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CAPÍTULO I. ETNOGRAFIA VIRTUAL – UM NOVO OLHAR AO

1.3. RELAÇÃO SOCIAL PROGRAMADA

1.4.1. Busca dirigida – Igreja

Essa inserção cultural no mundo virtual ocorre principalmente quando a extensão de página, acionada pela barra de rolagem, é feita com base em escolhas dirigidas, nas quais o internauta define aquilo que quer ver. Diferentemente da página dashboard que oferece dados à deriva do usuário, nos quais as temáticas vão se sobrepondo e não há nenhuma relação clara entre si, quando o usuário faz suas próprias escolhas, filtrando a temática, as páginas que se sucedem tendem a

espelhar sua opção e, nesse caso, as variáveis ganham maior relevância quanto mais se distanciam de suas respectivas subjetividades sobre o tema e, por isso, ganham valor geracional.

É importante destacar que Isso ocorre porque as imagens não aparecem sozinhas, mas com todas as condições de mobilidades, que incluem ingressar e se infiltrar por suas janelas. Foi explorando essa ferramenta que pude observar as mudanças bruscas de temáticas e, a partir daí, chegar a conclusões importantes que ratificaram as hipóteses da pesquisa.

Como forma de exemplificar essa questão, consta, da figura 3, a página de entrada da rede social que serviu de base para a pesquisa, tumblr, onde é possível encontrar temas aleatórios ou fazer uma pesquisa dirigida acionando a lupa, no canto superior esquerdo, onde está sinalizado ao usuário a possibilidade de “buscar no Tumblr”.

Figura 3. Página inicial plataforma social tumblr

É interessante observar a própria dinâmica dessa página, pois, em outros momentos de ingresso, a página inicial já havia mudado, assim como as postagens que figuram com a extensão da página, contudo o layout e as ferramentas disponíveis continuavam integral o tempo todo, independente de nova versão disponibilizada.

Para me certificar desse potencial na plataforma e visando a atender ao projeto da pesquisa, solicitei a busca da palavra Igreja. Imediatamente apareceram centenas de possibilidades, todas elas vão se tornando visíveis na medida em que aciono a extensão de página e vou caminhando pelo perímetro da tela do computador. Foram tantas as possibilidades abertas, que fiz um recorte (figura 4), como forma de dimensionar, no mesmo espaço, as possibilidades que são visíveis e passíveis de escolha pelo usuário.

Figura 4. Busca dirigida plataforma tumblr - Igreja

Primeira Imagem Segunda Imagem Terceira Imagem

Quarta Imagem Quinta Imagem Sexta Imagem

Primeiramente quero ressaltar a questão da expectativa gerada pelo usuário ao buscar a palavra Igreja, por tudo que essa palavra representa no imaginário de um país cristão: lugar sagrado, casa de Deus, lugar santo, lugar de oração, tipos de Igreja, imagens de santos, imagens de catedrais, etc. Quanto às palavras que estariam conjugadas às imagens, também podem ser geradas expectativas como: “minha casa será chamada casa de oração”, “a casa do meu pai”, “a casa de Deus” ou coisa do tipo. Enfim, a expectativa poderia estar conforme a lógica esperada para o tipo de solicitação feita no espaço de busca.

Outro aspecto importante é que foi possível identificar, por meio da palavra “Igreja”, uma infinidade de opções. Embora a maioria esmagadora esteja de acordo com a expectativa, contudo há um conjunto de imagens que fogem completamente ao padrão. A consulta ao resultado da pesquisa demonstrou a indicação de blogs voltados à Igreja Católica, outras centenas para Igrejas evangélicas das mais diversas, além disso, como demonstrado no recorte da figura 4 há blogs espíritas com várias mensagens sobre Igreja (ex.: quinta imagem), blogs ateus (ex.: primeira imagem), até mesmo pessoas que não se definiram quanto à religião, mas que estão incluídas nesse espaço porque abriram espaço em seu endereço para falar de religião (ex.: segunda imagem).

