No processo recente de implantação do SUS, foi dada uma significativa ênfase para a Atenção Básica, inclusive com a separação do seu financiamento do conjunto das ações de assistência à saúde. Desse processo resultou também a definição dos procedimentos que compõe a atenção básica.
O Ministério da Saúde definiu, por meio de diversas portarias, o rol de procedimentos considerados de Alta Complexidade, tanto ambulatoriais quanto hospitalares, e aqueles que não foram classificados nem como da Atenção Básica nem de Alta Complexidade passaram ser considerados de Média Complexidade. A definição de um determinado procedimento como de Alta Complexidade decorreu muito mais da realidade de oferta no conjunto dos Estados do que de uma avaliação do seu nível de complexidade tecnológica.
Enquanto a Atenção Básica é claramente definida como de responsabilidade da gestão municipal, a Assistência de Média e Alta Complexidade depende do grau de descentralização presente no Estado. A gestão deste nível de complexidade da assistência somente cabe ao município quando esse se encontra em Gestão Plena do Sistema Municipal. Caso contrario é de responsabilidade da gestão estadual.
13.1 Financiamento da Assistência de Média e Alta Complexidade
O financiamento do SUS é realizado com recursos das três esferas de governo. Os recursos federais destinados à assistência para cada Estado compõem o “Limite Financeiro da Assistência”, integrado por recursos da Atenção Básica e da Assistência de Média e Alta Complexidade Ambulatorial e Hospitalar. Estes valores são disponibilizados mensalmente e base de 1/12 (um doze avos) dos valores totais publicados em portaria do Ministério da Saúde.
O Limite Financeiro da Assistência tem a seguinte sistemática de financiamento:
1 ) A t e n ç ã o b á s i c a: assistência de baixa complexidade, que deve ser ofertada por todos os municípios, entre as quais citamos:
a) controle da tuberculose e eliminação da hanseníase; b) controle da hipertensão e diabetes;
c) ações de saúde bucal; d) saúde da criança;
e) saúde da mulher.
São ações financiadas com recursos transferidos automaticamente aos municípios habilitados em Gestão Plena da Atenção Básica, com base de cálculo no per capita (R$ 10,00 habitante/ano) estabelecido pelo Ministério da Saúde.
2 ) A t e n ç ã o B á s i c a A m p l i a d a : compreende a relação de procedimentos da Atenção Básica acrescida dos procedimentos citados no anexo 2 da NOAS/SUS 01/02, que são:
a ) atendimento médico de urgência com observação; b ) assistência domiciliar por profissional de nível superior,
c ) procedimentos especializados realizados por profissionais médicos; d ) cirurgias ambulatoriais especializadas;
e ) ações especializadas em odontologia;
f ) teste imunológico de gravidez e eletrocardiograma.
Para esses procedimentos, o ministério definiu o per capita de R$ 10,50 por habitante/ano.
3 ) A t e n ç ã o d e M é d i a e A l t a C o m p l e x i d a d e A m b u l a t o r i a l e H o s p i t a l a r : essa relação de procedimentos é financiada com recursos transferidos automaticamente aos Estados e municípios, quando habilitados em Gestão Plena do Sistema, ou, no caso de Estados e municípios não habilitados, ou habilitados em Gestão Plena da Atenção Básica ou Básica Ampliada, pelo pagamento aos prestadores de serviços de acordo com o limite financeiro definido em portaria do Ministério da Saúde.
A mudança na forma de alocação de recursos é uma preocupação constante no esforço de diminuir desigualdades e garantir acesso. A partir da implantação da NOAS/SUS 01/01, o Ministério da Saúde estabeleceu o valor de R$ 6,00 habitante/ano como o per capita nacional para o financiamento do conjunto de procedimentos do nível M1. Os Estados que possuem o per capita inferior a esse valor receberão recursos para compensar a diferença. Esses recursos serão incorporados ao Limite Financeiro do Estado quando da qualificação das microrregiões de saúde, conforme prevê o Plano Diretor de Regionalização.
4 ) A ç õ e s e s t r a t é g i c a s : são financiadas pelo Ministério da Saúde por meio do FAEC, independente da condição de gestão em que o Estado ou o município estejam habilitados. Os procedimentos estratégicos não têm limite financeiro por unidade federada, já que se constituem em uma proposta de indução da oferta.
