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APOSENTADORIA ESPECIAL

No documento DIREITO PREVIDENCIÁRIO (páginas 35-41)

2.2 APOSENTADORIA PROGRAMADA

2.3.2 APOSENTADORIA ESPECIAL

De acordo com o inciso I do § 1º do art. 19 da Emenda Constitucional nº 103/2019, até que lei complementar disponha sobre a redução de idade mínima ou tempo de contribuição prevista no § 1º do art. 201 da Constituição Federal, será concedida aposentadoria aos segurados que comprovem o exercício de atividades com efetiva exposição a agentes químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou associação desses agentes, vedada a caracterização por categoria profissional ou ocupação, durante, no mínimo, 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, nos termos do disposto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, quando cumpridos:

a) 55 (cinquenta e cinco) anos de idade, quando se tratar de atividade especial de 15 (quinze) anos de contribuição;

b) 58 (cinquenta e oito) anos de idade, quando se tratar de atividade especial de 20 (vinte) anos de contribuição; ou

c) 60 (sessenta) anos de idade, quando se tratar de atividade especial de 25 (vinte e cinco) anos de contribuição.

Perceba que, diferentemente das demais aposentadorias, no caso da aposentadoria especial, não há distinção entre homens e mulheres no que diz respeito às idades mínimas e aos tempos mínimos de contribuição. Haverá distinção entre homens e mulheres apenas em relação ao cálculo da renda mensal inicial, que será estudado mais adiante.

Para saber em qual idade mínima e em qual tempo mínimo de contribuição o segurado enquadra-se, é necessário que saibamos quais os tipos de agentes químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde o segurado está exposto. A relação desses agentes prejudiciais à saúde consta do anexo IV do Regulamento da Previdência Social (RPS). Os agentes nocivos não arrolados no anexo IV do RPS não serão considerados para fins de concessão da aposentadoria especial.

Fato gerador da aposentadoria especial

Forma de exercício das atividades Tempo de

contribuição Idade mínima Com efetiva exposição a agentes químicos, físicos e biológicos

prejudiciais à saúde, ou associação desses agentes, vedada a caracterização por categoria profissional ou ocupação, durante, no mínimo, 15, 20 ou 25 anos.

15 anos 55 anos

20 anos 58 anos

25 anos 60 anos

A concessão da aposentadoria especial dependerá, além da idade mínima, da comprovação, durante o período mínimo de quinze, vinte ou vinte e cinco anos, conforme o caso:

I - do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente; e

1º-A, I). Considera-se neutralização a adoção de medidas de controle que reduzam a intensidade, a concentração ou a dose do agente prejudicial à saúde ao limite de tolerância previsto neste Regulamento ou, na sua ausência, na legislação trabalhista (RPS, art. 64, § 1º-A, I).

A exposição aos agentes químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou a associação desses agentes, deverá superar os limites de tolerância estabelecidos segundo critérios quantitativos ou estar caracterizada de acordo com os critérios da avaliação qualitativa (RPS, art. 64, § 2º). A avaliação qualitativa de riscos e agentes prejudiciais à saúde será comprovada mediante descrição:

I - das circunstâncias de exposição ocupacional a determinado agente ou associação de agentes prejudiciais à saúde presentes no ambiente de trabalho durante toda a jornada de trabalho;

II - de todas as fontes e possibilidades de liberação dos agentes mencionados no item anterior; e III - dos meios de contato ou exposição dos trabalhadores, as vias de absorção, a intensidade da exposição, a frequência e a duração do contato.

Considera-se tempo de trabalho permanente aquele que é exercido de forma não ocasional nem intermitente, no qual a exposição do empregado, do trabalhador avulso ou do cooperado ao agente nocivo seja indissociável da produção do bem ou da prestação do serviço (RPS, art. 65).

O termo intermitente significa algo que para e recomeça (sofre interrupções). O que não sofre interrupções é ininterrupto. O que sofre várias interrupções é intermitente.

