2ª
Parte
14. MÉTODOS E FONTES DE INFORMAÇÃO:
ASPECTOS GERAIS
Ver 4ª Parte, ponto 31 onde se aprofundam este métodos e técnicas
Quer na Fase de Sinalização, quer na Fase de Avaliação Diagnóstica os métodos e fontes a que pode ser possível recorrer para se obter informação necessária são variáveis.
No que respeita às fontes de informação, estas variam, obviamente, em função de cada caso concreto. Contudo, e de um modo geral, elas poderão ser idênticas nas 2 fases: a própria criança e sua família (nuclear e alargada) e outras pessoas e outros profissionais, em contacto com a criança, nomeadamente a nível de:
? Forças de Segurança
? Hospitais – NHACJR e Centros de Saúde -NACJR ? Estabelecimentos de ensino e gabinetes psico-pedagógicos ? Tribunais
? Vizinhos ou familiares
? Associações e outras entidades privadas (IPSS; ONG)
? Serviços especializados, públicos e privados, de apoio à família e à infância (e.g. CAFAP)
? Outras entidades locais
No que diz respeito aos Métodos de Recolha de Informação, e para obtenção dos dados, já mencionados, como essenciais e relevantes, é desejável que se combinem métodos e técnicas diferentes, entre outros:
? Observação ? Visita Domiciliária ? Entrevista ? “Checklist” ? Questionários
Por vezes é necessário aplicar estes métodos a diferentes fontes para se potenciar a qualidade da informação recolhida.
Como alerta final deste ponto refiram-sealguns dos erros que se cometem, com maior frequência, na fase de avaliação (Gracia e Misutu, 1999):
1.Um dos mais frequentes é precisamente, não se avaliar;
2. Realizar uma avaliação não orientada para as decisões e intervenção; 3. Levar a cabo avaliações intrusivas desnecessárias;
4. Basear a avaliação apenas em dados obtidos a partir de uma única Fonte ou de uma única Entidade (e.g. Segurança Social);
5. Realizar avaliações incompletas relativamente ao essencial que é necessário recolher tendo em conta a especificidade de cada caso;
6. Realizar avaliações apenas com dados ou informações do momento actual; 7. Realizar avaliações unicamente na perspectiva do “défice” limitando-se a
identificar carências e negligenciando as potencialidades e possíveis recursos parentais ou dos cuidadores e/ou da família alargada e da própria criança, bem como as potencialidades e possíveis recursos comunitários.
Em todos os casos, a avaliação do processo incluirá o estudo do(s) relatório(s) que acompanha(m) a sinalização.
Poderão, ainda, ser solicitados a qualquer entidade, organismo, instituição ou profissional, os relatórios técnicos, psicológicos, sociais, de saúde ou pedagógicos que sejam necessários para o conhecimento cabal das circunstâncias da criança ou jovem e das capacidades da sua família.
14.1. AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA E TOMADA DE
DECISÃO PELAS COMISSÕES DE PROTECÇÃO DE
CRIANÇAS E JOVENS
A avaliação diagnóstica é uma das fases de intervenção que serve para:
Pôr termo a uma situação de perigo e por isso a importância central dos dados a recolher! E Porquê? Porque os dados vão permitir ajudar-nos a tomar decisões com mais eficácia e em vários momentos:
1.Na triagem na fase da sinalização/recepção 2.Na priorização das situações;
3.Na aplicação e revisão das medidas e elaboração dos app e planos de intervenção;
4. No arquivamento.
Em todo o caso relembre-se ainda, que na Avaliação Diagnóstica, sempre que for necessário recolher informação relevante, não abrangida no Relatório de Sinalização 1. Para uma avaliação diagnóstica eficaz, todas as
orientações facultadas nos pontos 13 e 14 deverão ser seguidas, bem com as referidas na 3ª e 4ªpartes parte do Guia e que englobam aspectos mais práticos desta fase, nomeadamente, a nível de procedimentos, critérios de decisão e instrumentos e avaliação. 2. Nesta fase proceder-se-á à recolha de toda a informação que se considere necessária para a avaliação da situação da criança em perigo e para sustentar cientifica e objectivamente as decisões e as medidas de protecção aplicadas.
