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4. P ROJETO

4.1. Apresentação, objetivos e enquadramento do projeto

Tendo em conta a importância da cultura e da moda na sociedade, este projeto visa reunir estas duas áreas, porque enquanto a cultura é sólida e faz parte de uma história e de um espaço, a moda é criadora, inovadora, capaz de críticas, elogios mas também capaz de introduzir “mudança”.

Consiste o projeto a que nos propusemos na realização de um programa para televisão, que reúne convidados: da área das Artes, o artista plástico Marco Fagundes; da área da Moda os Estilistas Patrícia Pinto e André Correia; da área da história e cultura, o Professor Paulo Miguel Fagundes de Freitas Rodrigues, a Professora Ana Margarida Falcão e a Dra. Helena Araújo, Diretora do Museu Vicentes; da área de televisão e representação, o Ator e Realizador António Plácido. Este debate será apresentado e moderado por mim.

O evento terá lugar no Centro das Artes – Casa das Mudas, um espaço cultural que pode acolher não só exposições como encontros desta natureza.

Foi pedido aos convidados das artes plásticas e da moda que, livremente, criassem algo relacionado com o tema desta Dissertação: “Cultura e outros tecidos: contributo para

o estudo sobre a evolução do vestuário e a moda na Madeira, no período entre guerras,

1918-1939”. Apenas teriam de respeitar a baliza do tempo: 1918-1939.

Para além da exposição dos trabalhos destes convidados, promovemos junto da Dra. Helena Araújo, Diretora do Museu Vicentes a exposição de algumas peças de vestuário deste museu, assim como algumas fotos do seu acervo, que ilustratem a sociedade funchalense, do mesmo período.

Este evento contará com a cobertura da RTP Madeira, mais concretamente do Programa Passeio Público, um programa que tem uma forte componente social e de moda, que tenta sempre acompanhar o que, na Região, é mais recente e inovador.

O evento terá lugar numa das salas do Centro das Artes - Casa das Mudas, como pode ver-se nas fotografias que se seguem por considerarmos este espaço o ambiente perfeito para a realização de um programa de debate televisivo como o que se pretende neste projeto.

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Fig. 25 - Sala de exposições do Centro das Artes Casa das Mudas, onde pretendemos realizar este evento.

Fig. 26 - Outra perspetiva da sala do Centro das Artes Casa das Mudas, onde pretendemos realizar este evento.

Esta sala estará dividida em três cenários distintos, para os quais contamos com a colaboração de alguns comerciantes do Funchal. A loja Intemporâneo decorará, a um lado, uma sala de estar; noutra área haverá um cenário criado para a televisão e também para as conversas; num outro estarão em exposição as peças criadas pelos estilistas e pelo artista plástico; as fotos, bem como as peças do Museu Vicentes, serão colocadas num outro recanto da sala.

Por fim, as entrevistas, as conversas e a gravação para o programa, têm como objetivo, trocar ideias com os convidados sobre as criações que suscitámos e sobre as suas opiniões relacionadas com a moda no Funchal. Pretende-se nesta conversa “cruzar” as diferentes áreas de saber dos intervenientes. Isto leva-nos ao objetivo principal do evento que é o debate ou conversa entre os convidados e o público participante simplesmente curioso do tema, ou com formação em diferentes áreas, nomeadamente, da arte, da moda e da cultura, as três áreas consideradas “veículos” de informação, de cultura e de saber.

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A evolução de uma sociedade e o conhecimento de uma cultura podem ser estudados tanto através da arte como da moda. É o exemplo da arte da segunda metade do século XX, que era “plural, indistinta e instável (…) Refém de um campo social, cultural e institucional, mas também um campo económico aparentemente cada vez mais específico, difundiu-se, mediatizou-se e democratizou-se como nunca”, como nos diz Jean-Louis Pradel em A Arte Contemporânea371. Se, por um lado, a arte e até a moda podem apresentar novas ideias ou diferentes perspetivas do mundo, bem como acompanhar o crescimento de uma sociedade e até mesmo “criticar” o que está mal, também podem ser “prisioneiros” de um sistema social, cultural ou institucional. No que diz respeito ao público-alvo, segundo António Pinto Ribeiro, devemos utilizar com prudência o termo “público” “(…) para designar os destinatários de uma programação, de modo a não os reduzirmos a meros consumidores – Tentação fácil –, e devemos esperar dele a disponibilidade para a recepção de obras desconhecidas”372. Este autor é, ainda, da opinião que os destinatários deverão “elevar-se” na sua condição de espetadores e não a uma mera satisfação de consumidores. Este evento é, então, dirigido não só ao público ligado à moda e às artes plásticas como também a curiosos e estudantes da área da cultura.

Pretende-se realizar um evento aberto ao público, ligado a todas estas diferentes áreas, que tenha uma vertente cultural, não esquecendo que uma “programação é uma opção, porque tem subjacente uma visão do mundo, uma visão de um grupo que auto- representa os outros”, sendo assim, “um instrumento de prazer estético (…), um espaço de possível transformação social e educativa, porque permite aos intervenientes (artistas, espectadores, produtores) potencializarem a sua visão do mundo”. Podemos dizer que o principal objetivo deste evento é realizar no Centro das Artes – Casa das Mudas, um encontro simultaneamente instrutivo e criativo, no qual seja possível a todos os participantes “potencializarem a sua visão do mundo” e conhecerem melhor aquela que foi a realidade madeirense no período entre guerras.

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