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ALONSO DE MADR

No documento Dicionario de Mistica (páginas 52-59)

I. Vida e obras. Não sabemos quase nada da vida desse franciscano espanhol, a não ser que nasceu em Madri, provavelmente entre 1480 e 1485, tomou o hábito na província de Toledo ou na província de são Tiago da Oh3S

serváncia Regular, viveu por alguns anos em Salamanca (1529-1533?) e morreu por volta de 1535.

Seu livro, Arte para servir a Deus (1521), tornou-se um clássico de ressonância européia junto com outro, Bspelho de pessoas ilustres (1524), que é uma aplicação concreta da doutrina da Ar/e. Das duas obras existem edi-

ções em espanhol, latim, francês, flamengo, português, inglês, alemão e italiano.1 O Espelho de pessoas ilustres, quase sempre anexado à arte

nas publicações, é ensaio de espiritualidade para leigos pertencentes à nobreza, segundo a concepção do tempo. Ele apresenta as motivações, úteis principalmente para os grandes deste mundo, para se cultivar a vida interior, ensina como dirigir a própria família em sentido cristão, como santificar as preocupações e ocupações, as diversões, o repouso e os dias de festa, e propõe o exercício da —» oração e da —> contemplação, a prática das —> virtudes e a utilidade da meditação sobre a morte.

11. Ensinamento espiritual. A finalidade da

arte, que —> Teresa de Avila elogiou muito,2 é

a de fornecer ajuda "para aprender a traduzir em ato as grandes coisas que a Escritura nos ensina; também a vida espiritual tem necessidade de uma arte". Na primeira parte, A. sustenta que todos são chamados à —> santidade, principalmene os religiosos.

"A

verdadeira santidade consiste em ser o mesmo espírito e o mesmo querer que Deus." É necessário, por isso, agir sempre com a in- tenção de fazer o que Deus quer e porque Deus o quer: "Não somente com amor, mas com amor e por amor". Foi assim que —> Cristo fez a vontade do -» Pai.

O —> pecado perturbou a harmonia da alma. Para reparar o dano causado pelo pe- cado e para chegar ao puto amor de Deus foram-nos dados vários instrumentos, espe- cialmente a —> vontade, "o mais nobre ins- trumento da alma".

Na segunda parte, a arte fala de "alguns exercícios para a reparação do dano da alma", efeito do pecado. Esses exercícios são: a. a contrição; b. o ódio a si (o aborrecimento de si, isto é , a recusa de tudo o que contenha alguma satisfação egoísta e que não seja "de Deus ou para Deus"); c. a oração, especialmente

Material com direitos autorais a oração de súplica como manifestação das

próprias necessidades a Deus; d. a prática das virtudes, não num exercício múltiplo das várias viritudes, porque o que importa é "aprendê-las todas do livro da vida. que é Je- sus Cristo, especialmente de sua paixão".

A terceira parle da arte ê mais con- templativa e tem como tema o amor: o amor a Deus é a ocupação mais nobre de ioda cria- tura.

A. dedica parágrafos inflamados ao tema do amor a Deus, distinguindo nele vários graus. O primeiro grau ê amar a Deus como benfeitor doce, saboroso e comunicável. Esse amor é bom, mas não perfeito. Os princi- piantes devem exercitar-se nele, mas não pensar que a doçura e a suavidade que se saboreiam na contemplação da bondade de Deus sejam o verdadeiro amor: "Esse amor è traço, porque é amor ao amado por interesse e por doçura própria". Não obstante, ele é indispensável para que a pessoa se desapegue das coisas vãs e se disponha para os atos de um amor' mais elevado. O verdadeiro amor, como o vemos no evangelho, é

"uma obra ou um ato que a vontade la/, ou produz, amando e querendo muito, às vezes com grande doçura, que Deus seja o que e e lenha glória, domínio e soberania sobre lo-dos nós e s< >hre todas as coisas, e por si mesmo; e que tudo o que existe e pode existir o ame e o sirva e lhe dê glória só pela sua bondade e diunidade infinitas".

