CONTROLE
A violência é uma das questões sociais que mais se tem discutido nas variadas esferas do saber, a fim de procurar meios e soluções para este problema, que parece crescer de forma significativa cada vez mais.
Para tanto, é necessário direcionar o presente texto, que terá o propósito de entender/compreender a questão da adolescência paralelamente com a violência, para depois agir e pensar formas de intervenções, que seriam propostas de ação para possíveis prevenções.
Andrade (2007, p. 58) irá elucidar que:
O universo da violência é, antes de mais nada, um universo de dor, e que, se enfrentá-lo como objeto teórico e de reflexão implica necessariamente um esforço de suspensão da dor, colocá-la em suspenso não implica, em momento algum perdê-la de vista ou divorciar-se dela. Porque é a solidariedade para com a dor e o propósito de contribuir para superá-la que motiva nossa tentativa de resgatar, para o problema, a voz dos saberes emancipatórios.
Assim, falar de violência é adentrar num universo de dor e sofrimento, que não atinge somente a pessoa diretamente afetada e sim todos aqueles indiretamente envolvidos (família, amigos, entre outros), inclusive aquele que praticou o ato de violência.
Algumas correntes entendem ser a violência não uma coisa una, e sim pluralizada, ou seja, há diversas formas de violência, como física, psicológica, familiar, institucional, moral, doméstica, negligenciada, gênero, patrimonial e social. Porém, há três grandes tipos de violência que permeiam mais fortemente as crianças e os adolescentes, que são: violência familiar; social e institucional.
Tomemos como explicação as três formas, à luz dos ensinamentos de Gonzáles (1995, p.17):
A violência familiar pode se dar por ação ou omissão. A primeira irá ser percebida quando há espancamentos ou abusos sexuais cometidos por algum membro da família (pais, irmãos, parentes). Já a segunda (omissão), se dá através da negação do sustento material e intelectual.
A violência doméstica é aquela praticada dentro de casa, usualmente entre parentes, principalmente entre marido e mulher, embora possa ocorrer contra uma criança (filho ou enteado) ou com os idosos da família. Esta violência. pode ser explícita ou velada, podendo incluir diversas práticas, como o abuso sexual e os maus tratos.
Ballone (2006) alerta que a violência doméstica é considerada um dos fatores que mais estimula crianças e adolescentes a fugir de casa. Pesquisas realizadas nas ruas de São Paulo constataram que as crianças de rua apontam maus-tratos corporais, castigos físicos, violência sexual e conflitos domésticos como motivo para sair de casa.
Segundo Ballone (2006), a vítima de violência doméstica, geralmente, tem pouca auto-estima e se encontra atada na relação com quem agride, seja por dependência emocional ou material.
O agressor geralmente acusa a vítima de ser responsável pela agressão, a qual acaba sofrendo uma grande culpa e vergonha. A vítima também se sente violada e traída, já que o agressor promete, depois do ato agressor, que nunca mais vai repetir este tipo de comportamento, para depois repeti-lo. (BALLONE, 2006, p. 2).
Além disso, ainda é observado que a violência doméstica pode perpetuar- se mediante ameaças de "ser pior" se a vítima reclamar às autoridades ou parentes, uma vez que, muitas vezes, as autoridades se omitem ou tornam complicadas as intervenções corretivas.
Veremos que a violência sexual atinge todas as classes e esferas sociais, em que acontece rotineiramente no âmbito familiar uma prática que muitas vezes se esconde, não fazendo com que chegue até ao judiciário ou ao conhecimento dos programas de proteção. Segundo a autora Ana Beatriz Barbosa Silva (2010, p. 24), a violência sexual é um tipo de comportamento desprezível, que ocorre entre meninos e meninos ou até mesmo meninas com meninos. Assim, o estudante indefeso é assediado por vários colegas ao mesmo tempo, caracterizando a violência.
Alguns especialistas também destacam a existência da violência sócio- econômica, quando há o controle da vida social da vítima ou de seus recursos econômicos.
