149 33,2%, e, neste mesmo período, a exportação com os Estados Unidos
IV. A APRA: o debate entre Mariátegui e Haya de La Torre
Nos anos 20, a América vivia um impacto político e intelectual da Re- volução Mexicana (1910) e da Revolução Russa (1917). A América espe- rava pelo seu “Lênin”, o homem que pudesse dar o pontapé inicial de mudança que tanto nossos países esperavam.
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O imperialismo econômico e os governos ditatoriais geraram o senti- mento de mudança e luta anti-yanqui. Na Nicarágua, Augusto César Sandino lutava heroicamente contra o poderio militar e a oligarquia nica- ragüense aliada do capital estadunidense, que explorava violentamente este país. Começava a nascer uma geração na América Latina que iria travar um debate intelectual se pronunciando contra o imperialismo.
O Peru havia se destacado pela geração de José Carlos Mariátegui e Victor Raúl Haya de La Torre. Até então, um jovem dirigente estudantil que se contrapunha ao governo de Augusto B. Leguia, ele percorreu vá- rios países da América dando conferências e organizando chamadas po- pulares nas universidades promovidas pelos estudantes operários. No Peru, havia sido fundada a Universidade Popular González Prada; no México foi criada a Universidade Popular José Marti.
Em 7 de maio de 1924, no México, Haya de La Torre entregava, em um gesto simbólico, a bandeira da Indo-América (um mapa dourado de toda a América Latina com fundo vermelho1) à Federação dos Estudantes
Mexicanos; e assim se fundava a Aliança Popular Revolucionária America- na (APRA).
Apesar de ter nascido no México, com inspiração de fazer uma frente político-continental antiimperialista, a sua proposta era de desenvolver uma frente semelhante à Internacional Comunista, na América.
A APRA se estrutura como partido político no Peru, Equador, Venezuela, República Dominicana, Costa Rica e em Cuba. Os cinco pontos fundamen- tais da APRA como frente revolucionária são: (1) ação contra o imperialis- mo yanqui; (2) luta pela unidade política da América Latina; (3) luta pela nacionalização das terras e indústrias; (4) luta pela internacionalização do Canal do Panamá; (5) solidariedade com todos os povos oprimidos do mundo.
A Indo-América, nesta ordem mundial, pode e deve ter individua- lidade e estilo; mas não uma cultura nem um destino particulares. Há cem anos devemos nossa independência como nações ao rit- mo da historia ocidental, que desde a colonização nos impôs inexoravelmente seu ritmo. Liberdade, democracia, parlamento, soberania do povo, todas as grandes palavras pronunciadas por nossos homens de então procediam do repertorio europeu. A his- tória, porém, não mede a grandeza desses homens pela origina- lidade de suas idéias, mas pela eficácia e gênio com que as servi- ram. E os povos que são vanguarda no continente são aqueles em que elas se enraizaram melhor e de forma mais rápida. No entan- to, a interdependência, a solidariedade dos povos e dos continen- tes eram naquele tempo muitos menores do que neste. O socia- lismo, enfim, está na tradição americana. A mais avançada orga- nização comunista primitiva registrada pela história é a incaica. (LOWY, 1999, p. 113)
1 Fonte oficial do Partido Aprista: <www.apra.org.pe>.
ANTÍTESE N.6 - NOVEMBRO 2008
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Nos anos 20 e início dos 30, inicia-se a influência da APRA em termos do pensamento político na América Latina. A APRA se diferencia da III In- ternacional Comunista e propõe uma frente única contra o imperialismo, motivando as massas a tomarem consciência política de sua tarefa.
O desenvolvimento dá-se num contexto mundial de fim da Primeira Guerra Mundial e do desencadeamento da “Revolução de Outubro”, que repercutiu no surgimento de movimentos antiimperialistas e leninistas em todo o globo. Na América não foi diferente.
No Peru, o aprismo foi decisivo, suas manifestações estiveram pre- sentes em todos os movimentos e revoltas que este país presenciou. Haya de La Torre conseguiu unir diversas partes de movimentos que re- presentassem os interesses do proletariado peruano, além de conseguir aglutinar grande parte dos intelectuais como Jose Carlos Mariátegui.
A APRA exerceu papel fundamental de desenvolvimento do marxismo na América, conseguindo passar de um movimento de massas para par- tido político no Peru, alcançando sucessivas vitórias eleitorais ou de alia- dos para Presidência nos anos de 1931, 1936, 1941 e 1962.
Portanto, na América Latina coube a Mariátegui recriar um novo mar- xismo de oposição à corrente populista e de influência dos comunistas e da III Internacional.
Segundo Alberto Flores Galindo, o que diferenciava o aprismo do co- munismo ortodoxo, para Mariátegui, era que o socialismo constituía uma questão de ordem do dia, um caminho para a superação do atraso.
As divergências entre o líder aprista e Mariátegui começaram quando o amauta afirmou que Haya havia incorporado a prática dos velhos ele- mentos do caudilhismo. Ele respondeu a esta caracterização afirmando que isto se dava devido à incapacidade política do amauta e da sua falta de coragem.
Galindo afirma em seu livro La agonia de Mariátegui que o aprismo havia-se liquidado no momento em que passou a ser o Partido Nacional Libertador, convertendo-se em uma corrente de opinião a um partido político, sem nenhuma consulta e muito menos uma discussão que pu- desse questionar se esta mudança era viável ou não para a frente antiimperialista. A APRA abandonava, assim, o caráter principal de suas causas e lutas como frente revolucionária latino-americana.
O aprismo terminou comparado ao fascismo, se tornando uma ideo- logia social fascista, declara Mariátegui em seus escritos sobre o desen- volvimento da Revolução Mexicana (1929), caracterizando que havia re- pousado o “Estado fascista” em seu país sob o comando de Haya de La Torre.
As polêmicas discussões entre Haya e Mariátegui ocorriam dentro do rico debate intelectual que se produziu nos anos 20 no Peru; a diferença do pensamento dos dois se dava no processo de separação entre o na-