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2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.10 Organização Pública

2.10.2 Aspectos Relevantes para Gestão Municipal

O planejamento urbano efetivo é implementado mediante a elaboração de normas legais e, sobretudo, mecanismos de inclusão que permitam a participação e intervenção das comunidades e entidades no processo de reflexão sobre a cidade em si. Os que cuidam do planejamento urbano do Município devem ser capazes de pensar a cidade estrategicamente, garantindo um processo permanente de discussão e análise das questões urbanas e suas contradições inerentes, de forma a permitir o envolvimento de seus cidadãos.

Por outro lado, o planejamento urbano municipal deve operacionalizar mecanismos e instrumentos que impulsionem o desenvolvimento da cidade, fomentando e antecipando ações, bem como promovendo iniciativas compartilhadas que intensifiquem as relações do Estado com a iniciativa privada, visando melhorar a qualidade de vida da população.

Dessa forma, Fidelis (2006) relata que a vida nos municípios é um desafio constante, do qual surgem inúmeros conflitos entre os múltiplos e diferentes interesses. A esfera municipal assume um papel chave ao ser responsável pela elaboração, implantação e avaliação contínua de sua política local, estabelecida por meio do plano plurianual municipal, plano diretor municipal e planejamento estratégico municipal.

Como descrito por Netto et al (2006) os instrumentos de planejamento na gestão pública municipal são a Lei Orgânica do Município, o Plano Diretor, o Plano Plurianual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias e Lei de Orçamento Anual destacados a seguir.

O planejamento urbano municipal proposto pela Constituição Federal de 1988 não pretende impedir o crescimento econômico do município. Ao contrário, o crescimento econômico deve ser uma meta, bem como a preservação do meio ambiente, e a proteção da dignidade da pessoa humana e da possibilidade de participação da comunidade na elaboração do próprio planejamento urbano.

A Lei Orgânica Municipal está para o município assim como a Constituição Federal está para o País. Ela é a lei máxima do município. Os artigos 18, 29 e 30 da Constituição Federal de 1988 preconizam que o Município possui autonomia para legislar em termos municipais, ou seja, o Município pode gerir os seus próprios negócios.

De acordo com o artigo 23 da Constituição Federal de 1988, o Município é competente, juntamente com a União, os Estados e o Distrito Federal, para a proteção do meio ambiente e o combate a poluição em qualquer de suas formas (art. 23, VI) e para a preservação das florestas, da fauna e da flora (art. 23, VII). O artigo 30, por sua vez, relaciona as competências normativas que cabem unicamente ao município, entre as quais se destaca legislar sobre assuntos de interesse local (art. 30, "a") e suplementar a legislação federal e estadual, no que couber (art. 30, "b").

Prevista no artigo 182 da Constituição Federal de 1988 e regulamentada nos artigos 39 à 42 do Estatuto da Cidade lei nº 10.257/2001, a lei do Plano Diretor é um instrumento fundamental para o planejamento urbano por definir a política de desenvolvimento e expansão urbana, estabelecendo um modelo compatível com a proteção dos recursos naturais, em defesa do bem-estar da população.

Como pretende corrigir distorções e rumos no desenvolvimento, o plano diretor pressupõe um estudo das potencialidades e deficiências do município. Devem-se avaliar a dimensão territorial, econômica, social e ambiental do município. Daí a relevância de um diagnóstico bem elaborado que orientará a expansão urbana.

Por outro lado, a elaboração do plano diretor pressupõe discussões com a comunidade sobre os rumos do desenvolvimento. Na verdade, essa participação da comunidade deve existir permanentemente, por exemplo, por meio dos conselhos. O fato é que a comunidade precisa estar envolvida na definição dos objetivos e estratégias que pautarão o desenvolvimento urbano.

Um aspecto importante a ser ressaltado se refere ao monitoramento das medidas previstas no plano diretor. Para que possuam efetividade, deve existir um sistema de avaliação do desenvolvimento urbano que avalie a compatibilidade entre o previsto no plano diretor e o realizado.

