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4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.2 Acúmulo de nutrientes

O acúmulo de nutrientes seguiu o padrão da curva de acúmulo de massa seca pelas plantas. O acúmulo de macro e micronutrientes foi reduzido nos primeiros 21 DAT, intensificando-se a partir de então continuamente até o final do ciclo. No híbrido Rutênio, o K foi o macronutriente absorvido em maior quantidade, seguido do N, Ca, P e Mg e no MY 2439 a sequência foi Ca>K>N>P>Mg. Para os micronutrientes a ordem foi para Rutênio Fe > Mn > Zn e MY 2439 Mn > Fe > Zn, como observado logo após na tabela 2.Alguns fatores,

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como a demanda metabólica do fruto pelo nutriente (DUARTE E PEIL, 2010) podem explicar a maior demanda da cultura por alguns nutrientes.

Geralmente, a sequência de acúmulo de nutrientes não seguem o mesmo padrão para

todos os estudos GURGEL et al., 2010; AGUIAR NETO et al., 2014; DAMASCENO et al,

2012; OLIVEIRA et al., 2016). Dessa forma, entende-se que a acúmulo de nutrientes é influenciado pelo clima, solo, e manejo de adubação da cultura. Porém, o K, Ca e N são os nutrientes extraídos mais intensamente na maioria dos trabalhos. Salienta-se que a extração do nutriente na planta também é dependente da sua taxa de redistribuição, que por sua vez depende da mobilidade de cada nutriente (MAILLARD et al., 2015), assim como sua disponibilidade via solo ou via adubação (MOREIRA et al., 2007)

Tabela 2 Acúmulo de macro e micronutrientes em melão amarelo, híbridos Ruténio e MY 2439. Baraúna-RN. N P K Ca Mg Fe Mn Zn ---kg/ha--- --- g/ha --- Rutênio 102,00 26,10 103,00 80,80 2,17 273,09 168,64 58,65 MY 2439 87,00 24,00 93,00 102,00 2,31 264,04 281,67 66,10 4.2.1 Nitrogênio (N)

Assim como observado na massa seca da planta, o acúmulo de N foi lento durante os primeiros 21 DAT. A partir dessa idade observou-se um incremento significativo, atingindo máximos de 102,0 e 87,0 kg ha-¹de Naos 56 DAT, respectivamente para Rutênio e MY 2439, sendo que a maior parte do N foi acumulada no período de 28 a 49 DAT, pois se trata de uma época de intenso acúmulo de massa seca pela planta. Segundo Grangeiro e Cecílio Filho (2005) esse fato se deve principalmente ao rápido crescimento vegetativo da planta e ao início da época reprodutiva, onde há uma mudança nas forças de drenos e o fruto passa a ser o dreno preferencial da planta. Dessa forma, há a necessidade de maior translocação de assimilados das folhas para a formação e desenvolvimento dos frutos, havendo um intenso aumento em massa seca. Neste período o Rutênio e MY 2439 acumularam 70,13 e 60,12 kg ha-¹, com taxas médias de 3,3 e 2,9 kg ha-¹ dia-1, respectivamente, (Figura 2 A e B).

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Figura 2 - Acúmulo de Nitrogênio da parte vegetativa, fruto e total em melão amarelo, híbridos Rutênio (A) e MY 2439 (B). Baraúna-RN, 2017.

4.2.2 Fósforo (P)

A quantidade máxima acumulada de fósforo (P) foi de 26,16 kg ha-¹ e 24,0 kg ha-¹aos 56 DAT para os híbridos Rutênio e MY 2439, respectivamente (Figura 3 A e B). O maior acúmulo foi observado no período de 28 a 49 DAT para Rutênio e 28 a 42 DAT para MY 2439. Nos respectivos períodos as médias de acúmulos foram de 0,81 e 1,11 kg há-¹ dia-¹.

Figura 3 - Acúmulo de Fósforo da parte vegetativa, fruto e total em melão amarelo, híbridos Rutênio (A) e MY 2439 (B). Baraúna-RN, 2017.

