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CAPÍTULO IV: REVELANDO OS POLICIAIS

4.6 DIREITOS HUMANOS

4.6.2 Atividade policial e Direitos Humanos

nunca tenha fim. Assim ocorre nas diversas civilizações. Busca-se sempre mais liberdade e direitos. Porém, o que para algumas culturas é normal e aceitável, a outras não se permite. Diante desse contexto, o ser humano provocou e enfrentou diversas revoluções, a fim, sempre, de garantir novos direitos. O que se tem hoje, deve ser resguardado, protegido, cuidado, enaltecido, pois certamente, muitos se sacrificaram para consegui-los e garanti-los. O cuidado que se deve ter, é somente quanto ao fato de não se ferir tradições de povos e comunidades que convivem muito bem com práticas ou princípios que não achamos certo, mas que suas culturas permitem.

(PM 01 – MAJ – 16 anos de serviço).

4.6.2 Atividade policial e Direitos Humanos

Tabela 15

Qual sua opinião sobre atividade

policial X direitos humanos? OFICIAIS% PRAÇAS% TOTAL%

Associáveis 52 25 44

Desassociáveis 35 58 42

Outros 13 17 14

TOTAL 100% 100% 100%

Gráfico 22 Gráfico 23

Qual sua opinião sobre atividade policial X direitos humanos? OFICIAIS 52% 35% 13% Associavéis Desassociavéis Outros

Qual sua opinião sobre atividade policial X direitos humanos? PRAÇAS 25% 58% 17% Associavéis Desassociavéis Outros

[...] Relação cultural incipiente por falta de compreensão e, portanto, completa ignorância por parte dos agentes praticantes da atividade policial no que diz respeito a aplicação dos direitos humanos. Não sabem o significado de polícia.

(PM 02 – CEL RR – 23 anos de serviço).

[...] No que pese os direitos humanos, a atividade policial militar avançou um pouco esses últimos anos. Hoje já é tema nas escolas de formação, hoje já existe a preocupação dos comandantes quanto a essa questão. Ainda há equívocos quanto ao conceito, como ao entendimento e a prática desse entendimento dos policiais, sobretudo de muitos praças, que acham que direitos humanos estão relacionados à proteção de bandidos, mas muito se avançou.

[...] Claro. Direitos humanos têm o mesmo significado de polícia: prestar serviço, proteger o cidadão, tornar o ser humano digno do serviço que recebe.

(PM 02 – CEL RR - 23 anos de serviço).

[...] Pode ser compatível sim, é difícil, pra isso há de se ter treinamento, há de se abordar o assunto, há de se trazer as vivências para rodadas de discussão de modo que aqueles PMs que vivenciaram a situação reflitam e visualizem as situações e assim possam ter a compreensão de como se aplica a teoria.

(PM 6 – SGT – 14 anos e 7 meses de serviço).

Os Policiais pesquisados que nunca participaram de cursos de direitos humanos identificam uma incompatibilidade do trabalho policial com Direitos Humanos, prevalecendo às referências abordadas no capítulo desta tese que tratou sobre as violações de direitos humanos no trabalho policial.

[...] Para o policial não existe direitos humanos. Quando um policial e abatido na rua por meliante os direitos humanos não aparecem quando do contrário sim.

(PM 18 – Cabo 17 anos de serviço).

Destaco que a maioria dos pesquisados já teve a disciplina nos seus cursos de formação, porém prevaleceu a ministrada com enfoque jurídico e realce aos aspectos legalistas dos direitos humanos. Com isso, muitos policiais desacreditam nos direitos humanos ou continuam a pensá-lo

como “direito de bandidos”.

[...] Os direitos humanos vieram para dificultar um pouco o trabalho policial, pois já existem muitas leis e um certo escritor disse: “um país com muitas leis não é bom” (PM 19 – Soldado - 1 ano de serviço).

[...] Acho que deram muito poder aos direitos humanos, favorecendo mais aos delinquentes do que policiais militares.

(PM 23 – Soldado – 1 ano de serviço).

[...] Os órgãos de direitos humanos são muito influenciados pela mídia; é extremamente sensacionalista, quer vender jornal, a caba “sacrificando” o policial militar e defendendo apenas os delinquentes.

(PM 33 – Soldado – 3 anos e 11 meses de serviço).

[...] Direitos humanos só é visto do lado dos que não merecem respeito (os pilas.) (PM 37- Capitão – 15 anos de serviço).

[...] É difícil de abordar sobre um tema onde a balança cede somente para um lado, pois os PM também são seres humanos, porém na prática não existe.

(PM 42- Capitão – 15 anos de serviço).

