CAPÍTULO 03 – É O LOCAL, ESTÚPIDO!
3.2 As variáveis e os indicadores baseados nas determinantes
De posse das definiç afirmou anteriormente: a se explicações no nível de aná sociais e geográficas que apa o que diferencia essas unidad Isso significa que, subnacionais, são as caracter unidade que, em última instâ sentido, apesar de serem apr nível local, é a segmentaçã explicativo.
Conforme foi dito, estatístico, mas faltam deta anterior, dedicaram-se algum existente, um pouco mais cad sessão, apresentam-se e defi das determinantes, suas fonte
Figura 4 – Cadeia Causal
pelo autor
ndicadores baseados nas determinantes
definições sobre as determinantes locais, é importan : a segmentação objetiva e a perceptiva são centr de análise local. É a partir das características ec ue aparecem as especificidades de cada município unidades subnacionais do restante do país.
que, independentemente do contexto enfrenta aracterísticas específicas ou segmentação objetiva
a instância, explicam a atuação paradiplomática pe m apresentados indicadores para outras determina entação objetiva que é condição primordial pa
, as determinantes de Soldatos servem como detalhes para que se possa testá-lo empiricam algumas linhas para aprofundar, por meio da biblio ais cada uma das determinantes apontadas pelo au e definem-se os indicadores para as variáveis ind s fontes e como foram trabalhados no modelo estatí
portante verificar o que se centrais para entender as cas econômicas, políticas, icípio e, por consequência,
nfrentado pelas unidades jetiva e perceptiva de cada tica pela ótica local. Nesse erminantes de Soldatos no ial para o nosso modelo
como guias para o modelo iricamente. No segmento bibliografia e da literatura elo autor-referência. Nesta is independentes retiradas estatístico.
Tabela 1 - Determinantes, variáveis e indicadores locais
Determinantes de Soldatos Nossas variáveis independentes Indicadores
Segmentação objetiva
Segmentação perceptiva (eleitoralismo)
Geográficas Pertence à faixa de fronteira Tamanho da população Político-administrativas Número de funcionários na administração municipal Capital estadual Sociais IDH municipal
Presença de Instituição de ensino superior
Político-partidárias
Administração do PT Partido de oposição ao governo
federal
Partido da base aliada ao governo federal
Econômicas
PIB PIB per capita
Exportações Comércio corrente Investimento Externo Direto Assimetria das unidades
federadas Localização nas Regiões Geográficas
Pertence às regiões Norte, Nordeste ou Centro Oeste
Crescimento das unidades federadas
Localização nas Unidades Federadas ou Regiões Geográficas
Pertence ao estado de SP Pertence aos estados de SP ou RJ
Pertence à região Sudeste Pertence às regiões Sudeste ou Sul Regionalismo/nacionalismo Relações históricas conflituosas com a
União Pertence ao estado do RS
1 ! " (imitação) Contato com áreas internacionais Possui município próximo com área internacional
Fonte:
Q
As justificativas para fazer uso do critério de fronteira como indicador da paradiplomacia já foram apresentadas. A Faixa de Fronteira é, de acordo com o artigo 20 da Constituição Federal, a área que adentra em 150 quilômetros o território nacional a partir da linha de fronteira. Aqueles municípios que possuem qualquer porção de seu território nessa faixa são considerados municípios de fronteira. Eles se diferenciam dos demais por possuírem uma série de restrições econômicas (por exemplo, a dificuldade de instalação de empresas multinacionais na região), além, obviamente, de sua condição geográfica (distanciamento dos grande centros urbanos e interação diária com outros países). No modelo essa é uma variável dicotômica 3 )4, em que os municípios de fronteira foram codificados como 1 e os municípios restantes como 0. No Brasil existem 588 municípios nessa condição.
Hipótese: o fato de o município estar na faixa de fronteira possui relação com a existência de áreas internacionais na administrações públicas locais.
? 0&
As cidades globais, conforme visto, têm características próprias que as fazem protagonistas da nova ordem globalizada. Testa-se essa hipótese por meio da relação entre paradiplomacia e tamanho da população. Busca-se identificar se a criação de áreas internacionais é um privilégio das grandes cidades e como o tamanho delas se relaciona com a paradiplomacia. Na literatura nacional, esse argumento é recorrente, implicando essa relação, por exemplo, quando cita que “alguns poucos municípios, , conseguiam recursos de agências de financiamento de programas na área social e cabia ao assessor de Relações Internacionais articular o envolvimento do poder local nesses projetos” (ONUKI e OLIVEIRA, 2007, p.17 – grifo nosso) ou que, “José Serra, do Partido Social Democrático Brasileiro (PSDB), quando Prefeito de São Paulo, afirmou que ‘uma relação mais direta com organismos multilaterais se faz necessária por conta do 8&
’.” (VIGEVANI e PRADO, 2009, p. 19). Essa é uma variável contínua e os dados, do ano-referência de 2008, foram extraídos do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).
