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As planícies costeiras

No documento Fundamentos de GeomorFoloGia e BioGeoGraFia (páginas 95-107)

TÓPICO 1 – GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA

2.3 ALGUMAS FEIÇÕES LITORÂNEAS

2.3.1 As planícies costeiras

As formas de relevo litorâneas podem ser originadas tanto da ação erosiva como da deposição de sedimentos. A partir de agora veremos algumas feições litorâneas. Atente para as características de cada uma delas.

As planícies costeiras correspondem às superfícies relativamente planas, baixas, situadas junto ao mar, cuja formação resultou da deposição de sedimentos marinhos e fluviais. No Brasil, principalmente nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste, a largura das planícies costeiras é geralmente estreita, confinada entre o mar e a escarpa dos depósitos sedimentares do Grupo Barreiras. (MUEHE, 2009). Segundo o mesmo autor, o desenvolvimento das planícies amplas está associado ao aporte de sedimentos do rio Amazonas, na ilha de Marajó e litoral do Amapá, na região Norte, e associadas às feições deltaicas dos rios Parnaíba, São Francisco, Pardo e Jequitinhonha, no Nordeste, e dos rios Doce e Paraíba do Sul, no Sudeste. A partir do Rio de Janeiro, o confinamento devido ao Grupo Barreiras é substituído pelas escarpas dos afloramentos do embasamento cristalino, com as planícies costeiras embutidas nas depressões lateralmente balizadas por interflúvios que se estendem em direção ao mar na forma de promontórios. (MUEHE, 2009). Exemplos típicos dessas planícies são as baixadas de Sepetiba e Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Estas se repetem em dimensões muito variadas até o Rio Grande do Sul, onde se encontra a planície costeira mais extensa, com uma largura de aproximadamente 120 km e 520 km de litoral oceânico. Vale a pena destacar que esta planície abarca a Lagoa dos Patos, a maior laguna do Brasil.

Dentre as planícies costeiras, não podemos deixar de ressaltar as planícies

de cristas de praia, as planícies de chênier e as planícies deltaicas.

As planícies de cristas de praia resultam da progradação (processo natural de ampliação das praias provocado pelos rios, que durante seu curso até a foz carregam sedimentos, depositados nas áreas de costa próximas) da linha de costa em direção ao oceano, através do processo de acumulação de sedimentos

devido à atuação das ondas, no qual cada crista de praia representa um depósito individualizado, associado a uma linha de praia ativa. (DOMINGUEZ et al., 1992 apud MUEHE, 2009). Assim, as cristas de praia originam, segundo o mesmo autor, uma espécie de “anéis de crescimento”, permitindo a reconstituição da evolução da planície costeira. Através desse mesmo processo também ocorre o alargamento dos cordões litorâneos.

As planícies de chêniers são uma forma particular de planícies de cristas em ambientes deltaicos. São caracterizadas por sequências de depósitos praiais separados por afloramentos do substrato formado por sedimentos argilosos orgânicos. (MUEHE, 2009). De acordo com o mesmo autor, este tipo de planície foi muito estudado pelos norte-americanos do Golfo do México, onde os depósitos de praia apresentam espessuras de até 4,5 metros e largura de até 200 metros. Em território brasileiro este tipo de planície pode ser encontrado no litoral do Pará e também há indícios no Amapá.

A designação planície de chênier vem da presença do carvalho (chêne, em francês), árvore típica do delta do Mississipi.

ATENCAO

No que concerne às planícies deltaicas, é importante ressaltar que, dependendo dos processos fluviais ou marinhos, os deltas podem ser classificados como construtivos (fluviais) e destrutivos (ondas e marés). O delta do Mississipi é um caso típico de processos fluviais sobre os marinhos, cujo avanço da sedimentação fluvial, à frente da planície costeira, se faz acompanhado da construção de diques marginais, resultando num padrão conhecido como pés-de-pássaros (tópico anterior). (MUEHE, 2009). Podemos exemplificar como deltas destrutivos através das ondas, as desembocaduras dos rios São Francisco (SE e AL), Jequitinhonha (BA), Doce (ES) e Paraíba do Sul (RJ). O delta do rio Amazonas se caracteriza como sendo altamente destrutivo, pois é dominado pelas marés.

2.3.2 As escarpas e as falésias

Os elementos topográficos básicos das costas escarpadas podem ser visualizados na figura a seguir. Observe-a e atente para a explicação.