O amor ao próxin» > é a manifestação con- creta do amor a Deus. Devemos amar o próximo como o Redentor nos amou. Ninguém deve ser excluído de nosso amor, nem os maus, porque nosso Pai c Senhor ama a todos.

O amor a nós deve ser entendido como empenho em amarmos tudo o que há de bom em nós como dom de Deus, agradecendo-lhe por esses dons. Amar a si mesmo significa empregar os dons recebidos para o benefício e o proveito próprios, não pondo o eu no centro, mas ordenando tudo para a glória de Deus.

A. permanece no caminho da tradição, apresentando sua doutrina de forma eficaz e penetrante. Seu caráter metódico explica por que foi apreciado por autores místicos e espirituais dos séculos XVI e XVII.

N

OTAS

:

1 Arte di setvire a Dio; Specchio deite persone iltustri, Veneza 1558;2 Teresa de Ávila, Vida 13.

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M.Tictz, SM, in H'Vfv\ 12.

T Janscti

ALUCINAÇÃO

I. Definição. A palavra a. pode ser defini- da como "percepção sem objeto", isto é, como percepção falsa, que tem as características físicas da percepção, mas que surge sem estimulação sensorial adequada. Essa percep- ção não é reconhecida como falsa nem em relação a um raciocínio crítico, nem cm rela- ção à evidência.

O termo a. vem do latim, hallucinatio, "va- gabundagem da mente". No significado cor- rente foi introduzido, cm 1817, por Esqui rol (autor do tratado Des maladies mentales, de 1837), embora a primeira citação nesse sen-tido seja atribuída a Fernel (1574). Mas esses fenômenos psicossensoriais já eram conhecidos dos gregos e dos latinos, se bem que narrados de modo elementar.

II. Descrição do fenômeno. Do ponto de vista descritivo, o primeiro elemento a consi- derar é o aspecto da fisicidade" da percep- ção alucinatória. Isso significa que a a. tem características físicas que podem ser sobre- postas às da percepção normal, as quais, jun- to com a estruturação muitas vezes elevada da experiência alucinatória (pensemos, por exemplo, nas —> vozes ou nas visões de pes- soas), dão ha. os traços de realidade cuja exis- tência não é possível pôr em dúvida. Essa falsa experiência não è corrigívcl pela critica e c vivida como verdade incontestável. É freqüen- te que o conteúdo e o significado da a. se re- firam ao próprio paciente.

III. Formas de a. As a. podem dizer respeito a vários órgãos sensoriais. As mais comuns são as a. auditivas, representadas por "vozes", muitas vezes cochichadas ou sussurradas, mais raramente manifestadas com voz clara. Em geral os tons são alusivos, ofensivos ou ameaçadores. Só raramente as- sumem conotações "positivas" no sentido de

Material com direitos autorais guia e conselho à pessoa. No caso das a. vi-

suais, trata-se frequentemente de imagens de

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ALIX INAÇÃO

cinestésicas, olf ativas, gustativas cie. Os con-

teúdos se referem, na sua grande maioria, a temáticas de natureza persecutória, a idéias de grandeza, a temáticas de culpa ou sexuais. Essas características se encontram em muitas doenças psíquicas (esquizofrenia, distúrbios do humor, uso de substâncias psi-coativas, distúrbios orgânicos etc).

Asa. podem, todavia, ser observadas também em

distúrbios "não-psieóticos", prevalentemente histéricos, com fenômenos tanto visuais como auditivos, geralmente bem organizados e freqüentemente de conteúdo fantástico.

Em alguns casos podem-se verificar epi- sódios de 'percepção sem objeto", mesmo em pessoas não afetadas por nenhum distúrbio psíquico. Acontecimentos desse tipo podem dar-se em circunstâncias particulares de pri- vação de sono, em situações anormais de fa- diga ou estresse (entre as quais, por exemplo, as "a. causadas por susto" durante a guerra ou as "a. provocadas por luto", depois da morte do cônjuge).