O acúmulo de P nos frutos foi superior à parte vegetativa, sendo que a retranslocação do nutriente das folhas mais velhas para o fruto, que passa a ser o dreno preferencial, pode ser a explicação para este fato (MAIA et al., 2005). Medeiros et al. (2008), trabalhando também com melão, observaram que houve redução nos teores de N e P ao longo do ciclo da cultura, pelo fato de sua grande maioria serem drenados para os frutos.

As quantidades de fósforo retiradas do solo pelas hortaliças são geralmente baixas, principalmente quando comparadas com o nitrogênio e o potássio. Entretanto, apesar dessa

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aparente baixa exigência, os teores desse nutriente na solução do solo, bem como a velocidade do seu restabelecimento na mesma, não são suficientes para atender às necessidades das culturas. Como consequência, nas adubações é o fósforo que entra em maiores proporções.

4.2.3 Potássio (K)

Os acúmulos máximos de potássio (K) foram de 103,0 kg ha-1 e 93,0 kg ha-1, respectivamente para os híbridos Rutênio e MY 2439, tendo a maior demanda deste elemento ocorrido no período de 28 a 49 DAT (Figura 4 A e B).

Figura 4 - Acúmulo de Potássio da parte vegetativa, fruto e total em melão amarelo, híbridos Rutênio (A) e MY 2439 (B). Baraúna-RN, 2017.

Provavelmente esse maior acúmulo é explicado pela redistribuição preferencial do nutriente das partes vegetativas (folhas e ramos) para o desenvolvimento reprodutivo da cultura (ALMEIDA et al., 2012). Além disso, o potássio, entre diversas outras funções, participa do transporte de açúcares, estando associado ao teor de sólidos solúveis no fruto (LESTER et al., 2010), o que aumenta a demanda metabólica por esse nutriente pelo fruto.

4.2.4 Cálcio (Ca)

O Cálcio (Ca) foi o nutriente acumulado em maior quantidade pelo híbrido MY 2439 e o terceiro no Rutênio. O acúmulo náximo foi de 80,80 kg ha-1 para o Rutênio e de 102,0 kg

ha-1 para o MY 2349, aos 56 DAT. Dos 21 até os 49 DAT ocorreu à maior demanda por esse

nutriente, sendo as taxas médias de acúmulos de 2,47 e 3,23 kg ha-1 dia, respectivamente para Rutênio e MY 2439 (Figura 5 A e B). Diferentemente do que foi verificado para os nutrientes citados anteriormente, o Ca apresentou maior acúmulo na parte vegetativa. Comportamento semelhante foi observado por Araújo et al., (2016) e Gurgel et al., (2008), que verificaram, respectivamente, 21 e 18% de cálcio na parte vegetativa em relação a parte aérea total. O padrão de distribuição do cálcio em favor da parte vegetativa é, portanto, resultado do fato de

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ele ser transportado quase que exclusivamente pelo xilema e conduzido principalmente pela corrente transpiratória (GRANGEIRO; CECÍLIO FILHO, 2005).

Figura 5 - Acúmulo de cálcio da parte vegetativa, fruto e total em melão amarelo, híbridos Rutênio (A) e MY 2439 (B). Baraúna-RN, 2017.

4.2.5 Magnésio (Mg)

Os acúmulos máximos de magnésio (Mg), pelos híbridos de melão Rutênio e MY 2439 foram respectivamente de 2,17 kg ha-¹ e 2,31 kg ha aos 56 DAS, observado na (figura 6 A e B). O período de maior acúmulo foi de 21 a 49 DAT, quando apresentaram taxa média de aproximadamente 0,07 kg hadia.

Figura 6 - Acúmulo de magnésio da parte vegetativa, fruto e total em melão amarelo, híbridos Rutênio (A) e MY 2439 (B). Baraúna-RN, 2017.

O Mg acumula-se preferencialmente nos órgãos vegetativos, devido o mesmo fazer parte da molécula de clorofila. Segundo Marschner (2012), dependendo do status de magnésio na planta, entre 6 a 25% do magnésio total estão ligado à molécula de clorofila, outros 5 a 10% estão firmemente ligados a pectatos, na parede celular, ou como sal solúvel, no vacúolo. Além disso, o resultado corrobora com a hipótese de que o magnésio é um elemento de baixa mobilidade na planta, se acumulando no final da via xilemática que são as folhas (SILVA JÚNIOR et al., 2006).