Hipótese: o tamanho da população influencia a existência de áreas internacionais nas administrações públicas municipais.
%2 / 0&
Esse indicador político refere-se à relação entre capacidade administrativa de um município e atividade paradiplomática. É lógico pensar que os municípios que criarão áreas internacionais são aqueles que possuem um contingente burocrático minimamente estruturado. A noção de estrutura não entra no mérito de sua eficiência, mas nos recursos humanos disponíveis. Na literatura essa tendência é aventada, por exemplo, quando se conclui que,
o grau e a natureza da descentralização dentro do sistema político, o padrão das ligações das regiões
centrais e ; 0< 9
' 9 & / & (HOCKING, 2004, p. 86 – grifo nosso).
Essa é uma variável contínua e os dados foram fornecidos pela Confederação Nacional de Municípios. O número computado foi o total de funcionários ativos da administração direta (soma dos estatutários, celetistas, comissionados, estagiários e sem vínculo permanente) do ano-base 2008.
Hipótese: há relação entre a quantidade de funcionários na administração pública municipal e o desenvolvimento de uma estrutura paradiplomática.
.
Esse indicador relaciona-se ao grau de importância política que uma cidade possui. A noção é de que o fato de a cidade ser capital estadual explica em parte a atividade paradiplomática. O contato com a burocracia estadual (que possui aparato paradiplomático em quase todas as unidades federadas) teria repercussão na criação de uma área congênere no município. Além disso, no âmbito de capitais nacionais
Las ‘jurisdicciones’ en competencia [global] en este caso han sido típicamente las ciudades capitales, en tanto que éstas concentran los sectores de banca, finanzas y servicios especializados del más alto nivel. (Hay excepciones: si bien São Paulo en Brasil y Bombay en India son los principales centros financieros del país, no son las capitales).” (SASSEN, 2004, p. 387).
O fator capital tem a ver com o grau de importância que a cidade assume em termos nacionais, mas se olharmos para o âmbito interno, as capitais estaduais assumem, nas suas devidas proporções esse tipo de importância. Essa é uma variável dicotômica, em que as cidades capitais são classificadas como 1 e as restantes como 0.
Hipótese: o fato de um município ser uma capital estadual tem relação com a existência de uma área internacional na sua administração.
-=E
Apresentaram-se anteriormente os aspectos relacionados às características socioeconômicas, especificamente no caso dos estados norte-americanos. Para o presente estudo, relaciona-se esse fator ao Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O índice é resultado do cálculo que envolve nível de escolaridade, expectativa de vida e produto interno bruto
. A ideia é testar a relação entre desenvolvimento e paradiplomacia que não se restrinja apenas aos fatores econômicos. Esse é um indicador contínuo que apresenta resultados de 0 a 1, em ordem crescente de desenvolvimento, ou seja, quanto maior o IDH, melhores as condições locais. O ano-base dos dados é o de 2000.
Hipótese: o valor do IDH municipal influencia na probabilidade de se encontrar áreas internacionais em seu governo local.
Em estudo quantitativo, McMillan (2008) faz uso do critério de escolaridade da população acima de 25 anos, para testar a existência de atividade internacional dos governos estaduais dos Estados Unidos. Ele tenta fazer relação entre paradiplomacia e qualidade dos recursos humanos disponível no estado. Para o modelo, aplicou-se essa noção à presença de instituições de ensino superior nos municípios. Elas incluem universidades, centros universitários, faculdades integradas, faculdades, escolas superiores, institutos superiores e centros de educação tecnológica. Os dados são do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), com o ano-base de 2004. Essa é uma variável dicotômica, em que os municípios com instituição de ensino superior são categorizados como 1 e os sem instituições como 0. Esse foi um critério mínimo para incluir a educação superior como indicador, já que a esmagadora maioria das cidades brasileiras não tem sequer instituição desse tipo.
Hipótese: a presença de instituições de ensino superior nos municípios se relaciona com a atuação paradiplomática de seu governo local.
5 0& ?
