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5 DIAGNÓSTICO DA COOPERAÇÃO NA REDE

5.3 ANÁLISE DA COMPETITIVIDADE DOS ATORES E DA

A principal influência para uma efetiva formação de redes interorganizacionais do turismo é a busca por um posicionamento competitivo das localidades e/ou das organizações, tornando possível o desenvolvimento da economia local ou regional (VASQUEZ- BARQUERO, 2002). Além de outras expressivas listas de razões pelas quais as organizações aderem à rede, como por exemplo: melhoria da imagem e reputação, transferência de conhecimento, compartilhamento do impacto de riscos, dentre outras.

O posicionamento competitivo foi verificado a partir do segundo bloco do questionário, o qual apresentou 13 questões com indicadores que propõem identificar elementos de competitividade. Entre os indicadores de competitividade das empresas turísticas (CE), destacam- se: cooperação, confiança, comunicação, concorrência, conhecimentos, treinamentos, número de postos de trabalho, custo e faturamento. E, os indicadores de competitividade da localidade (CL), apresentam-se: número de turistas, permanência dos turistas e gasto médio dos turistas.

Solicitaram-se aos respondentes o seu posicionamento quanto aos indicadores citados, tendo-se como referência os últimos três anos (2007, 2008 e 2009).

Assim sendo, na Tabela 21, quanto aos meios de hospedagem, verificou-se que a moda ocorre na opção ‘constante’. Especificamente, em relação aos indicadores de competitividade da localidade, pode-se observar que, embora tenha havido um posicionamento elevando na opção “constante”, um número razoável de respondentes identificou que o número de turistas, o gasto dos turistas e a permanência dos turistas, ‘diminuiu’. Em relação às agências de viagens, verificou-se que houve um posicionamento diferente dos meios de hospedagem, tendo em vista que a moda, como pode ser observada na Figura 35 (Apêndice Z), ocorre na opção ‘aumentou’, considerando-se que um razoável número de respondentes tenha se posicionado na opção ‘constante’.

Ao resgatar os indicadores de demanda de Itajaí, entre os anos de 2007 e 2009, vistos no capítulo 3, observou-se que estes oscilaram ao longo dos três anos analisados. O movimento de turistas na cidade aumentou em 2008, e em 2009 houve diminuição. Enquanto a receita evoluiu de forma crescente nos anos de 2007, 2008 e 2009, a permanência dos turistas na cidade sofreu queda no ano de 2008 (SANTUR, 2009). Por terem ocorrido estas oscilações no período que está sendo analisado, o posicionamento neutro de grande parte dos

respondentes dos meios de hospedagem se justificaria, diferentemente das agências de viagens. Infere-se que as agências de viagens, por atuarem com pacotes de viagens e não somente com serviços receptivos, não tenham percebido o impacto das oscilações quanto à demanda turística da localidade como os meios de hospedagem.

Analisando-se a competitividade das empresas turísticas, sob a ótica de ambos os atores, pode-se observar que, embora a moda tenha ocorrido com a opção ‘constante’, um número razoável de respondentes identificou que a competitividade ‘aumentou’ nos anos analisados. Considerando-se que a cooperação, a confiança, a comunicação e a concorrência, considerados atributos e analisados na seção 5.2, obtiveram médias baixas em grande parte das afirmativas, compreende- se posicionamentos de poucas mudanças, conforme declarado por parte dos meios de hospedagem, bem como das agências de viagens.

Na afirmativa CE3, observou-se que 50% das agências de viagens concordam que a comunicação entre a própria empresa e as demais organizações turísticas locais ‘aumentou’. Desta forma, as agências de viagens, por serem empresas que possuem um papel de intermediação no canal de distribuição do turismo, estão mais avançadas em termos tecnológicos. Sabe-se que o setor turístico sofreu uma reestruturação com a disseminação da TI, a qual contribuiu às novas formas, convenientes e lucrativas, de se realizar negócios. Com o avanço da desintermediação no canal de distribuição do turismo, organizações intermediárias como, por exemplo, as agências de viagens, tiveram que identificar meios para se ajustar a competição de vendas diretas de redes hoteleiras ou de empresas aéreas (FLECHA; COSTA, 2004).

Grande parte dos respondentes dos meios de hospedagem e das agências de viagens apontou que, o conhecimento que estas empresas têm a respeito do turista da cidade não se alterou nos anos pesquisados, com 57,14% e 68,18%, respectivamente. Infere-se que os indicadores de demanda divulgados por órgãos competentes como SANTUR, Secretaria Municipal de Turismo e até mesmo o CITMAR, não estão sendo suficientes para as empresas turísticas, ou, que as mesmas empresas não estão utilizando os dados e informações disponíveis a seu favor.

