3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
4.2 Caracterização fisiográfica e socioeconômica da bacia hidrográfica do
4.2.5 Aspectos do Uso da terra/cobertura vegetal
Já no extremo nordeste da bacia hidrográfica do Ribeirão do Boqueirão, na estreita área de chapada (relevo residual), em função de resistência litológica de Coberturas detrito-lateríticas-ferruginosas (N1dl), há a associação de subclasses dos Latossolos, especificamente, estão correlacionados Latossolo Vermelho-Escuro, Vermelho-Amarelo e Amarelo. Segundo Reatto et al. (2008, p. 117), “as formas de relevo predominantes nos Latossolos do bioma Cerrado são residuais de superfícies de aplainamento, conhecidas regionalmente como chapadas, que apresentam topografia plana a suave-ondulada [...].”
Por fim, ainda se destaca que a associação da classe de Latossolo Vermelho com o Cambissolo foi encontrada próximo à foz do Ribeirão do Boqueirão, em relevo praticamente plano. Tanto essa associação de solo como a associação de Latossolo Vermelho, Vermelho-amarelo e Amarelo foram classificadas na classe de Erodibilidade IV. Dessa forma, essa região, formada por essas duas associações de classes de solo, apresenta o menor potencial à erodibilidade dentro da bacia hidrográfica do Ribeirão do Boqueirão. Contudo, a área ocupada por elas é ínfima em relação às demais, estando presente em apenas 1,07% da área da bacia.
ambiental envolvente, na sua luta diária pela sustentabilidade socioeconômica, guiada por preceitos de exploração agrícolas culturalmente enraizados.
De início, como pode ser averiguado por meio da Tabela 3, a pastagem é a classe de uso da terra/cobertura vegetal proporcionalmente mais presente na bacia hidrográfica do Ribeirão do Boqueirão. Esta situação decorre desse tipo de formação herbáceo-arbustiva ser a condicionante básica para a produção pecuarista, principalmente a pecuária extensiva.
Tabela 3: Área ocupada pelas classes de uso da terra/cobertura vegetal na bacia hidrográfica do Ribeirão do Boqueirão, 2015.
Classe Uso da terra/cobertura vegetal Área (km2) Percentual
I Área descoberta 4,29 5,65%
II Pastagem 29,72 39,16%
III Área campestre 22,02 29,01%
IV Área florestal 19,69 25,94%
IV Silvicultura 0,18 0,19%
Fonte: Mapa 8: uso da terra/cobertura vegetal na bacia hidrográfica do Ribeirão do Boqueirão, 2015. Org.:
Rodrigues (2015).
Caume (1997), em estudo sobre a realidade dos produtores familiares do estado de Goiás, enfatiza que a pecuária leiteira constitui a produção predominante da unidade de produção familiar, em função de ser uma estratégia de produção recorrente em meio à agricultura familiar de Goiás. Segundo esse autor isso se deve
a um conjunto de fatores tanto estruturais quanto conjunturais: a dificuldade de ingresso competitivo no mercado da lavoura tecnificada de soja e milho á disponibilidade de terras de má qualidade, a forte expansão de agroindústrias processadoras do leite na região e linhas especiais de crédito [...]. (CAUME, 1997, p. 46-47).
Esse mesmo autor, alerta, ainda, que a produtividade leiteira pode ser considerada bastante baixa (em média 2,7 por litros vaca/dia) devido ao baixo padrão tecnológico e genético do rebanho, bem como à degradação das pastagens, agravada principalmente no período seco, rebaixando ainda mais a produtividade.
Na bacia hidrográfica do Ribeirão do Boqueirão, a classe pastagem se encontra disseminada, de forma intensa, por toda a área (Mapa 8). A exceção a isso ocorre na porção nordeste, onde há a ocorrência da associação das classes Neossolos Litólicos com Cambissolo, geralmente em declividades acentuadas ultrapassando os 20%, em que as pastagens cultivadas aparecem, ainda, em menor proporção.
Mapa 8: Uso da terra/cobertura vegetal na bacia hidrográfica do Ribeirão do Boqueirão, 2015.
Nessa região, houve a presença marcante de área campestre. A predominância dessa vegetação na parte nordeste da bacia se deve ao solo pouco desenvolvido, pedregoso, em relevo fortemente ondulado. Verificou-se que essa vegetação nativa é aproveitada, de forma menos intensa, também como pastagem para atividade pecuarista. Assim, constatou a interferência antrópica, em menor proporção nessa área.
De forma acentuada, observou-se em coalescência com as pastagens a presença da classe de área descoberta. Isso se justifica pelo processo de degradação das pastagens, especialmente, no período seco, como foi citado por Caume (1997). Em função da dificuldade de acesso a técnicas e tecnologias, a pastagem ao longo do ano passa por desgaste, sendo que no período sem chuvas, típico do clima presente no Cerrado, esse processo se torna mais acentuado, resultando em pastagens ralas, e, em alguns locais, tão pouco intensas, que tendem a ser classificadas como área descoberta. Enfatiza-se que nessa classe também ocorre a presença de áreas de solo exposto derivado da preparação e/ou colheita de culturas de ciclo curto (temporárias).
Constituindo as áreas naturais, além da área campestre, foi classificada a área florestal que ocupou 25,94% da região em estudo. Espacialmente, a presença dessa classe se distribui, de forma geral, por toda a bacia hidrográfica. Entretanto, foi possível verificar locais onde existem a presença de, relativamente, grandes áreas florestais. Em contrapartida, principalmente na região central da bacia, essa classe se torna paulatinamente mais escassa.
Inclusive em alguns pontos de cursos hídricos é possível verificar a inexistência da vegetação ripária, necessária à estabilidade das margens dos canais fluviais.
No extremo nordeste da bacia, em área de chapada, onde há a associação de subclasses de Latossolo, em relevo plano, verificou-se a prática da silvicultura. Enfatiza-se, ainda, por esta classificação do uso da terra/cobertura vegetal, a praticamente inexistência da agricultura com alto grau de tecnificação dentro da bacia hidrográfica do Ribeirão do Boqueirão. Isso se justifica pelas características dessa bacia hidrográfica, que apresenta, em sua maior parte, morros e serras, considerando a tipologia de Florenzano (2008).
Pode-se inferir que as limitações do ambiente influenciam diretamente a ocupação e o uso da terra. Principalmente, as restrições de cunho geomorfológico, que são dificilmente transpostas, implicam diretamente no modo de organização da atividade pecuarista que redunda na pastagem como tipo de uso da terra preponderante. Os solos da região, que são influenciados diretamente pelo relevo, apresentam-se como fator limitador, especialmente para os agricultores familiares, que possuem restrição de recursos humanos, técnicos e financeiros para melhorarem e se adequarem às condições pedológicas de acordo com suas
necessidades.
Apesar disso, destaca-se que o uso da terra de forma inadequada e/ou de forma intensa gera como consequência a depredação dos recursos naturais fundamentais à vida, como é o caso da água e do solo. A erosão laminar reflete um desses problemas, que não se traduz em desastres ambientais instantâneos, mas termina por desgastar o solo e dificultar ainda mais o manejo da terra, tendendo a impedir uma relação, minimamente, harmônica entre os agricultores e o meio físico.
Considerando isso, na próxima seção, buscou-se discutir/indicar a suscetibilidade natural à erosão laminar da bacia hidrográfica do Ribeirão do Boqueirão para compreender como o uso da terra/cobertura vegetal atual está contribuindo para agravar ou minimizar a erosão laminar nessa bacia hidrográfica.
5 SUSCETIBILIDADE AO PROCESSO DE EROSÃO LAMINAR NA BACIA