Hoje veremos quais são as principais pescarias extrativas que ocor- rem no Brasil, tanto a pesca continental como a pesca marinha. As informações da aula de hoje foram extraídas do trabalho “O estado dos recursos pesqueiros: pesca extrativa e aquicultura” (Ge- oBrasil, 2002).
O objetivo desta aula é que ao final dela você saiba diferenciar os variados tipos de pesca extrativista em cada região continental e marinha e quais as principais ameaças a biodiversidade que essa prática promove.
13.1 Pesca extrativa continental
A situação da pesca continental no Brasil é analisada, a seguir, por bacia hidrográfica:
a) Bacia Amazônica:
• Possui uma grande variedade de ambientes, elevada diversidade de es- pécies.
• A composição da captura apresenta uma significativa variação quanto as regiões e quanto a época de captura, dominando, entretanto, a corvina, os tucunarés, os jaraquis, o curimatá e o tambaqui.
• Ressalta-se que a única pescaria de água doce na Amazônia, direcionada a indústria, é a da piramutaba, que se restringe à foz do rio Amazonas. O pescado destina-se à exportação para o sul do país ou para o exterior.
• Há ainda a pescaria de peixes ornamentais, exercida principalmente na bacia do rio Negro, cujos exemplares são destinados essencialmente à exportação, com marcante predomínio do cardinal-tetra.
• A pescaria em reservatórios é realizada essencialmente por pescadores profissionais e é dominada pelo tucunaré.
• Avaliações do estado dos recursos pesqueiros da Amazônia os têm con- siderado - como um todo - pouco explorados, porém com riscos localiza- dos ou específicos.
• As perturbações ambientais decorrentes desta ocupação relacionam-se à construção de barragens, garimpagem, retirada intensiva de espécies ornamentais e desmatamento; o vem colocando em risco os estoques e o rendimento pesqueiro nesta região.
b) Bacia do Nordeste:
• As pescarias artesanais são altamente sazonais porque os rios secam qua- se completamente no verão.
• Na época da vazante são capturadas a curimatá, a pescada e os piaus, principalmente com tarrafas.
• Nos açudes públicos do Nordeste os recursos pesqueiros mais importan- tes a tilápia-do-Nilo, a pescada-do-Piauí, os camarões, o tucunaré e a curimatá.
c) Bacia do rio Paraná:
• A composição do pescado apresenta uma grande variedade de ambien- tes e ao longo das estações do ano.
• Nos trechos mais livres da bacia, o pescado é composto principalmente por espécies migradoras de maior porte como o pintado, dourado, bar- bado, piaparas, mandi e, mais recentemente, o armado.
• Nos reservatórios dos trechos superiores da Bacia, a pesca é dominada pela corvina, mandis, curimbas e traíra.
• No reservatório de Itaipu, os desembarques são compostos por cerca de 50 espécies, das quais as mais importantes são a sardela, curimba, corvi- na, armado e cascudo-preto.
d) Bacia do São Francisco:
• Nos trechos livres da bacia, as espécies dominantes nas pescarias são as migradoras de grande porte, como o pintado, curimatã, dourado.
e) Bacia no alto rio Paraguai:
• As pescas profissionais e esportivas são tradicionais e incidem essencial- mente sobre grandes migradores, como o cachara, o pintado, o pacu e
13.2 Pesca extrativa marinha
Apresentamos um resumo da situação dos recursos estuarinos e marinhos que suportam as principais pescarias brasileiras:
a) O camarão-rosa é responsável pela principal pescaria da Costa Norte do Brasil. Na atualidade, são elevadas as possibilidades de que o recurso se encontre em fase de sobrepesca de recrutamento. Os demais tipos de ca- marões do Nordeste, são capturados ao longo de toda a costa nordestina e, mais particularmente, nos estuários e reentrâncias.
b) As lagostas são os mais importantes recursos pesqueiros da região Nor- deste. A produção obtida com a pesca destes recursos apresentou uma ten- dência de crescimento até 1979, quando atingiu 11.032 toneladas. Atu- almente esses recursos encontram-se em elevado nível de sobrepesca em áreas isoladas, possibilitando pescarias com resultados bastante instáveis.
c) O pargo é, historicamente, um importante recurso para a pesca do Nor- deste e, mais recentemente, para o Norte. O comportamento da produção dos últimos anos indica uma recuperação do recurso em áreas sobrepesca- das. No entanto houve uma expansão da área total de captura. A acentuada participação de jovens nos desembarques, entretanto, tem sido motivo de preocupação dos especialistas.
d) O caranguejo-uçá é considerado um dos componentes mais importantes da fauna dos manguezais, sendo encontrado ao longo do litoral brasileiro. Nos estados do Maranhão e do Pará encontram-se as mais extensas áreas do ecossistema manguezal, e ambos os estados contribuíram com cerca de 50% da produção total controlada de caranguejo-uçá em toda a região Nor- te e Nordeste.
e) A sardinha-verdadeira suporta a principal pescaria industrial na região Sudeste e Sul do Brasil. O recurso apresentou um pico de produção de 228 mil toneladas em 1973, quando a frota era de cerca de 200 barcos. Estudos com base em uma série histórica de 21 anos (1977-1997) evidenciaram dois períodos favoráveis ao estoque (1980-1984 e 1989-1994) e dois desfavo- ráveis (1985-1989 e 1995 em diante). Ciclos decadais (aproximadamente a cada 10 anos), envolvendo períodos favoráveis e desfavoráveis, começam a ficar evidentes para a sardinha brasileira, a exemplo de outros estoques da Califórnia e do Japão. A situação atual é considerada como a mais séria crise de colapso do recurso.
f) Os peixes demersais do Sudeste e Sul, com destaque para corvina, cas- tanha, pescada-olhuda, pescadinha real e pargo rosa, e em menor grau, de elasmobrânquios como cação bico doce, cação anjo e viola, são responsáveis por importantes pescarias. Segundo o Grupo Permanente de Estudos (GPE) destes recursos, a partir de 1984, as principais espécies encontram-se plena- mente explotadas ou até mesmo sobrepescadas.
g) A pesca comercial de camarões nas regiões Sudeste e Sul do Brasil é dirigida para as seguintes espécies: rosa, branco, sete-barbas, barba-ruça e santana. Dentre os camarões, o recurso de maior importância econômica é o camarão-rosa. A situação deste recurso é considerada crítica.
h) A pesca de atuns e afins no Brasil é uma das mais complexas, seja pela va- riedade de métodos de captura que utiliza, seja pela quantidade de espécies envolvidas, além de ser praticada ao longo de toda a costa. As espécies mais importantes são: o bonito-listrado, as albacoras, o espadarte, o dourado, a cavala, a serra, os agulhões e várias espécies de tubarões, dentre outras. A situação de exploração das espécies mais importantes em toda a área do Atlântico Sul, segundo informações da ICCAT, à exceção do bonito-listrado, é de plena explotação para algumas, ou de sobrepesca para outras.
Atividade de Aprendizagem
1. Escolha 3 espécies da lista abaixo e faça uma breve pesquisa sobre esses recursos citados na aula de hoje, com base no que foi apresentado nas aulas anteriores.
Pesca extrativa continental
Corvina Tucunaré Jaraqui Tambaqui Piramutana Piaparas Armado Curimba
Pesca extrativa marinha
Pargo rosa Pescada olhuda
Pescada real Serra Cação anjo Cação bico doce
Cação viola
Resumo
• Vimos quais são as principais pescarias extrativas que ocorrem no Brasil, tanto a pesca continental como a pesca marinha.