CAPÍTULO I – OS FUNDAMENTOS E OS MECANISMOS DE GESTÃO NO ESTADO
1.1 O PLANO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DO PARANÁ PEE/PR E O PDE
1.1.2 O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE): A origem do PDE Escola
1.1.2.1 Breve histórico do PDE Escola: um dos programas do Plano de
O PDE Escola é um dos mais de quarenta programas criados a partir do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Consta no site do MEC15 que o PDE Escola foi criado a partir do Fundescola, enquanto resultado do acordo de empréstimo firmado no ano de 1998, entre o governo brasileiro e o Banco Mundial. O objetivo do PDE Escola era melhorar a gestão escolar, a qualidade do ensino e a permanência dos alunos na escola. Naquele momento, o Plano de Desenvolvimento da Escola (então chamado apenas PDE) constituía a ação principal do programa, pois previa que as unidades escolares realizassem um planejamento estratégico que subsidiaria outras ações.
Segundo esse site, desde o seu início até o ano de 2005, o programa destinava-se a
atender às escolas de Ensino Fundamental que estavam localizadas nas ZAPS16 do Norte,
Nordeste e Centro-Oeste. Entre os anos de 2000 e 2007, o programa abrangia em média 3.800 escolas em 450 municípios.
No ano de 2006, após a divulgação dos resultados do IDEB referente ao período de 2005, o MEC passou a considerar necessária a criação de um mecanismo que envolvesse diretamente as escolas que apresentavam os índices mais críticos. Decidiu, então, adotar o PDE Escola junto àquele público específico. Foram realizados ajustes conceituais e técnicos na metodologia do programa, mas a principal alteração foi a mudança no critério de definição do público-alvo, adotando-se o IDEB como parâmetro, o que significou incluir todas as escolas públicas que se enquadrassem nos critérios definidos.
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Disponível em: http://pdeescola.mec.gov.br/index.php/o-que-e-pde-escola. Acesso em 02 de setembro de 2014.
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As chamadas Zonas de Atendimento Prioritário (ZAPS) eram algumas regiões escolhidas para participar do programa em função do baixo IDH.
Dessa forma, houve um grande aumento de escolas que passaram a fazer parte do PDE nos próximos anos. O aumento mais expressivo, porém, ocorreu em 2009, quando o recorte fixado mais do que triplicou o número total de unidades escolares priorizadas e quase duplicou o número de localidades atendidas em relação a 2008. Assim, em 2009, segundo os dados do MEC, foram priorizadas 27.885 escolas estaduais e municipais e, em 2010, cerca de 17% das escolas da rede pública.
Com a expansão do PDE Escola, fez-se necessário articular as Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, então entre os meses de setembro e novembro do ano de 2007, foram realizados 14 encontros que visavam a difundir e pactuar a implementação do programa com os dirigentes dos estados e municípios cujas escolas integravam o conjunto de escolas priorizadas. Como essa formação precisava chegar às bases, ou seja, na escola, no ano de 2009, mais de 10mil técnicos das secretarias de educação e diretores de escolas foram formados na metodologia do PDE, em 127 turmas. No mesmo ano, pouco mais de 17 mil pessoas receberam a formação, em 175 turmas espalhadas pelo país, totalizando mais de 27 mil pessoas capacitadas. Nesse mesmo período, foram realizadas, ainda, reuniões de trabalho com as coordenações estaduais, visando a ajustar a sistemática de análise e aprovação dos planos.
Na sua terceira etapa, a partir do ano de 2007, em função das alterações do governo brasileiro em relação à orientação político-institucional, o Ministério da Educação, vem tratando o PDE Escola “como parte integrante do rol de ações do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) nacional, cuja adesão vincula-se ao grande pacto nacional em andamento, o Compromisso Todos pela Educação.” (PARANÁ, 2008, p.5)
Os recursos do PDE Escola são repassados às instituições de ensino por dois anos consecutivos, com o objetivo de auxiliar na implementação das ações previstas no plano, o qual necessita estar validado pelo MEC. Os valores recebidos são fixados pelas Resoluções do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), variando de escola para escola, em função do número de alunos matriculados constantes no Censo Escolar do ano anterior. Em 2009, foram repassados R$ 370,2 milhões para 19.700 escolas; em 2010, R$ 317,4 milhões beneficiaram 16.615 escolas e, em 2011, quase R$ 200 milhões foram repassados para cerca de 9 mil escolas. Em 2012, o PDE Escola contemplou 13.347 escolas cujo IDEB 2009 foi igual ou inferior à média nacional (4,4 nos Anos Iniciais e 3,7 nos Anos Finais) e que não tenham sido priorizadas pelo programa entre 2008 e 201017.
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Disponível em: http://pdeescola.mec.gov.br/index.php/o-que-e-pde-escola. Acesso realizado em 02 de setembro de 2014.
A partir de 2011, o PDE Escola instalou um Sistema chamado PDE Interativo, o qual consiste “uma plataforma utilizada pelo PDE Escola, que permite a utilização da metodologia por todas as escolas públicas.” Todas as instituições de ensino têm acesso ao PDE Interativo, por meio de um login e senha, devendo alimentar anualmente a plataforma nas suas seis dimensões: 1- Indicadores e Taxas; 2- Taxas de Rendimento; 3-Ensino e Aprendizagem; 4- Gestão; 5 - Comunidade Escolar e 6 - Infraestrutura, e por meio dela podem utilizar-se da ferramenta com ou sem a geração de recursos. “O PDE Interativo foi desenvolvido com base na metodologia do PDE Escola.” (MEC, 2014)
Nesse breve histórico, percebemos que o PDE Escola vem sendo reeditado à medida que passam os anos de sua vigência e, na sua atual fase, conta com uma plataforma criada sob as mesmas bases sistêmicas da sua gênese. Também atua como um guarda- chuva, reunindo diferentes programas educacionais, monitorados a partir de uma mesma ferramenta, o PDE Interativo, exigindo das escolas o preenchimento das seis dimensões, chegando aos 100%, anualmente. A questão central reside no fato de que, muitas vezes, o preenchimento dessa plataforma não ultrapassa os limites da burocracia, concentrando-se nas mãos de poucos e fazendo com que a finalidade restrinja-se ao recebimento dos recursos, ou seja, não envolve uma participação significativa da comunidade escolar, não supera a fragmentação entre os diferentes níveis e modalidades de ensino, não transcende a imperante dualidade do ensino: a separação entre o pensar e o fazer, uns pensam e outros executam. Eis a confirmação de que receituários não contemplam as necessidades materiais que se expressam na realidade concreta de uma sociedade dividida em classes opostas entre si, não passando, desse modo, de políticas mínimas, compensatórias e pontuais, mantendo o status quo da sociedade capitalista.