O FAEC foi criado pelo Ministério da Saúde em abril de 1999, por meio da portaria GM/MS nº 531. O objetivo foi o de garantir o financiamento pelo gestor federal de procedimentos de Alta
Complexidade em pacientes com referência interestadual ou procedimentos decorrentes de ações consideradas estratégicas pelo MS. O Ministério da Saúde estabelece em uma tabela de procedimentos ambulatoriais e hospitalares, o valor a ser pago aos prestadores de serviços.
13.2 INCENTIVOS (FIDEPS E INTEGRASUS)
O Ministério da Saúde estabeleceu alguns incentivos aos hospitais integrantes do SUS, objetivando o aprimoramento da assistência prestada, a melhoria da infraestrutura dos serviços e o estabelecimento de parcerias na identificação de prestadores solidários ao Sistema. Esses incentivos são descritos a seguir.
FIDEPS
O Fator de Incentivo ao Desenvolvimento ao Ensino e Pesquisa (FIDEPS) foi criado pela portaria conjunta SAS/MS e SES/MEC nº 1, de 16 de agosto de 1994. Para receber o FIDEPS, o hospital deve ser de ensino ou universitário, integrar as Centrais de Regulação do Estado e/ou município, e cumprir as metas estabelecidas pelo gestor estadual ou municipal no Contrato de Gestão. O Contrato de Gestão é o instrumento de acompanhamento que define os compromissos do prestador com o Sistema, devendo ser avaliado anualmente.
A portaria GM/MS nº 1.127, de 31 de Agosto de 1999, acrescentou novos critérios para que os hospitais de ensino recebam este incentivo. O FIDEPS é um valor adicional àquele recebido pelo hospital pela prestação de serviços. Esse valor é mensal e definido pelo gestor de acordo com a disponibilidade do Limite Financeiro para a Assistência e o nível de parceria do prestador com o Sistema. O recurso é transferido ao hospital pelo Ministério da Saúde via Fundo Nacional de Saúde, diretamente na conta do prestador.
O Incentivo poderá ser suspenso ou ter seus valores revistos pelo atendimento parcial ou não cumprimento das metas definidas. O FIDEPS está incluído no Limite Financeiro da Assistência dos Estados e municípios.
INTEGRASUS
O Integrasus é o incentivo criado pelo Ministério da Saúde para os hospitais filantrópicos sem fins lucrativos que atendam às exigências da portaria GM/MS nº 878, de 8 de maio de 2002. É repassado aos hospitais como valor adicional, de acordo com o nível em que os mesmos se enquadrem.
O nível A é destinado a todo hospital filantrópico sem fins lucrativos que atendam aos seguintes aspectos:
a) estar devidamente registrado nos órgãos competentes federais, estaduais e municipais; b) que tenham certificado de filantropia emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social; c) ter no mínimo 60% de aproveitamento na avaliação do Programa Nacional de Avaliação dos Serviços Hospitalares;
d) informar as internações de pacientes não usuários do SUS por meio do sistema de Comunicação de Internação Hospitalar (CIH);
e) ter no máximo 10% de cartas de usuários devolvidas por erro de preenchimento e não ter denúncias comprovadas de cobrança indevida e de mau atendimento aos usuários.
O hospital enquadrado nesse nível tem um acréscimo de 8% sobre os serviços prestados.
Para o nível B o acréscimo é de 15%, sendo que o hospital além de atender aos requisitos anteriormente citados, deve ser identificado pelo gestor estadual para esse nível.
São identificados no nível C os hospitais que atendem aos requisitos citados para o nível A e são considerados estratégicos pelo Ministério da Saúde. O valor adicional para esse nível é de 25%. Tanto para o nível B como para o nível C, foram estabelecidos os quantitativos máximos de hospitais por Estado a serem contemplados com o incentivo. O INTEGRASUS é pago pelo Ministério da Saúde com recursos de FAEC.
13.3 PROCEDIMENTOS DE MÉDIA E ALTA COMPLEXIDADE E ESTRATÉGICOS
O Limite Financeiro para Assistência de Média e Alta Complexidade é composto pro procedimentos ambulatoriais e hospitalates.