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2 O SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO

2.3 AGENTES ECONÔMICOS E INSTITUCIONAIS DO SETOR

2.3.1 Agentes Institucionais

Os Agentes institucionais são os que detêm competências e atribuições relacionadas às atividades políticas, regulatórias, fiscalizatórias, de planejamento e viabilização do funcionamento setorial. A Figura 4 apresenta os agentes institucionais e suas relações.

Figura 4 – Principais instituições do setor elétrico

Fonte: (ONS, Procedimentos de Rede, 2013).

De acordo com o Submódulo 1.1 dos Procedimentos de Rede (ONS, 2013), o Conselho Nacional de Política Energética – CNPE é o órgão de assessoramento do Presidente da República para a formulação de políticas nacionais e diretrizes de energia voltadas, entre seus objetivos, para o aproveitamento racional dos recursos energéticos do país, a revisão periódica da matriz energética e o estabelecimento de diretrizes para programas específicos. É órgão interministerial presidido pelo Ministro de Minas e Energia – MME.

O MME encarrega-se da formulação, do planejamento e da implementação de ações do governo federal no âmbito da política energética nacional. Também é responsável por monitorar a segurança do suprimento do setor elétrico brasileiro e por definir ações

preventivas para restauração da segurança de suprimento no caso de desequilíbrios conjunturais entre oferta e demanda de energia (MME, 2013).

A Empresa de Pesquisa Energética – EPE é uma empresa pública federal dotada de personalidade jurídica de direito privado e vinculada ao MME. Tem por finalidade prestar serviços na área de estudos e pesquisas destinadas a subsidiar o planejamento do setor energético. Elabora os planos de expansão da geração e transmissão da energia elétrica.

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico – CMSE é constituído no âmbito do MME e está sob sua coordenação direta, com a função precípua de acompanhar e avaliar permanentemente a continuidade e a segurança do suprimento eletroenergético em todo o território nacional.

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE é uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, sob regulação e fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, que tem a finalidade de viabilizar a comercialização de energia elétrica no SIN e de administrar os contratos de compra e venda de energia elétrica, sua contabilização e liquidação.

A ANEEL é uma autarquia sob regime especial, vinculada ao MME, que tem a finalidade de regular e fiscalizar a produção, a transmissão, a distribuição e comercialização de energia elétrica, em conformidade com as políticas e diretrizes do governo federal. As alterações promovidas em 2004 pelo atual modelo do setor estabeleceram como responsabilidade da ANEEL, direta ou indiretamente, a promoção de licitações na modalidade de leilão para a contratação de energia elétrica pelos agentes de distribuição do Sistema Interligado Nacional - SIN. Desde então, a ANEEL tem delegado a operacionalização desses leilões à CCEE (CCEE, 2013).

O Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS, por sua vez, é uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos, autorizado a executar as atividades de coordenação e controle da operação da geração e da transmissão de energia elétrica, no âmbito do SIN. O ONS tem como objetivos principais o atendimento dos requisitos de carga, a otimização de custos e a garantia de confiabilidade do sistema. Outra responsabilidade da instituição é a definição das condições de acesso à malha de transmissão em alta-tensão do país (ONS, 2013).

Os agentes relacionados com a operação do SIN não constam na figura anterior, porém se relacionam direta ou indiretamente com todas as instituições apresentadas.

Ao abordar o ONS e o setor elétrico, é importante a definição de dois importantes tópicos: o Sistema Interligado Nacional – SIN e os Procedimentos de Rede.

2.3.1.1 Sistema Interligado Nacional (SIN)

O SIN é constituído pelas instalações responsáveis pelo suprimento de energia elétrica a todos os sistemas regionais do país, interligados eletricamente. Este sistema é composto de um sistema hidrotérmico, em sua maioria usinas hidrelétricas, normalmente localizadas longe dos centros de carga, e por extensa malha de transmissão, que abrange as empresas das regiões geoelétricas Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e parte da região Norte.