LEMBRE-SE:
Avaliar a situação da criança a partir de informações dadas pelas pessoas ou profissionais do seu ambiente imediato, é uma actuação que deverá ser evitada quando existir o testemunho, por escrito, de uma criança ou informação suficiente de outros profissionais (e.g. relatórios), de modo a evitar-se uma vitimização secundária, ou quando a oposição ou hostilidade dos pais possa pôr a criança numa situação de maior perigo.
Existem, entre outras, 3 dimensões centrais na avaliação diagnóstica
1. Grau de perigosidade e recidiva (elevado, médio e baixo);
2. Factores de risco e protecção individuais, familiares e sociais;
3. Prognóstico (favorável e desfavorável).
Qualquer actuação para a qual seja necessário solicitar relatórios a outros profissionais, ou entidades, será objecto de um documento por escrito (e.g. ofício ou email) com aviso de recepção, ou leitura do email, especificando-se, no mesmo documento, que a diligência, em questão, se realiza para efeitos de avaliação de uma possível situação de perigo para a criança e respectivo processo de promoção e protecção.
- 4ª Parte, anexo 1D para o Grau de perigosidade e para o Prognóstico
- 1ª Parte, ponto 1.3 e 2ªParte anexos 1B e 2B para Factores de Risco e Protecção
- Lei n.º 67/98, de 26/10
Factores de Risco - limitam a viabilidade de um desenvolvimento bem sucedido.
Factores de Protecção ou “compensatórios” – recursos que podem modificar o impacto à exposição da situação de perigo.
http://www.cnpd.pt/bin/legis/nacional/LPD.pdf
das EPL/AS, quando aquele exista, dever-se-ão tomar, entre outras medidas, as seguintes:
? Contactar o estabelecimento de ensino que a criança frequenta ou o seu Serviço de Psicologia e Orientação, ou outro gabinete de psicologia, por exemplo, a nível municipal, a fim de se obter informação sobre a sua situação, ao nível escolar, assim como informação relevante acerca da atitude e comportamentos dos pais e da própria criança.
? Contactar o Centro de Saúde correspondente da criança e sua família ou, eventualmente, outros serviços de saúde, a fim de se conhecer o seu estado de saúde ou da família, que possa estar associado à situação de perigo, assim como possíveis negligências ou atitudes ou comportamentos de risco das pessoas responsáveis por cuidar da criança, que tenham sido observadas nesse contexto.
? Contactar outros eventuais Serviços Especializados, públicos e privados, de Apoio à Família (CAFAP), nos casos em que exista nessa comunidade local e quando estiver a intervir ou tiver intervindo junto da família, com o objectivo de se recolher toda a informação possível acerca da situação em avaliação.
? Contactar a Polícia Local, ou outras Forças de Segurança, que se considere convenientes, a fim de conhecer a existência de alguma intervenção policial em relação à situação em avaliação.
? Fazer entrevistas a todos os membros da família, nuclear e alargada, que seja possível, a fim de conhecer a composição, funcionamento e dinâmica familiar, assim como os possíveis factores de risco que estejam a afectar a segurança e bem estar da criança e estejam subjacentes à situação de maus tratos.
? Manter sempre o contacto directo com a criança e, se necessário, entrevistas com a mesma, a fim de conhecer a sua percepção da situação e as possíveis sequelas a nível físico, emocional ou comportamental, com o objectivo de garantir o direito da criança a ser ouvida (desde que tenha idade para tal) em todo o procedimento que o afecte.
? Em todos os casos, a avaliação e a medida de promoção e protecção aplicada pela CPCJ será comunicada à EPL/AS que detectou, avaliou e sinalizou o caso. Esta comunicação será imprescindível porque, em muitos casos, a referida equipa será mais um elemento envolvido na intervenção junto da família.
Figura 12 - Principais Fontes de informação durante a Avaliação Diagnóstica
ALERTA:
VER:
DICA: