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3 UM HISTÓRICO DAS RELAÇÕES SUL-SUL NO CONTEXTO DAS RELAÇÕES

3.2 Blocos (regionais) caribenhos e centro-americanos

Os líderes da revolução haitiana levaram a sério a mensagem de liberdade e igualdade que ouviram de Paris e levantaram-se para declarar o fim da escravidão. Para seu espanto, foram informados pelo governo revolucionário da França que os direitos do homem e do cidadão não se estendiam aos negros [...] Se há uma definição universalmente aceitável da modernidade, é esta: a de que, ao nos ensinar a empregar os métodos da razão, a modernidade universal nos permite identificar as formas de nossa própria modernidade particular.

- PARTHA CHATERJEE

O aparecimento e o vigor do novo regionalismo em nível planetário, particularmente na década de 1990, igualmente incentivou a política de integração regional na América Central e Caribe, em que o crescimento proporcionado tanto pela integração regional quanto pela sua política econômica logrou interesse dos países dessas regiões.

Com o fito de impulsionar um crescimento econômico mais veloz, tais países abraçaram a política que a América do Sul havia aplicada nos anos 60, ou seja, tentar se industrializar através da substituição de importações. Uma vez que a industrialização através da substituição de importações não surtiu o efeito esperado (o mesmo aconteceu na América do Sul), a instituição de um mercado regional foi a iniciativa escolhida. Dessa sorte, o Mercado Comum Centro-Americano (1960), a Associação de Livre Comércio do Caribe (1968), que virou Comunidade do Caribe (1973), apareceram como projetos sub- regionais de uniões alfandegárias.

Como os mercados internos dos países em desenvolvimeno eram pequenos, as vias encontradas durante o ciclo do velho regionalimso para alavancar a economia e,

conseqüentemente, aumentar o poder aquisitivo e melhorar o nível de vida das pessoas, foram as composições de uniões alfandegárias nessa região a fim de aquecer o setor de exportação.

Acentua Oliveira (2009: 105) que

A integração econômica dentro desta visão do regionalismo tradicional, permitindo a produção de bens públicos – infra-estrutura física, inovações tecnológicas, atividades de pesquisas científicas -, poderia aumentar o volume de investimentos estrangeiros diretos, atraídos por um mercado regional mais abrangente do que aqueles nacionais e ainda ampliaria o poder de negociação coletiva dos governos em suas relações econômicas no exterior, reduzindo assim a vulnerabilidade dos países dependentes, fato que não ocorreu.

Diversos fatores estão na origem do revigoramento dos blocos econômicos da América Central e Caribe, começando pelas crises de petróleo dos anos 70 (1973 e 1979), as mudanças dos anos 80, até os novos ventos de regionalização da economia global ocasionados pelo novo regionalismo do período pós-Guerra Fria. Novas iniciativas, pactos bilaterais originando áreas de livre comércio, em que aplicações e mercadorias poderiam transitar livremente, surgiram em decorrência disso.

A década inflacionária da década de 1980 carregava consigo a perda de poder de consumo do operariado mundial, o que enfraqueceu os movimentos comunistas em várias regiões do planeta. Ao aumento dos juros internacionais seguia-se a cotação baixa nas bolsas de valores, desemprego, quebra de pequenas e médias empresas, endividamento. A redução da demanda aguçava a competição por mercados entre os países industrializados. Enquanto o discurso livre-cambista crescia, as guerras comerciais, as políticas protecionistas, o dumping, os subsídios governamentais às exportações, entre outros mecanismos, atingiam níveis inéditos49.

Um dos resultados desse processo foi a estruturação dos megablocos, ou seja, dos processos de integração econômica supranacional,... Tal fenômeno representava o estabelecimento de um protecionismo ainda maior, dentro de áreas geoeconômicas ampliadas, ou seja, era parte integrante da acirrada competição econômica contemporânea (Ibidem).

49 Trecho extraído do texto disponibilizado pelo curso à distância com tutoria “Relações Internacionais – temas contemporâneos” (turma A – 1ª oferta – 2013), do Instituto Legislativo Brasileiro.

