1 INTRODUÇÃO
4.2 USUCAPIÃO EXTRAJUDICIAL
4.2.1 A viabilidade da usucapião extrajudicial
Um processo, para que atenda ao seu papel de resolver uma questão para a qual as partes buscam uma definição, além de ser considerado como efetivo e respeitar os direitos dos cidadãos, não poderá estender-se por tempo indeterminado, mas deve apresentar celeridade para que a lide não se torne um documento esquecido no perpassar dos anos.
O art. 5º, LXXVI da Constituição Federal permite compreender que: Art. 5º [...]
LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação [...] (BRASIL, CRFB, 2019).
Cássio Scarpinella Bueno enfatiza que alcançar a celeridade processual deve ser um esforço de todo o ordenamento jurídico de uma nação, para que seus cidadãos reconheçam a justiça como uma entidade efetiva, capaz de atender suas necessidades dentro de um período conspirado razoável e, assim, evitar que uma lide, ao invés de uma solução, torne-se um problema (BUENO, 2016, p. 54).
O novo CPC apresenta, de forma muito clara, essa característica, de buscar a celeridade processual e, assim, evitar que a morosidade processual leve as partes a desistirem de questões importantes para sua vida. De fato, a morosidade processual é considerada um desrespeito aos cidadãos em seus direitos mais essenciais, para que a vida em sociedade e a resolução de conflitos ocorram de modo pacífico e organizado (BUENO, 2016, p. 54-55).
Em face do exposto, deve-se destacar a usucapião extrajudicial como uma possibilidade de alcançar maior celeridade processual e, assim, evitar que a
morosidade de muitos tribunais impeçam o solicitante de tomar posse de um bem no qual já vive e pelo qual já zela há anos.
O fato é que os tribunais brasileiros vêm enfrentando uma crise considerável na qual faltam magistrados e outros funcionários para movimentarem os milhares de processos que são ajuizados todos os anos, bem como aqueles que já estão aguardando apreciação, muitos há anos, em alguns casos uma das partes já faleceu ou desistiu da causa (PIMENTA, 2018, p. 36-37).
O fenômeno da desjudicialização, iniciado na Europa Continental, a exemplo de Portugal e Espanha, é atualmente uma realidade que caminha passo a passo no Direito brasileiro, como alternativa vantajosa à invariavelmente onerosa, complexa e demorada movimentação da máquina judicial, representando tendência contemporânea de potencializar mecanismos extrajudiciais de resolução dos conflitos que garantam celeridade, eficácia e segurança jurídica (RODRIGUES, 2012, p. 1).
A usucapião extrajudicial permite alcançar o intuito da desjudicialização, ou seja, a resolução de conflitos fora dos tribunais brasileiros, para que as partes sejam beneficiadas com celeridade, eficiência e organização, suas causas são encerradas de acordo com a legislação vigente, sem que para isso precisem aguardar meses ou anos para serem ouvidas e recebam uma decisão sobre o caso (PIMENTA, 2018, p. 37).
Oliveira (2019, p. 43) enfatiza que:
[...] a Usucapião pelas vias administrativas impede o que tem se observado no dia-a-dia do judiciário brasileiro que é o fato de aquele que busca a prestação da tutela jurisdicional por meio da Usucapião acaba por não sobreviver ao procedimento judicial, vindo a muitas vezes falecer antes da conclusão de sua demanda.
O que se extrai do exposto é que a usucapião extrajudicial trata-se de uma importante ferramenta para o reconhecimento da posse, no sentido de assegurar que aquele que zela por um bem respeitando o tempo exigido por lei possa ser reconhecido como o proprietário do mesmo, sem que para isso o usucapiente tenha que esperar longos prazos até ter seu pedido analisado e a solução devidamente estabelecida.
[...] o Código de Processo Civil de 2015 inovou ao inserir o instituto da Usucapião Extrajudicial com a faculdade de o jurisdicionado obter a tutela de seu direito pelas vias administrativas, de modo a contribuir para desjudicializar o procedimento que, antes, só poderia ser realizado por essa congestionada via (OLIVEIRA, 2019, p. 44).
Os dados coletados e apresentados permitem compreender que a usucapião extrajudicial trata-se de uma ferramenta de ampla viabilidade tanto para os solicitantes quanto para os tribunais do país. Para os solicitantes, a vantagem está na agilidade processual, levando à rápida obtenção do registro do bem. Para os tribunais, se reduz a morosidade, auxiliando no controle da crise que, atualmente, assola os tribunais do país (PIMENTA, 2018, p. 37; OLIVEIRA, 2019, p. 43-44).
5 CONCLUSÃO
A usucapião trata-se de uma modalidade de propriedade a ser declarada quando o indivíduo já conta com a posse do bem, ou seja, já vive nele por um período de tempo legalmente definido e, assim, assume seus cuidados e o zelo por ele, tendo o direito de solicitar a legalização dessa situação.
Diferentes propriedades levam a tipos diferente de usucapião, que pode ser urbana, urbana coletiva, rural, etc. É essencial avaliar as especificidades do imóvel e da legislação que rege esse tipo de bem para, então, proceder dos ritos adequados, evitando erros que podem atrasar o processo ou, ainda, impedir que a propriedade seja reconhecida.
Este estudo foi conduzido com o intuito de proceder de um comparativo entre a usucapião judicial e extrajudicial, apresentando vantagens e desvantagens de ambas as formas.
Como vantagens da usucapião extrajudicial pode-se citar o fato de que pode ser resolvida em um menor período de tempo, ou seja, apresentar celeridade diferente do que ocorre nos tribunais, com custos reduzidos. Os usucapientes que estão de posse da documentação necessária apenas dirigem-se ao registro de imóveis, pagam uma taxa e aguardam o trâmite que levará ao reconhecimento legal da propriedade. Não é preciso aguardar os ritos processuais da usucapião judicial, perícias, definição dos limites da propriedade, etc., basta apresentar a documentação e aguardar o tempo solicitado pelo cartório, que tende a ser relativamente menor.
Por outro lado, quando o solicitante não possui toda a documentação necessária, mas deseja definir legalmente sua posse sobre o bem, não poderá optar pela via extrajudicial, considerando-se que lhe faltam informações e documentos essenciais e, assim, cabe a ele buscar a usucapião judicial, na qual o juiz definirá os procedimentos a serem adotados para que as pendências sejam esclarecidas. Esse tipo de usucapião é uma vantagem para os solicitantes que cumprem os requisitos, porém, precisam de auxílio para alcançar as provas de sua situação e de seu direito de propriedade adquirido no perpassar do tempo.
Os estudos avaliados permitiram compreender que a usucapião trata-se de um instituto juridicamente reconhecido, relevante no sentido de reconhecer ao usucapiendo que, ao cumprir os requisitos legalmente definidos, tenha a propriedade reconhecida como sua e que esta não possa ser negada a ele. Verificou-se, ainda,
que a usucapião extrajudicial permite uma maior celeridade processual, reduzindo o número de processos nos tribunais brasileiros e a demora dos cidadãos para alcançarem uma solução adequada para suas lides.
Este estudo não foi capaz de esgotar o tema, considerando-se o quão amplo se apresenta, porém, foi possível verificar que ambas as modalidades podem representar vantagens e desvantagens para os solicitantes, de acordo com sua situação em cada caso.
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