Análise Custo/Volume/Lucro
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem:
9 Interpretar a margem de contribuição e o ponto de equilíbrio dos produtos.
9 Calcular a margem de contribuição e o ponto de equilíbrio.
9 Constatar a importância de cada forma de custeio para tomada de decisão.
109 Análise Custo/Volume/Lucro
Capítulo 5
Contextualização
Estudamos nos capítulos anteriores, a Contabilidade Gerencial, as terminologias utilizadas em custos, os vários métodos de custeio e os sistemas de acumulação de custos.
Em cada um desses capítulos, apresentamos que a Contabilidade Gerencial é feita para que os gestores possam tomar suas decisões por meio de informações geradas pelos vários métodos e sistemas de custos.
Agora, neste capítulo, verificaremos que cada um dos assuntos estudados ajudam os gestores a efetuar a gestão da empresa e atingir seus objetivos, com base em dados extraídos tanto da Contabilidade Financeira como da Contabilidade de Custos.
O processo de planejamento empresarial envolve a seleção de objetivos, bem como a definição dos meios para atingir tais objetivos. Nesse sentido, cabe assinalar que a maximização dos lucros constitui o objetivo mais relevante e clássico de qualquer organização empresarial com fins de lucro. Contudo, o lucro é uma variável-resultado, ou seja, é a consequência final da gestão empresarial, para a qual concorrem muitas outras variáveis, tais como receitas, custos, despesas, volume ou nível de atividade etc.
Um dos instrumentos da área de custos que pode ser utilizado nas decisões gerenciais é a análise de custo/volume/lucro (ACVL). Tal expressão abrange os conceitos de margem de contribuição, ponto de equilíbrio e margem de segurança, cujo conhecimento é fundamental para os gestores de custos, em virtude do número de benefícios informativos que proporcionam. Cabe salientar que a ACVL pode ser aplicada tanto em empresas industriais quanto em empresas de serviços, públicas ou privadas, com fins lucrativos ou sem eles.
A análise de custo/volume/lucro, também conhecida como análise do ponto de equilíbrio, objetiva determinar o número de operações ou unidades a serem vendidas, necessárias para cobrir os custos operacionais da empresa.
Inicialmente, apresentamos os conceitos de análise de custo/volume/
lucro, margem de contribuição e ponto de equilíbrio, que visam demonstrar as inter-relações existentes entre as vendas, os custos fixos ou variáveis, o nível de atividade desenvolvido e o lucro alcançado ou desejado. A análise de custo/
volume/lucro aponta os efeitos das mudanças nos volumes de vendas na lucratividade da organização.
Análise, Custo, Volume, Lucro
As análises de custo/volume/lucro são modelos que demonstram as inter-relações entre as vendas, os custos (fixos ou variáveis), o nível de atividade desenvolvido e o lucro alcançado ou almejado. Quando estudamos essas questões, as respostas proporcionam situações do que acontecerá com o lucro da empresa se ocorrer:
• aumento ou diminuição do custo (variável ou fixo),
• diminuição ou aumento do volume de vendas e
• redução ou majoração dos preços de venda.
Veja o que diz Wernke (2004, p. 42) sobre essa análise:
Custo, preço e volume são os fatores considerados no planejamento e na análise das variações do lucro. O preço de venda geralmente é de controle limitado, mas custo e volume possuem elementos mais controláveis. As decisões gerenciais requerem uma análise cuidadosa do comportamento de custo e lucros em função das expectativas do volume de vendas.
No curto prazo (menos que um ano), a maioria dos custos e preços dos produtos da empresa podem ser determinados, mas com a quantidade que irá ser vendida. A análise de custo/
volume/lucro aponta os efeitos das mudanças nos volumes de vendas na lucratividade da organização.
Por exemplo: os gestores das empresas necessitam conhecer com antecedência que efeitos teria uma modificação no preço de venda, no volume de produção, nas combinações do mix de produtos, uma alteração salarial ou uma modificação nas máquinas da fábrica. Para que essas informações estejam disponíveis com a rapidez que as decisões empresariais exigem, cabe ao analista de custos dispor dos dados indispensáveis à análise de custo/volume/lucro.
A análise do custo, preço e volume deve sempre ser efetuada, pois são fatores relevantes no planejamento e na análise da variação do lucro. As decisões gerenciais necessitam de uma análise criteriosa do comportamento de custos e lucros em função do que é esperado do volume de vendas. No curto prazo, a maioria dos custos e preços dos produtos da empresa podem ser determinados. A grande incerteza não está relacionada com custos e preços dos produtos, mas com a As análises de
custo/volume/
lucro são modelos que demonstram as inter-relações entre as vendas, os custos (fixos ou variáveis), o nível de atividade
desenvolvido e o lucro alcançado ou
almejado.
