A cidade de Amoreiras está localizada a aproximadamente 70 quilômetros da capital do
estado do Rio de Janeiro, na Baixada Fluminense. Em 2017, havia 43 escolas que atendiam o total de
dezoito mil estudantes, segundo dados fornecidos pelo Departamento de Estatística da Secretaria
Municipal de Educação. Dessas escolas, 26 ofereciam dos anos iniciais aos anos finais do Ensino
Fundamental (1º ao 9º ano). Nem todas contavam com a atuação de orientadores educacionais por
terem menos de trezentos alunos (número usado como base para a lotação do orientador educacional
na unidade) ou pelo município não dispor de profissionais suficientes para cobrir a demanda.
Em Amoreiras, o cargo de orientador educacional era, essencialmente, preenchido via
concurso público por pessoas licenciadas em Pedagogia e com habilitação ou especialização em
Orientação Educacional. Do total de escolas que atendiam dos anos iniciais aos anos finais, 17
contavam com a atuação destes profissionais que tinham geralmente uma jornada de trabalho no
município de 20 horas semanais. Dessas escolas, 16 participaram desta pesquisa, onde foram
realizadas entrevistas em profundidade com 17 orientadores educacionais, todos formadas em
Pedagogia.
Destes 17 entrevistados, apenas uma profissional não havia prestado concurso para
o cargo específico de orientadora. A primeira a ser apresentada era uma professora que havia
solicitado à Direção da sua escola ocupar o cargo por ter afinidade e gostar de atuar fora de
sala. Essa professora, de codinome Maria Lúcia7, era divorciada, morava com a filha, o genro
e dois netos em uma cidade da Costa Verde do Rio de Janeiro. Trabalhava em Amoreiras há 16
anos, dos quais os últimos quatro foram de atuação na Escola 08. Maria Lúcia esperava entrar
em licença em dezembro do mesmo ano em que a entrevistei, 2017, para aposentar-se logo em
seguida. Ela estava havia 12 anos em desvio de função, atuando como orientadora educacional.
Seu cargo de origem era o de professora dos anos iniciais.
Maria Lúcia também trabalhava em outro município, onde exercia a função de
diretora adjunta e também já estava prestes a se aposentar. Formada em Pedagogia por uma
faculdade particular em 1990, concluiu em 2012 uma pós-graduação lato senso em gestão
pedagógica, orientação e supervisão, também por uma faculdade particular.
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Como apontado anteriormente, todos os nomes apresentados ao longo da tese estudo foram substituídos por
nomes fictícios na tentativa de garantir o anonimato das pessoas referenciadas nas entrevistas e documentos, bem
como dos profissionais que contribuíram com este estudo através das entrevistas em profundidade.
Ela declarava ter sentido afinidade com o trabalho pedagógico relacionado à área
da gestão nas escolas, motivo pelo qual solicitou atuar como orientadora educacional no
município. Segundo a orientadora, a Escola 08 foi o melhor local em que ela já havia trabalhado
na rede e acreditava que a equipe diretiva realizava um bom trabalho junto à comunidade
escolar.
Não era, contudo, a leitura que Esmeralda fazia de Escola 13, local onde trabalhava
como orientadora educacional havia quase um ano e enfrentava problemas com a Direção. Ela
tinha, na época, 40 anos, mãe, solteira, e havia concluído o curso de Pedagogia em uma
universidade federal em 2011. Seu ingresso na Prefeitura Municipal de Amoreiras se deu logo
após sua formatura, em 2012.
Na Pedagogia, sua primeira opção foi pela gestão. Dentre as áreas possíveis, optou
pela Orientação Educacional, por ser próximo ao campo da Psicologia e pela proximidade com
os alunos. Já atuando como orientadora, optou por fazer uma pós-graduação em Psicopedagogia
em uma universidade privada por avaliar que ajudaria a melhorar as intervenções e aprimorar
seu olhar sobre as questões dos estudantes na escola.
Entretanto, desde que chegou ao município, Esmeralda teve alguns contratempos.
