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CAPÍTULO 3 – TRANSCODIFICAÇÃO FÍLMICA DA OBRA O SENHOR DOS ANÉIS

3.6. O texto adaptado

3.6.1. Aspectos preservados do romance

Tratando de uma obra adaptada, inúmeros são os elementos preservados do original para a conversão, ainda mais se a obra adaptada perder a essência do conteúdo primeva, certamente o resultado do trabalho tornar-se-á um fiasco.

As ordens dos elementos podem estar alteradas, contudo, o conteúdo é o mesmo, assim como cortes ou acoplamentos de personagens e cenas, que resultam para a eficácia da estética fílmica. O filme necessita condensar a obra original, o tempo que este veículo dispõe em uma apresentação ao público que o consumirá é restrito e depende do adaptador conciliar as cenas, condensando-as, resumindo-as e mantendo sempre o suspense em máxima a fim de agradar e manter a atenção do espectador. A seguir veremos, por meio do prisma condensado, as principais características que se mantiveram preservadas do original para a réplica adaptada.

A principal atmosfera que o autor buscou proporcionar com a sua saga foi concernente à raça hobbit. O filme, quando se inicia, consegue nos transportar à vila hobbitiana, o Condado, permitindo ao espectador conhecer o estilo de vida dos pequenos, a cultura daquela região, do povo que nela habita. As personalidades, características físicas, enfim, todos os elementos referentes a Hobbits foram cuidadosamente preservados, mantendo-se cópias fiéis ao original, permitindo aos que desconhecem a obra literária poder, por meio duma apresentação fílmica, adentrar naquele mundo imaginário que o autor criou.

As festividades, vestimentas, carisma e apetites insaciáveis são padrões peculiares da raça, principalmente a falta de interesse em desbravar o mundo que os abrange, salvo exceção a uma minoria que se destaca na história.

Outro componente fielmente preservado é na personificação do mago cinzento, Gandalf. Para os moradores do Condado, Gandalf era dito como o “perturbador da paz”, pois a presença dele e as histórias que ele narrava acabava por incitar jovens hobbits a desejarem e partirem mundo afora.

Quando Frodo, Sam, Merry e Pippin rumam sentido ao Pônei Saltitante, no vilarejo de Bri, em busca de proteção, vários são os encontros com os espectros do Anel, os pequenos buscam sempre se manterem alertas e unidos, somando uma proteção mútua pelas suas vidas.

Gandalf busca pelos conselhos do membro da maior ordem dos Magos, Saruman, o Branco, e neste encontro descobre que o amigo tivera se aliado ao rival.

Como o mago havia falado do Anel e do povo hobbit, Saruman na hora já ordena que partam em busca do portador do Anel.

O mago cinzento é mantido prisioneiro na masmorra de Isengard até que mudasse de idéia e se aliasse também aos poderes de Sauron. Por longo tempo o mago é mantido prisioneiro até Gwaihir, Senhor do Vento, vir em seu auxílio e libertando Gandald dos domínios de Saruman na masmorra.

Os quatro hobbits viajantes rumam até Bri, em busca da taverna (Pônei

Saltitante), de que Carrapicho era dono. Encontram com um novo companheiro, Aragorn que,

aparentava ser um mero chantagista mas que na realidade se tratava do herdeiro do trono das terras ermas.

Aragorn pela sua espada protege os pequenos dos ataques repentinos dos Espectros do Anel.

Ainda em Bri ocorre um desfecho dos Espectros adentrando o quarto dos pequenos. Por sorte, Aragorn auxiliou-os a mudar de quarto, pois naquela noite havia ocorrido muito tumulto pelo fato de Frodo ter colocado o Anel e sumido na multidão.

Na manha seguinte os companheiros rumam até a Estrada Velha refugiando-se no Topo do Vento. Lugar comumente chamado Amon Sûl é o próximo encontro dos pequenos com os Espectros do Anel. Não possuem a mesma sorte de outrora. Desta vez Frodo é sucumbido, coloca o Anel e é atacado por um Espectro.

Aragorn tenta aliviar a dor de Frodo colocando sobre a ferida folhas da planta Athelas que, manuseada por um rei, surte efeitos medicinais.

Os peregrinos continuam a caminhada até Valfenda em busca dos sábios conselhos de Elrond.

Quando os companheiros atravessam o Vau e adentram nos domínios de Valfenda, Aragorn, filho de Arathorn, é revelado descendente da raça dos grandes Reis.

Nem tudo o que é ouro fulgura,

Nem todo o vagante é vadio; O velho que é forte perdura,

Raiz funda não sofre o frio.

Das cinzas um fogo há de vir,

Das sombras a luz vai jorrar; A espada há de, nova, luzir,

O sem-coroa há de reinar. (TOLKIEN, 2000a, p. 262).

Há a apresentação dos membros pertencentes do Conselho e a importância que estes tinham na questão do mal do Anel naquela Era vigente.

Gandalf narra o quanto sofreu nos domínios de Saruman na torre de Isengard e diz que perderam um aliado.

São escolhidos os membros que farão parte da demanda que rumará até a destruição do Anel; os três hobbits são ofertados para acompanhar Frodo na missão, pois assim como Pippin afirma: “Nós hobbits devemos permanecer juntos. E vamos permanecer.” (TOLKIEN, 2000a, p. 289). Os outros companheiros também buscam auxiliar Frodo no caminho. São eles: Gandalf; Boromir, Légolas; Gimli; Aragorn.

Os companheiros caminham até as Portas de Durin, nas Minas de Moria e lá se deparam com um enigma para poderem ser abertos os portões. Frodo ajuda Gandalf a desvendar tal dilema.

Nesse tempo, um monstro das profundezas surge e puxa alguns dos membros para dentro da água. A demanda se desvencilha e adentram a Mina.

A Mina de Moria se encontra como um túmulo da raça anão. Orcs haviam saqueado e destruído grande parte daquele que veio a ser um palácio dos mais cobiçados e bem feitos de todos os tempos. Ataques de orcs e troll da caverna atingem a demanda, mas todos se mantêm ilesos.

Agora a demanda se encontra com um mal maior; na ponte de KHAZAD-DÛM luta Gandalf e um demônio dos tempos antigo, um Balrog.

Gandalf cai com o demônio e a comitiva continua sentido a Lothlórien. Quando eles adentram aquele reino, são surpreendidos por elfos da floresta que se encontram desconfiados dos presentes.

A senhora de Lórien, Galadriel aparece e oferta a Frodo olhar pelo Espelho de Galadriel. O espelho relata coisas que já aconteceram, coisas que estão acontecendo e as que ainda estariam a acontecer.

Frodo olha pelo espelho e se depara com o Senhor do Escuro em sua espreita e, com medo do que viu, acaba por oferecer o anel a Galadriel que, de maneira esplêndida, rejeita-o.

Os viajantes recebem presentes ofertados pela elfa e continuam a caminhada. Partem de Lórien e fazem uma parada para descansarem em Amon Hen. Boromir, possuído pelo desejo do anel, tenta à força retirá-lo de Frodo. O pequeno se desvencilha de Boromir e se encontra com Aragorn. Frodo livremente oferta o anel, mas o guerreio recusa de imediato.

Frodo então se desvencilha do restante dos companheiros para continuar a jornada sozinho, não antes de Sam o achar e rumar junto com seu mestre até os domínios de Mordor.