O treinamento de pessoal e o número médio anual de postos de trabalho, vistos nas afirmativas CE6 e CE7, respectivamente, obtiveram grande parte das respostas na alternativa ‘constante’, de acordo com os atores consultados. Para estes atores, participantes da pesquisa, o resultado é fato, pois, muito dos empreendimentos são familiares e o número de empregados é relativamente pequeno, conforme a análise

apresentada na seção 5.1 deste capítulo. Especificamente, para as agências de viagens a alternativa ‘constante’, com 63,63% é seguido com proximidade da alternativa ‘aumentou’, com 31,81%, nas duas afirmativas em questão. Este resultado leva a inferir que as agências de viagens estão, relativamente, um pouco mais atentas às necessidades de atualização de seus empregados, bem como, atentas aos anseios de sua demanda.

Para os meios de hospedagem, o custo operacional e o faturamento se mantiveram nos anos pesquisados, com a moda na opção ‘constante’, correspondendo a 57,14% na afirmativa CE8 e, 47,61% na afirmativa CE9, Figura 34 (Apêndice Y). Ainda assim, com resultados expressivos na opção ‘aumentou’, com 42,85% e 38,09%, nas afirmativas CE8 e CE9, respectivamente. Identifica-se uma relação com as afirmativas CE1, CE2 e CE3, as quais trataram de cooperação, confiança e comunicação, respectivamente, com a moda na opção ‘constante’ com leve tendência para ‘aumentou’.

Resultados diferentes ocorreram com as agências de viagens, com a moda na opção ‘aumentou’, tanto para o custo operacional em CE8, como para o faturamento em CE9, com 63,63% e 59,09%, respectivamente. Quanto à evolução do custo operacional ao longo do período analisado, encontra-se uma associação moderada com a afirmativa CE3, quanto a comunicação, a qual a moda ocorreu na opção ‘aumentou’, assim como nas afirmativas CL1, CL2 e CL3, que tratam da competitividade da localidade. Para Caporali e Volker (2004), o incremento nos lucros é uma das vantagens associadas ao processo de cooperação entre empresas, geralmente vinculado a capacidade de reduzir custos e tornar o desempenho superior.

Meios de hospedagem Agências de viagens Afirmativas

Diminuiu Constante Aumentou Diminuiu Constante Aumentou Competitividade da localidade 6 11 4 2 8 12 CL1 - O número de turistas na cidade... 28,57% 52,38% 19,04% 9,09% 36,36% 54,54% 6 11 4 3 7 12 CL2 - O gasto dos turistas na cidade... 28,57% 52,38% 19,04% 13,63% 31,81% 54,54% 7 13 1 2 7 13 CL3 - A permanência

dos turistas na cidade... 33,33% 61,90% 4,76% 9,09% 31,81% 59,09% Competitividade das empresas turísticas

2 13 6 0 16 6

CE1 - A cooperação entre sua empresa e as demais organizações

turísticas locais... 9,52% 61,90% 28,57% 0 72,72% 27,27%

1 15 5 3 11 8

CE2 - A confiança entre sua empresa e as demais organizações turísticas

locais... 4,76% 71,42% 23,80% 13,63% 50% 36,36%

2 12 7 2 9 11

CE3 - A comunicação entre sua empresa e as demais organizações

turísticas locais... 9,52% 57,14% 33,33% 9,09% 40,90% 50%

3 9 9 2 12 8

CE4 - A concorrência entre sua empresa e as demais organizações

turísticas locais... 14,28% 42,85% 42,85% 9,09% 54,54% 36,36%

4 12 5 3 15 4

CE5 - O conhecimento de sua empresa sobre o

turista da cidade... 19,04% 57,14% 23,80% 13,63% 68,18% 18,18%

1 15 5 1 14 7

CE6 - O treinamento do

pessoal da sua empresa... 4,76% 71,42% 23,80% 4,54% 63,63% 31,81%

2 16 3 1 14 7

CE7 - O número médio anual de postos de trabalho na sua

empresa... 9,52% 76,19% 14,28% 4,54% 63,63% 31,81%

0 12 9 1 7 14

CE8 - O custo da sua

empresa... 0 57,14% 42,85% 4,54% 31,81% 63,63%

3 10 8 1 8 13

CE9 - O faturamento da

sua empresa... 14,28% 47,61% 38,09% 4,54% 36,36% 59,09% Tabela 21: Competitividade

Fonte: elaborado pela autora com base na pesquisa

5.4 ANÁLISE GERAL – OS QUESTIONÁRIOS E AS