Tabela Progressiva para o cálculo MENSAL do Imposto de Renda de Pessoa Física para o exercício de 2017, ano-calendário de
CAPÍTULO 14 – IMPOSTOS SOBRE CONSUMO E PRODUÇÃO 14.1 Visão geral e competência
14.3.4. Aspecto quantitativo Constitui a base de cálculo do IPI:
a) nas operações internas: o valor da operação de saída ou, na sua ausência, o preço da mercadoria, ou similar, no mercado atacadista da praça remetente;
b) na operações de importação: o preço normal acrescido do de Imposto de Impor- tação (II), as taxas alfandegárias e os encargos cambiais;
c) na operação de leilão, o preço de arrematação.
Não obstante, é possível que seja considerado, ao invés do valor da operação, nos moldes acima indicados, o valor constante da chamada pauta fiscal, ou “tabela price”, que vem a ser uma relação de preços de produtos, elaborada pela Fazenda Pública a ser utilizada no cálculo do tributo a pagar.
O regime de alíquotas do IPI é definido na Tabela do IPI (TIPI), que constitui uma relação de produtos e os respectivos percentuais do imposto.
14.4. ISS
14.4.1. Aspecto material
O Imposto municipal e do DF sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS ou ISSQN) tem como fato gerador a prestação de serviços, constantes na lista anexa à Lei Complementar 116/2003 (lista do ISS, ou LISS), por empresa ou trabalhador autônomo, com ou sem estabelecimento fixo.
Além dos serviços que não estiverem previstos na LISS, tampouco serão submetidos à incidência do imposto: os serviços que o prestador realize para si mesmo, o serviço realizado no âmbito de uma relação de emprego, o trabalho avulso, os serviços prestados pelos sócios ou administradores de empresa, os serviços de transporte intermunicipal e interestadual e de comunicação, os serviços prestados para o exterior, o serviço prestado pelo poder público, a cessão de direitos e as operações financeiras.
O ISS tem uma incidência excludente. Significa que a incidência do imposto afasta a incidência do ICMS e do IPI. O mesmo não ocorre entre estes dois últimos. Ou seja, é possível a incidência de ICMS e IPI sobre uma mesma operação, desde que esta satisfaça o fato gerador de ambos os tributos. Basta que a operação seja de circulação de mercadorias e ao mesmo tempo com produto industrializado.
No caso de fatos geradores complexos, assim entendidos aqueles em que ocorra, ao mesmo tempo, prestação de serviço e operação com mercadorias ou produtos, é possível que se dê a incidência do ISS, por um lado, e a do ICMS e IPI, por outro, sendo necessário a separação entre os dois fatos: prestação de serviço e operação com mercadoria e/ ou produto industrializado. É o caso do serviço de assistência técnica com a venda de mercadorias. Nesse caso, é necessária a discriminação do preço do serviço, por um lado, e do preço da mercadoria, por outro. Sobre cada um desses valores incidirá ISS e ICMS, respectivamente, o que não contraria a natureza excludente do ISS.
14.4.2. Aspectos espacial e temporal
Considera-se ocorrido o fato gerador do ISS no momento em que se conclui a prestação, o que se presume ocorrer com a emissão da fatura respectiva. No caso de serviços realizados de forma parcelada, a incidência do imposto presume-se ocorrida no vencimento de cada uma das parcelas.
O ISS encontra-se submetido ao regime de competência, do que resulta na incidência do imposto no momento em que se dá a emissão da fatura, e não no momento do pagamento da prestação do serviço por parte do contratante (tomador). Em caso de inadimplência do tomador, é possível ao prestador solicitar a devolução do ISS recolhido, com fundamento na inexistência de capacidade econômica manifestada.
A incidência do ISS ocorre, em regra, no Município ou DF em que se encontra o estabelecimento ou domicílio do prestador. Não obstante, a LC 116/2003, Art. 3o, prevê uma série de exceções que transferem a incidência para o Município em que é realizada a prestação do serviço e que podem ser divididas em dois grandes grupos. Por um lado, encontram-se alguns serviços tangíveis, assim considerados aqueles serviços que têm como produto final a entrega de um bem corpóreo, tangível. São exemplos de serviços tangíveis, que transferem a incidência do ISS para o Município da prestação: construção civil, demolição, colocação de andaimes, montagem de armários, etc.
Por outro lado, também constituem exceção serviços presenciais, assim considerados aqueles que, pela sua própria natureza, exijam a presença do prestador junto ao tomador. São exemplos que se encontram neste segundo grupo os serviços de limpeza em geral, florestamento ou reflorestamento, segurança, armazenamento e guarda de bens, diversão, transporte, feira e exposição, portuário, aeroportuário, rodoviário e ferroviário.
14.4.3. Aspecto subjetivo
O sujeito ativo do ISS é, em regra, o Município ou o DF em cujo território se encontre o prestador; ou de forma excepcional, o Município ou o DF em que se dê a prestação do serviço, nos moldes indicados no item anterior.
A ideia de “estabelecimento”, em matéria de ISS, não se confunde com os conceitos de sede, filial, sucursal, agência, posto de atendimento ou qualquer outra similar utilizada no âmbito empresarial. Para fins de incidência do ISS, “estabelecimento” abrange toda e qualquer infra-estrutura que seja suficiente para a prestação do serviço. A depender do serviço considerado, pode ser que a presença de um mero computador seja suficiente para definir a ideia de estabelecimento.
Sujeito passivo do ISS, na qualidade de contribuinte do imposto, é o prestador, pessoa física ou jurídica, que presta serviço a terceiro de forma autônoma. Por outro lado, na qualidade de responsável tributário, podem ser incluídos o tomador do serviço, o consórcio de empresas, no caso de serviços prestados por esta via, o proprietário da obra pelo serviço de construção civil, entre outros que tenham relação direta com a prestação.
