A Controladoria moderna que evoluiu desde os primórdios da Contabilidade Agrícola até a fase atual, em que é apontada nas pesquisas acadêmicas como provedora das informações gerenciais para tomada de decisão no cumprimento dos objetivos estratégicos do negócio.
Considerando as dúvidas apontadas nas pesquisas acadêmicas sobre as funções e atividades da Controladoria, assim como os resultados muitas vezes contraditórios destas pesquisas, o objetivo principal deste trabalho foi “verificar se a Controladoria das empresas privadas de controle brasileiro, da cidade de São Paulo; está praticando a Estrutura Conceitual da Controladoria discutida na pesquisa acadêmica, em seus aspectos procedimentais: objetivos, funções e artefatos utilizados”.
A pesquisa foi desenvolvida com 108 empresas, encontradas na Pesquisa “Maiores e Melhores – Exame 2011”, conforme Tabela 3.1, das quais se obtiveram 24 respostas.
Foram estabelecidos quatro objetivos específicos para dar mais precisão na busca do objetivo principal, que foram atendidos conforme demonstrado:
1) Identificar os objetivos e funções da Controladoria bem como os artefatos utilizados da Estrutura Conceitual da Controladoria discutida na academia. Este objetivo foi cumprido com a elaboração do Questionário, Apêndice A, após a elaboração do capítulo 2 – Referencial Teórico;
2) Investigar a aderência das empresas à Estrutura Conceitual da Controladoria discutida na academia, que foi atingido através da tabulação das respostas da pesquisa;
3) Verificar se existe associação entre o desempenho econômico das empresas pesquisadas e a aderência à estrutura conceitual discutida na academia, comprovado na Tabela 4.5 – Rentabilidade das mais aderentes x menos aderentes;
4) Verificar se existe associação entre o tamanho das empresas e o desempenho econômico das empresas pesquisadas, comprovado na Tabela 4.6 – Rentabilidade das maiores x menores segundo as vendas brutas.
Duas premissas foram formuladas para ajudar a responder às questões da pesquisa: P1 “As empresas mais aderentes à estrutura conceitual têm desempenho econômico melhor do que as empresas menos aderentes”. Positivamente comprovada, conforme Tabela 4.5, as onze maiores empresas em aderência, com aderência média de 66% e rentabilidade média de 20%; e as onze menores empresas em aderência, com aderência média de 49% e rentabilidade de 15%.
P2 “As empresas maiores, por terem maior capacidade de investimento em recursos tecnológicos e humanos, conseguem melhor desempenho econômico do que as empresas menores”. Positivamente comprovada, conforme Tabela 4.6, as onze maiores empresas com média de vendas de US$ 2.202 mil, e 20,4% de rentabilidade média; e as onze menores empresas com média de vendas de US$ 274 mil, e 14,8% de rentabilidade média.
A média de aderência das empresas às questões dos três primeiros blocos que tratam de gestão, objetivos e funções foi de 88%, uma aderência bem alta, podendo-se dizer que as definições do papel da Controladoria, seus modelos e funções, para as empresas desta pesquisa, estão bem aderentes à Estrutura Conceitual da Controladoria. Isto significa que a parte de conceitos e objetivos da Estrutura Conceitual da Controladoria da Controladoria está sendo praticada pelas empresas desta pesquisa.
A média de aderência das empresas às questões dos três blocos que tratam de artefatos foi de 43%. Destes, a média referente aos artefatos considerados tradicionais foi de 72%, podendo-se dizer que estes também estão bem consolidados.
A média de aderência dos artefatos modernos foi de 34%, e não se pode deixar de considerar também que nessa média, muitos artefatos têm aderência na faixa entre 50% e 100%; além do que, a implementação desses artefatos modernos exige recursos, tais como tempo, pessoas e treinamento, o que inibe uma aderência rápida ou imediata a esses artefatos.
Assim sendo, acredita-se responder positivamente à questão de pesquisa “A Estrutura Conceitual praticada hoje pela Controladoria das empresas privadas de controle brasileiro, da cidade de São Paulo, no cumprimento de seus objetivos, funções, e considerando também os artefatos utilizados, é aderente à Estrutura Conceitual discutida na pesquisa acadêmica”. Ressalva-se que, nas ferramentas utilizadas pela Controladoria, a parte dos artefatos modernos ainda tem uma aderência relativamente baixa, 34%.
O resultado da pesquisa demonstrou também a existência de associação entre aderência à pesquisa e rentabilidade, tendo em vista a diferença de rentabilidade entre as
empresas com maior e menor aderência, comprovando positivamente a Premissa P1 “As empresas mais aderentes à estrutura conceitual têm desempenho econômico melhor do que as empresas menos aderentes”. Deve-se observar que, para uma análise mais acurada, seria necessária uma amostra com empresas com as mesmas realidades de mercado; entretanto observam-se empresas com setores coincidentes entre as empresas menos aderentes e as mais aderentes.
Demonstrou-se também que as maiores empresas em vendas obtiveram maior rentabilidade do que as empresas menores, comprovando positivamente a Premissa P2 “As empresas maiores, por terem maior capacidade de investimento em recursos tecnológicos e humanos, conseguem melhor desempenho econômico do que as empresas menores”.
Comprovadas como verdadeiras as Premissas P1 e P2, verificou-se a não coincidência entre as 11 empresas mais aderentes e as 11 maiores em vendas; confirmando que o segundo aspecto do problema da pesquisa foi respondido positivamente, “as empresas, com prática aderente à Estrutura Conceitual discutida na pesquisa acadêmica, têm desempenho econômico melhor do que as de prática não aderente”.
Na análise de aderência por bloco e faixa de rentabilidade dos três últimos blocos de Artefatos comprovou-se o comportamento crescente nas aderências conforme se aumenta a faixa de renda, reforçando com isso a comprovação da Premissa P1 e o segundo aspecto do problema da pesquisa como resposta positiva, “as empresas, com prática aderente à Estrutura Conceitual discutida na pesquisa acadêmica, têm desempenho econômico melhor do que as de prática não aderente”.
Comprovadas as Premissas P1 e P2, assim como as duas questões de pesquisa, considera-se que o objetivo principal do trabalho foi atingido: “verificar se a Controladoria das empresas privadas de controle brasileiro, da cidade de São Paulo; está praticando a Estrutura Conceitual da Controladoria discutida na pesquisa acadêmica, em seus aspectos procedimentais: objetivos, funções e artefatos utilizados”.
Com os resultados comprovados na pesquisa e considerando que as empresas com prática aderente à Estrutura Conceitual discutida na pesquisa acadêmica têm desempenho econômico melhor do que as de prática não aderente, este trabalho pode servir de orientação às empresas para estruturar ou melhorar a Estrutura da Controladoria, com seus objetivos, funções e artefatos, com base na Estrutura Conceitual discutida na academia. Dessa forma, este trabalho estará contribuindo com essas empresas para que tenham uma estrutura de
planejamento, controle e tomada de decisões gerenciais mais eficaz, propiciando a elas atingir seus objetivos estratégicos com mais facilidade e superar os desafios impostos pelo ambiente competitivo em que operam.