Ao realizar as atividades de coordenação e controle da operação da geração e da transmissão de energia elétrica do SIN, o ONS busca o ótimo sistêmico, compatibilizando a otimização energética com a segurança elétrica e com a continuidade do suprimento energético (ONS, 2013).

A Figura 5 apresenta o Mapa do SIN, onde pode ser notado seu tamanho e características que permitem considerá-lo único em âmbito mundial. Apenas 3,4% da capacidade de produção de eletricidade do país encontra-se fora do SIN, em pequenos sistemas isolados localizados principalmente na região amazônica (ONS, 2013).

Figura 5 – Mapa do SIN – Integração Eletroenergética no Brasil

Fonte: (ONS, Operador Nacional do Sistema Elétrico, 2013).

2.3.1.2 Procedimentos de Rede

O ONS tem como atribuições legais o desempenho de atribuições com neutralidade, transparência, integridade, representatividade, flexibilidade e razoabilidade, e os resultados de seus estudos devem ser reprodutíveis pelos agentes.

Para atender estes quesitos, foram elaborados pelo ONS com a participação dos agentes e aprovados pela ANEEL um conjunto de normas e regulamentos do setor, visando

orientar os requisitos básicos do sistema elétrico brasileiro. Este conjunto de documentos é intitulado Procedimentos de Rede (PR).

A Figura 6 ilustra a conjugação dos Procedimentos de Rede com as macrofunções finalísticas e com os resultados da operação. Também apresenta o funcionamento das atualizações dos Procedimentos de Rede decorrentes dos resultados da operação, da regulamentação vigente e da melhoria dos produtos e processos do ONS.

Figura 6 – Relação dos Procedimentos de Rede com as macrofunções finalísticas do ONS e com os resultados da operação

Fonte: (ONS, Procedimentos de Rede, 2013).

Os Procedimentos de Rede são divididos em módulos, cada um abrangendo um tema específico, cada módulo contendo seus submódulos, desta forma os 26 módulos dos Procedimentos de Rede englobam os seguintes temas:

Tabela 4 – Módulos dos Procedimentos de Rede

Módulo Descrição

Módulos funcionais dos Procedimentos de Rede

2 Requisitos mínimos para instalações e gerenciamento de indicadores de desempenho da rede básica e de seus componentes

3 Acesso aos sistemas de transmissão 4 Ampliações e reforços

5 Consolidação da previsão de carga

6 Planejamento e programação da operação elétrica 7 Planejamento da operação energética

8 Programação diária da operação eletroenergética 9 Recursos hídricos e meteorologia

10 Manual de Procedimentos da Operação 11 Proteção e controle

12 Medição para faturamento 13 Telecomunicações

14 Administração dos serviços ancilares

15 Administração de serviços e encargos de transmissão 16 Acompanhamento de manutenção

21 Estudos para reforço da segurança operacional elétrica, controle sistêmico e integração de instalações

22 Análise de ocorrências e perturbações

25 Apuração dos dados, relatórios da operação do Sistema Interligado Nacional e indicadores de desempenho

26 Modalidade de operação de usinas

Módulo multifuncional dos Procedimentos de Rede 24 Processo de integração de instalações

Módulos complementares dos Procedimentos de Rede 1 O Operador Nacional do Sistema Elétrico e os Procedimentos de Rede 18 Sistemas e modelos computacionais

19 Identificação, tratamento e penalidades para as não-conformidades 20 Glossário de termos técnicos

23 Critérios para estudos

Fonte: (ONS, Procedimentos de Rede, 2013).

Os submódulos de principal interesse nesse trabalho são os submódulos 3.6, que entre outros temas apresenta os requisitos técnicos mínimos para a conexão de Parques Eólicos à Rede Básica, e o submódulo 23.3, que aborda as diretrizes e critérios para estudos elétricos. Os requisitos destes submódulos serão apresentados e debatidos posteriormente, no Capitulo 4.