Um elemento comum na maioria das mulheres é o medo de não ter condição financeira para se manter ou aos filhos, se saírem da relação. O dinheiro entra aí como fator de controle sobre a mulher. Esta atitude pode criar tanta insegurança na mulher, ao ponto de ela se sentir incapaz de resolver a questão. (BALLONE, 2006, p. 9).
No âmbito familiar, encontramos além da violência própria, outro tipo de violência que não está somente dentro deste espaço, mais que também existe nele: a violência sexual.
A violência sexual é caracterizada pela conduta violenta que obriga à prática ou à participação ativa em relação sexual não desejada, além daquelas que provocam o constrangimento à vítima em presenciar, contra seu desejo, relação sexual entre terceiros. Da mesma forma, também é considerado como violência sexual o induzimento ao sexo comercial ou a práticas que contrariem a livre expressão de seus autênticos desejos sexuais, assim entendidas aquelas que não lhe tragam prazer sexual. (HERMANN, 2008).
De acordo com Cavalcanti (2008), a violência sexual merece destaque em razão da sua grande incidência. Esta conduta está tipificada como crime e disposta no Código Penal no Capítulo referente aos crimes contra a liberdade sexual. Ainda a Lei n° 8.072/90 considera o estupro e o atentado violento ao pudor como crimes hediondos.
A prática reiterada de abuso sexual paterno, de padrasto ou de irmão, muitas vezes com a cumplicidade de outros membros da família (inclusive da própria mãe) implica igualmente em sofrimento psicológico, às vezes até físico, quando conjugado com submissão física forçada e dano moral à vítima. (HERMANN, 2008).
A violência, que afeta muito os membros da periferia, chama-se a
violência institucional. A violência policial é uma das formas mais visíveis deste
tipo de violência, em que esses funcionários do Estado exercem a repressão em nome dele. Além da violência policial há também outras formas de violência consideradas institucionais, que exercem muitas vezes violência cotidiana.
Já a violência social é bem difícil de ser definida, pois é mais ampla e seu combate mais difícil, pois se manifesta nas desigualdades, na negação de
cidadania, dos direitos à saúde, educação, cultura, dignidade. Também se caracteriza pela discriminação de raça e sexo.
É importante descriminar outros tipo de violência, que fazem parte do dia a dia das delegacias, de algumas famílias, de crianças, de adolescentes, etc, como a violência psicológica e física.
Silva irá falar da violência psicológica, de forma que nos faz repensar o dia a dia familiar:
[...] a violência psicológica não afeta somente a vitima de forma direta. Ela atinge a todos que presenciaram ou convivem com a situação de violência. Por exemplo, os filhos que testemunham a violência psicológica entre os pais podem passar a reproduzi-la por identificação ou mimetismo, passando a agir de forma semelhante com a irmã, colegas de escola e, futuramente, com a namorada e esposa/companheira. (SILVA,2007, p.04).
A violência, segundo o autor ora citado, se inicia de forma lenta e silenciosa, progredindo em intensidade e em consequências, e que a psicológica decorre de palavras, gestos, olhares, sem necessariamente ocorrer o contato físico. A violência psicológica, no âmbito familiar, alcança todos daquele ambiente. Porém tem um impacto muito considerável naquela criança que está em fase de desenvolvimento e aprendizado, que pode assimilar determinadas situações e reproduzi-las ao longo de sua vida.
Segundo Cunha e Pinto (2007), a violência psicológica ou a agressão emocional abrange a agressão verbal, as ameaças, os gestos e posturas agressivas. Verifica-se que algumas vezes este tipo de violência é tão ou mais prejudicial que a física. Ela também pode ser caracterizada por rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições exageradas.
A violência física ocorre quando não há ou se esgota o diálogo. Este tipo de violência deixa sequelas não só físicas como também psicológicas, que se estende às pessoas próximas daquela agredida.
A agressão, principalmente no meio familiar, pode ser evitada. Se isso ocorre, é possível estabelecer uma vivência de paz. Alguns estudos da pedagogia mostram a importância de se evitar uma palmada em criança. Ao invés de bater (para tentar educar), se estabelecer uma conversa/diálogo. Pois segundo Deslandes:
Nem sempre sabemos as melhores respostas e o que é o melhor para que nossos filhos cresçam e se tornem adultos com mais chances de serem pessoas felizes. Então precisamos dividir nossas dúvidas e experiências, precisamos também conversar com outros pais. Pais que conversam e negociam as normas da família com os filhos fazem com que elas se tornem mais claras e mais fáceis de serem cumpridas por todos. (DESLANDES, 2005, p.66).