IV. Distinção entre a. e ilusões. É impor- tante distinguir entre a. e ■> ilusões; nestas, ao lado de um objeto real externo, verifica-se dislorsão da percepção com completamento irreal do fenômeno perceptivo, completamen- to devido â experiência subjetiva da pessoa. Tais fenômenos podem aparecer quando o objeto a ser percebido não está adequadamente estruturado ou é falho em alguns pontos. Uma tipologia particular de ilusões é a relativa às "ilusões holotímicas ou afetivas", que apare- cem em conexão com ai terações das situações emocionais de lundo. A base disso é uma estmturação emotiva particular, a qual con- diciona a expectativa perceptiva (por exemplo,

jovens assustados, ao passarem por um cemi- tério à noite, podem ver a figura de uma árvo- re como uma figura humana ameaçadora).

V. A. e mística. A a . tem destaque particu- lar no âmbito da mística, por causa da neces- sidade de distinguir entre fenômenos de na- tureza espiritual, como visões. ■-> locuções, —> revelações, e fenômenos de natureza psi- copatológica, como as a.

No Castelo interior (Sextas mansões, 3) —> santa Teresa de Ávila, escrevendo sobre pessoas de equilíbrio frágil ou de intensa melancolia, diz que não se deve acreditar nelas quando

narram visões sobrenaturais ou palavras divinas ouvidas, porque essas coisas são causadas pela fantasia delas.

No campo religioso, as a. podem, mas ra- ramente, aparecer na forma de cenas celestiais, como rostos de santos ou de Deus (a. emotivas), ou ser representadas por vozes de santos, englobadas em delírio místico. Em outros casos, as a. podem ter uma fenomenologia cinestésica, representada no contexto de um "delírio de demonopatia interna": os pacientes percebem que o demónio está se movendo em seu interior, causando percepções de dor. A sua descrição se insere num delírio articulado de culpa e de perseguição do — > demônio ou de castigo divino. Quando as a, são olfativas, a pessoa poderá ter a percepção de perdîmes ou de odores nauseabundos; estes, em sua mente, serão expressões do inferno. São Irequentes as

a. de natureza sexual, nas quais mulheres e

moças têm a sensação de terem sido violentadas por demónios ou por seus adeptos. Todavia, tais a. aparecem geralmente nas doenças psíquicas mencionadas atrás. A. cm pessoas não-doentes podem ser observadas principalmente nas sociedades nãt (-oci- dentais, em reuniões coletivas, durante ma- nifestações particulares de caráter mágico ou em algumas celebrações de natureza religiosa. Mas civilizações ocidentais, a verificação de a. rituais ou de massa deve ser considerada simplesmente como excepcional. Às vezes podem verificar-se fenômenos de "ilusões afetivas" (como, por exemplo, quando se vê um crucifixo na mancha de uma parede).

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mentales et les manifestations diaboliques, Paris

1938,5-6.

G. l \ Paolucci

ALUMBRADOS

I. O fenômeno. A palavra a. é de origem espanhola e teve mais difusão do que precisão. De falo, quase lodos os dicionários e en- ciclopédias, manuais e obras especializados empregam esse termo, geralmente sem definir seu núcleo central e seu contorno, até pondo cm d vívida a existência histórica dos a . Assim, por exemplo, H. Bremond chegou a dizer que eles são uma espécie de "fantasma" historiográfico, porque todos falam deles, mas ninguém procura sabei o que são. R. Knox, seguindo Bremond, diz mais ou menos a mesma coisa. Outros autores, ao contrário, ali miam que são um fenômeno importante da

Espanha mística, embora,

historiograiicaincnle falando, sem traços definidos: "Existe na Espanha uma seita misteriosa, cujo nome volta constantemente nos textos, a dos iluminados ou a . O próprio falo da existência dessa seita tem grande importância histórica para compreender a alma espanhola".1

E oportuno, por isso, fazer algumas obser- vações como ponto de partida: 1. A palavra ÍÍ

.

equivale, filológica ou semanticamente, a ilu-

minados, raiz léxica latina (illuminati); 2. Em

sua acepção original e em sentido positivo, ela foi usada pelos próprios a.: "O bispo Ca/alla e sua irmã, Maria de Ca/alla," a apli- cavam aos que se reuniam para exercícios de piedade; em tais assembléias ou reuniões 'Ta avam da luz que foi dada a —> são Paulo" e sustentavam "que todos podiam ser ilumi- nados (...), e os que se reuniam para isso se chamavam iluminados

(=

ÍÍ

.

