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5. ANÁLISE DO MODELO PROPOSTO

5.3 MODELO DE MENSURAÇÃO

5.3.6 Avaliação do modelo com base no estilo de vida

Como havia sido proposto por esta dissertação, o estilo de vida foi utilizado como um

caracterizador dos jovens em estudo.

Desta forma, o modelo foi comparado para os dois grupos de estilo de vida

encontrados. Estes grupos já foram caracterizados no item 5.2.2.1.7. O grupo dos

despreocupados em relação ao meio ambiente englobou 171 jovens e o grupo dos

preocupados com o meio ambiente apresentou 180 respondentes.

Para realizar esta análise, utilizou-se a função que compara os grupos do software

Amos. Ao verificar a análise multigrupos foi identificada a diferença significativa (X² =60,849;

p<0,05) entre os grupos. Os outros indicadores estão apresentados na tabela 47.

TABELA 47 -Indicadores de ajustamento e resíduo dos três modelos comparados em uma análise multigrupo. Indicadores Despreocupados em relação ao meio ambiente [N=171] Preocupados em relação ao meio ambiente [N=180] 517,742 522,993 gl 355 364 X²/gl 1,458 1,437 RMSEA 0,036 0,035 NFI 0,878 0,877 CFI 0,957 0,958 IFI 0,958 0,959

Fonte: Tratamento dos dados da Pesquisa

Apenas o índice de ajustamento NFI ficou abaixo do recomendado, uma das causas

deste fato pode ser o tamanho dos grupos. Os outros indicadores ficaram com os valores

recomendados (HAIR et al., 2005). Na tabela 48 estão os resultados encontrados para a

TABELA 48 – Resultados das Hipóteses do modelo proposto por grupo de estilo de vida

Relação estrutural Grupo

Coef. Padroni

zado

t-value Hip. Status da

Hipótese

despreocupados 0,082 0,915 Não Confirmada

preocupados 0,132 1,321 Não Confirmada

despreocupados -0,104 -1,275 Não Confirmada

preocupados 0,081 0,996 Não Confirmada

despreocupados 0,185 2,153*** Confirmada

preocupados -0,044 -0,575 Não confirmada

despreocupados 0,074 0,813 Não confirmada

preocupados 0,179 1,703**** Confirmada

H1a

H1b

H1c

H1d Família Comp. de Reciclagem

Escola Comp. de Reciclagem

Mídia Comp. de Reciclagem

Pares Comp. de Reciclagem

*Resultados significativos a 0,001

**Hipótese confirmada a nível significante 0,01 ***Hipótese confirmada a nível significante 0,05 ****Hipótese confirmada a nível significante 0,1 Fonte: Tratamento dos dados da pesquisa

A hipótese H1a e H1b não foram confirmadas para os grupos de estilo de vida.

Uma possível explicação é que, embora separado em grupos de estilo de vida, cada grupo

pode apresentar jovens com comportamentos muito distintos, ou seja, heterogêneos em

relação ao comportamento de separação de materiais para a reciclagem.

Em relação às influências no comportamento, foi constatada a relação positiva

da mídia no comportamento de reciclagem, hipótese H1c (β= 0,185; p< 0,05), dos jovens

despreocupados em relação ao meio ambiente.

No outro grupo, preocupados em relação ao meio ambiente, os pares

influenciam positivamente o comportamento de acordo com a confirmação da hipótese H1d

(β= 0,179; p< 0,1).

Desta maneira, os jovens mais preocupados agem devido à uma influência

pessoal, que, pode ser considerada mais forte do que a influência da mídia, apontada no

grupo dos despreocupados. A Tabela 49 traz os resultados da segunda hipótese.

TABELA 49 – Resultados das Hipóteses do modelo proposto por grupo de estilo de vida

Relação estrutural Grupo

Coef. Padroni

zado

t-value Hip. Status da

Hipótese

despreocupados 0,085 0,913 Não Confirmada

preocupados -0,058 -0,533 Não Confirmada

despreocupados -0,003 -0,036 Não Confirmada

preocupados 0,022 0,256 Não Confirmada

despreocupados 0,101 1,14 Não confirmada

preocupados 0,091 1,106 Não confirmada

despreocupados 0,045 0,486 Não confirmada

preocupados -0,007 -0,059 Não confirmada

H2d H2a

H2b

H2c Família Conhecimento Objetivo

Escola Conhecimento Objetivo

Mídia Conhecimento Objetivo

Pares Conhecimento Objetivo

*Resultados significativos a 0,001

**Hipótese confirmada a nível significante 0,01 ***Hipótese confirmada a nível significante 0,05 ****Hipótese confirmada a nível significante 0,1 Fonte: Tratamento dos dados da pesquisa

Em relação ao conhecimento objetivo, não foi confirmada nenhuma hipótese. De

acordo com a H2a, a família não influencia o conhecimento objetivo dos jovens destes

grupos. A hipótese H2b demonstra que a escola também não foi percebida como um agente

de socialização que influencia o conhecimento objetivo. As hipóteses H2c e H2d

demonstraram que a mídia e os pares, respectivamente, também não foram percebidos

como influências do conhecimento objetivo.

Uma explicação é o fato de os dois grupos apresentarem jovens com os três níveis

de conhecimento objetivo. Ou seja, embora sejam mais preocupados em relação ao meio

ambiente, estes não apresentam um conhecimento objetivo mais elevado, 77 % destes

jovens se enquadram em um baixo ou intermediário conhecimento objetivo sobre o assunto.

Este número está próximo ao conhecimento objetivo dos pouco preocupados, nos quais

70% foram enquadrados com conhecimento objetivo baixo ou intermediário. Desta maneira,

embora os jovens de cada grupo apresentem estilo de vida similar, o conhecimento objetivo

se mostra heterogêneo. O mesmo ocorreu para o conhecimento subjetivo, conforme

demonstra a Tabela 50.

TABELA 50 – Resultados das Hipóteses do modelo proposto por grupo de estilo de vida

Relação estrutural Grupo

Coef. Padroni

zado

t-value Hip. Status da

Hipótese

despreocupados 0,137 1,207 Não Confirmada

preocupados 0,029 1,493 Não Confirmada

despreocupados 0,094 0,988 Não Confirmada

preocupados -0,027 -1,698**** Não Confirmada

despreocupados 0,037 0,4 Não confirmada

preocupados -0,004 -0,269 Não confirmada

despreocupados 0,029 0,303 Não confirmada

preocupados 0,012 0,605 Não confirmada

H3d H3a

H3b

H3c Família Conhecimento Subjetivo

Escola Conhecimento Subjetivo

Mídia Conhecimento Subjetivo

Pares Conhecimento Subjetivo

*Resultados significativos a 0,001

**Hipótese confirmada a nível significante 0,01 ***Hipótese confirmada a nível significante 0,05 ****Hipótese confirmada a nível significante 0,1 Fonte: Tratamento dos dados da pesquisa

Quando analisada a influência dos agentes de socialização no conhecimento

subjetivo, não foi observada uma relação positiva de nenhum agente de socialização nos

grupos de estilo de vida.

De acordo com a H3a, a família não influencia o conhecimento subjetivo dos jovens

destes grupos. A hipótese H3b demonstra que a escola também não foi percebida como um

agente de socialização que influencia o conhecimento subjetivo. As hipóteses H3c e H3d

demonstraram que a mídia e os pares também não foram percebidos como influências do

conhecimento objetivo.

Uma explicação, já discutida em relação ao conhecimento objetivo, é o fato de os

dois grupos apresentarem jovens com os três níveis de conhecimento subjetivo. Ou seja,

embora sejam os mais preocupados em relação ao meio ambiente, estes acreditam ter um

elevado conhecimento, 45% afirmaram ter um elevado conhecimento subjetivo. Enquanto

nos mais despreocupados, este número é apenas 9% mais baixo, 36% apresentam um

conhecimento subjetivo elevado. Desta maneira, a heterogeneidade da amostra pode ter

comprometido estes resultados. A tabela 51 traz os achados em relação o sentimento.

TABELA 51 – Resultados das Hipóteses do modelo proposto por grupo de estilo de vida

Relação estrutural Grupo

Coef. Padroni

zado

t-value Hip. Status da

Hipótese

despreocupados -0,033 -0,35 Não Confirmada

preocupados 0,051 0,471 Não Confirmada

despreocupados 0,185 2,165*** Confirmada

preocupados 0,176 1,994*** Confirmada

despreocupados 0,131 1,458 Não confirmada

preocupados 0,104 1,254 Não confirmada

despreocupados 0,158 1,653**** Confirmada

preocupados 0,182 1,607 Não confirmada

H4d H4a H4b H4c Família Sentimento Escola Sentimento Mídia Sentimento Pares Sentimento *Resultados significativos a 0,001

**Hipótese confirmada a nível significante 0,01 ***Hipótese confirmada a nível significante 0,05 ****Hipótese confirmada a nível significante 0,1 Fonte: Tratamento dos dados da pesquisa

A hipótese H4a não foi confirmada para os grupos de estilo de vida. Assim, a família

não foi percebida como uma influência do sentimento.

Em relação às três hipóteses confirmadas para o sentimento, a primeira é que a

escola influencia positivamente o sentimento dos jovens despreocupados em relação ao

meio ambiente, hipótese H4b (β= 0,185; p< 0,05). Esta mesma hipótese, H4b(β= 0,176; p<

0,05), também foi confirmada para o grupo dos preocupados em relação ao meio ambiente.

A hipótese H4c não foi confirmada, a mídia não foi percebida como influência do

sentimento pelos grupos de estilo de vida.

A hipótese H4d (β= 0,158; p< 0,1) também foi confirmada para o grupo dos

despreocupados, indicando uma influência positiva dos pares no sentimento destes jovens.