FONTE: Christofoletti (1980)

FIGURA 42 – OS ELEMENTOS TOPOGRÁFICOS BÁSICOS DE UMA COSTA ESCARPADA

A força das ondas promove um entalhe de solapamento na escarpa, ocasionando o desmoronamento da parte cimeira, resultando na formação de falésias. Assim, “falésia é um ressalto não coberto pela vegetação, com declividades muito acentuadas e de alturas variadas, localizado na linha de contato entre a terra e o mar”. (CHRISTOFOLETTI, 1980, p. 133). À medida que a falésia vai recuando para o continente, amplia-se a superfície erodida pelas ondas, que é chamada de terraço de abrasão (figura anterior). Os sedimentos erodidos são depositados em águas mais profundas, constituindo o terraço de construção marinha (figura anterior), formando assim um plano suavemente inclinado em conjunto com o terraço de abrasão.

Nas imagens a seguir você pode verificar dois exemplos de falésias: a falésia de Torres, no Rio Grande do Sul (imagem à esquerda), e a falésia da Praia de Pitinga, na Bahia. Observe-as.

FONTE: Tessler e Mahiques (2009) FIGURA 43 – EXEMPLOS DE FALÉSIAS

Retome a leitura do tópico 2 da Unidade 1 no que se refere à erosão marinha e verifique o esquema que explica a formação de uma falésia.

ATENCAO

2.3.3 Restinga

Na literatura geomorfológica a restinga é designada como barreiras ou cordões litorâneos. Segundo Christofoletti (1980, p. 134), “as restingas são formadas por faixas arenosas depositadas paralelamente à praia, que se alongam tendo ponto de apoio nos cabos e saliências do litoral”. De modo geral, a restinga é um verdadeiro depósito de areia emerso, baixo, de forma linear, que fecha ou tende a fechar uma reentrância mais ou menos extensa da costa.

Observe a vista aérea da restinga em Barra do Furado, Quissamã (à esquerda). Ao lado (direita) segue uma ilustração esquemática representando a localização de uma restinga.

2.3.4 Tômbolo

Tômbolo corresponde a um cordão e/ou faixa arenosa que liga uma ilha a um continente. Conforme as faixas arenosas construídas, um tômbolo pode ser simples, duplo ou triplo. Os tômbolos mais complexos são aqueles que reúnem várias ilhas em rosário, a exemplo da Praia de Nantasket, no litoral atlântico dos EUA. No Brasil, podemos exemplificar o tômbolo da Ilha Porchat, em Santos.

FONTE: Vista aérea da restinga em Barra do Furado, Quissamã. Disponível em: <http://www. overmundo.com.br/uploads/guia/img/1186062860_jurubatiba_ar1.jpg>. Acesso em: 20 jun

2010. Ilustração esquemática. (ROSSATO et al., 2003). FIGURA 44 – RESTINGA

2.3.5 Pontal

Faixa plana de areia e/ou seixos disposta de modo paralelo, oblíquo, ou mesmo perpendicular à costa e que se prolonga, algumas vezes, sob as águas, em forma de banco. Inclusive, neste caso o pontal também pode ser considerado uma restinga. Vários exemplos podem ser encontrados no litoral brasileiro.

FONTE: Pontal de Maracaípe. Disponível em: <http://aninha_curiosidades.zip.net/images/ fotolat_pontal_maracaipe.jpg>. Acesso em: 20 jun 2010. Ilustração esquemática (ROSSATO et

al., 2003).

FIGURA 45 – A IMAGEM À ESQUERDA CORRESPONDE AO PONTAL DE MARACAÍPE (PE) E A FIGURA À DIREITA ILUSTRA A FEIÇÃO DE UM PONTAL

2.3.6 Baía

A baía corresponde a uma reentrância da costa, pela qual o mar invade o interior do continente. É importante que fique claro que a porção do mar que invade esta reentrância do litoral é menor que a verificada nos golfos. Ademais, existe um estreitamento na entrada da baía.

Na imagem à esquerda você pode verificar a Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e à direita uma imagem de satélite ilustrando a referida baía.

FONTE: Disponível em: <http://blogdajuju.files.wordpress.com/2009/11/img_baia_guanabara. jpg>. Acesso em: 20 jun. 2010.