Para o segurado ter direito à aposentadoria especial, a exposição aos referidos agentes nocivos, além de ocorrer de forma não ocasional, também deve ocorrer de forma não intermitente.

Entende-se por não ocasional nem intermitente a jornada de trabalho na qual não houve interrupção ou suspensão do exercício de atividades com exposição aos agentes nocivos, ou seja, não foi exercida de forma alternada, atividade comum e especial.

Vale frisar, porém, que também são considerados períodos de trabalho sob condições especiais, para fins de concessão de aposentadoria especial, os períodos de descanso determinados pela legislação trabalhista, inclusive férias, e os de percepção de salário-maternidade, desde que, à data do afastamento, o segurado estivesse exposto aos fatores de risco (RPS, art. 65, parágrafo único).

O segurado deverá comprovar, além do tempo de trabalho, a efetiva exposição aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde, pelo período equivalente ao exigido para a concessão do benefício. Assim, o fato de pertencer a certa categoria profissional não é suficiente para definir o direito à aposentadoria especial. Cada segurado deve comprovar a efetiva exposição aos agentes nocivos.

2.3.2.1 Comprovação da exposição

A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes prejudiciais à saúde será feita por meio de documento, em meio físico ou eletrônico, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho (RPS, art. 68, § 3º). A cooperativa de trabalho e a empresa contratada para prestar serviços mediante cessão ou empreitada de mão de obra elaborarão o referido formulário com base nos laudos técnicos de condições ambientais de trabalho emitidos

No referido laudo técnico, deverão constar informações sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual, e de sua eficácia, e deverá ser elaborado com observância das normas editadas pelo Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia e dos procedimentos estabelecidos pelo INSS. A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho prejudiciais à saúde de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita às penalidades previstas na legislação.

O INSS estabelecerá os procedimentos para fins de concessão de aposentadoria especial, podendo, se necessário, confirmar as informações contidas no mencionado laudo técnico.

A empresa deverá elaborar e manter atualizado o perfil profissiográfico previdenciário, ou o documento eletrônico que venha a substituí-lo, no qual deverão ser contempladas as atividades desenvolvidas durante o período laboral, garantido ao trabalhador o acesso às informações nele contidas, sob pena de sujeição às sanções previstas na Legislação (RPS, art. 68, § 8º). Considera-se perfil profissiográfico previdenciário o documento que contenha o histórico laboral do trabalhador, elaborado de acordo com o modelo instituído pelo INSS (RPS, art. 68, § 9º). O trabalhador ou o seu preposto terá acesso às informações prestadas pela empresa sobre o seu perfil profissiográfico previdenciário e poderá, inclusive, solicitar a retificação de informações que estejam em desacordo com a realidade do ambiente de trabalho, conforme orientação estabelecida em ato do Ministro de Estado da Economia.

Nas avaliações ambientais, deverão ser considerados, além do disposto no Anexo IV do RPS, a metodologia e os procedimentos de avaliação estabelecidos pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho – FUNDACENTRO (RPS, art. 68, § 12).

2.3.2.2 Agentes prejudiciais à saúde

São consideradas condições especiais que prejudicam a saúde, a exposição a agentes nocivos químicos, físicos ou biológicos ou à associação desses agentes, em concentração ou intensidade e tempo de exposição que ultrapasse os limites de tolerância ou que, dependendo do agente, torne a simples exposição em condição especial prejudicial à saúde. A relação desses agentes nocivos consta do anexo IV do Regulamento da Previdência Social (RPS). Os agentes nocivos não arrolados no anexo IV do RPS não serão considerados para fins de concessão da aposentadoria especial.