A análise do custo, preço e volume deve sempre ser efetuada, pois são fatores relevantes no planejamento
e na análise da variação
111 Análise Custo/Volume/Lucro
Capítulo 5
Devemos estar sempre atentos quando utilizamos a análise de custo/volume/
lucro, pois isso requer, também, que os custos fixos e variáveis sejam separados e calculados, de modo que todos os custos possam ser divididos em fixos e variáveis.
A análise de custo/volume/lucro dá destaque ao comportamento dos padrões de custo em relação às diferentes saídas de produção, como uma direção para selecionar os níveis de lucro e a adoção de uma política apropriada de preço.
Então, em um modelo de curto prazo, essa análise oferece aos administradores uma visão geral do processo de planejamento, evidenciando a reação do custo às influências das diversas variáveis, sendo imprescindível para a tomada de decisão.
Portanto, perceba que a análise de custo/volume/lucro reforça a distinção entre custos fixos e custos variáveis. Para melhor entender a análise de custo/
volume/lucro, é necessário estudarmos a margem de contribuição e o ponto de equilíbrio, como veremos a seguir.
Para você lembrar:
• Custos fixos: são aqueles cujas mudanças independem do volume de saídas da produção.
• Custos variáveis: são aqueles cujas mudanças dependem diretamente do volume das saídas da produção.
Margem de Contribuição
Já estudamos, em capítulos anteriores, que as empresas incorrem em custos variáveis e em custos fixos na execução de suas inúmeras atividades operacionais, comerciais e administrativas. A correta identificação e a segregação dos custos permitirão a obtenção e a análise da margem de contribuição dos produtos e/ou dos departamentos, que é uma das mais importantes ferramentas da Contabilidade Gerencial para as tomadas de decisões nas organizações.
Wernke (2004, p. 42) conceitua margem de contribuição como “o valor resultante da venda de uma unidade, após deduzidos os custos e as despesas
variáveis associados ao produto comercializado”. Tal valor contribuirá para pagar os custos fixos da empresa e gerar lucro.
Entendemos por margem de contribuição a diferença entre o preço de venda e a soma das despesas e custos variáveis de um produto ou serviço. A margem de contribuição é, em outras palavras, a “sobra financeira” de cada produto ou divisão de uma empresa para a recuperação ou amortização das despesas e dos custos fixos de uma empresa e para a obtenção de lucro esperado pelos empresários, como apresentamos a seguir, numa demonstração de resultado num determinado período.
Demonstração da margem de contribuição e do resultado do período $ Receita total (preço de venda, líquido dos impostos, de cada produto multiplicado
pela quantidade vendida).
40.000 Total das despesas variáveis de cada produto, multiplicado pelas quantidades
vendidas.
(5.000) Total dos custos variáveis de cada produto, multiplicado pelas quantidades vendidas. (17.000)
= Margem de Contribuição 18.000
Despesas fixas (2.000)
Custos fixos (11.000)
= Lucro da empresa 5.000
Quadro 36 – Demonstração da margem de contribuição e do resultado do período Fonte: A autora.
Veja que, nesse período, a empresa obteve uma margem de contribuição de R$ 18.000,00. Você percebeu que, para saber qual foi a margem de contribuição, bastou diminuir as despesas e os custos variáveis da receita total da empresa?
Como vimos, a análise efetuada de um determinado período nos mostra um resultado geral da empresa. Porém, os gestores precisam, muitas vezes, saber qual produto de sua linha de fabricação lhes traz a maior margem de contribuição.
Essa análise permitirá a obtenção de importantes informações para a tomada de decisão, como, por exemplo:
• Quais são os produtos mais lucrativos?
• Qual é o produto produzido ou o serviço prestado que mais contribui para a recuperação das despesas e custos fixos e para o lucro da empresa?
Wernke (2004, p. 42) conceitua margem de contribuição como
“o valor resultante da venda de uma unidade, após deduzidos os custos e as despesas variáveis associados ao produto
comercializado”.
113 Análise Custo/Volume/Lucro
Capítulo 5
Para verificarmos se, por meio da análise da margem de contribuição, podemos responder a essas questões e para que o gestor possa tomar sua decisão, vamos a um exemplo: uma Indústria de Aparelhos Eletrônicos Ltda produz três modelos de aparelhos: Max, Care e Pop. As informações relativas aos preços de vendas, despesas e custos variáveis de cada produto estão demonstrados no quadro a seguir.
