MODALIDADE: DOUTORADO
4. Gostaria, portanto, de contar com sua colaboração respondendo a algumas perguntas que lhes serão colocadas a seguir Suas respostas deverão ser dadas da forma mais
4.2.7 Avaliação segundo o programa a ser proposto
A avaliação tradicional segue o esquema mostrado a seguir:
Gráfico 3 Esquema tradicional de avaliação
Há uma serie de perguntas que podem ser levantadas sobre a pertinência deste modelo, dentre as quais releva citar:
1) Qual relação da aula dada com o programa da disciplina?
2) Quais os pré-requistos necessários para a compreensão dos conceitos que serão expostos na aula?
3) Quais as habilidades que os alunos terão que empregar para comprender e apreender os conteúdos expostos na aula?
4) Quais os critérios para a aferição dos conhecimentos que serão lecionados? Somente uma nota que será entregue, burocraticamente, à secretaria da faculdade?
O que este trabalho doutoral tem como objetivo é inovar no ensino do conteúdodo programa de Direto Bancário propondo divergir deste esquema que é meramente de aferição de conhecimentos. Assim, o que se propõe aqui é mudar este paradigma, evoluindo para uma avaliação que forme estruturas de aprendizagem no aluno, para que ele possa, moto próprio, ser capaz de aprender sozinho. Para tanto, serão apresentadas ideias de teóricos desta linha de avaliação.
Não se discute ser Perrenoud um dos teóricos preeminentes no que que diz respeito à ideia de avaliação formativa. Persegue-se, aqui, dois objetivos, quais sejam: fazer uma revisão das propostas desse autor e incluir os resultados das discussões e revisões teóricas realizadas por Black e William (2009, p.1), que concluem:
Embora tenham sido oferecidas muitas definições de avaliação formativa, não existe nenhuma razão clara para defini-la e delimita-la dentro de teorias mais amplas da pedagogia. Este trabalho tem como objetivo oferecer tal raciocínio, dentro de um quadro que também pode unificar o conjunto diversificado de práticas que têm sido descritos como formativa.
Deduz-se, portanto, que há campo para o aperfeiçoamento das ideias iniciais dessa corrente de pensamento pedagógico, o que somente pode ser feito com pesquisas e estudos. Nesse sentido, o Direito oferece campo fértil para experimentações pedagógicas, dada a tradicionalidade que predomina no ensino nessa área.
A revisão em análise apontou que a avaliação formativa, em seus primórdios, estava centrada em cinco eixos:
1) discussão dos critérios da avaliação com os alunos;
2) questionamentos, discussões e trabalho de grupo em sala de aula; 3) utilização apenas de comentários sobre o conteúdo;
4) avaliação por colegas e auto avaliação; e
5) avaliação formativa com o emprego de testes e provas.
Como se observa, há componentes da chamada avaliação somativa dentre esses componentes apresentados, ressaltando-se, de modo especial, o quinto. Essa mistura de visões levou ao questionamento se a ideia assim posta estaria fincada em bases teóricas defensáveis,
embora se reconhecesse que componentes apontem mudanças na prática meramente somativa. Com efeito, o segundo componente envolve a ideia de Vygostky sobre a Zona de Desenvolvimento Proximal. Essas aparentes incongruências levaram os autores mencionados a entenderem que, embora
[...] cada uma das cinco posições largas apareceu para ser ligado ao centro ideia da avaliação formativa, exatamente como eles são tão ligados não foi claramente articulada. Além disso, a falta de uma base teórica levantou questões sobre se estes cinco esgotam coletivamente o domínio da prática de avaliação formativa. (IDEM, p. 4-5)
Com o objetivo de mais bem fundamentar a ideia de avalição formativa, Thompson (2007), baseando-se em Ramaprasad (1983), elegeu três processos-chave para o ensino- aprendizagem:
Identificar onde os alunos estão em sua aprendizagem; Definir para onde eles estão indo; e
Estabelecer o que precisa ser feito para levá-los até lá.
Embasados nessa ideia, William e Thompson (2007) propuseram um esquema que aproxima as tarefas do professor e do aluno, conforme quadro mostrado a seguir.
Quadro 1 - Entrelaçamento da Avaliação Formativa Agentes
Educacionais
Para onde o aluno está indo
Onde o aluno está agora
Como fazê-lo chegar lá Professor 1 Definir claramente
seus objetivos e os critérios de avaliação 2 Coordenar ativamente as atividades, as discussões e tarefas de aprendizagem do aluno, a fim de verificar se eles estão aprendendo.
3 Incentivar, através do reconhecimento, do progresso do aluno, a fim de que ele vá em frente. Colega de estudo em classe Entender e compartilhar os critérios para o aluno ter sucesso nas avaliações
4 Incentivar seus colegas mais avançados a cooperarem na aprendizagem dos menos avançados.
Cada aluno Entender os critérios de sucesso nas avaliações.
5 Incentivar os colegas para que eles se sintam ‘donos’ e responsáveis pelo conhecimento adquirido.
Fonte: William e Thompson (2007, p. 62); traduziu-se; grifos não originais.
De acordo com o quadro, observa-se a existência de compartilhamento de tarefas na aprendizagem, retirando do professor o papel de “magister dixit”, tão comum nas faculdades
de Direito. Um processo de ensino-aprendizagem enfocado dessa maneira representa grande inovação pedagógica. Com efeito, o professor passa a desempenhar papel ativo, concomitantemente com o aluno.
No caso do professor, não basta chegar à classe e começar a dar aula, sem definir claramente os objetivos da avaliação, o que significa esclarecer: 1) quais a tarefas que ele quer que os alunos sejam capazes de executar. [Exemplo: analisar um contrato de direito bancário, identificando objetivos, finalidades, implicações para o mercado, etc.]; 2) informar se a tarefa poderá ser realizada com ou sem consulta a fontes sobre o tema. Por outras palavras, deixar claro o que deseja que os seus alunos sejam capazes de fazer.
A segunda tarefa do professor envolve participação direta. Não basta passar tarefas para grupos de alunos realizarem, há que participar das atividades para identificar a aprendizagem dos alunos e ajudar em suas dificuldades. Incentivar os alunos nas dicussões de grupo, recompensando os acertos dos alunos com incentivo, é elemento essencial para estimular o aluno a aprender cada vez mais a matéria lecionada.
A tarefa dos alunos em classe, que deve contar com a participação do professor, tem de envolver a ajuda dos mais avançados, contribuindo com os que têm dificuldade em aprender o tema em estudo. Isso pode ser feito nas perguntas postas em sala de aula, mas, especialmente, em trabalho de grupos.A forma de organizar os grupos com alunos mais avançados para ajudar a aprendizagem dos menos avançados tem fundamento no conceito de zona de aproximação maximal, que será discutido mais adiante. Portanto, a formação de grupos de estudo não pode ser feita de modo aleatório. Exige a participação do professor que deve conhecer o nível de aprendizagem de seus alunos.
No que diz respeito a cada aluno, o professor participa da aprendizagem dele definindo como vai avaliar.
Como se deduz, a aprendizagem constitui uma tarefa coletiva, para a qual se deve compreender a organização dos elementos envolvidos no processo ensino-aprendizagem.