Neste caso, a escola e a mídia são importantes para sensibilizar e criar um propósito

para que os jovens reciclem. Embora sejam mais despreocupados, os jovens deste grupo

percebem maiores influências no sentimento (escola e pares). Destaca-se que a escola

pareceu como um importante agente de socialização, pois foi pontada como influência do

sentimento nos dois grupos.

TABELA 52 – Resultados das Hipóteses do modelo proposto por grupo de estilo de vida

Relação estrutural Grupo

Coef. Padroni

zado

t-value Hip. Status da

Hipótese

despreocupados 0,123 1,683 Não confirmada

preocupados 0,055 0,827 Não confirmada

despreocupados -0,048 -0,641 Não confirmada

preocupados 0,028 0,072 Não confirmada

despreocupados 0,164 2,074*** Confirmada

preocupados 0,253 3,241* Confirmada

H5

H6

H7 Co. Objetivo Comp. de Reciclagem

Co. Subjetivo Comp. de Reciclagem

Sentimento Comp. de Reciclagem

*Resultados significativos a 0,001

**Hipótese confirmada a nível significante 0,01 ***Hipótese confirmada a nível significante 0,05 ****Hipótese confirmada a nível significante 0,1 Fonte: Tratamento dos dados da pesquisa

A hipótese H5 e H6 não foram confirmadas para os grupos de estilo de vida. Desta

maneira o conhecimento, tanto objetivo quanto subjetivo, não foram relevantes para o

comportamento.

Apenas o sentimento foi confirmado como um antecedente do comportamento de

reciclagem, ou seja o sentimento afeta positivamente o comportamento de separação de

materiais para a reciclagem. A hipótese H7 foi confirmada para os dois grupos:

despreocupados em relação ao meio ambiente (β= 0,164; p< 0,05) e preocupados em

relação ao meio ambiente (β= 0,253; p< 0,001).

Estes resultados indicam que os jovens precisam sentir um propósito no

comportamento de separação de materiais para a reciclagem, mais do que conhecer seu

processo.

5.3.6.1 Considerações por grupos de estilo de vida

Para concluir as análises apresentadas, seguem algumas constatações dos dois

grupos com base no estilo de vida. Antes, porém, para facilitar a visualização dos resultados

encontrados para os grupos, são apresentados os dois modelos e em destaque as relações

significativas.

Despreocupados em relação ao meio ambiente

Preocupados em relação ao meio ambiente

Fonte: Elaborado pela autora

Figura 13 - Modelo Teórico proposto com as relações estabelecidas por grupo de estilo de vida

Embora nas análises de estilo de vida, os resultados mostram que a maioria dos

jovens preocupados apresenta maior engajamento e a maioria dos jovens despreocupados,

menor engajamento. Esta diferença não foi muito grande, sendo que no grupo dos mais

Conhecimento Objetivo Conhecimento Subjetivo Sentimentos Família Escola Mídia Pares Comportamento de Reciclagem Agentes de socialização Conhecimento Objetivo Conhecimento Subjetivo Sentimentos Família Escola Mídia Pares Comportamento de Reciclagem Agentes de socialização

preocupados, 33,3% e 32,2% apresentam baixo e intermediário engajamento. A distribuição

também é parecida no grupo dos despreocupados: 35,7% apresentam baixo engajamento,

32,7% engajamento intermediário e 31,6% engajamento elevados. Desta maneira é difícil

afirmar que as pessoas mais preocupadas com o meio ambiente são mais engajadas na

separação de materiais para a reciclagem.

Com estas constatações, nos grupos de estilo de vida ficou difícil realizar a análise.

Estas considerações geram algumas inferências sobre esses resultados: 1. os jovens não

enxergam a relação meio ambiente e reciclagem, não percebem que a reciclagem é uma

maneira de ajudar o meio ambiente. 2. é fácil falar que está preocupado com o meio

ambiente, o difícil é agir (são preocupados, mas não reciclam). 3. muitos jovens podem

reciclar sem perceber que esta ação é boa para o meio ambiente (reciclam mesmo não

sendo preocupados).

Justamente devido a estas constatações, não foi percebida diferença muito grande

entre estes dois grupos. Apenas foi observado que os grupos com pouca preocupação com

o meio ambiente, recebem influência de mais agentes em relação à reciclagem: mídia,

escola e pares. Enquanto os mais preocupados recebem dos pares e da escola.

De maneira direta, os jovens mais preocupados recebem influência dos pares para

reciclar e de maneira indireta da escola, ou seja, a escola afeta o sentimento que é

apontado como antecedente do comportamento. Os pouco preocupados recebem influência

direta da mídia e de maneira indireta da escola e dos pares, estes dois últimos também

afetam o sentimento.

A família não apareceu em nenhum momento, uma possível explicação é que ela

estava sendo mais importante nos casos de elevado comportamento e neste tipo de divisão

os de elevado comportamento ficaram divididos nestes dois grupos. Em relação aos

antecedentes do comportamento, o sentimento foi considerado o único antecedente.