Além das inúmeras possibilidades que se abrem na tela de busca, há uma seta que é acionada quando se passa o mouse na última indicação (da esquerda para a direita) que abre uma intensa rota horizontal de centenas de blogs com a mesma temática, bem como com uma diversidade de opções.

Isso demonstra o quanto a religião tem se condensado nas Redes Sociais Virtuais, permitindo que a interação não se consolide apenas nos diálogos ou nas ações que são permitidas dentro dos blogs. Na verdade, já há nessa janela um caráter interativo dinâmico, porque toda a busca demanda uma mobilização do sujeito entre os resultados conseguidos, ou seja, o usuário interage com o conteúdo na medida em que vai deslizando a tela de seu computador entre os blogs encontrados pela própria plataforma.

Como demonstrado na figura 4, há várias informações que possibilitam que o usuário avalie os blogs encontrados, já que disponibiliza a quantidade de notas e todas as demais opções reveladas pela exposição das ferramentas, sem que seja necessário ingressar no ambiente propriamente dito para acioná-las, ou seja, ele

pode nesse espaço de pesquisa compartilhar, emitir uma nota, curtir, reblogar e até mesmo acessar palavras-chave que aparecem logo acima dessas opções, podendo ver como elas aparecem no blog e quem as utilizou. Trata-se de ações primárias prévias que não demandam ingresso nos blogs encontrados.

Dessa forma, os processos interativos ganham dinamismo antes mesmo de serem realizados. Esse contato prévio com o conteúdo tem caráter informativo e inclusivo, gerando as redes de relacionamento que oportunizam as amizades vagas, imateriais, pautadas na não relação física entre as pessoas, mas entre conteúdos. Para quem quer ser “amigo”, basta acionar a opção “seguir” que aparece em todos os blogs disponibilizados nos resultados de busca. Como referenciado por Ortega (2000), são amizades que não se configuram nem resultam na formação de laços.

Nesse caso, se vê claramente a dimensão da relação sujeito-ambiente, pois não é identificado nenhum diálogo concreto, uma vez que se baseia em imagens, conteúdos, possibilidades, materializando-se o conceito ator-rede, oportunamente apresentado. Basta dizer que, ao acionar a opção de busca (search), o indivíduo torna-se passivo em relação ao resultado que será produzido pela máquina, porém é ativo nas escolhas que realiza diante do que lhe é apresentado, dando às relações sociais esse teor de invisibilidade, pois “já não existem relações específicas o bastante para serem chamadas de sociais” (LATOUR, 2012, p. 19).

As opções vão além de encontrar blogs e seus proprietários, uma vez que elas podem sinalizar para uma pesquisa pautada em outras dimensões. Podemos verificar, na parte superior da figura 4, que há textos, fotos, gifs, citações, diálogos, áudios e vídeos na mesma base de dados, isso amplia significativamente as possibilidades de relação sujeito-conteúdo, já que cada uma delas lançará o internauta em outras dimensões da busca, dando-lhe as mesmas possibilidades de compartilhar, responder, reblogar e curtir.

Isso significa que não importa os parâmetros que sejam dados, pois teremos uma diversidade ampla de possibilidades de interagir com temáticas voltadas à Igreja, que podem estar de acordo com nossas expectativas, dos nossos centros de interesse ou até mesmo acionar novos centros de interesse na medida em que vão surgindo na tela do computador.

1.5. O intercâmbio entre textos e imagens

Outra FTG importante e possível de ser utilizada no ambiente virtual é a exposição e o trânsito de imagens, que não se fixam no blog que a postou, mas ficam livres, circulando entre os demais blogs e gerando ações por parte dos internautas.