Ela passou por quatro escolas diferentes, inclusive tendo sua matrícula, em uma destas escolas,
sendo colocada “à disposição” – termo utilizado para caracterizar a situação em que o servidor
é dispensado pela Direção da unidade para que a Secretaria de Educação providencie uma nova
lotação. Dentre as escolas em que teria vaga, Esmeralda escolheu a Escola 13, utilizando como
critérios a proximidade do centro da cidade e o fato de que já havia trabalhado com a equipe
pedagógica da unidade. Apesar da sua escolha, a orientadora ainda não gozava de uma situação
confortável; afinal, demonstrava descontentamento com a gestão da escola e detinha poucas
informações sobre os alunos, que, em geral, eram também acompanhados pela diretora que,
antes de assumir a gestão, atuara como orientadora educacional em desvio de função.
Na escola 9, quem trabalhava como orientadora era Nadir. Diferentemente de
Esmeralda, ela estava na mesma escola havia 17 anos. Nadir tinha 64 anos, era casada, nascida
e residente em uma cidade vizinha a Amoreiras. Formada em Pedagogia por uma faculdade
particular desde 1982, atuou como professora de curso de Formação de Professores em nível
médio em uma escola estadual no mesmo município que morava. Nesta mesma escola, foi
coordenadora pedagógica e depois assumiu a Direção por 10 anos (de 2005 a 2015), período
em que teve a oportunidade de realizar, em 2008 e de forma semipresencial, uma pós-graduação
em Gestão de Escolas Públicas em uma universidade federal.
Nadir já havia se aposentado nessa escola em que tinha atuado como diretora e
acumulava experiência em cargos de gestão. Ingressou na rede Municipal de Amoreiras em
2000 como orientadora educacional via concurso público. Ela contava que na época ficou
surpresa por nunca ter ouvido falar de um concurso específico para este cargo, embora tivesse
optado por especializar-se em orientação educacional ainda durante sua graduação por
agradar-lhe a ideia de lidar com pessoas. Ao ingressar na rede, escoagradar-lheu a Escola 9 por saber que estava
localizada no centro da cidade e dela não havia saído desde então.
A orientadora da Escola 24 também ingressou no município no mesmo período que
Nadir. Mas Dália, no entanto, acumulou experiências por outros espaços de gestão. Ela era
casada, tinha 67 anos, moradora de um bairro de classe média na cidade do Rio de Janeiro há
40 anos. Formada em Pedagogia por uma faculdade particular, tinha se especializado por esta
mesma instituição em Orientação Educacional durante a década de 70. Concluiu duas
pós-graduações também por outra instituição particular, uma em Psicologia Escolar e outra em
Dinâmica em Grupo. Terceira filha de 8 irmãos, teve uma origem humilde, porém a família
ascendeu por meio da educação. Considera-se uma leitora voraz, e atribui seu amor aos livros
ao pai. Funcionária aposentada de uma empresa Estatal, trabalhou no setor de RH durante 21
anos. Por causa das demandas da maternidade, optou por aposentar-se no emprego anterior e
permaneceu em casa por três anos, que foi quando prestou concurso em 1998 para Amoreiras
para o cargo de Orientação Educacional.
Quando entrou no município, trabalhou inicialmente em rodízio atendendo 11
escolas. Em 2000, foi lotada em uma única escola, em um bairro afastado onde recorda ter feito
uma revolução. Durante os anos de 2001, passou a compor a equipe diretiva lotada na Secretaria
Municipal de Educação e Cultura para trabalhar com a implementação dos Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCN), onde permaneceu até 2005. De 2005 a 2012 ficou na
coordenação da Orientação Educacional no município, quando optou por iniciar o trabalho
como orientadora educacional na Escola 24. Atuava na escola fazia cerca de 3 anos
dividindo-se entre os anos finais e os anos iniciais.
A escolha pela Orientação Educacional aconteceu ainda durante a graduação e
Dália sinalizava que a motivação inicial foi o desafio, mas que depois se tornou uma escolha
feita de forma sentimental, pois se afeiçoara realmente à profissão.
Outra orientadora que, assim como Dália, acumulava experiência atuando na equipe
diretiva da Secretaria de Educação, era Jaqueline. Com 50 anos, casada, duas filhas, moradora
da Zona Oeste do Rio de Janeiro há 15 anos, atuava como orientadora educacional no município
desde os anos 2000, embora estivesse na Escola 12 há 4 anos e meio. Formada em Pedagogia
desde 1997, na época se graduou com habilitações em Supervisão Escolar, Orientação
Educacional, Magistério e Coordenação Pedagógica. Além do trabalho como orientadora,
possuía uma matrícula de professora no estado do Rio de Janeiro e, por gostar de desenvolver
projetos, ocupava o cargo de coordenação em uma escola do estado há mais de duas décadas.