Se você analisar o anexo IV do Regulamento da Previdência Social, verá que, na maioria dos casos relacionados, a aposentadoria especial ocorre aos 25 anos de exposição aos agentes nocivos. O direito à concessão de aposentadoria especial aos 15 e aos 20 anos aplica-se somente às seguintes situações:

I - quinze anos: trabalhos em mineração subterrânea, em frentes de produção, com exposição à associação de agentes físicos, químicos ou biológicos;

2.3.2.3 Conversão de tempo especial em tempo comum

De acordo com o § 2º do art. 25 da Emenda Constitucional nº 103/2019, será reconhecida a conversão de tempo especial em comum, na forma prevista na Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, ao segurado do Regime Geral de Previdência Social que comprovar tempo de efetivo exercício de atividade sujeita a condições especiais que efetivamente prejudiquem a saúde, cumprido até a data de entrada em vigor desta Emenda Constitucional, vedada a conversão para o tempo cumprido após esta data.

A Emenda Constitucional nº 103/2019 entrou em vigor no dia 13 de novembro de 2019. Assim, para o exercício de atividade após essa data, não será permitida a conversão de tempo especial em tempo comum. Mas para o período trabalhado até o dia 13 de novembro de 2019, essa conversão é possível e dar-se-á de acordo com a seguinte tabela:

Tempo a converter Multiplicadores

Mulher (para 30) Homem (para 35)

De 15 anos 2,00 2,33

De 20 anos 1,50 1,75

De 25 anos 1,20 1,40

Como se pode ver, os fatores de conversão são diferentes quando se trata de homem ou de mulher.

Isso ocorre porque a conversão aqui vista dá-se para fins de concessão de aposentadoria por tempo de contribuição, benefício este que exige 35 anos de contribuição, se homem, e 30 anos de contribuição, se mulher. Esta é a razão para que o fator de conversão do homem seja maior.

A caracterização e a comprovação do tempo de atividade sob condições especiais obedecerão ao disposto na legislação em vigor na época da prestação do serviço (RPS, art. 70, §1º).

Para fins de contagem recíproca de tempo de contribuição entre regimes previdenciários, é vedada a conversão de tempo de atividade sob condições especiais em tempo de atividade comum (Lei 8.213/91, art. 96, I).

2.3.2.4 Impossibilidade de conversão de tempo comum para especial

Não é possível converter-se tempo de atividade comum para especial. Se a intenção do segurado for requerer aposentadoria especial, será necessário que todo o tempo de atividade seja especial. Para a concessão de aposentadoria especial é imprescindível o exercício de trabalho sujeito a condições especiais durante todo o tempo a ser considerado.

2.3.2.5 Beneficiários

São beneficiários da aposentadoria especial:

a) segurado empregado;

b) trabalhador avulso; e

2.3.2.6 Carência

A carência exigida para a concessão da aposentadoria especial é de 180 contribuições mensais (RPS, art. 29, II).

2.3.2.7 Renda mensal inicial

De acordo com a Emenda Constitucional nº 103/2019, art. 26, § 2º, IV c/c § 5º, o cálculo da renda mensal inicial da aposentadoria especial obedecerá às seguintes regras:

Tempo de

contribuição Idade mínima

Renda mensal inicial da aposentadoria especial

Para homem Para mulher 15 anos 55 anos 60% do salário de benefício com acréscimo de

2% para cada ano de contribuição que exceder o tempo de 15 anos de contribuição.

20 anos 58 anos 60% do salário de

benefício com acréscimo de 2% para cada ano

de contribuição que exceder o tempo de 20

anos de contribuição.

60% do salário de benefício com acréscimo

de 2% para cada ano de contribuição que exceder o tempo de 15

anos de contribuição.

25 anos 60 anos

O art. 26 da Emenda Constitucional nº 103/2019 não limita a renda mensal inicial desta aposentadoria a 100% do salário de benefício.

2.3.2.8 Aposentado que permanece em atividade ou que a ela retorna

O segurado em gozo de aposentadoria especial que retornar à atividade ou operações que o sujeitem aos agentes nocivos, ou nela permanecer, na mesma ou em outra empresa, qualquer que seja a forma de prestação do serviço, ou categoria de segurado, terá sua aposentadoria automaticamente cessada, a partir da data do retorno à atividade (Lei 8.213/91, art. 57, § 8º c/c art. 46).