Hall (2006) identifica um conjunto de características inerentes à juventude e sua exposição a aspectos dinâmicos da vida social nesse contexto global, que acabam por servir de base para um novo entendimento do conceito geracional, o qual já tinha nos pressupostos positivistas uma linha conceitual consolidada que começa a ser reelaborada e aprofundada. Entre elas, ele fala da exposição a imagens:

Quanto mais a vida social se torna mediada pelo mercado global de estilos, lugares e imagens, pelas viagens internacionais, pelas imagens da mídia e pelos sistemas de comunicação global interligados, mais as identidades se tornam desvinculadas – desalojadas – de tempos, lugares, histórias e tradições específicos e parecem flutuar livremente. (HALL, 2006, p. 75)

Importante ressaltar que as imagens operam como ferramentas de mediação entre o sujeito e o mundo, tanto no que tange à sua percepção quanto também a interpretação que delas se faz. Na presente pesquisa parto do pressuposto de que as imagens que são compartilhadas nas redes sociais virtuais já chegam aos indivíduos marcadas por subjetividades que favorecem a construção de um conjunto de significados prévios na medida em que circulam.

Importantes considerações a esse respeito são feitas por Bergson (2006) ao falar de imagens interiores e exteriores, operando como fenômenos comunicativos entre o sujeito e a realidade, não apenas por resgatarem memórias, mas por serem também produtoras delas.

Se considerarmos que nas redes sociais virtuais os sujeitos estabelecem uma relação de dependência com o conteúdo prescrito pelos dispositivos, e que isso incluem um vasto material textual e de imagens, podemos concluir que as imagens atuam paralelamente aos textos para a construção das identidades modernas, como

apontado por Hall (2006) e que, consequentemente, as próprias imagens por si mesmas operam como uma linguagem.

Outro aspecto importante em relação à imagem também deve ser pensado quando refletida sob uma perspectiva tecnológica. Ela pode não representar ipsis

litteris aquilo que sinaliza visualmente, pois o fato de estar circulando em redes

sociais e ser exaustivamente avaliada pode resultar numa distância entre sua primeira aparição – considerando-se aqui o contexto de sua produção e exposição – e as derradeiras, quando já carrega o peso das transformações interpretativas de seu propósito.

Em 2017, encontrei uma imagem do Papa Francisco que havia sido postada em 2014, intitulada #Homofobia#PapaFrancisco (figura 5) na rede social juventude- do-papa.tumblr.com na qual ele aparece erguendo a bandeira do movimento LGBT. Essa é, sem dúvida, uma imagem que foge de um padrão institucional histórico e, portanto, tem potencial para impactar pessoas por meio da recepção e dos movimentos que faz no interior das redes sociais.

Figura 5. Papa Francisco ergue bandeira LGBT

Como já referenciado, uma ação muito comum é a produção de textos opinativos sobre as imagens postadas na rede. Essa é uma possibilidade que permite associar imagens a conceitos, geralmente havendo uma congruência entre imagens e comentários sobre as quais se expressam algum juízo de valor, seja da parte de quem as envia como também pode ocorrer da parte de que as recebe.

Na plataforma social tumblr, isso pode ser claramente observado. Nela alguém se integra a uma rede de relacionamento de forma indireta, ou seja, o sujeito entra numa determinada rede social e se apropria de um texto ou imagem de alguém que desconhece. Um conjunto de ações se sucede: ele comenta, replica, curte, rebloga, e isso vai transitando pelos usuários de redes e se modificando na medida em que as pessoas vão reavaliando o conteúdo, expondo seus pontos de vista, de tal maneira que os textos e as imagens passam por constantes releituras e revisão sem que possa de fato se consolidar num consenso geral.

Na verdade, quando se compara o texto ou imagem de origem com alguns comentários realizados sobre eles, nota-se com clareza e nitidez as transformações ideológicas que neles se processaram.

Isso ocorreu também em relação à figura 5 em que o Papa Francisco ergue bandeira LGBT. Na ocasião, não só a imagem, mas também algumas palavras do Papa foram emblemáticas e ambas foram resgatadas “Quem sou eu para julgar os gays?” (Agence France-Presse, AFP) e acrescentou “se uma pessoa é gay, busca a Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?”.

Inicialmente é importante ressaltar que algumas transformações estão ocorrendo pela reinterpretação do conceito de identidade do homossexual, que em sua trajetória histórica foi sistematicamente estigmatizado pela sociedade, tendo a Igreja católica contribuído de forma substancial para que isso ocorresse pela sua concepção dual sobre o sexo, apoiada na imagem masculino/feminino como sendo o ideário de Deus para a existência humana. Trata-se de um fato, principalmente em nossa sociedade brasileira.

