7 ANEXOS
7.9 ANEXO I AGRAVO DE INSTRUMENTO N 4026871-63.2017.8.24.0000, DE
Agravo de Instrumento n. 4026871-63.2017.8.24.0000, de Correia Pinto Relator: Desembargador Jorge Luis Costa Beber
AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE
INVESTIGAÇÃO E RECONHECIMENTO DE
PATERNIDADE C/C ALIMENTOS. INTERLOCUTÓRIO QUE FIXOU ALIMENTOS PROVISÓRIOS EM 30% DOS
RENDIMENTOS DO AGRAVANTE. RECURSO DO
DEMANDADO.
ALIMENTOS PROVISÓRIOS QUE, EM SEDE DE AÇÃO
INVESTIGATÓRIA, DEMANDAM A PRESENÇA DE
FORTES INDÍCIOS DA PATERNIDADE. INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO BIOLÓGICO COMPROVADA POR MEIO DE EXAME DE DNA REALIZADO NO CURSO DA INSTRUÇÃO. AUSÊNCIA, ADEMAIS, DE INDÍCIOS DE PATERNIDADE SOCIOAFETIVA A ENSEJAR A SUBSISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO DE PRESTAR ALIMENTOS NESTE GRAU DE COGNIÇÃO RASA. REFORMA DA DECISÃO QUE SE IMPÕE.
RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.
Vistos, relatados e discutidos estes autos de Agravo de Instrumento n. 4026871-63.2017.8.24.0000, da comarca de Correia Pinto Vara Única em que é Agravante C. da S. e Agravado B. E. .
A Segunda Câmara de Direito Civil decidiu, por votação unânime, conhecer do recurso e dar-lhe provimento. Custas legais.
O julgamento, realizado nesta data, foi presidido pelo Exmo. Sr. Des. João Batista Goés Ulysséa, com voto, e dele participou o Exmo. Sr. Des. Luiz Felipe Shuch.
Funcionou como Representante do Ministério Público o Exmo. Sr. Dr. Tycho Brahe Fernandes.
Florianópolis, 21 de março de 2019.
Desembargador Jorge Luis Costa Beber Relator
Gabinete Desembargador Jorge Luis Costa Beber RELATÓRIO
Cuida-se de recurso de agravo de instrumento interposto por C. da S. contra a decisão que, nos autos da "ação de investigação e reconhecimento de paternidade c/c alimentos" proposta por B. E. , menor, representado por sua genitora, fixou alimentos provisórios no valor correspondente a 30% dos rendimentos do demandado.
Nas razões, narra a negativa da genitora do menor agravado de realizar o exame de DNA para a comprovação da paternidade que lhe é atribuída anteriormente à audiência de conciliação, afirmando que a conduta daquela revela "a manifesta vontade de protelar a prova de filiação" (fl. 07).
Discorre sobre suas possibilidades financeiras, ao aduzir que possui uma filha, em favor da qual já efetua o pagamento de alimentos no importe equivalente a 30% dos seus rendimentos, além de colacionar outras despesas, a fim de demonstrar sua impossibilidade de arcar com o encargo alimentar fixado na origem.
Argumenta não se escusar da responsabilidade em caso de comprovação da paternidade por meio de exame de coleta de material genético. Todavia, salienta que a fixação de alimentos deve observar o binômio necessidade/possibilidade, apontando, ainda, o risco de lesão grave e de difícil reparação em caso de manutenção da decisão agravada, haja vista o prejuízo à sua própria subsistência e a irrepetibilidade dos valores pagos.
À luz de tais considerações, formula pedido de efeito suspensivo e de justiça gratuita e, ao final, pugna pelo provimento do recurso para que seja cassada a liminar ou, subsidiariamente, seja essa suspensa até o aporte do resultado do exame de DNA ou, ainda, seja reduzida a pensão alimentícia ao patamar de 30% do salário mínimo nacional.
Gabinete Desembargador Jorge Luis Costa Beber A análise do pedido de concessão de efeito suspensivo foi postergada (fls. 85/86).
Na sequência, sem contrarrazões pela parte agravada (fls. 88/89), os autos foram disponibilizados à Douta Procuradoria-Geral de Justiça, pela qual emitiu parecer o Exmo. Sr. Dr. Tycho Brahe Fernandes, que opinou pela extinção do pedido de redução da verba alimentar, em virtude da perda do objeto, e pelo desprovimento do pedido de suspensão da decisão agravada (fls. 92/94).
No dia 21/02/2019 recebi o presente recurso por redistribução (fl. 99), oportunidade na qual deferi o pedido de antecipação da tutela recursal, diante do resultado negativo do exame de DNA realizado nos autos de origem (laudo de fls. 140/143 dos autos de origem).
Na sequência, após remessa da decisão precitada à origem, vieram- me os autos conclusos.