Naturalmente, se retornar ao trabalho em atividade comum, isto é, sem a exposição habitual e contínua a agentes nocivos, não sofrerá nenhuma sanção. Nessa hipótese, o retorno à atividade não prejudica o recebimento de sua aposentadoria, que será mantida no seu valor integral. Retornando à atividade, o aposentado será obrigado a contribuir para a previdência. A contribuição incidirá sobre a remuneração que ele receber em decorrência do seu trabalho, e não sobre os proventos da aposentadoria.

2.3.2.9 Data de início do benefício A aposentadoria especial será devida:

I - Para o segurado empregado:

a) A partir da data do desligamento do emprego, quando requerido no prazo de 90 dias, contados da data do desligamento; ou

b) A partir da data do requerimento, quando não houver desligamento do emprego ou quando for requerida depois de 90 dias, contados da data do desligamento;

II - Para o trabalhador avulso e o contribuinte individual, este último somente quando cooperado filiado a cooperativa de trabalho ou de produção: a partir da data da entrada do requerimento.

Atente-se, entretanto, para o fato de que o segurado em gozo de aposentadoria especial não pode permanecer em atividade sujeita a condições que prejudiquem a sua saúde ou a sua integridade física, sob pena de cessação do benefício. Ou seja, não pode exercer atividade que o exponha aos agentes nocivos previstos no anexo IV do RPS. Mas pode continuar trabalhando, inclusive na mesma empresa, desde que não esteja exposto a esses agentes nocivos.

2.3.2.10 Cessação do benefício

De acordo com o art. 181-B do Regulamento da Previdência Social (RPS), a aposentadoria especial é irreversível e irrenunciável. Assim, em regra, só cessará com a morte do segurado.

Todavia, de acordo com o parágrafo único do art. 69 do RPS, o segurado que retornar ao exercício de atividade ou operação que o sujeite aos riscos e agentes nocivos constantes do Anexo IV do RPS, ou nele permanecer, na mesma ou em outra empresa, qualquer que seja a forma de prestação do serviço ou categoria de segurado, será imediatamente notificado da cessação do pagamento de sua aposentadoria especial, no prazo de sessenta dias contado da data de emissão da notificação, salvo comprovação, nesse prazo, de que o exercício dessa atividade ou operação foi encerrado.

Quadro resumo – Aposentadoria especial

Fato gerador Exercício de atividades com efetiva exposição a agentes químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou associação desses agentes, vedada a caracterização por categoria profissional ou ocupação, durante, no mínimo, 15, 20 ou 25 anos, quando cumpridos:

a) 55 anos de idade, quando se tratar de atividade especial de 15 anos de contribuição;

b) 58 anos de idade, quando se tratar de atividade especial de 20 anos de contribuição; ou

c) 60 anos de idade, quando se tratar de atividade especial de 25 anos de contribuição.

Beneficiários Segurados empregados e trabalhador avulso;

O cooperado, filiado a cooperativa de trabalho ou de produção, embora seja contribuinte individual, também tem direito ao benefício.

Carência 180 contribuições mensais.

Renda mensal inicial a) Para homem: 60% do salário de benefício com acréscimo de 2% para cada ano de contribuição que exceder o tempo de 20 anos de contribuição.

b) Para mulher: 60% do salário de benefício com acréscimo de 2% para cada ano de contribuição que exceder o tempo de 15 anos de contribuição.

Data do início do benefício I – Para o segurado empregado: a) a partir da data do desligamento do emprego, quando requerido no prazo de 90 dias, contados da data do desligamento; ou b) a partir da data do requerimento, quando não houver desligamento do emprego ou quando for requerido depois de 90 dias, contados da data do desligamento.

II – Para o trabalhador avulso e o cooperado filiado a cooperativa de trabalho ou de produção: a partir da data do requerimento.

Cessação do benefício Em regra, com a morte do segurado, mas também cessará se o segurado retornar à atividade que o sujeite aos agentes nocivos, que prejudiquem sua saúde ou integridade física.

No documento DIREITO PREVIDENCIÁRIO (páginas 35-41)