Vislumbra-se, então, que a violência pode afetar a vida dos adolescentes de variadas maneiras, e que tal fenômeno tem seus efeitos também futuros. Daí a necessidade de se buscar meios e estabelecer diálogos que amenizem tais violências.
Neste processo, há que se considerar que todos os agentes que se vinculam ao universo da criança e do adolescente têm sua atribuição, seja para coibir ou reproduzir a violência. Não obstante as limitações de diferentes ordens que caracterizam a relação entre adultos e infantes, é necessário que se reflita acerca da constituição e significação do que vem a ser a violência em si, bem como da ação destes agentes no contexto da educação formal e não-formal. Isto porque família e escola tendem a ser os agentes mais diretamente responsáveis pelos cuidados e formação destes sujeitos.
Na relação familiar, muitas vezes os membros não conseguem estabelecer um diálogo ou até mesmo relações de respeito um com outro, além de hoje em dia não existir mais aquele modelo familiar, que de certo modo vigorava no imaginário social, composto por pai, mãe e filhos. É necessário trabalhar com variações de composições familiares, e buscar um diálogo neste âmbito. Além disso, “a tarefa de criar e educar os filhos pode ficar ainda mais difícil quando a pessoa tem que ser mãe e pai ao mesmo tempo”. (DESLANDES, 2005, p.12).
Com um diálogo pré-estabelecido, de forma democrática, no cerne da família, é possível tentar estabelecer uma relação de não-violência, que poderá surtir efeitos futuros.
As crianças e adolescentes que apanham costumam mentir mais, escondendo seus erros, porque sentem medo de serem castigados fisicamente. Outros querem escapar da violência da família, e fogem de casa. [...]. Os filhos que sofrem agressões físicas aprendem a se comunicar pela violência. Quando eles têm o corpo agredido dessa forma, também se sentem machucados na alma. Eles se sentem pouco amados. Aprendem que as coisas se resolvem na força bruta. (DESLANDES, 2005, p. 17).
O serviço social pode contribuir para prevenir e reordenar as relações sociais para que não se reproduza violência, informando, sensibilizando, fazendo com que as relações possam ser mediadas pelo diálogo e pela compreensão. Conforme entendimento de Deslandes (2005, p.70) “A assistente social pode identificar formas de apoio social e maneiras para que a criança, o adolescente e os familiares tenham acesso a certos direitos, ajudando a que se estabeleça um ente mais saudável”.
Naturalmente, as mediações a serem estabelecidas pelo serviço social no âmbito da reflexão e revisão do cenário da violência não pode se restringir à família, mas deve considerar o conjunto de sujeitos e organismos a ela vinculados, como é o caso das escolas.
A escola tem uma função muito importante na vida dos adolescentes que acolhem, que ensinam e formam, pois os alunos convivem boa parte de seu dia, tempo e vida nas instituições de ensino. A comunicação não pode faltar entre a escola e os alunos, entre as famílias e a escola, e entre os três (escola, alunos e família).
A escola tem que aproximar cada vez mais os membros da família dos alunos para atraí-lo, para unir forças nesse processo de diminuir ou prevenir os tipos de violência. Com isso, é preciso conversar sempre com a família, alertando as necessidades da criança e do adolescente, e não os tratando com diligência, deixando-os viver por conta própria, e sim, mostrar e ter cuidado, pois além de tudo precisam de carinho.
Algumas famílias, que nunca acompanham a rotina escolar dos filhos, às vezes também cometem outras violências que prejudicam ainda mais a vida de crianças e adolescentes. Por exemplo, é considerada negligência quando os pais deixam de cuidar da higiene, de dar alimentação, de levar para tomar as vacinas, de cuidar da segurança, de colocar a roupa certa para cada tipo de clima, de dar lazer para seus filhos. (DESLANDES, 2005, p.36).
