• Nenhum resultado encontrado

Ambientes Virtuais

No documento PERCEPÇÃO HÁPTICA (páginas 50-54)

3. Capítulo 3│AMBIENTES VIRTUAIS

3.3. REALIDADE VIRTUAL

3.3.1. Ambientes Virtuais

Embora alguns sistemas web tenham surgido para a gestão de desenvolvimento de produtos, o suporte baseado apenas nos sistemas web padrões não são eficientes para o design colaborativo de produtos, como aponta Shen, W. et al. (2010). Para Bruno e Muzzupappa (2010), os ambientes virtuais (AV) podem ser um meio adequado de envolver os diferentes conhecimentos dos atores de design colaborativo em um cenário virtual compartilhado. Shen, W. et al. (2010) sugerem que integração de RV com ambientes virtuais colaborativos (AVC) e a capacidade de distribuição baseada na web, pode facilitar a comunicação e colaboração com parceiros remotos. De acordo com, Bruno e Muzzupappa (2010), a RV pode ser utilizada como um meio de comunicação contínuo entre as equipes de desenvolvimento. Shen, W. et al.

(2010) apontam que através da RV é possível desenvolver organizações virtuais, aonde a maior parte da comunicação e do trabalho compartilhado não é física.

Algumas funcionalidades dos AVC incluem visualização em tempo real dos modelos 3D suas atualizações, e aplicações variadas para comunicação e gestão do desenvolvimento. Para Bruno e Muzzupappa (2010), os protótipos virtuais são um grande atrativo dos AV, tendo um custo e tempo de execução reduzido frente a protótipos físicos. Conforme Noon et al. (2012), existe um número crescente de aplicações de RV em sistemas de desenvolvimento colaborativo para análises e modelamento de soluções. Algumas pesquisas, segundo os autores tem demonstrado que os ambientes de RV podem ter vantagens sobre os sistemas CAD padrão. Os sistemas baseados na web que suportam diferentes plataformas de trabalho podem integrar softwares CAD para o desenvolvimento e gestão colaborativa, incluindo opções de anotações, marcação e modelagem colaborativa por usuários remotos (GERMANI et al. 2012).

Para Sharples et al. (2007), as ferramentas de RV e AV vem se aproximando de softwares de simulação humana e do trabalho auxiliado pelo computador, mas o desafio, segundos os autores, é integrar as funcionalidades e especificidades de sistemas CAD complexos nestes ambientes sem impactar a usabilidade e dinamismo da colaboração co-localizada. Para Kosmadoudi et al. (2013), os sistemas CAD se tornaram complexos a ponto de gerar uma alta carga cognitiva nos usuários. Os autores sugerem que os sistemas CAD devem se apropriar de novas interfaces de AV para facilitar o compartilhamento e desenvolvimento de ideias em ambientes de trabalho distribuído.

Em seu trabalho de pesquisa Bruno e Muzzupappa (2010), desenvolveram um sistema de prototipagem virtual em design colaborativo denominado VP4PaD (Figura 11) que buscou verificar através da interação direta, com uso de Joystique tridimensional (joystick 3D) e luva de dados (dataglove), com modelos 3D as capacidades de desenvolvimento em AVC. Um dos pontos deste desenvolvimento foi compreender se a interação homem-produto em AV pode ser considerada para avaliação de produtos voltados ao mercado real. Os autores apontam que o AV permite uma interação dos usuários capaz de encontrar soluções efetivas para produtos reais.

Figura 11 - VP4PaD

Fonte: Bruno e Muzzupappa (2010, p. 257)

O sistema CoreD é citado por Germani et al. (2012b), como uma plataforma (Figura 12) de trabalho colaborativo desenvolvida pela universidade de Mache (UNIVPM), nesta, diferentes softwares podem ser integrados CAD, ferramentas de gestão, videoconferência e chat para promover o desenvolvimento colaborativo em tempo real.

Figura 12 - Plataforma colaborativa CoRed

Fonte: Germani et al. (2012b, p. 809)

No trabalho de Noon et al. (2012), é sugerida uma plataforma colaborativa para integração de sistemas CAD, de RV e gestão do desenvolvimento do produto (PDM). Para os autores esta plataforma permite aos usuários uma interação mais direta com o produto, elevando a criatividade do grupo, e gerando soluções de design mais interessantes que no desenvolvimento face-a-face. Outros estudos citados pelos autores pesquisados podem ser observados no (Quadro 5), e compõem parte do cenário atual de pesquisa de ambientes virtuais e colaboração no desenvolvimento de produtos.

Quadro 5 - Estudos relacionados pelos autores de P&D em AV

Estudos relacionados – Seção 1/2 2001 Jin et al Um sistema tele-imersivo de

AVC

Estudos relacionados – Seção 2/2

Quando Quem Como Objetivo Aonde

2004 Davis Design colaborativo através de ambientes de

2007 Turkiyyah Software háptico para modelagem 3D em AV de

Com o advento do retorno háptico novas abordagens colaborativas surgiram nos AV, como cirurgias remotas, ferramentas de modelagem colaborativas e sistemas operadores remotamente, segundo Lin et al. (2010). Observa-se que interface dos AVC com os usuários ocorre através de dispositivos multissensoriais como óculos/capacete de realidade virtual, luvas de dados com sensores de movimento, retorno háptico e ambientes imersivos. Embora o ambiente de RV imersivo tenha se mostrado satisfatório em atividades colaborativas, Bruno e Muzzupappa (2010) apontam que o uso de luvas de dados para avaliação de produtos mostrou-se problemático para usuários heterogêneos, principalmente ao abordar um grupo heterogêneo de usuários finais. Os autores sugerem que a dificuldade de interação poderá ser solucionada através de instrumentos hápticos inteligentes para uma melhor identificação das características dos produtos e necessidades de uso.

Embora inúmeros estudos tenham sido efetuados no campo de pesquisa do desenvolvimento colaborativo em AV não se tem um modelo consolidado de integração de sistemas AV ao desenvolvimento de produtos. Nee et al. (2012), afirmam que embora muitas abordagens tenham buscado o uso de RV para o design de produto, incluindo versões híbridas unindo desktop e ambientes imersivos para o desenvolvimento de produtos em CAD, ainda existem problemas de fluidez e usabilidade nos modelos atuais. Para Germani et al. (2012b), os AVC devem satisfazer as seguintes características:

Prover funções básicas de modelagem e análise em um espaço comum; prover comunicação em tempo real; organizar e gerir as informações desenvolvidas; permitir diferentes representações do produto para avaliações; suportar e promover a tomada de decisões e o trabalho criativo; permitir interação eficiente com os dados do projeto e utilizar de recursos de interação como os dispositivos multissensoriais. (GERMANI et al. 2012, p. 794 tradução nossa)

Bruno e Muzzupappa (2010) comentam que no design de produtos industriais tem sido pouco pesquisado sobre a interface dos AV. Conforme Germani et al. (2012b), o trabalho colaborativo síncrono em AVC é especialmente desafiador por solicitar uma série de tecnologias para facilitar e aprimorar a experiência de uso. Os sistemas atuais de AVC com suporte ao desenvolvimento CAD, segundo Kosmadoudi et al. (2013), não precisam mais buscar adequar-se apenas a modelagem detalhada de produtos, mas sim, fornecer uma gama de ferramentas intuitivas capaz de suportar o design colaborativo e melhorar o desempenho dos usuários.

No documento PERCEPÇÃO HÁPTICA (páginas 50-54)