Quando Jaqueline ingressou na rede, primeiramente atuou em quatro creches, sendo
depois convidada para compor o programa de implementação dos PCNs junto com Dália.
Durante os anos de 2002 a 2005, atuou na formação de professores no município lotada na
secretaria de educação, época em que concluiu duas pós-graduações, em Psicopedagogia e em
Supervisão Educacional, ambas cursadas em uma faculdade particular.
Após esse período, atuou como orientadora por oito anos em uma mesma escola até
ser chamada para compor uma equipe multidisciplinar para atuar na assessoria pedagógica às
creches do município.
Jaqueline conta que optou por atuar com Orientação Educacional por considerar
que esta área era mais próxima de Psicologia, assim como declarou a orientadora Esmeralda.
Jaqueline tinha um desejo não realizado de cursar uma faculdade de Psicologia por acreditar
que possuía uma boa escuta da fala das pessoas. Ela dizia que havia “se encontrado” na
Orientação Educacional, ao ver nesta função uma oportunidade de escuta e acolhimento das
pessoas.
Outro orientador que demonstrava estar satisfeito com o trabalho da Orientação era
o Júlio César. Com 30 anos de idade, solteiro e formado em Pedagogia por uma universidade
federal desde 2011, ele era morador de Amoreiras há 20 anos. O primeiro emprego que teve
como pedagogo foi o de orientador educacional. Havia ingressado na rede em 2012 por meio
de concurso público e trabalhava fazia um ano na Escola 18. Na época em que participou da
pesquisa, tinha recém-concluído uma pós-graduação em Educação Infantil e acabara de
ingressar no Mestrado em Educação Agrícola, tudo pela mesma universidade na qual havia
cursado a graduação em Pedagogia.
Júlio César afirmava que, a princípio, havia escolhido a Orientação pela questão
salarial. Mas, com o passar do tempo, percebeu que esta função realmente o realizava
profissionalmente devido às inúmeras possibilidades de contribuir efetivamente para a mudança
de vida dos alunos. Daí vinha seu contentamento em realizar seu trabalho dia após dia.
Rina, orientadora da Escola 15, também tinha como primeira experiência o trabalho
de Orientação Educacional. Com 29 anos, moradora na Zona Norte do Rio de Janeiro, era
formada em Pedagogia desde 2011 e orientadora em Amoreiras desde 2012, permanecendo
durante todo esse período lotada na mesma escola. Contava que havia escolhido a Orientação
Educacional pois desejava trabalhar em outros espaços que não a sala de aula e por gostar do
trabalho de articulação família/escola.
Para ela, o concurso surgiu como a primeira oportunidade de inserção no mercado
de trabalho. Já como orientadora, Rina ingressou em uma pós-graduação lato sensu em
Orientação e Supervisão por uma universidade particular. Curso que ela concluiu em 2017,
mesmo ano em que ingressou no Mestrado em uma universidade pública. Sobre seu trabalho,
ela se queixava da falta de recursos humanos. Era a única orientadora na escola e tinha que se
dividir para atender os dois turnos e também a Educação de Jovens e Adultos que era oferecida
à noite em sua escola.
A orientadora da Escola 1, Lúcia, era a única com uma condição de trabalho
diferenciada. Ela, com 48 anos, atuava na rede há 27 anos, onde possuía duas matrículas, uma
de professora dos anos iniciais e outra de orientadora educacional. Ela havia conseguido
aglutinar sua lotação na Escola 1 e trabalhava como coordenadora pedagógica, devido ao cargo
de professora, e também como orientadora educacional há um ano e meio.
Casada e moradora em um município vizinho a Amoreiras há mais de três décadas,
Lúcia havia se formado em Pedagogia por uma universidade pública no ano 2006 e se
pós-graduou, posteriormente, em Orientação Educacional e Pedagógica no modalidade à distância
em uma universidade pública.