A discussão na literatura nacional que relaciona a paradiplomacia brasileira com o fato de o governo local ser do Partido dos Trabalhadores já foi apresentada. Existem argumentos pró e contra essa visão. Testar-se-á se existe, de fato, essa relação quando são estudados todos os municípios brasileiros. Os dados apresentados são do Tribunal Superior Eleitoral, da data da posse do prefeito. O período de 2005 a 2008 é anterior à decisão do Supremo Tribunal Federal que garante o cargo ao partido e não ao político. Por isso a noção de fidelidade partidária era mais flexível e as trocas de partidos mais constantes. O critério é o do prefeito que foi eleito pelo PT, não importando se depois de eleito ele migrou de partido ou se filiou à agremiação após a eleição. Essa é uma variável ) dicotômica, em que os municípios administrados pelo PT são classificados como 1 e os restantes como 0.
Hipótese: o fato de o município ser administrado pelo Partido dos Trabalhadores tem relação com a presença de áreas internacionais nas administrações publicas locais.
0& A
Da mesma forma, os casos em que o partido do governo municipal diverge ou converge com o governo federal foram apresentados em segmento anterior. O teste estatístico é o mesmo (porque se considera que os partidos que não são da base aliada automaticamente são de oposição), mas com conclusões opostas. Se os partidos forem alternos, comprova-se a ideia de que os governos locais de oposição buscam a paradiplomacia por discordarem ideologicamente do governo central. Do contrário, ou seja, se os partidos forem do mesmo
campo político, há alguns indícios de que o governo federal é catalizador da atividade paradiplomática no Brasil. Em outras palavras, há incentivo por parte do governo central em incentivar e coordenar esse tipo de atividade, porque a preferência política tende a ser pelos governos locais do mesmo partido ou de aliados. O critério utilizado para oposição/situação foi o existente no Congresso Nacional. O fator da reeleição do presidente Lula em 2006 simplificou essa generalização. A questão dos partidos da base e oposição é bastante fluida e sem aspecto oficiais de fato, mas foram considerados os partidos que votam majoritariamente com o governo federal, ou seja, a base aliada contou com o PT, PMDB, PR (PL + Prona), PP (PPB), PTB, PDT, PSB, PCdoB, PSC, PHS, PV, PRB, PMN, PHS, PT do B, PTC e PRTB, já os partidos de oposição foram PSDB, DEM (PFL), PPS e PSOL. Essa é uma variável dicotômica, em que os municípios da oposição são classificados como 1 e os da base aliada como 0.
Hipótese: o fato de o partido do prefeito ser da oposição ou da base aliada do governo federal está relacionado com a presença de áreas internacionais nos município brasileiros.
-B
As variáveis econômicas foram bem discutidas na sessão de determinantes. Elas são, para grande parte dos estudiosos da paradiplomacia, o fator dominante na atividade. O PIB local já foi abordado como variável explicativa nos estudos de Schiavón (2009) e Farfán e Schiavón (2005) e também faz parte do modelo estatístico deste estudo. O PIB é uma variável contínua e os dados coletados são do IBGE, tendo como referência o ano de 2005. A relação entre indicador e paradiplomacia tenta apresentar se os municípios com maior potencial econômico são os mesmos que criam uma área internacional.
Hipótese: o PIB municipal é um fator que se relaciona com a existência de áreas internacionais nos governos locais brasileiros.
-B
A noção apresentada nessa variável é a mesma que a do PIB, só que considera simultaneamente o tamanho da população. Esse indicador muitas vezes é mais utilizado do que o PIB, porque dá noção mais real sobre o nível de riqueza da população. Os dados também são do IBGE, e o ano-base é o mesmo 2005.
Hipótese: Há relação entre o PIB per capita e a presença de áreas internacionais nos municípios brasileiros.
6 0<
A variável econômica de exportação é adotada no modelo de McMillan (2008), bem como levantado por vários estudos de caso, inclusive os brasileiros. Segundo um deles, “No caso brasileiro, do mesmo modo que a literatura indica para os governos subnacionais na maioria dos países, (...) a questão econômica, a 0& $ e a busca de investimentos foram os fatores principais para o ativismo paradiplomático” (VIGEVANI e PRADO, 2009, p.28). A variável é contínua e os dados de exportação por município são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), com o ano-base de 2008.
Hipótese: o nível de exportação em um município se relaciona com a probabilidade de encontrarmos área internacional nos governos locais.
. $
Os números de comércio corrente pode apresentar um cenário mais amplo sobre o viés econômico comercial porque soma, em módulo, a quantidade de exportações e a de importações. O nível de importações jamais foi levado em consideração como determinante da paradiplomacia (seria, no mínimo, estranho ver um governo local criando área internacional como resposta ao alto contingente de importações de sua região), mas talvez o somatório possa dar pistas de quão integrado comercialmente um município brasileiro seja com o resto do mundo. Essa é uma variável contínua e os dados também são do MDIC com o mesmo ano-base de 2008.