O livre comércio e os planos de estabilização capitaneados pelo mercado foram adotados pela esmagadora maioria dos países dessa região, no sentido de se inserir no processo globalizacional (mercado aberto regional), e não correr os riscos derivados do isolacionismo.

3.2.1 ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS DO CARIBE ORIENTAL

Meu objetivo na vida é tornar a vida mais agradável para a imensa maioria; não me importo se no processo ela se tornar menos agradável para a minoria abastada.

- JOSEPH CHAMBERLAIN

A Organização dos Estados do Caribe Oriental (OECO, OECS – sigla inglesa) constitui-se numa organização regional intergovernamental surgida em 18 de junho de 1981, pelo Pacto de Basseterre (capital são-cristovense). Os seus membros são: Antígua e Barbuda, Dominica, Granada, Monserrate, São Cristóvão e Névis, Santa Lúcia e São Vicente e Granadinas. Anguilla e Ilhas Virgens Britânicas são seus membros associados. O secretariado – órgão fundamental do bloco - tem a sua sede em Castries (capital santa- luciense), e Len Ishmael (economista de Santa Lúcia) é a sua Diretora Geral. O Tribunal Supremo Caribenho Oriental bem como o Banco Central do Caribe Oriental formam suas instituições básicas.

A promoção da boa vizinhança entre os países e dependências do Caribe Oriental, a garantia dos direitos humanos e jurídicos, o crescimento sustentável, harmonização e integração econômica, e a cooperação técnica são os objetivos da OECO. Comércio, transportes, turismo e auxílio mútuo para catástrofe natural (o caso de furacões que são comuns nesta parte do globo), fazem parte de outras preocupações do bloco. O dólar do

Caribe Oriental traduz-se na moeda única de todos os membros e de um dos associados (no caso a Anguilla)50.

3.2.2 ASSOCIAÇÃO DOS ESTADOS DO CARIBE

O horror que me alvejava era europeu.

- VIVIANE FORRESTER Ce soir, après la guerre

A Associação dos Estados do Caribe (AEC) foi fundada em Cartagena das Índias (Colômbia), a 24 de julho de 1994, mas o seu secretariado localiza-se na capital de Trinidad e Tobago (Port of Spain). Os seus Estados-membros são: Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Dominica, República Dominicana, El Salvador, Granada, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, São Cristóvão e Névis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Suriname, Trinidad e Tobago e Venezuela. Aruba, França – Guiana Francesa, Guadalupe e Martinica - , Países Baixos – Antilhas Neerlandesas – e Reino Unido – Ilhas Turks e Caicos -, são os seus membros associados. Incentivar a cooperação entre todos os países da bacia caribenha (banhados pelo Mar do Caribe), ou seja, os seus vinte e cinco Estados-membros e os quatro associados é o propósito dessa organização.

3.2.3 COMUNIDADE DO CARIBE (CARICOM)

A liberdade de um homem é o jugo de outro.

- Provérbio africano, Benin

A CARICOM (Comunidade do Caribe) e (ex-Comunidade e Mercado Comum do Caribe) foi criado a 4 de julho de 1973 através do Tratado de Chaguaramas – Trinidad e

Tobago – e tem a sua sede em Georgetown – Guiana. Esta organização de cooperação econômica e política é constituída por catorze países (Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, Dominica, Granada, Guiana, Haiti, Jamaica, Santa Lúcia, São Cristóvão e Névis, São Vicente e Granadinas, Suriname e Trinidad e Tobago) e territórios associados (Anguilla, Bermudas, Ilhas Caimán, Ilhas Virgens Britânicas, Montserrat e Turks e Caicos), e substituiu a CARIFTA – Associação de Livre Comércio do Caribe -, existente desde 15 de dezembro de 196551.

Estimular a associação econômica, o livre comércio, o livre movimento de trabalho e de capital, coordenar a política externa, a agricultura e o setor industrial, desenvolver projetos afins nos campos da saúde, educação e comunicação etc., entre os seus membros, traduzem-se nalgumas de suas finalidades.