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5. EXPERIÊNCIAS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA NO DF O

5.3. O PROGRAMA CASA DA GENTE

5.3.4. Acompanhamento e avaliação

A avaliação do desenvolvimento do Programa foi feita através da elaboração de Relatórios Mensais Circunstanciados e um Relatório Final encaminhado pela equipe da UnB ao IDHAB em dezembro de 1998. O processo de assistência técnica as obras foi controlado por meio de planilhas no canteiro de obras.

A equipe de monitoramento técnico realizou no período de novembro/dezembro de 19988 uma série de discussões com o objetivo de produzir material para o Relatório de Avaliação do Programa em suas atividades e propostas.

O objeto da investigação feita no Relatório Final foi o efeito da assistência técnica sobre a relação qualidade sobre custos versus prazos.

Assim foram testadas algumas hipóteses de trabalho, tais como:

• Hipótese 1: A assistência técnica em foco, não onera o custo do programa.

• Hipótese 2: A assistência técnica, melhora a qualidade dos produtos, resultado da utilização das bolsas de materiais de construção.

• Hipótese 3: A assistência técnica agiliza a execução das obras, relacionadas ao financiamento da compra de materiais de construção.

• Hipótese 4: É possível explicar o desempenho diferencial dos serviços por um sistema de avaliação durante o processo de execução dos mesmos.

O que ficou claro é que a assistência técnica é fundamental para o processo de melhoria de qualidade da produção popular de moradias. Os documentos e procedimentos propostos para o programa, como a cartilha do proprietário, dentre outros, foram de fundamental importância para a garantia da qualidade na execução das habitações. As Figs. 5.3 e 5.4 apresentam algumas recomendações aos proprietários, e fazem parte da cartilha do

proprietário, elaborada visando proporcionar parte do treinamento para a execução da habitação.

Figura 5.3 – Horizontalidade da fiada com régua de madeira, a esquerda na alvenaria. Fonte: SPOSTO

(1998)

Figura 5.4 – Execução de vergas sobre as janelas. Fonte: SPOSTO (1998)

Houve correções de rumo, por conta das avaliações periódicas. As avaliações deveriam ser estudo de grupo ou pessoas independente da equipe técnica, mesmo assim procurou-se ser o mais isento e objetivo possível, com base em fatos significativos e no efeito destes sobre

o processo, numa argumentação a cerca de depoimentos de pessoas chave, ou por evidenciar o significado estatístico desses fatos.

Também, foi proposta uma sistemática para avaliação da qualidade dos materiais, que recomendava que a gestão da qualidade na aquisição de materiais de construção deve ser composta no mínimo dos seguintes elementos:

• especificação técnica para a compra dos materiais; • seleção e avaliação dos fornecedores de material. • controle do recebimento dos materiais em obra;

• orientação para armazenamento dos materiais em obra; • transporte dos materiais;

Em relação à especificação técnica e a compra, embora o programa estabelecesse requisitos para tal, prevaleceu o menor preço, e a qualidade dos materiais utilizados deixou a desejar.

Foi realizado também um levantamento das condições de entrega e armazenagem dos materiais nos canteiros, a partir do que foi possível visualizar alguns problemas, conforme apresentado nas Figuras 5.5, 5.6, 5.7, 5.8 e 5.9 a seguir:

Figura 5.5 – Material armazenado na via pública: blocos cerâmicos. Fonte: (GONZALES, S.F.N.; JUCÁ FILHO, A. SOUZA E SILVA, M.F.; BUSON, M.A., 1998)

Figura 5.6 – Material armazenado na via pública: areia e brita. Fonte: (GONZALES, S.F.N.; JUCÁ FILHO, A. SOUZA E SILVA, M.F.; BUSON, M.A., 1998)

Figura 5.7 – Armazenagem de tubulação, telhas e caixa d’água. Fonte: (GONZALES, S.F.N.; JUCÁ FILHO, A. SOUZA E SILVA, M.F.; BUSON,

M.A., 1998)

Figura 5.8 – Armazenagem de cimento e aparelhos. Fonte: (GONZALES, S.F.N.; JUCÁ FILHO, A.

Figura 5.9 – Armazenagem de porta metálica. Fonte: (GONZALES, S.F.N.; JUCÁ FILHO, A. SOUZA E SILVA,

M.F.; BUSON, M.A., 1998)

Após diversas vistorias e reuniões chegamos a algumas constatações sobre o andamento das obras e sobre a situação do Programa no que compete à execução das obras.

Com os dados obtidos com o preenchimento dos Relatórios Semanais de Obra, com as visitas às obras e após algumas reuniões com o pessoal de campo, conseguiu-se avaliar a situação das obras quanto aos cronogramas das tarefas do pessoal de campo e da execução das obras individualmente, por localidade e no geral. As planilhas também auxiliaram na avaliação do cumprimento e assimilação dos procedimentos apresentados na Cartilha do Proprietário e nas Recomendações para os mestres-de-obra.

No que se refere aos cronogramas de execução das obras pode-se concluir que o Programa deveria ter um maior rigor no trato com o fornecedor de material de construção,

principalmente com relação aos prazos de entrega. Tirando os atrasos ocorridos por problemas pessoais com os clientes, o grande causador de atrasos nos cronogramas de execução das obras foi à falta de material para dar continuidade às etapas das construções.

Quanto ao cumprimento das recomendações técnicas encontradas nos mecanismos de controle de qualidade de construção do Programa, Cartilha do Proprietário e Recomendações para os Mestres de Obra, temos as seguintes considerações a fazer no que diz respeito, principalmente a cartilha.

Encontrou-se alguma resistência dos clientes no cumprimento de algumas recomendações feitas pelo IDHAB, acredita-se que seja necessária uma revisão de alguns itens constantes na Cartilha no sentido de reforçar a importância de alguns procedimentos no que se refere:

a) uso adequado de equipamentos de proteção. Atualmente isso aparece na segunda página da cartilha sem muito destaque;

b) a execução das vergas. Devem ser incluídas citações na página 39 com os possíveis problemas decorrentes da má execução das vergas;

c) a execução correta das coberturas de fibrocimento. Para evitar que os beirais não sejam executados a Cartilha deveria incluir na página 51 os diversos problemas ocasionados pelas falta de beirais, como por exemplo, problemas de conservação das paredes, umidade excessiva e a falta de um mecanismo de proteção solar o que ocasiona desconforto térmico.

Acredita-se que estas informações devem estar presentes também nas Recomendações para os Mestres de Obra, para que os mesmos reforcem a importância do cumprimento das recomendações feitas pelo Programa no sentido de se construir habitações de boa qualidade.