Acréscimo de evidências empíricas através da pesquisa de informações básicas

No documento Diagnóstico sobre a institucionalização e o grau de efetividade do planejamento em municípios históricos: Diamantina e Tiradentes (páginas 178-186)

B- Descentralização e Desconcentração Administrativa em

5 UMA OUTRA ABORDAGEM DO PLANEJAMENTO E O DIAGNÓSTICO SOBRE SUA

5.3 O planejamento nos municípios brasileiros

5.3.1 Acréscimo de evidências empíricas através da pesquisa de informações básicas

Neste momento, o trabalho centra-se na apresentação de evidências empíricas desenvolvidas por Januzzi (2006) 147, pois acrescentam informações relevantes para análise do aprimoramento da capacidade de gestão municipal, em que analisa o perfil dos dirigentes, o perfil do quadro de servidores, o nível de institucionalização do planejamento e sua efetividade nos municípios brasileiros. O material utilizado para esta análise foi a pesquisa de informações Básicas Municipais do IBGE – 2001 e 2005 e a dissertação de Mestrado de Luis Carlos Menezes apresentada em 2006148.

No Gráfico 1, pode-se perceber que grande parte dos prefeitos é do sexo masculino (cerca de 90%), ao passo que as mulheres representam uma porcentagem mínima. Cerca de 70% dos prefeitos têm idade entre 41 a 60 anos, o que indica, conforme ressalta Januzzi (2006), uma descrença quanto ao sucesso de implementação do discurso do planejamento urbano na realidade municipal. Vale recordar que parte desses prefeitos acompanharam o período em que o governo federal considerava o planejamento urbano mero artigo de luxo ao desvinculá-lo das questões de desenvolvimento industrial e econômico do país, ou seja, as questões urbanas não eram consideradas prioritárias na elaboração das medidas de âmbito governamental.

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Tive conhecimento desse material desenvolvido por Januzzi (2006), assim como da dissertação de Menezes (2006), durante sua exposição no seminário do curso de Pós-graduação em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais sobre a capacitação do governo local frente à modernização da Carta Constitucional. Esse seminário foi realizado no IEC-PUC em maio do ano de 2007.

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Posteriormente, o trabalho pretende utilizar as mesmas ferramentas apresentadas por Januzzi (2006), porém buscando focar especificamente nos estudos de caso.

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GRÁFICO 1

Outro ponto importante, que se pode observar através do Gráfico 1, diz respeito à formação dos prefeitos, em que apenas 35,5% apresentam curso superior, 25,1% ensino médio completo, e apenas 8,2% têm pós-graduação. Segundo Januzzi (2006), o nível de instrução dos prefeitos municipais assim como das pessoas diretamente envolvidas na elaboração das leis (vereadores) e nas atividades cotidianas (funcionários públicos), influencia na forma de gestão do município, que pode (ou não) se embasar em um processo de planejamento. Quanto mais essas pessoas compreenderem a complexidade da produção do espaço urbano, por meio do entendimento das legislações, do aprofundamento nos estudos a esse respeito, das trocas de informações com outros municípios e o compartilhamento das experiências de gestão, maiores são as chances das políticas públicas serem implementadas. Isso não é mais um discurso tecnocrata em que associa o conhecimento técnico como a única base para o desenvolvimento sócio-econômico do município, mas ressalta que essas pessoas devem, continuamente, buscar reciclar seus conhecimentos e aprimoramento. Esse processo de aprendizado está relacionado com a capacitação profissional de cada um, que por sua vez também tem relação com o nível de instrução.

O Quadro 1, pode-se verificar que, no Brasil, há 4,5 milhões de pessoas ocupadas na administração direta municipal e, na administração indireta, tem cerca de

Nascidos entre 1945 e 1965

Perfil dos prefeitos, segundo o sexo, grupos de idade e nível de escolaridade

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240 mil. Considerando que 64% dos funcionários são estatutários, pode-se verificar que, após a institucionalização da Lei de Responsabilidade Fiscal, as prefeituras municipais abriram suas vagas para concurso público, buscando mitigar as práticas clientelistas que existiam.

QUADRO 1

Perfil do Quadro Técnico

Num % Total 4.494.154 100,0 Estatutários 2.876.485 64,0 Celetistas 513.722 11,4 Comissionados 380.629 8,5

Sem vínculo permanente 723.318 16,1

Fonte: JANUZZI (2006)

O Quadro 2 apresenta o percentual de pessoal ocupado na administração direta, por escolaridade, segundo grandes regiões no ano de 2005. Pode-se verificar que na região Sudeste, 33,5% dos funcionários públicos apresenta ensino fundamental e 36,3%, ensino médio, ou seja, mais da metade dos funcionários não apresenta ensino superior. Cerca de 30% do total de funcionários públicos apresenta ensino superior, e apenas 2,6% tem pós-graduação. De uma forma geral, é baixo o percentual de funcionários públicos com ensino superior, sobretudo com continuidade de estudo, situação semelhante aos prefeitos municipais.

