4 PERCEPÇÕES SOBRE A GESTÃO E O CONTROLE SOCIAL DO
4.8 BEM COMUM
4.9.3 Acompanhamento de Políticas Públicas
Em relação a este critério, pretende-se analisar se existe o acompanhamento, controle e fiscalização das políticas públicas no que tange a aplicação de recursos públicos, programas e ações governamentais.
Para analisar este critério questionamos se existe o acompanhamento dos programas e ações governamentais sugeridas pelo Conselho.
O conselheiro C09 não soube responder e os conselheiros C04, C07, C08, C12, C16, C18, C19, C20 e C21 responderam que não existe acompanhamento dos programas e ações governamentais sugeridas pelo Conselho. Os conselheiros C08 e C19, em tom de protesto, afirmam:
Eu acredito que hoje não existe isso aí, eu acredito que hoje só é feito a reunião, é feito as audiências públicas mais pra manter um negócio que é pra legalizar a situação mais nunca é ouvido o que foi discutido no conselho, ultimamente tem sido assim, você discute uma coisa, você leva lá, você aprova e na hora de executar é, fazem uma obra que não tem nada a ver, nunca foi discutida no conselho, por influência de algumas pessoas ou
do governo ou próximas ao governo e o conselho hoje não está tendo mais importância nenhuma, é só pra fazer a reunião pra legalizar a situação, infelizmente não estão mais ouvindo o conselho pra nada, na hora de executar (C08).
Não, eu acredito que não teve nenhuma que a gente conseguiu colocar aí que fosse aprovada, que fosse efetiva. Isso é complicado, eu estou a apenas um ano, mais assim que a gente tenha decidido e que isso é importante e vai ser feito, nada (C19).
O conselheiro C08 denuncia que não há uma conexão entre o que é tratado no CDR e o que é executado pelo governo estadual, ressaltando que as reuniões são feitas apenas para legalizar a situação e que, infelizmente, o Conselho não é mais ouvido. Já o conselheiro C19 demonstra a dificuldade da execução de ações que visem o desenvolvimento regional.
Os entrevistados C01, C02, C03, C05, C06, C10, C11, C14, C15, C17, C22 e C23 responderam que sim, existe o acompanhamento dos programas e ações governamentais sugeridas pelo conselho e, para esses que responderam positivamente, foi questionado de que forma acontecia esse acompanhamento. Os entrevistados C01, C03, C05, C06, C10, C15, C17 responderam que o acompanhamento acontecia nas reuniões do próprio Conselho. O conselheiro C17 relata que:
Acontecia sim de o conselho passar, mais era uma resposta e pronto, não se tinha um andamento assim, de fiscalização, de mostrar número, de cobrança, assim que a gente realmente quer isso, todo mundo cobrava, os conselheiros todos cobravam, e um exemplo do asfaltamento da SC (rodovia estadual) e a própria representante dava a resposta, falei com o governador e é isso e ficava só nessa coisa aí, dava de ver que não tinha interesse de levar adiante, uma coisa mais firme, um negócio que o que era mais que o pessoal daqui mesmo quer, pessoal do conselho queria aquilo porque vê que era um baita de um desenvolvimento nesse caso do asfaltamento do Rio Rufino a Urubici, mais não existia uma fiel cobrança, uma coisa de vestir a camisa, isso não existia (C17).
De acordo com o conselheiro C23 “existe acompanhamento da parte da
Secretaria de Estado de Planejamento e Casa Civil”, considerando que, o parágrafo
5º do artigo 8º determina que o Secretário Executivo deve encaminhar as atas do Conselho de Desenvolvimento Regional à Secretaria da Casa Civil no prazo de 15 (quinze) dias, a contar da data da reunião (SANTA CATARINA, 2015b).
Pela maioria das respostas, analisamos que ocorria o acompanhamento dos programas e ações do governo, porém apenas de forma superficial e no espaço do
Conselho, não sendo cobrado com afinco e determinação. Seria interessante o apoio expressivo da sociedade civil para fazer pressão e chamar mais atenção dos atores.
Foi perguntado aos conselheiros se já foi realizada alguma ação de controle social pelo Conselho e o conselheiro C04 “não lembra”, já o conselheiro C09 não soube responder e os conselheiros C01, C02, C05, C06, C07, C08, C10, C14, C15, C16, C17, C18, C19 e C21 responderam que não.
Considerando que o CDR é composto por seis vereadores que tem por função constitucional a fiscalização das contas públicas, o conselheiro C03 respondeu que “[...] às vezes o que acontece é os conselheiros da cidade, do próprio
município fazerem isso, e daí eles passam para os demais lá”.