Isso corrobora, de certo modo, para uma visão da sexualidade como uma construção cultural, sobrepondo-se essa visão à própria percepção dela como uma construção natural. Isso pode ser mais bem compreendido em recortes sincrônicos efetuados em determinadas sociedades que, em certos momentos olhou para a

questão sexual de uma determinada forma, contribuindo para, a partir desse olhar, construir o modelo padrão a ser universalmente aceito, como foi o caso dos israelitas e dos gregos, os primeiros na questão da monogamia e consequente rejeição da homossexualidade, o segundo na valorização das homossexualidade, imposta até mesmo como prática pedagógico do sexo.

No caso brasileiro, é importante ressaltar que no âmbito normativo, a sexualidade esteve por um longo período restrita a uma prática entre homens e mulheres, sendo essa prática possível apenas no casamento e com ênfase na procriação, o que serve para justificar o grande número de filhos produzidos no seio familiar e a consequente negativa do homossexual como alguém que não se enquadrava nesse propósito.

Duarte (2005) traz importantes contribuições nesse sentido, quando se refere ao pertencimento religioso assim consolidado a partir de escolhas individuais feitas pelos sujeitos a partir de suas respectivas identidades pessoais ou a possibilidade de trânsito religioso pela não paridade entre essas duas dimensões, institucional – pessoal. Porém, acrescenta, falando especificamente sobre o catolicismo e a estratégia de manter a tradição familiar no modelo tradicional homem-mulher, o que essa tradição pode representar quando o indivíduo encontra-se em situação de oposição aos modelos prescritos socialmente.

Assim, considerando que o catolicismo caracterizou como padrão um modelo nuclear de família que desloca o homossexual para um plano secundário, são interessantes as palavras de Busin (2008, pp. 83 e 84), aqui pensadas pela perspectiva da imagem anteriormente apresentada (figura 5) e sua postura conflitante ao que define a própria Igreja sobre o tema:

“O discurso das instituições religiosas sobre a homossexualidade e, mais especificamente, o da Igreja católica, tem esse caráter poderoso, que serve a múltiplas razões: perpetuar a desigualdade entre homens e mulheres e entre o masculino e o feminino; criar e manter a fronteira entre o “nós” – determinando o que é normal, portanto aceito e valorizado – e os outros, os que fogem à normalização e devem ser rejeitados; criar condições de controle das sexualidades e dos corpos, e, portanto, de comportamentos e pensamentos”.

O que ocorre hoje, e as redes sociais têm contribuído de forma substancial para que isso ocorra, é a passagem de uma sexualidade universal, imposta para a coletividade, para uma sexualidade individual, e com isso o homossexual altera seu

status e adquire o direito de se firmar como um gênero socialmente aceitável e, a

partir daí, se casar, adotar filhos e viver uma vida social plena. Ou seja, os homossexuais incorporaram para si, por outras vias que não a prescrita pela tradição, o ideário da família historicamente constituída entre o casal (dois homens) e os filhos (via adoção), incorporando também as conquistas legais que envolvem assistência, indenização, etc.

Vemos, assim, que o tempo presente, dada suas características, tem potencializado a mudança de situações e condições historicamente determinadas, dando a elas uma nova roupagem. Como diz Bauman (2003, p. 69):

“Uma das características mais importantes da modernidade em seu estado “sólido” era uma visão a priori de um “estado final” que seria o eventual ponto culminante dos esforços correntes de construção da ordem – [...] “de um sistema de equilíbrio” de uma “sociedade justa” ou um código de “direito e ética racionais”. A modernidade diluída, por outro lado, liberta as forças da mudança [...]: deixa que as pessoas “encontrem seu próprio nível” para que depois procurem níveis melhores ou mais adequados – nenhum dos níveis presentes, por definição transitórios, é visto como final e irrevogável”.