Sabemos as dificuldades que as famílias encontram para educar seus filhos, porém a escola pode orientá-las. Sabemos, ainda, que muitos pais, avós, tios e tias, e irmãos, trabalham e não têm tempo para atender as necessidades dos adolescentes: acham que já são “grandinhos” e podem “se virar”. Esse imaginário precisa mudar, pois é necessária uma união e cooperação da família para a formação dos adolescentes.
A escola pode estar diagnosticando violências individuais entre os próprios alunos, e trabalhar com eles tais comportamentos, pois encontramos diferentes tipos de violências entre eles. Conforme Mezinski,
[...] agressões verbais – que tomam a forma de insultos e apelidos ofensivos – ou agressões físicas, que se traduzem por socos e tapas. Um modo não exclui o outro, como em casos de extorsão, trote ou agressão sexual. Essas formas de abuso de poder entre jovens – sobretudo no ambiente escolar – são conhecidas hoje como bullying. (MEZINSKI, 2007, 85).
O adolescente agressivo pode ser rotulado como causador de bullying. Este é um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ("valentão") ou grupo de indivíduos, com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender. Este processo tem sido uma tendência nos dias atuais e cada vez mais tem ocorrido casos de bullyng em escolas de diferentes contextos socioeconômicos e culturais. Naturalmente, esta é uma expressão de aspectos de vida e convívio, que se manifestam na escola, mas perpassam por diferentes dimensões de convívio.
Este contexto desafia profissionais e responsáveis a pensar estratégias diferenciadas para se rever a questão da violência e sua reprodução nas relações sociais, sejam elas estabelecidas no âmbito doméstico ou escolar. Assim, o serviço social pode atuar em suas dimensões sócio-educativas, sócio-assistenciais ou mediadoras, para instituir mecanismos capazes de fomentar a revisão das condutas adotadas e mediar os processos interativos pelos quais os sujeitos possam construir novos formatos de convívio.
Ao dirigir sua prática nestas dimensões e atentar para a ênfase preventiva do fenômeno da violência, o serviço social se coloca como agente estratégico na consolidação de direitos e deveres da criança e do adolescente já preconizados pelo ECA e pelas demais políticas de direitos sociais e humanos.
Deste modo, segundo Silva, pode-se descrever o bullyng como:
O bullyng ocorre em todas as escolas, independentemente de sua tradição, localização ou poder aquisitivo dos alunos. Pode-se afirmar que está presente, de forma democrática, em 100% das escolas em todo o mundo, públicas ou particulares. O que pode variar são os índices encontrados em cada realidade escolar. Isso decorre do conhecimento da situação e da postura que cada instituição de ensino adota, ao se deparar com casos de violência entre alunos. (SILVA, 2010, p. 117).
Assim, podemos afirmar que o bullyng é algo destruidor e se expande de forma rápida, uma vez que está presente em todas as escolas, fazendo com que se dissemine cada vez mais. A autora acima descreve que, no entanto, um dado chama atenção: quase a totalidade das denúncias é relativa a agressões ocorridas em escolas públicas, onde a tutela do Estado é direta. Isso aponta para uma realidade preocupante: muitas escolas particulares abafam os casos de bullyng em suas dependências com receio de perderem “clientes”. (SILVA, 2010, p. 118).
O silêncio e a omissão frente ao fenômeno do bullyng são extremamente danosos, pois não geram discussão ou solução para o problema, mais sim, acabam dificultando o enfrentamento dessa questão social, e o modo de trabalhar a prevenção para coibir a reprodução.
Enfrentando o bullyng, estaremos também enfrentando a violência, pois “inúmeros suicídios, assassinatos e lesões corporais graves poderiam ser evitados entre adolescentes, se houvesse uma política séria de enfrentamentos. (SILVA, 2010, p. 118). Com isso, vislumbramos a necessidade de construção e discussão de uma política eficaz, que seja capaz de diminuir os índices desse fenômeno.
