. Disponível em:

http://www.amprs.com.br/public/arquivos/revista_artigo/arquivo_1342125702.pdf.

Acesso em: 20 mar. 2022.

AMORIM, Elba Ravane; CONTASTI, Katherine Lages. De Dilmas a Marielles:

análise da ausência de marco legal sobre violência contra a mulher na arena política. In: FERRRAZ, Carolina Valença (org.). Manual Jurídico Feminista. Belo HORIZONTE MG: Letramento, 2019.

BRASIL. Projeto de Lei nº 748, de 2019. Projeto do Senado Federal – Congresso

Nacional, Brasília, Brasil, 2019. Disponível em:

https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/135340. Acesso em:

14 set. 2021.

BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/ Constituiçao.htm. Acesso em: 14 set. 2021.

BORSARI, Letícia Cremasco; CASSAB, LatifAntonia. ONGS: O enfrentamento à violência contra a mulher. Universidade Estadual de Londrina, Brasil, ano 2010, p.

02-07, 25 jun. 2010. Disponível em:

http://www.uel.br/eventos/gpp/pages/arquivos/6.LeticiaBorsari.pdf. Acesso em: 15 mar. 2022.

(BELO CANTO,Gisele,Resumo da lei Maria da penha.Estrategia.ano2021.)

BOND, Leticia, violencia contra mulher aumenta durante a pandemia.AGENCIA BRASIL,2020, diponivel em:https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-

humanos/noticia/2020-04/sp-violencia-contra-mulher-aumenta-449-durante-pandemia. acesso em 12/09/2021.

CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (Brasil). Conheça as medidas protetivas previstas pela Lei Maria da Penha. Brasil: JusBrasil, 31 ago. 2015. Disponível em:

https://cnj.jusbrasil.com.br/noticias/225800886/conheca-as-medidas-protetivas-

previstas-pela-lei-maria-da-penha#:~:text=As%20medidas%20protetivas%20podem%20ser%20o%20afastamen to%20do%20agressor%20do,armas%2C%20se%20for%20o%20caso. Acesso em: 5 fev. 2022.

EDUARDA, Maria. A violência contra mulher: Um olhar histórico sobre o tema. Brasil:

Ambitojuridico, 1 set. 2021. Disponível em:

23

https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-penal/a-violencia-contra-mulher-um-olhar-historico-sobre-o-tema/. Acesso em: 3 out. 2021.

ESSY, Daniela Benevides. A evolução histórica da violência contra a mulher no cenário brasileiro: do patriarcado à busca pela efetivação dos direitos humanos femininos.ConteudoJuridico, Brasilia-DF 26 jul. 2017. Disponível em:

agressores: Lei foi publicada no Diário Oficial da União e entra hoje em vigor. [S. l.], 29 jul. 2021. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos- MUNOZ. César, impunidade em casos deviolenciadoméstica no estado de Roraima,WRY,2017,diponivel em: https://www.hrw.org/pt/report/2017/06/21/305134.

acesso em 10/09/2021

MANSUIDO, Mariane. Ciclo da violência doméstica: saiba como identificar as fases de um relacionamento abusivo. Brasil: Câmara Municipal de São Paulo, 6 ago. 2020.

Disponível em: https://www.saopaulo.sp.leg.br/mulheres/ciclo-da-violencia-domestica-saiba-como-identificar-as-fases-de-um-relacionamento-abusivo/. Acesso em: 3 fev. 2022.

MARTINELLI, Aline. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR: UMA PERSPECTIVA POLICIAL. Revista Juris, Brasil, ano 2019, v. 04, n. 04, p. 03-06. Disponível em:

file:///C:/Users/pc/Downloads/3396-5801-1-PB.pdf. Acesso em: 18 fev. 2022.

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS (Brasil).

Do atendimento pela autoridade policial. Brasil. 2015. Disponível em:

https://www.tjdft.jus.br/institucional/imprensa/campanhas-e-produtos/direito-facil/edicao-semanal/do-atendimento-pela-autoridade-policial. Acesso em: 10 fev.

2022.

UNFPA (BRAZIL). Conheça as leis e serviços que protegem as vítimas de violência de gênero. Brasil: UNFPA, 14 abr. 2021. Disponível em: https://brazil.unfpa.org/pt- br/news/conheca-leis-e-os-servicos-que-protegem-mulheres-vítimas-de-violencia-de-genero. Acesso em: 7 out. 2021.

WALKER, Lenore. The batteredwoman. New York: Harper andHow, 1979.

Cláudia Glênia Silva de Freitas

CLAUDIA GLENIA SILVA DE FREITASAssinado de forma digital por CLAUDIA GLENIA SILVA DE FREITAS DN: c=BR, o=ICP-Brasil, ou=AC VALID BRASIL v5, ou=Pessoa Fisica A3, ou=VALID, ou=Certificado Digital, ou=24226997000160, cn=CLAUDIA GLENIA SILVA DE FREITAS Dados: 2022.06.07 10:10:25 -03'00'

No documento VIOLÊNCIA DOMÉSTICA A FRAGILIDADE DO ESTADO EM DEFENDER A VÍTIMA DO SEXO FEMININO (páginas 20-26)