É o relatório do essencial. VOTO
Conheço do recurso, porquanto presentes os pressupostos que regem a admissibilidade, haja vista estar o agravante dispensado do recolhimento do preparo por força da concessão do benefício da justiça gratuita na origem (fl. 76).
O agravo investe contra a decisão que atribuiu ao agravante, originalmente, a obrigação de prestar alimentos provisórios, no valor correspondente a 30% dos seus rendimentos, em favor do agravado, menor, representado por sua genitora.
Estou provendo o recurso.
Isso porque os alimentos provisórios em sede de ação investigatória demandam a presença de fortes indícios da paternidade - o que não se verifica no caso sob análise.
Gabinete Desembargador Jorge Luis Costa Beber Os alimentos provisórios foram fixados com base na probabilidade de paternidade proveniente de mensagens trocadas pelo agravante e a genitora do autor/agravado por meio do aplicativo "WhatsApp", nas quais o agravante admite a existência de relações sexuais havidas entre si e a mãe do investigante, em período próximo ao da concepção desse.
Ocorre que, em consulta ao SAJ – Sistema de Automação do Judiciário, verifico que foi produzida na origem a prova negativa do vínculo biológico, mediante a realização de exame genético de DNA (fls. 140/143), além de não haver qualquer indício de paternidade socioafetiva a legitimar a manutenção da obrigação do agravante de prestar alimentos.
Com efeito, o dever de sustento vincula-se ao poder familiar atribuído aos genitores (art. 1.634 do Código Civil), seja a filiação biológica ou simplesmente socioafetiva.
Nesse contexto, consta da narrativa inicial: "O requerido (...) nunca
prestou qualquer tipo de assistência ao menor e a sua genitora, nem mesmo depois do nascimento", acrescentando, ainda, que "a obrigação do sustento é bilateral, mas vem sendo cumprida somente pela genitora com o auxílio dos avós maternos, haja vista que o requerido continua a se esquivar da sua obrigação de pai" (fls. 02/03 dos autos de origem).
Outrossim, desde a primeira oportunidade de manifestação nos autos o agravante refuta a paternidade que lhe é atribuída, sem recusa em se submeter ao teste de paternidade por exame de DNA.
Ato continuo, após procedida a coleta do material genético, sobreveio o laudo pericial (fls. 140/143) que atestou: "em conclusão, pode-se
afirmar que C.DA S., NÃO é o pai biológico de B. E., considerando A. S. E. como a mãe biológica".
Destarte, nesta análise de cognição não exauriente, verifico que os elementos coligidos aos autos evidenciam, a um só tempo, a inexistência de
Gabinete Desembargador Jorge Luis Costa Beber paternidade biológica e, também, a ausência de constituição de filiação socioafetiva, comumente marcada por uma relação construída no âmbito da convivência familiar, razão pela qual as razões que autorizaram a presunção de paternidade, viabilizando a fixação de alimentos provisórios, não mais subsistem. Nesse sentido, mudando o que deve ser mudado, colhe-se da jurisprudência:
"AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO
DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE. FIXAÇÃO
DE ALIMENTOS PROVISÓRIOS. Possível a fixação
de alimentos provisórios em ação de investigação de paternidade, desde que presentes elementos razoáveis que permitam concluir-se pela presunção de paternidade, o que não se verifica na hipótese dos autos."
Ademais, a frustração da realização da prova pericial do DNA, no caso concreto, não conduz a um juízo negativo acerca do comportamento processual do investigado. AGRAVO DE INSTRUMENTO PROVIDO." (TJRS, Agravo de Instrumento n. 70005677331, Segunda Câmara Especial Cível, rel.ª Des.ª Ana Beatriz Iser, j. 24/04/2003, grifos meus).
Some-se, por derradeiro:
"AGRAVO DE INSTRUMENTO - EXECUÇÃO DE ALIMENTOS - EXAME DE DNA - PATERNIDADE AFASTADA - SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO ATÉ O TÉRMINO DA AÇÃO NEGATIVA DE PATERNIDADE - POSSIBILIDADE.
- Diante de uma prova tecnológica e cientificamente avançada como
o exame de DNA e, ainda, não havendo, nos autos, elementos suficientes para contradizer o resultado por ele alcançado, deve-se suspender a execução até que se finde a ação negativa de paternidade, ante a possibilidade de se causar lesão grave ou de difícil reparação ao requerente." (TJMG, Agravo de Instrumento-Cv 1.0024.12.220680-8/001, rel.
Des. Dárcio Lopardi Mendes , 4ª CÂMARA CÍVEL, j. 12/09/2013, grifos meus).
Destarte, diante do atual cenário probatório, conheço do recurso e dou-lhe provimento para revogar os alimentos provisórios fixados na origem.
7.10 ANEXO J - APELAÇÃO CÍVEL N. 0051262-24.2006.8.24.0005, DE BALNEÁRIO