Na Escola 22, duas orientadoras participaram da entrevista. A primeira, Sueli, de
52 anos, era divorciada e moradora da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Cursou a licenciatura em
Pedagogia em uma faculdade particular com habilitação para atuar nas sérias iniciais,
Coordenação, Orientação Educacional e Gestão Escolar. Além de orientadora, trabalhava como
professora dos anos iniciais no município do Rio de Janeiro, onde atuava também como
orientadora pedagógica. Estava na Escola 22 fazia quase um ano e tinha iniciado seu trabalho
no município no ano de 2012. Antes, trabalhava na Escola 11 e precisou sair no início do ano
após a secretaria ter remanejado alguns orientadores.
O mesmo aconteceu com sua colega Juliana. Com 38 anos, solteira, moradora da
Costa Verde, pedagoga formada em uma universidade pública e pós-graduada em Inspeção e
Orientação Educacional e Pedagógica, estava na Escola 22 há cinco meses. Além do cargo de
orientadora, trabalhava na prefeitura municipal do Rio de Janeiro como professora desde 2007.
Ela conta que escolheu a profissão por questão de oportunidade. O concurso surgiu logo após
ela ter concluído o seu curso de Especialização e por esse motivo ela decidiu realizar a prova.
Juliana conta ainda que dispunha de uma segunda matrícula na Educação Infantil na rede do
Rio de Janeiro, mas não gostava do trabalho. Viu, no concurso, uma oportunidade de deixar o
emprego por algo que poderia lhe agradar mais.
Outra orientadora é Vera. Com 59 anos, é divorciada e mora em um bairro de classe
média na Zona Norte do Rio. Ingressou no trabalho na prefeitura de Amoreiras em 2013 através
de uma ação do Ministério Público. Embora tenha feito concurso em 2011, foi empossada no
cargo apenas em outubro de 2013. Depois de ficar dois anos em uma escola considerada muito
difícil, o que ela entendia como um tempo de “penitência”, conseguiu sair e iniciar um trabalho
na Escola 05, onde permanecia atuando desde 2015.
Além de pedagoga, Vera era formada em Psicologia por uma universidade privada
desde 1981 e possuía especialização na área. Iniciou sua trajetória na Educação atuando como
professora de Psicologia na Educação Técnica, fato que a motivou a buscar a graduação em
Pedagogia. Durante o período em que atuou como docente, fez a licenciatura em Pedagogia em
uma universidade pública e concluiu uma pós-graduação em Orientação Educacional, por uma
instituição privada de ensino.
Vera conta que escolheu a Orientação Educacional por considerar uma área
próxima à Psicologia e por não se sentir à vontade atuando com os alunos da Educação Infantil,
tampouco com a Supervisão Educacional.
João, como Vera, acabou encontrando na Pedagogia um novo caminho para a
reinserção no mercado de trabalho. Com 64 anos, orientador na Escola 14, casado e morador
de Zona Oeste do Rio de Janeiro, antes de se formar em Pedagogia em 1995 por uma faculdade
privada, formou-se em Administração de Empresas, o que lhe possibilitou trabalhar por vinte e
cinco anos na área de Recursos Humanos. Depois de formado em Pedagogia, passou a atuar
como professor das disciplinas pedagógicas em curso de Formação de Professores e depois, em
1999, foi aprovado em concurso para atuar como orientador educacional em Amoreiras.
João possuía especialização em Psicopedagogia, Ensino de Administração e
Contabilidade, em Psicopedagogia por instituições privadas e estava há dez anos atuando na
Escola 14. Ele narra que escolheu a Orientação Educacional por perceber que sua atuação seria
mais próxima ao trabalho desenvolvido no setor de Recursos Humanos nas empresas pelas
quais tinha passado. A diferença fundamental, segundo João, era o fato de que, na empresa, sua
função era orientar profissionais, enquanto, na escola, ele orientaria adolescentes.
Outra orientadora que contribuiu com esse trabalho foi Silvânia. Ela trabalhava
próxima a João. Com 53 anos, licenciou-se em Pedagogia pela mesma faculdade que João
durante a década de 90. Moradora da Zona Oeste, havia se especializado em Psicopedagogia
por sentir necessidade no exercício da profissão. Antes de trabalhar como orientadora
educacional, trabalhava como auxiliar de escritório. Teve também passagem por
creches-escolas, onde exerceu informalmente a função de professora. Iniciou em 2003 o trabalho como
orientadora educacional em Amoreiras. Antes de chegar à Escola 20, passou por outras três
escolas. Trabalhou sete anos na Escola 14, três anos na Escola 26 e pouco menos que um ano
em uma escola de Educação Especial. Optou pela Escola 20, porque esta não oferecia EJA e
ficava localizada em um bairro em que Silvânia tinha uma maior familiaridade.