Hipótese: a quantidade de comércio corrente de um município se relaciona com a presença nos governos locais de um aparato paradiplomático.
- 6 =
A atração de investimento é a outra face econômica da paradiplomacia. Foram citados anteriormente argumentos atestando que as unidades subnacionais criam áreas internacionais a fim de responder demandas econômicas, tanto de comércio, como do investimento. Essa variável é contínua e os dados por município são do MDIC, com o ano- referência também de 2008.
Hipótese: a quantidade de investimento externo direto em um município está relacionada com a probabilidade de seu governo local criar aparato paradiplomático.
Essas variáveis já foram bem explicadas, respectivamente, na determinante Assimetria das unidades federadas e Crescimento das unidades federadas. Para o mesmo modelo elas pertencem à mesma hipótese, só com assunções opostas. Testar-se-á separadamente cada uma delas. Essa é uma variável dicotômica, em que no primeiro caso os municípios das regiões norte, nordeste e centro-oeste são classificadas como 1 e os do sul e sudeste como 0, e no segundo caso os números são invertidos. No modelo, as hipóteses são opostas, no sentido de que se existe relação direta entre pertencer às regiões sudeste-sul e presença de área internacional, então há relação inversa na mesma proporção entre pertencer às regiões nordeste-norte-centro-oeste e presença de área internacional. Talvez a explicação não esteja tão clara a essa altura, mas na apresentação dos resultados ela ficará mais evidente.
Hipótese: a localização do município nas regiões sudeste-sul ou nordeste-centro- oeste-norte está relacionada com a existência de áreas internacionais em municípios brasileiros.
8
Testar-se-á nessa variável a determinante de Crescimento das unidades federadas. Assim como no indicador anterior, podem-se considerar os pressupostos de contraposição. A variável é dicotômica e considera apenas as posições geográficas de pertencimento à unidade federada. Os municípios paulistas são codificados como 1 e os restantes como 0.
Hipótese: Há relação entre o município estar localizado no estado de São Paulo e a presença de áreas internacionais no Brasil.
8 ,R
Da mesma forma que o indicador anterior, testar-se-á a ideia de que as elites paulistas e cariocas buscam maior espaço político em todas as esferas, inclusive na internacional, por meio da paradiplomacia. Essa variável amplia o teste de Crescimento das unidades federadas para esses dois estados. Os municípios de SP e RJ são classificados como 1, e os restantes como 0.
Hipótese: O fato de o município estar localizado nos estados de São Paulo ou Rio de Janeiro tem relação com a presença de áreas internacionais em seus municípios.
Q & 8
Nesse indicador, a mesma premissa dos testes de Crescimento das unidades federadas está presente, apenas com mudança do seu escopo, acrescentando os estados de
Minas Gerais e Espírito Santo. Os municípios localizados no Sudeste são categorizados como 1, e o das regiões restantes como 0.
Hipótese: O fato de o município estar localizado na região Sudeste se relaciona com a atividade paradiplomática.
,8
Esse indicador testa o Regionalismo/Nacionalismo. Essa noção já foi aprofundada e relaciona-se com um critério mínimo para a verificação da determinante, ou seja, com o caso mais extremo de regionalismo no país (mesmo que insuficiente se comparado aos padrões internacionais de casos análogos) será identificado se ele se manifesta na paradiplomacia brasileira. A ideia é que se a determinante não estiver presente no Rio Grande do Sul, dificilmente aparecerá em outros casos de regionalismo no país, se o ocorrer o inverso, cabem estudos futuros sobre a determinante no país. Essa é uma variável ) em que os municípios gaúchos são classificados como 1 e os restantes como 0.
Hipótese: O fato de o município estar localizado no estado do Rio Grande do Sul tem relação com a probabilidade dele possuir área internacional.
' /
Esse indicador tenta corroborar a determinante do “ ! " Ao contrário da definição de proximidade de Berry e Berry (1990), que leva em consideração apenas o critério de vizinhança (compartilhamento de limites) fez-se uso de noção um pouco mais ampla. A concepção de proximidade considera, ademais da vizinhança, os municípios que pertencem à mesma microrregião e, quando existente, à mesma região metropolitana, aglomeração urbana ou rede integrada de desenvolvimento. Os dados foram retirados do IBGE. Essa é uma variável dicotômica, em que os municípios que possuem municípios próximos com áreas internacionais são classificados como 1 e os que não, como 0.
Hipótese: a presença de áreas internacionais em municípios se relaciona com a existência de outras áreas internacionais em municípios próximos.