14.4.4. Aspecto quantitativo
O ISS tem como base de cálculo o preço do serviço prestado. No caso de serviços que sejam prestados ao longo dos territórios de dois ou mais Municípios, é possível a distribuição dos valores de forma proporcional entre tais Municípios, para fins de cálculo do ISS.
O serviço prestado de forma gratuita poderá ou não ser submetido à incidência do ISS, a depender da natureza da gratuidade. Em caso de gratuidade promocional, assim considerada aquela que é realizada com o objetivo de promover a venda de um serviço, é possível a incidência do imposto sobre o valor do serviço respectivo, ainda que não pago. É o caso de um circo que chegou à cidade e que abriu as portas para determinados grupos de pessoas que serão importantes para a divulgação do espetáculo.
Por outro lado, se a gratuidade constituir um ato de liberalidade, sem contrapartida, de caráter filantrópico, por exemplo, não haverá incidência do ISS. Seria o caso do circo que abre as portas para crianças de um orfanato ou para idosos de um abrigo assistirem ao espetáculo.
A alíquota do ISS será definida em lei por cada um dos Municípios e DF e poderá variar de acordo com o serviço considerado. Não poderá ser inferior a 2%, ressalvado o serviço de construção civil, conforme ADCT, Art. 88; nem superior a 5%, conforme previsto na LC 116/2003.
O ISS poderá ainda ter um valor fixo (“alíquota específica”) naqueles casos de serviços prestados por profissionais liberais, a exemplo de advogados, que deverão recolher o imposto segundo um valor estabelecido para todo o ano, com independência do faturamento que venham a ter.
14.5. IOF
O Imposto sobre Operações Financeiras é de competência da União e a sua receita líquida destina-se à formação de reservas monetárias, na forma da lei. Trata-se de um tributo extrafiscal, que atua como instrumento de ajuste da política monetária, de forma a regular os fluxos de capital.
Constitui exceção aos princípios da anterioridade e da noventena, do que resulta a incidência imediata das alterações legislativas referentes ao mesmo. Também é exceção à legalidade no tocante à alteração da alíquota, sendo possível que tal alteração se realize, por exemplo, por meio de decreto.
14.5.1. Aspecto material
São cinco as operações financeiras objeto de incidência do IOF: crédito, câmbio seguro, operações relativas a títulos e valores mobiliários e operações com ouro-ativo financeiro ou instrumento cambial.
No caso do IOF sobre operações com ouro-ativo financeiro ou instrumento cambial, a arrecadação é transferida a Estados e Municípios. De maneira mais precisa, 30% da arrecadação do IOF sobre operações com ouro-ativo financeiro são destinados ao Estado ou ao DF, conforme o local de realização da operação; e 70% para o Município ou DF em que se realiza a operação.
A incidência do IOF não se confunde com a do ISS e tais incidências são excludentes entre si. Assim, uma instituição financeira pode ter que pagar tanto um como o outro imposto, porém sobre serviços distintos. Assim, a gestão de ativos de um cliente pode dar vazão à incidência do ISS. Já aplicação em títulos, que decorram desta mesma gestão de ativos, pode ensejar a incidência do IOF.
14.5.2. Aspectos espacial e temporal
O momento da incidência do IOF varia de acordo com o tipo de operação considerada e pode ser assim sistematizada:
a) nas operações de crédito, a incidência ocorre no momento da entrega total ou parcial do montante, ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou da sua colocação à disposição do interessado;
b) nas operações de câmbio, a incidência se dá com a entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado, em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição;
c) nas operações de seguro, na emissão da apólice ou do documento equivalente, ou no recebimento do prêmio, na forma da lei aplicável;
d) nas operações relativas a títulos e valores mobiliários, na emissão, transmissão, pagamento ou resgate destes, na forma da lei aplicável;
e) nas operações com ouro-ativo financeiro, ou instrumento cambial, o momento corresponde ao da entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou ao da sua colocação à disposição do interessado.
O aspecto espacial do IOF corresponde a todo o território nacional e, portanto, operações de crédito realizadas em qualquer parte desse território poderão ser alcançadas pela incidência do imposto.
14.5.3. Aspectos subjetivo e quantitativo
O sujeito ativo do IOF é a União, que poderá exigir o pagamento do imposto por meio da Receita Federal e da Procuradoria da Fazenda Nacional.
Sujeito passivo, obrigado ao pagamento do imposto, é qualquer das partes na operação tributada, como dispuser a lei.
A base de cálculo do IOF varia de acordo com o tipo de operação de crédito realizada e pode ser assim disposta:
a) nas operações de crédito, a base de cálculo corresponde ao montante da obri- gação, compreendendo o principal e os juros
b) na operação de câmbio, ao montante em moeda nacional, recebido, entregue ou posto à disposição;
d) nas operações relativas a títulos e valores mobiliários, a base de cálculo será: • na emissão do título: o valor nominal mais o ágio, se houver;
• na transmissão do título: o preço ou o valor nominal ou o valor da cotação em Bolsa, como determinar a lei; e
• no pagamento ou resgate: o preço da operação.
d) nas operações com ouro-ativo financeiro, ou instrumento cambial, a base de cálculo corresponde ao montante da obrigação, compreendendo o principal e os juros.
Por se tratar de um imposto extrafiscal, as alíquotas do IOF são bastante variáveis e costumam ser definidas em função do tipo de operação, do seu caráter especulativo e em função do tempo de duração de uma operação. Assim, a venda de títulos e valores mobiliários que venha a ser realizada no mesmo dia da compra (operação “day-trade”) costuma se submeter a alíquotas mais elevadas do que aquelas aplicáveis às operações comuns, que não se realizam no mesmo dia.