Silvânia era a única orientadora da escola e atendia da pré-escola ao nono ano.
Embora gostasse do trabalho da Orientação Educacional e se sentisse realizada, não havia feito
uma escolha pela profissão, pois não conhecia muito bem como seria o trabalho. Seu desejo era
ter um cargo público e ela viu na Orientação Educacional uma oportunidade para
concretizá-lo. Na sua formação, suas escolhas foram tomadas considerando suas afinidades. Escolheu a
Pedagogia por se afeiçoar a crianças e teve que escolher por uma habilitação. Não lhe agradava
a ideia de lidar com papéis, o que ela entendia ser uma característica da atuação da Supervisão
Educacional, e também não lhe agradava a ideia de ser diretora. A Orientação surgiu como
uma escolha de oportunidade.
Cristiane era orientadora na Escola 21 há cinco anos. Com 48 anos, dois filhos, era
formada em Pedagogia por uma instituição privada. Moradora da região metropolitana do Rio,
era especialista em Gestão Educacional assim como em Alfabetização e Letramento, também
por instituições privadas. Além do trabalho como orientadora na cidade de Amoreiras, iniciado
em 2012, trabalhava como professora no município onde residia. Dizia ter escolhido a
Orientação por gostar de lidar com o ser humano e por perceber nessa área uma oportunidade
de orientar os estudantes.
Juliana, por sua vez, era orientadora na Escola 22 há um ano e meio. Solteira,
moradora na Baixada Fluminense, era formada em Pedagogia por uma universidade pública e
era especializada em Orientação Educacional por uma instituição privada. Assim como Vera,
embora tivesse sido aprovada em concurso público em 2012, conseguiu assumir o cargo de
orientadora educacional em Amoreiras em 2016 somente por meio de ação judicial. Desde
então, vinha atuando como orientadora na Escola 22.
Juliana dizia ser apaixonada pela Orientação Educacional e sentia por não contar
com este profissional na escola em que trabalhava no Rio de Janeiro, sobretudo pela falta que
fazia no trabalho de articular família e escola (além de orientadora, ela atuava como professora
na Educação Infantil nesta cidade desde 2014).
Dentro do grupo de orientadores, também estava Zenaide. Com 36 anos, casada,
moradora de Amoreiras fazia três anos, atuava na Escola 26 desde que chegara ao município.
Era pedagoga formada desde 2011 e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional desde 2013,
ambas por instituições de ensino particulares. Foi nesse período que começou a atuar na
prefeitura de Amoreiras como orientadora aprovada em concurso público em 2012. Sua
experiência profissional pregressa se deu no setor privado como auxiliar de treinamento,
desenvolvimento, recrutamento e seleção de pessoal. Zenaide dizia que, com o passar do tempo,
foi notando que uma função onde precisava lidar com as pessoas, solucionando ou ao menos
mediando situações, lhe dava um sentimento de realização, e foi isso que encontrou na
Orientação Educacional. Um encontro específico a fez comprovar esse sentimento: o contato
com uma professora durante a graduação que também atuava como orientadora educacional no
município de Duque de Caxias. Zenaide dizia que essa professora falava sobre sua prática de
orientadora educacional com um brilho nos olhos que a encantava e isso a motivou a seguir a
profissão. Depois de formada, Zenaide escolheu especializar-se em Psicopedagogia por se
interessar pelo estudo do transtornos de aprendizagem.
Zenaide não pôde escolher a escola em que iria trabalhar. Ela foi direcionada para
a Escola 26 assim que chegou ao município e nela permanece até então, tendo se ausentado por
um semestre para atuar, a convite de uma amiga, como diretora adjunta em outra escola da rede.
Ao final do período, não pôde se candidatar na eleição ao cargo, pois não cumpria os critérios
estabelecidos pela secretaria (dois anos de regência). Antes disso, ela já possuía outra matrícula
No documento
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO EDSON SOARES GOMES
(páginas 32-44)