FIGURA 46 – BAÍA DE GUANABARA (RJ)

2.3.7 Golfo

O golfo constitui uma ampla reentrância da costa, que a água do mar invade com maior profundeza. De modo geral, os golfos são definidos como grandes porções do mar, que se “intromete’ pela terra entre pontas ou cabos. (GUERRA; GUERRA, 1997). Um exemplo típico é o Golfo do México. Observe na imagem a seguir a reentrância da costa.

FONTE: Disponível em: <http://www.panoramadiario.com/uploads/pics/Golfo_de_Mexico.gif>. Acesso em: 20 jun. 2010.

2.3.8 Enseada

A enseada configura uma reentrância da costa bem aberta em direção ao mar, limitada por dois promontórios. A ilustração à direita representa uma enseada. À esquerda você pode vislumbrar a enseada de Brito, em Santa Catarina.

FONTE: Enseada de Brito. Disponível em: <http://www.ferias.tur.br/admin/cidades/8441/g_ EWnsseada%20de%20Brito.jpg>. Acesso em: 20 jun. 2010. Ilustração esquemática. (ROSSATO et

al., 2003).

FIGURA 48 – ILUSTRAÇÃO E VISTA DE UMA ENSEADA

2.3.9 Recifes

Os recifes são formações geralmente litorâneas que surgem próximas à costa. Segundo a sua origem, os recifes podem ser classificados em recifes de

arenito e recifes de corais. De acordo com o dicionário Geológico-geomorfológico

de Guerra e Guerra (1997), os recifes de arenito resultam da consolidação de antigas praias por cimentação dos grãos de quartzo, e os recifes de corais se formam por acumulação de corais. Os recifes coralígenos aparecem preferencialmente nas faixas intertropicais. Desse modo, a maior parte desses recifes pode ser encontrada nas Antilhas e Flórida (Oceano Atlântico), na Austrália (onde fica o maior recife de corais do mundo) e nas ilhas da Oceania (no Oceano Pacífico), no Mar Vermelho, nas ilhas de Sonda e Madagascar (no Oceano Índico).

No Brasil, os mais extensos e preservados recifes de corais situam-se em uma Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, que abrange 135 km da costa, de Tamandaré (PE) até Paripueira (Alagoas).

FONTE: Disponível em: <http://www.miramarmaragogiresort.com/documen/blog/pt/289- ef0-002-003.jpg>. Acesso em: 20 jun. 2010.

FIGURA 49 – RECIFE DE CORAIS (TAMANDARÉ, PE)

Ao longo da costa nordeste da Austrália fica a formação de corais mais importante do planeta, a Grande Barreira Coralina, que compreende 600 ilhas. É sem dúvida o maior recife de coral do mundo, que abriga um complexo e diverso ecossistema.

NOTA

2.3.10 Laguna

De acordo com o dicionário Geológico-geomorfológico de Guerra e Guerra (1997), laguna é uma depressão contendo água salgada, localizada na borda litorânea. A separação das águas da laguna das do mar pode se fazer por um obstáculo mais ou menos efetivo. Contudo, há a existência de canais responsáveis pela ligação das águas da laguna com as águas do mar. Muitas vezes, o termo lagoa é usado equivocadamente ao invés de laguna. No Brasil, um exemplo típico de laguna é a Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul. Como já havíamos ressaltado anteriormente, é a maior laguna do Brasil.

FONTE: Disponível em: <http://www.popa.com.br/cartas_mapas/guaiba_google.gif>. Acesso em: 20 jun. 2010.

FIGURA 50 – LAGOA DOS PATOS

2.3.11 Atol

Os atóis são anéis de corais, recortados por passagens, cercando uma laguna cuja profundidade geralmente ultrapassa 30 metros, mas que apenas em casos excepcionais atinge 100 metros. O diâmetro é muito variado. Um exemplo típico é o Atol das Rocas, cerca de 200 km ao largo da costa do Rio Grande do Norte. Este atol possui um contorno de 10 km, com pouco mais de 3 km em seu maior comprimento. Observe a imagem a seguir.

FONTE: Disponível em: <http://www.mariafillo.org/imagens/atol2.jpg>. Acesso em: 20 jun. 2010. FIGURA 51 – ATOL DAS ROCAS

2.3.12 Praia

As praias correspondem aos depósitos de sedimentos, mais comumente arenosos, acumulados por ação de ondas que, por apresentarem mobilidade, se ajustam às condições de ondas e marés. Quanto ao material que compõe as praias, há a predominância dos grãos de quartzo. Os depósitos de praias, quando situados a alguns metros acima do alcance das marés, servem como indicadores da oscilação entre o nível dos oceanos e das terras. O Brasil, com sua enorme extensão litorânea (7.400 km, sem considerar os contornos de baías e ilhas), apresenta uma grande quantidade de praias.