)";

: 3. O povo deu a

esse nome ou palavra e aos que o encarnavam sentido negativo, o qual foi assumido pela Inquisição, para a qual ele passou a equivaler a heresia mística: "Por causa de nossos —> pecados, já há entre os homens quem considere ultraje (...) falar a Deus, porque as pessoas chamam dehipôcritas, A

.

e homens maus aos

que lalam a Dcu.s";5 4. Conseqüentemente o

nome ou a palavra a. designa uru subproduto

típico da piedade e, tomado nesse sentido, o Dr. G. Mara nó n o diagnostica como 'câncer da mística", e M. Mir o considera fenômeno autóctone ou próprio da Espanha.

Seguindo a historiografia e por dever de clareza, tomá-lo-emos aqui no sentido de desvio das fortes correntes espirituais, ou, sucintamente, no sentido de heresia mística, fenômeno que, pela sua obscuridade, con- trasta com a luminosa beleza do misticismo genuíno.

II. Os grupos. Seja como for, o fenômeno dos ÍÍ

.

é uma realidade histórica importante.

Podem e devem ser distinguidos seis grupos, prescindindo-se dos casos isolados que, vez por ou tia, surgem aqui e ali.

Esses grupos são: I. O do Reino de Toledo (c. 1510-1530), no centro geográfico da Es- panha; coincide com o poderoso despertar da

Espanha mística, é guiado prevalentemente

por leigos, homens e mulheres, e quanto ao conteúdo doutrinal, é o de maior pureza; 2.

0 de Estremadura (1570-1590), retomada poderosa e híbrida de um renascimento reli- gioso promovido por pregadores itinerantes, de moralidade duvidosa, favorecido pelas condições climáticas e demográficas da re- gião; 3. O da Alta Andaluzia (1575-1590), muito próximo do precedente quanto à ori- eem, bastante sensível às instâncias da bru-

\aria de Montilla, atingiu desenvolvimento carismático em Baeza, â sombra da Univer- sidade, e se difundiu cm Jaén, sob a direção de Gaspar Lucas e Maria Romera; 4. O do

Peru (1570-1580), de tom tipicamente crioulo

(cm seu significado exato), de pouca extensão, mas de raízes ideológicas muito pro-

1 undas, metade angelisla (do anjo de Maria Pizarro) e metade hheracionista, porque pro- pugnava a libertação ou independência em relação ao poder temporal (Espanha) e ao poder eclesiástico (Roma), defendendo uma "nova Igreja", sem rugas de tempo e sem manchas cie corrupção; 5. C) do Mcxix o {\ 580-1605), com epicentros em Puebla dos Anjos e Cidade do México, de poucos adeptos, de trama fraca, mas com suas eslumaiuras de "céus e terra novos' Icf. Ap 21,5), com seu fervor apocalíptico e com seu milenarismo inspirado ideologicamente em Joaquim de Fiore (t 1202) e praticamente de paixões muito humanas; e ó. Ü de Sevilha (1605- 1630). que foi o mais numeroso e o mais folclórico, orquestrado pelo "mestre" João de Villapando, ex-carmelita, e pela "madre" Catarina de Jesus, oriunda de Bae/a.

Como se vê, trata-se de grupos históricos, não de fanstasmas historiográficos.