Isto gera conflitos perante um catolicismo que tanto historicamente quanto atualmente reitera sua postura de resistência a esta nova condição, uma vez que isso implica em um desafio ao seu poder de legitimar sobre o modelo ideal de relações entre as pessoas. E isso promove uma discussão no interior das redes sociais, especialmente quando o Papa aparece não apenas levantando a bandeira LGBT, mas também sinalizando em seu discurso uma maior tolerância – da parte de Deus e da Igreja – a esse grupo.

Se considerarmos que a sociedade vai paulatinamente recusando identidades socialmente impostas, e que no interior do mundo virtual isso já se estabelece como um padrão até mesmo quando relacionado a questões religiosas, a figura em questão ganha relevância para compreender os caminhos da Igreja nas redes sociais e no mundo contemporâneo, contribuindo para um resultado previsível em nossa sociedade e em nosso tempo, que é a transformação de uma

subssexualidade em uma sexualidade que subverte nosso padrão social de pensar a família e as relações sexuais.

A proposta não é efetuar uma reflexão sobre a questão, pois não é esse o propósito da presente pesquisa, mas cabe ressaltar alguns aspectos baseados em excertos retirados do Documento elaborado pela Congregação para a Doutrina da Fé, denominado Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal das

uniões entre pessoas homossexuais (CDF, Vatican.va), publicado em 3 de Junho de

2003, sob o pontificado de João Paulo II, pois nele é apresentada uma posição de natureza moral em relação à questão.

Nesse documento, é dada ênfase ao matrimônio e às relações conjugais entre homens e mulheres como fenômenos naturais, por outro lado, é ressaltado o fato de as relações homossexuais serem, sob tal perspectiva, “condenadas como graves depravações”. Idêntico juízo moral encontra-se em muitos escritores eclesiásticos dos primeiros séculos, sendo unanimemente aceita pela tradição católica. Entretanto, a inclinação homossexual é desordenada, e as práticas homossexuais são pecados gravemente contrários à castidade. De modo pontual, o documento traz a seguinte conclusão em relação à legitimação dos casamentos entre homossexuais:

Em presença do reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas ao matrimonio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever opor-se-lhe de modo claro e incisivo. Há que abster-se de qualquer forma de cooperação formal na promulgação ou aplicação de leis tão gravemente injustas e, na medida do possível, abster- se também da cooperação material no plano da aplicação. (CDF, vatican.va)

Há de se considerar, ainda, aquilo que está previsto no próprio Catecismo da Igreja Católica (CIC) que, a respeito do homossexualismo, afirma, no item 2357:

Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves [cf. Gn 19, 1-29; Rm 1, 24-27; 1 Cor 6, 10; 1 Tm 1, 10], a tradição sempre declarou que “os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados” [CDF, decl. “persona humana”]. São contrários à lei natural.

Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem

ser aprovados. (Grifo meu)

Em 08 de Abril de 2016, uma nova abordagem sobre esse tema foi desenvolvida pela divulgação da exortação apostólica Amoris laetitia (a alegria do amor) no qual há o reconhecimento de que muitas famílias vivem essa experiência e que não é fácil nem para os pais nem para os filhos vivenciá-la. E ainda ressalta: “Mas, desejamos, antes de tudo, afirmar que toda a pessoa, independente da própria orientação sexual, seja respeitada em sua dignidade”.

É preciso considerar, porém, que na mesma carta há uma discussão sobre o casamento homossexual, no qual está definido “As uniões de fato entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo, não podem ser equiparadas simplificadamente ao matrimônio. Nenhuma união precária ou fechada à transmissão da vida garante o futuro da sociedade”, ou seja, o fato de o papa levantar a bandeira gay não alterou em nada a postura da Igreja sobre a questão central do problema que é a união entre pessoas do mesmo sexo.

Nessa pesquisa, busquei identificar as curtidas, as reblogagens e os comentários que a imagem do Papa Francisco erguendo bandeira LGBT causou nos internautas desde sua primeira publicação em 2014 até sua postagem na rede social juventude-do-papa.tumblr.com em 2017. Nota-se que as reações iniciais, ainda na rede social juventude-do-papa.tumblr.com foram diversas, porém, no geral, todos os