Deve ser sempre colocada em pratica. Apenas discurso quando a sociedade não enxerga o policial como integrante da sociedade e em consequência um ente sem direito principalmente social

[...] Do ponto de vista da realidade do serviço policial militar na rua, eu digo que não, muitas vezes, o policial esquece até o seu próprio direito quando esta em situação de risco.

(PM 03- CB Feminino-17 anos de serviço).

Para Cerqueira (1998, p. 776), “[...] o discurso impiedoso contra os criminosos quase sempre esconde práticas de tolerância e cumplicidade com o crime”. Por isso, reconhecia que:

[...] Precisa ser ressaltado o desafio gigantesco que essas estratégias terão de enfrentar para a sua implantação no âmbito das polícias brasileiras, dominadas por uma cultura autoritária e antidireitos humanos. É importante que os bons policiais compreendam a necessidade de se associarem aos setores da sociedade e da administração pública, interessados em transformar as organizações policiais; acredito que somente a cumplicidade dos bons poderá acabar com os altos níveis de violação dos direitos humanos da polícia brasileira. (CERQUEIRA, 1998, p.777).

Por outro lado, na perspectiva de Balestreri81, o policial tem uma dimensão proativa e positiva na sociedade, indicando que o policial tem um papel de educador na sociedade, devendo, então, não apenas respeitar dos Direitos Humanos, mas sim promovê-los.

[...] É primordial. Não se pode pensar em polícia desatrelada do respeito aos direitos humanos. Afinal, o trabalho policial existe para servir às pessoas. Como poderia não proteger seus direitos? Como separar as pessoas dos seus direitos? Não tem como. Ao proteger as pessoas, protege-se seus direitos. Ao respeitar as pessoas, respeita-se seus direitos, a não ser que não as reconheça como tal, que realize o trabalho policial mecanicamente, como quem lida com um objeto, um ser inanimado em que se deve cuidar, mas que não tem vida.

(PM 01 - Major - 16 anos de serviço).

[...] A atividade policial, essencial e teoricamente, existe para a garantia de direitos humanos. Portanto, são não só compatíveis os conceitos, mas indissociáveis. Ocorre que existe uma instrumentalização histórica da atividade que reiteradas vezes culmina no desrespeito aos direitos humanos.

(PM 08 – Major - 15 anos e 3 meses de serviço).

[...] DDHH deveria ser o ponto de partida para a atuação do policial militar, sendo este profissional defensor e promotor de DDHH, mas atualmente vivemos um quadro em que se por um lado melhorou a seleção, formação, estrutura da corporação, por outro lado ainda há as mazelas, a violência, os crimes, a corrupção policial. Neste contexto, acredito que somente com um trabalho de parceria que envolva órgãos governamentais, órgãos não governamentais e a sociedade civil poderá ocorrer a efetivação de políticas sociais que busquem a diminuição das mazelas sociais, com a melhoria na educação, oferta de emprego para a população, com salários mais dignos. Bem como é necessária a reforma de algumas leis, visando coibir a impunidade, que atualmente impera em nosso

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Atual Secretário Nacional de Segurança Pública. Assumiu em março de 2008 a Secretaria Nacional de Segurança Pública /SENASP, sendo anteriormente Diretor do Departamento de Pesquisa, Análise da Informação e Desenvolvimento de Pessoal em Segurança Pública, da mesma secretaria.

país e que realmente ocorresse o interesse dos políticos em atuarem promovendo e garantindo DDHH para a população, estando incluído, também, o policial militar. (PM 10 – Major- Feminino – 17 anos de serviço).

[...] Hoje, já vemos os direitos humanos como direito para todos independentes se é delinquente, pois ainda acho que a palavra humano está acima de tudo, porém acredito que a instituição precisa tratar o policial, o meliante, enfim, de formas iguais.

(PM 25 – Cabo - 18 anos de serviço).

[...] A atividade policial deve ser pautada na garantia dos direitos humanos. (PM 17 – Capitão – 14 anos de serviço).

[...] É possível sim atuar dentro da doutrina dos direitos humanos, sem tornar frágil nossa atuação, é uma questão de qualificar e capacidade nossa base para compreender que D.H é uma contribuição para legitima nossa ação.

(PM 59 – Tenente-Coronel – 20 anos e 5 meses de serviço)..

Lembro que ainda no final do século XIX situado em outro contexto histórico, político e

social, dentro de uma moral conservadora “[...] um ativo humanitarista, Thedore Psrcker,

acreditava que não demoraria muito tempo para o policial se transformasse em um moral

missionary, auxiliando na obra de purificação moral dos pobres e viciosos” (SOUZA, 1998, p.

270).

4.6.3 Participação em cursos de Direitos Humanos