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III. A doutrina. Para uma abordagem da mensagem mística do alumbiadisnío espa- nhol há uma fonte primordial: os processos instruídos pelo Santo Olício. Cirande núme- ro desses processos está conservado, princi- palmente no arquivo histórico nacional de Madri e no arquivo geral da nação, no Méxi- co. Ex ísiem, além disso, os Editos contra os a., que eram Sílahos ou sumários dos presu- míveis erros da seita, que os oficiais do San- to Oficio compilavam meticulosamente, par- tindo dos depoimentos das testemunhas e dos próprios réus. São muito ricos de dados também os Memoriais de finei Alonso de la Fuente (t 1592), que foi o descobridor do fenômeno alumbradista da Extremadura e da Alta Andaluzia e que se empenhou em debelá-lo. Considerando-se só os Editos, os principais são três: o primeiro é o de 1525, promulgado pelo inquisidor geral, Dom Alonso Manrique; o segundo é o de 1 574, promulgado pelo inquisitor geral, Dom Caspar de Ouiroua.com

algumas cláusulas ou acres-cimos posteriores; esse Edito foi juntado ao Edito geral, que era repetido todos os anos na quaresma, para ser atualizado ou não ser esquecido; ele foi praticamente o texto básico dos Editos que se liam nos distritos de Lima e do México; o terceiro é o de 1623, promulgado pelo inquisidor geral, Dom Andrés Pacheco, diretamente contra os a. de Sevilha, e preparado pelos teólogos daquele tribunal com base nos processos em curso; à promulgação desse E.aito luram juntados os Editos de 1525 e de 1 574.

O Edito de 1525 contém quarenta e oito proposições, tiradas, em sua maioria, das de- clarações das testemunhas e dos réus; por esse motivo, algumas têm iormulaçãoou re- dação obscura ou são repetidas, chegando até a parecer contraditórias. A minuciosa e laboriosa análise de M. Ortega identificou o autor, a testemunha, o tempo e o lugar de quase todas as proposições. O núcleo central do alumbradismo toledano - o mais puro e o mais herético - se encontra na proposição nona, que pode ser dividida em quatro partes ou teses; 1. "o amor de Deus no homem é Deus"; 2. é necessário entregar-se ou abandonar-se a esse amor; 3. esse amor manda no homem, tornando-o impecável; 4. "chegando- se a esse estado", não há senão mérito.

Como se vê, os a. do Reino de Toledo pre- conizavam a —> união entre Deus e o homem como identidade total e essencial ("é"); a eliminação de toda mediação (de Cristo, da Igreja, dos sacramentos, das estruturas) era consequência grave, se bem que lógica; e a queda de todas as barreiras éticas - a

impecabilidade - alimentava urna eondula desenfreada.

Se bem que a Inquisição, por razões metodológicas, associasse a heresia dos a. à luterana, e embora tenha pretendido ligarão erasmismo a ideologia de Pedro Ruiz de Alcaraz e de Maria de Cazalla, difusores dessa tese, hoje ninguém se deixa influenciar por essas afirmações. Eles não eram e nem podiam ser luteranos e muito menos erasmia-nos, dada sua escassa bagagem cultural, o que não impede de reconhecer que se tratava de uma heresia radical e de consequências tremendas.

O Édito de 1574 tentou circunscrever a pululante seita dos a. da Extremadura. Esse édito é breve, e suas cláusulas ou pi oposições, enraizadas no húmus dos a. toledanos, su- põem um florescimento de sinal "sensual", niiiiiiiuli j-seesse qualilicativi) em sua acepção ampla, isto é, designativa dos —» sentidos e de seus mecanismos biológicos ou passionais. A proposição décima condensa esse édito; se recorrermos às glosas de Alonso de la Fuente, teremos uma interpretação correta dele.

De maior interesse são as variantes dos a. crioulos, com suas antecipações prematuras da -> teologia da libertação e com suas projeções milenaristas ou escatológicas, assuntos esses que vão além dos limites desta vida, hic et

nunc.

Quanto ao Édito de 1623, que é o mais famoso e o mais conhecido, devemos dizer que contém poucas novidades em relação aos precedentes: completa-os - os que o prepararam tiveram presentes os éditos de 1525

e de 1574 - e lhes acrescenta grandeza e espetacularidade. Ele contém setenta e seis proposições, distribuídas em dezessete blocos ou seções temáticas; 1. oração; 2. obe* diência; 3. confissão; 4. comunhão; 5. —> perfeição; 6. —»

No documento Dicionario de Mistica (páginas 52-59)