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QUADRO 2

Em relação a Tabela 17, pode-se verificar que os municípios brasileiros apresentam 40,6% do percentual de pessoal ocupado na administração direta com ensino médio, 33,6% com ensino fundamental, 22,6% com ensino superior e apenas 3,2% com pós-graduação. Esse quadro se repete nos demais municípios independente do tamanho de sua população. Os municípios com população entre 5.001 a 10.000 habitantes, apresentam 41,8% desse percentual com ensino médio, 38,2% com ensino fundamental, 17,3% com ensino superior e 2,7% com pós-graduação. Em relação aos municípios com população entre 50.001 a 100.000 habitantes, pode-se verificar que 41,9% apresentam ensino médio, 33,6% ensino fundamental, 21,8% ensino superior e 2,7% pós-graduação.

Perfil do Quadro Técnico no ano de 2005

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TABELA 17

Pode-se verificar que a lei de diretrizes orçamentárias e a lei de orçamento Anual apresentaram aumento no ano de 2004 em relação ao de 2001 (QUADRO 3). Os instrumentos de planejamento voltados para o ordenamento territorial apresentam média a baixa incidência. Dentre esses instrumentos, o plano diretor, no ano de 2001, apresentava 17,6% de incidência e, no ano de 2004, esse percentual praticamente não se alterou, mesmo com a instituição do Estatuto da Cidade.

Fonte: JANUZZI (2006)

Percentual de pessoal ocupado na administração direta, por escolaridade, segundo classes de tamanho da população em 2005

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QUADRO 3

Institucionalização do planejamento

O Gráfico. 2, elaborado por Januzzi (2006), acrescenta algumas informações sobre os municípios brasileiros com conselhos municipais de desenvolvimento urbano em 2005. Pode-se verificar que, do total de 731 conselhos existentes, 609 são paritários. Em relação ao total de 731 conselhos, 261 apresentam reuniões mensais, 158 irregulares, 125 bimestrais, 76 não realizam muitas reuniões, 68 semestrais ou anuais e 43 quinzenais. Percebe-se que menos da metade desses municípios se reúne mensalmente.

Fonte: Quadro elaborado por Januzzi (2006) com a utilização dos dados desenvolvidos por Menezes (2006)

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GRÁFICO 2

GRÁFICO 3

Número de municípios brasileiros com conselhos municipais de desenvolvimento urbano, por condição de paridade e freqüência das reuniões, em 2005.

Fonte: JANUZZI (2006) 0 20 40 60 -300 300 - 500 500 - 700 700 - 1000 1000 +

Receita total em R$ por habit

%

Lei de Parcelamento do Solo Lei de Zoneamento

Plano Diretor

Fonte: Quadro elaborado por Januzzi (2006) com a utilização dos dados desenvolvidos por Menezes (2006).

O Gráfico 3 é, na verdade, uma justaposição dos dados expostos por Menezes (2006) anteriormente, em que os municípios relativamente mais ricos (com mais recursos totais por habitante) não são, necessariamente, os mais bem estruturados em termos dos instrumentos de política urbana.

185

GRÁFICO 4

A partir dessas análises, Januzzi (2006) evidencia algumas considerações finais otimistas frente a institucionalização do planejamento e sua efetividade. Em sua opinião, há tendências de aprimoramento da capacidade técnica em âmbito municipal no Brasil, ao evidenciar os seguintes dados:

- ampliação e qualificação do quadro técnico nos municípios;

- o nível de institucionalização do planejamento municipal vem aumentando, seja por necessidade de mostrar contrapartidas, seja pela necessidade de dar conta dos problemas;

- a institucionalização depende mais da complexidade dos problemas enfrentados do que da disponibilidade de ampla oferta de recursos;

- as atividade de planejamento têm contribuído efetivamente para o aprimoramento das condições de vida nos municípios.

Frente a esses dados, o trabalho abordará alguns desses instrumentos, nas prefeituras de Diamantina e Tiradentes, para verificar se realmente se aplicam à realidade. Ou seja, se realmente essas leis estão sendo elaboradas com a conscientização de seus gestores sobre sua importância, se promovem a inclusão social e a transparência quanto à divulgação dessas informações de interesse dos diversos segmentos da sociedade. 0 20 40 60 80 100 -10 50 a 200 1000 + Densidade pop km2 %

Lei de Parcelamento do Solo Lei de Zoneamento

Plano Diretor

O Gráfico 4 também confirma o que já foi ressaltado, os municípios mais adensados são os que se apresentam mais bem estruturados em termos dos instrumentos de política urbana.

Fonte: Quadro elaborado por JANUZZI (2006) com a utilização dos dados desenvolvidos por MENEZES (2006).

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6 ESTUDO DE CASO: OS MUNICÍPIOS HISTÓRICOS DE DIAMANTINA

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