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O manganês (Mn) acumulou no híbrido MY 2439 cerca de 280 g ha, aos 56 DAT. No Rutênio, o máximo foi de 168,64 g ha (Figura 7 A e B). O acúmulo foi crescente até o final do ciclo, no entanto a maior demanda ocorreu no período de 21 aos 56 DAT no Rutênio, quando a taxa de acúmulo foi de 4,67 g ha-1diae no MY 2439, a maior demanda ocorreu de 21 aos 49 DAT com taxa média de 8,71 g ha

Figura 7 - Acúmulo de manganês da parte vegetativa, fruto e total em melão amarelo, híbridos Rutênio (A) e MY 2439 (B). Baraúna-RN, 2017.

Os valores obtidos no presente estudo corroboram com os observados por Oliveira et

al (2016) em melão amarelo “Goldex”, onde o teor máximo observado foi de 250 g ha. A mobilidade limitada do Mn na planta pode ser a causa da maior concentração do mesmo nas folhas e ramos em detrimento da quantidade encontrada nos frutos. Além da baixa mobilidade, o manganês é um elemento importante no processo de fotossíntese, o que explicaria sua maior participação nos tecidos vegetativos da planta (TAIZ; ZEIGER, 2013). Outros autores também constataram maiores quantidades de Mn na parte vegetativa (CHARLO 2008; MELO, 2011; ARAÚJO, 2017).

4.2.7 Zinco (Zn)

Como observar-se na figura 8, o acúmulo de zinco (Zn) atingiu máximos de 58,65 e 66,10 g ha-¹ aos 56 DAT, respectivamente para o híbrido Rutênio e MY 2439 (Figura 8 A e B). As taxas máximas de acúmulo foram de 1,56 g ha-¹ dia-¹ (Rutênio) e 2,13 g ha-¹ dia-¹ (MY 2439) obtidos no período de 28 aos 49 DAT.

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Figura 8 - Acúmulo de zinco da parte vegetativa, fruto e total em melão amarelo, híbridos Rutênio (A) e MY 2439 (B). Baraúna-RN, 2017.

Os frutos provavelmente requerem o zinco em maior quantidade em relação à parte vegetativa devido ao mesmo ser utilizado na síntese de proteínas, tanto nos frutos quanto nas sementes (TAIZ; ZEIGER, 2013). Kano et al (2010) constataram resultados semelhantes, onde os frutos apresentaram teores mais elevados de Zn em relação à parte vegetativa. Entretanto, os valores observados neste estudo foram muito inferiores aos observados por Oliveira et al (2016) que obtiveram 250 g ha-¹.

4.2.8 Ferro (Fe)

Para o ferro (Fe), os máximos acúmulos foram obtidos aos 56 DAT, sendo Rutênio e MY, respectivamente de 273,09 e 264,04 g ha-1. A taxa de acúmulo de Fe foi baixa nos primeiros 21 DAT, intensificando-se em seguida atingindo o máximo no período compreendido de 21 aos 49 DAT, no MY 2439 quando a taxa média foi de 8,15 g ha-1 dia-¹, e de 21 aos 56 DAT no Rutênio com taxa de 7,6 g ha-1 dia-¹ (Figura 9 A e B).

Figura 9 - Acúmulo de ferro da parte vegetativa, fruto e total em melão amarelo, híbridos Rutênio (E) e MY 2439 (F). Baraúna-RN, 2017.

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Esse maior acúmulo de Fe na parte vegetativa pode ser devido à baixa mobilidade no nutriente na planta e à sua participação no processo fotossintético, atuando na síntese de clorofila (TAIZ; ZEIGER, 2013). Oliveira et al (2016) trabalhando com meloeiro “Goldex” conseguiram resultados semelhantes em relação ao maior acúmulo de ferro na parte vegetativa das plantas, entretanto, em relação à quantidade, foram observados valores significativamente maiores que os analisados neste estudo, provavelmente devido a uma maior disponibilidade do elemento.

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