Muito se estuda ou se comenta em diversas áreas do saber, em esferas sociais e institucionais sobre a violência juvenil, o aumento de ocorrências criminais que envolvem adolescentes. Porém, ao mesmo tempo, é importantíssimo que se pense a adolescência roubada pela própria violência, de meninos e meninas com idade inferior a 18 anos que vivem à margem da sociedade, em situação de vulnerabilidade e risco.
Trabalhar com esse público (adolescentes), no âmbito da sensibilização e como fomento a um futuro mais próspero e de mudança, é um desafio de todos. Segundo Volpi (1999, p. 14), “é responsabilidade do Estado, da sociedade e da família garantir o desenvolvimento integral da criança e do adolescente”, ou seja, a família tem um papel essencial na formação dos adolescentes.
Os adolescentes precisam ser vistos e ouvidos. O olhar alheio é necessário para eles se sentirem importantes, pois algumas vezes são tratados e rotulados como “aborrecentes”. Aqueles adolescentes, em conflito com a lei, recebem, como resposta de suas práticas violentas, a repressão. Portanto, “a ação do governo e da sociedade não deve ser direcionada exclusivamente para o controle e repressão dessa parcela da população, mas para a garantia de condições de vida com dignidade”. (VOLPI, 1999, p.48).
Buscar um tratamento digno para os adolescentes, para que eles se posicionem, opinem e escutem, é uma meta importante na construção de uma política de paz, que propague a não-violência, devendo eles sentir-se inseridos, pertencentes à sociedade, aos lugares em que circulam ou que frequentam.
Dia após dia nega-se às crianças o direito de ser crianças. Os fatos, que zombam desse direito, ostentam seus ensinamentos na vida cotidiana. O mundo trata os meninos ricos como se fossem dinheiro, para que se acostumem a atuar como o dinheiro atua. O mundo trata os meninos pobres como se fossem lixo, para que se transformem em lixo. (GALEANO, 1999, p.11).
Os valores capitalistas, anunciados pelo marketing, fazem com que os meninos pobres ostentem aquilo que infelizmente só alguns podem consumir. O estado de lixo os fazem, algumas vezes, buscar, por meio ilegais, aquilo que almejam. Neste caso, existem vários tipos de violência. Citaremos apenas duas: aquela que ele usa para alcançar um determinado bem e a outra que o faz ser um indivíduo desprovido de capital, para adquirir aquilo que é anunciado a todos, e que somente alguns possuem meios para tanto.
A educação é um meio para minimizar as desigualdades berrantes que se vê e se assiste todos os dias em nosso país. O professor tem um papel belíssimo enquanto leciona o saber. Além disso, ele pode agir como um instrumento de prevenção e redução dos possíveis danos causados pela violência.
De acordo com Silva, entre as inúmeras funções da educação de nossas crianças e adolescentes está a de ensinar o respeito pelas diferenças. Educar para o convívio harmonioso entre as diversidades é obrigação de todas as instituições de ensino. O despreparo e o preconceito dos adultos no ambiente escolar e / ou familiar tendem a perpetuar e agravar o problema, além de contribuir para ocorrência de suas cruéis e indesejáveis consequências. (SILVA, 2010, p. 149).
E, também, repensando práticas cotidianas: com relação à sala de aula, os alunos são diferentes entre si, com personalidades e vivências diferentes, ocorrendo uma diferenciação entre os sujeitos, como: os alunos bons, que seriam os considerados exemplares e que tiram boas notas; e os alunos ruins, que incomodam, fazem bagunça, tiram notas vermelhas.
Essa rotulação é altamente perigosa, uma vez que os alunos, considerados problemas, acabam internalizando isso, e ao vestir essa manta,
incorporam tais características. O trabalho do professor, como qualquer outro, se torna rotineiro, ao ponto de não repensar as práticas. Assim, um projeto, que trabalhe com a conscientização dos adolescentes e familiares e com a participação e formação dos professores, se torna necessário, pois estes podem estar diagnosticando a violência, encaminhando ou acionando a rede quando for preciso e ainda não se colocarem, mesmo que inconscientemente, como agentes estimuladores desse processo.
O ECA denota o dever ao cuidado a todos, taxando as prioridades:
Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do