O plano diretor é, assim, o instrumento capaz de definir as regras de um desenvolvimento urbano em que a sociedade se beneficia em harmonia com o meio ambiente, propiciando-se o aprimoramento da qualidade de vida de todos os habitantes.

O sistema orçamentário brasileiro é disciplinado pelo Artigo 165 da Constituição Federal, transcrito a seguir:

“At. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: I – O plano plurianual;

II – As diretrizes orçamentárias; III – Os orçamentos anuais.”

O plano plurianual (PPA) é a peça representativa do planejamento governamental, onde constam as diretrizes, os objetivos e as metas relativas ao programa do governo, concernentes às despesas de capital e outras delas decorrentes e ainda aos programas de duração continuada. O plano plurianual vigora do segundo ano de um período legislativo até o primeiro ano do período seguinte. Assim, um prefeito recém empossado, recebe as metas e ações do primeiro ano de seu governo já definidas pelo plano plurianual fixado na administração que lhe antecedeu. E esse prefeito deixará ações e programas já fixados para o primeiro ano de seu sucessor.

As leis de diretrizes orçamentárias (LDO) e as leis de orçamentos anuais (LOA) têm vigência durante o exercício financeiro. As leis de diretrizes orçamentárias tem como função principal fornecer orientações básicas acerca da elaboração, execução e alteração da lei orçamentária anual. Mas também trata de estabelecer os programas de governo prioritários para cada ano, a partir do plano plurianual. Além disso, a lei de diretrizes orçamentárias estabelece, por imposição constitucional, a política de aplicação das agências de fomento e as alterações na legislação tributária, devendo estar compatível com o PPA.

Cada plano plurianual necessita de quatro leis de diretrizes orçamentárias e de quatro leis orçamentárias para a sua implementação.

Como caracteriza Brasil (2008b), a gestão municipal no segmento de recursos humanos é redigida pela Lei de Estrutura Administrativa da Prefeitura Municipal, pela Lei do Plano de Cargos e Carreiras da Prefeitura e pela leis de fixação dos subsídios dos agentes públicos, destacados a seguir.

A lei que organiza a Prefeitura é a lei da estrutura administrativa. Ela institui as secretarias e demais órgãos, distribuindo as atribuições entre eles. A lei será mais efetiva se acompanhada de um regimento interno, expedido por decreto do(a) prefeito(a), pormenorizando essas atribuições e estabelecendo procedimentos. Se a estrutura existente na Prefeitura não estiver compatível, deve- se providenciar a elaboração do projeto de lei para fazer uma adaptação.

A lei do plano de cargos e carreiras da Prefeitura indica os cargos existentes no Poder Executivo, em termos qualitativos e quantitativos. É nela que se identificam a qualificação exigida para a ocupação de cargos, as carreiras dos servidores, os critérios adotados para ingresso e as condições relativas às promoções. O plano de cargos e carreiras é fundamental para o estabelecimento de uma política de recursos humanos (recrutamento, seleção, treinamento, avaliação e remuneração) que permita ao município dispor de boa equipe funcional. O magistério tem tratamento especial, e a seus integrantes são garantidos planos de carreira, piso salarial profissional e ingresso por concurso de provas e títulos.

As leis de fixação dos subsídios dos agentes políticos – denominação dada à remuneração dos agentes políticos (prefeito, vice-prefeito, secretários municipais, presidentes de Câmaras e Vereadores) –, que deve ocorrer na legislatura em curso para vigorar na seguinte, há de se observar o que dispõem a Constituição Federal, as respectivas Constituições Estaduais e a Lei Orgânica Municipal. É importante consultar o Tribunal de Contas competente para saber se foi expedida orientação ou se houve alguma reprovação por parte desse órgão a respeito da fixação dos subsídios, como tem acontecido em vários estados.