Os conselheiros C11, C12, C20 e C23 relataram que:
Sim, uma vez foi feita ali no caso da AMAP (Associação dos Produtores de Maçã e Pera de Santa Catarina) ali eles fizeram uma ali já pra evitar vir mão de obra de fora e tudo, funcionou bem (C11).
Foi implantado o DST/AIDS, questão agora da Safra Cidadã que foi discutido no conselho, questão das gestantes, mortalidade infantil, são ações sociais, né? Nesse sentido foi discutido sim e proposta pelo conselho (C12).
Eu não sei se se enquadra mas tem esse projeto que foi criado em Lages que participava o secretário de segurança, o comandante, capitão da brigada e o pessoal da SDR, que daí eles foram ver uma iniciativa que tinha em Videira de fazer monitoramento das pessoas que vinham trabalhar na maçã, e aquelas pessoas que tinham antecedentes criminais e essas coisas eram passadas essas informações para as empresas que contratavam. A única ação que ocorreu assim (C20).
Uma grande ação de controle social ocorreu em São Joaquim, como município piloto, porém, não foi o Conselho o protagonista. A ação partiu do Núcleo Gestor Regional do Programa Crescendo Juntos, o qual este sim poderia assumir o papel protagonista do desenvolvimento na região. Lembrando que apenas 4 membros do CDR faziam parte deste Núcleo. A ação teve o envolvimento da promotoria pública, Secretaria Municipal de Assistência Social, ADR, polícia Militar e Civil, e Associação de Produtores. A ação foi criar um cadastro de identificação de pessoas que se instalam no município para trabalhar em período de safra. Este cadastro realizado na Associação foi disponibilizado à Delegacia para investigar os possíveis foragidos da justiça e também à Secretaria de Assistência Social para intensificar os serviços públicos prestados pelo órgão (C23).
A partir desses relatos, é possível constatar que a maioria dos conselheiros respondeu que não ocorreu nenhuma ação de controle social realizada pelo
Conselho, porém, quatro conselheiros responderam que as ações que ocorreram de controle social serviram para controlar os trabalhadores que vão para colheita de pêra e maçã, ou seja, foram ações que ocorreram na perspectiva oposta daquela que advogamos aqui, pois neste trabalho partimos do pressuposto de que a sociedade detém o poder sobre o Estado e o mercado, porém, as ações descritas acima se referem ao Estado controlando a sociedade.
Aos conselheiros, foi indagado se o conselho acompanha e divulga análises das políticas públicas. O conselheiro C06 não soube responder e o conselheiro C16
“tenho dúvida, eu não participei de nada assim”. Os conselheiros C04, C08, C10,
C12, C14, C20, C21 e C23 alegaram que não e, ao contrário desses, os conselheiros C01, C02, C03, C05, C09, C11, C15, C17, C18, C19 e C22 responderam que sim, restando apenas o conselheiro C07 que afirma que o Conselho “acompanha sim, mais não divulga [...]”.
Para finalizar este critério de análise, perguntamos se alguma vez o Conselho já interferiu para mudar alguma obra/programa em andamento. Os conselheiros C04 e C14 não tinham esse conhecimento. Os entrevistados C05, C06, C07, C08, C09, C10, C11, C12, C16, C17, C18, C19, C20, C21, C22 e C23 responderam que não e os entrevistados C01, C02 e C15 responderam que:
Se eu não me engano aqui em Bom Jardim a gente já interferiu em algumas obras que estavam sendo feitas e não eram pra ser feitas daquele jeito e através do conselho a gente conseguiu barrar ou melhorar (C01).
Sim [...] não tenho lembrança, mais aconteceu (C02).
Sim, esse do FUNDAM28 (Fundo de Apoio aos Municípios), FUNDAM 2, elas apresentaram essa documentação e aí nós fizemos um grande ajuste assim de rota, redistribuindo as verbas, mais aquilo lá é planejamento né, até fazer acontecer tinha um longo caminho (C15).
O conselheiro C03 alegou que “eu não vi essa discussão nesse período no
qual eu participei como conselheiro eu não, em andamento não, em andamento não mas futuros já vi que alguns foram barrados”.
28O FUNDAM (Fundo de Apoio aos Municípios) é uma política pública do Governo do Estado de
Santa Catarina que foi criada pela lei 16.037 e regulamentada pelo decreto 1.621 para promover o desenvolvimento das cidades catarinenses com investimentos diretos do Governo do Estado de R$ 500 milhões. Os recursos seriam distribuídos entre as prefeituras que apresentassem projetos seguindo as regras definidas pela legislação, limitando-se ao máximo de dois projetos por município e o principal critério seria o número de habitantes (SANTA CATARINA, 2017).
A maioria dos entrevistados respondeu que o Conselho nunca interferiu para mudar alguma obra/programa em andamento e aqueles que alegaram que houve interferência, se referiam à época das Secretarias de Desenvolvimento Regional.