2.3.13 Dunas costeiras

FONTE: Tessler e Mahiques (2009)

As dunas costeiras se formam em locais cuja velocidade do vento e a disponibilidade de areia praial de granulometria são adequadas para o transporte eólico. Estas condições são mais frequentemente encontradas em praias do tipo dissipativo a intermediário, de gradiente suave, como ocorre em grande parte do litoral do Rio Grande do Sul, em Cabo Frio, no litoral do Rio de Janeiro, e também em muitas áreas litorâneas do Maranhão, Piauí e Ceará, onde são favorecidas pelo clima seco e a maior amplitude da maré. (MUEHE, 2009).

FIGURA 52 – PRAIAS. A IMAGEM À DIREITA CORRESPONDE À PRAIA DE MASSAGUAÇU, CARAGUATATUBA, SP. A IMAGEM À ESQUERDA REPRESENTA A PRAIA DE PARATI, RJ

FONTE: Tessler e Mahiques (2009), Dunas da Joaquina. Disponível em: <http://www. fotosdesantacatarina.com.br/wp-content/uploads/2010/03/dunas-da-joaquina-floripa.jpg>.

Acesso em: 20 jun. 2010.

FIGURA 53 – DUNAS. A IMAGEM À DIREITA REFERE-SE ÀS DUNAS NAS ILHAS CANÁRIAS (ESPANHA). A IMAGEM À ESQUERDA REPRESENTA AS DUNAS DA PRAIA DA JOAQUINA, EM

SANTA CATARINA

Caro(a) acadêmico(a), procure aprofundar, em outras bibliografias, informações mais detalhadas sobre estas feições.

IMPORTANTE

3 A GEOMORFOLOGIA CÁRSTICA

No hodierno, a geomorfologia cárstica compreende o estudo da forma, gênese e dinâmica dos relevos elaborados sobre rochas solúveis pela água, tais como as carbonáticas e os evaporitos, e, mesmo, rochas menos solúveis, como os quartzitos, granitos, basaltos, dentre outros. (KOHLER, 2009).

O termo carste é a tradução do termo alemão Karst, originado da palavra Krasz, denominação dada pelos camponeses a uma paisagem da atual Croácia e Eslovênia (antiga Iugoslávia), marcada por rios subterrâneos, com cavernas e superfície acidentada dominada por paredões rochosos e torres de pedra. (KARMANN, 2009). Para Christofoletti (1980), o termo carste abarca um sentido amplo e é empregado para designar as áreas calcárias ou dolomíticas, que possuem uma topografia característica, oriunda da dissolução de tais rochas.

3.1 OS SISTEMAS CÁRSTICOS

Os sistemas cársticos, do ponto de vista hidrológico e geomorfológico, são constituídos por três componentes principais: sistemas de cavernas (formas subterrâneas acessíveis à exploração); aquíferos de condutos (formas condutoras da água subterrânea) e o relevo cárstico (formas superficiais). (KARMANN, 2009). Estes componentes se desenvolvem de maneira conjunta e interdependente. Observe atentamente na figura a seguir os principais componentes do sistema cárstico.

FONTE: Karmann (2009)

FIGURA 54 – COMPONENTES PRINCIPAIS DO SISTEMA CÁRSTICO

Os sistemas cársticos são formados pela dissolução de certos tipos de rochas através da água subterrânea. Dentre as rochas mais favoráveis à carstificação podemos destacar as rochas carbonáticas (calcários, mármores e dolomitos), cujo principal mineral, calcita, dissocia-se nos íons Ca² e /ou Mg² e CO² pela ação da água. (KARMANN, 2009). Os calcários, por exemplo, apresentam uma solubilidade maior que os dolomitos. Mas, o que é uma rocha solúvel? É uma rocha que, após sofrer intemperismo químico, produz pouco resíduo insolúvel.

Segundo Karmann (2009), as rochas evaporíticas, constituídas por halita e/ou gipsita, apesar de sua altíssima solubilidade, originam sistemas cársticos somente em situações especiais, como em áreas áridas a semiáridas, pois o intemperismo sob o clima úmido é muito rápido e não permite o pleno desenvolvimento do carste.

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