Modelo do Aparelho Max Care Pop
Preço de venda por unidade $ $ $
Menos 900 600 400
Despesas variáveis de cada unidade vendida
Comissão dos vendedores 50 30 20
Impostos 100 50 30
Assistência técnica 30 10 5
Custos variáveis de produção
Materiais e matérias-primas 290 130 115
Materiais de embalagem 30 10 10
Mão-de-obra direta 220 170 160
Total das despesas e custos variáveis 720 400 340
Margem de contribuição em $ 180 200 60
Margem de contribuição em % 20,0% 33,3% 15,0%
Quadro 37 – Demonstração de preços de vendas, despesas e custos variáveis Fonte: A autora.
Perceba que o produto com a maior margem de contribuição unitária é o modelo Care, com margem de $ 200 para cada unidade, ou 33,3% do preço de venda, enquanto o modelo Pop é que menos contribui, com $ 60 para cada unidade vendida, ou 15% do seu preço de venda. Com isso, podemos afirmar que as questões para que gestor possa tomar sua decisão poderão ser efetuadas por meio dessa análise.
Portanto, o estudo da margem de contribuição visa mostrar que podemos efetuar a redução dos custos, objetivando o incremento de vendas e a redução dos preços unitários de venda dos produtos ou de mercadorias.
O cálculo da margem de contribuição somente é possível quando trabalhamos com o custeio variável direto, pois, no custeio variável direto, os custos fixos não são alocados ao produto. São colocados integralmente no resultado, o que proporciona uma melhor análise do custo do produto, não incorrendo em problemas de rateio dos custos diretos. Para você entender e fixar melhor, vamos a um exemplo mais detalhado. A empresa vende o produto X por R$ 20,00 a unidade e, para fabricar o produto X, tem:
Custos fixos = R$ 130.000 por ano Custo variável = R$ 3,00 / unidade
Fabricação com venda integral = 30.000 unid./ano, com capacidade para aumentar a produção para 40.000 unid./ano.
Unidades vendidas 30.000 unidades 40.000 unidades Total (R$) Unidade (R$) Total (R$) Unidades (R$)
Receita total 600.000,00 20,00 800.000,00 20,00
Custo variável 90.000,00 3,00 120.000,00 3,00
Margem de contribuição 510.000,00 17,00 680.000,00 17,00
Custo fixo 130.000,00 4,33 130.000,00 3,25
Lucro líquido 380.000,00 12,67 550.000,00 13,75
Quadro 38 – Demonstração de resultado Fonte: A autora.
Vamos analisar o quadro anterior: perceba que, com o aumento do nível de produção de 30.000 unidades para 40.000, a margem de contribuição também aumentou no total, mas se manteve fixa por unidade ($ 17,00). Isso porque, mesmo com o aumento da produção, o custo variável por unidade permaneceu igual e não houve alteração no preço de venda.
Os custos totais variáveis aumentaram proporcionalmente com o volume das vendas; já o custo variável unitário ficou constante. O custo fixo total é constante para esses níveis de atividade, enquanto o unitário varia conforme muda a quantidade vendida. Quanto maior for o volume vendido, menor será o custo fixo unitário e, quanto menor for, maior será o lucro líquido.
Vejamos a relação custo fixo e margem de contribuição no gráfico a seguir.
R$
Custo Fixo
Margem de Contribuição
115 Análise Custo/Volume/Lucro
Capítulo 5
Para uma empresa ter lucro, a margem de contribuição deverá cobrir e exceder os custos fixos; caso contrário, terá prejuízos.
Conforme já vimos em tópicos anteriores, há custos e despesas que são fixas.
Muitas vezes, nos deparamos com gestores repetindo a mesma coisa: “devemos produzir e vender mais para diluir os custos e despesas fixas”. Essa é uma questão que requer análise, já que é real. Quanto maior a quantidade produzida, menor o peso dos custos e despesas fixas no custo total do produto ou serviço.
Imaginemos o seguinte exemplo: a empresa Montez S.A. fabrica computadores de última geração. Recebe uma proposta de exclusividade em que a empresa Maioral Ltda. compraria a produção de um ano de atividades. A proposta da Maioral Ltda. é a compra de 10.000 unidades a um preço unitário de R$ 1.200,00 reais, já deduzidos os impostos sobre venda. Os custos e as despesas variáveis de cada computador são de R$ 800,00, e os custos e despesas totais fixas são de R$ 2.000.000,00. Vamos calcular o resultado da operação?
Receita
10.000 unidades x R$ 1.200,00 a unidade = R$ 12.000.000,00 Custos e despesas variáveis
10.000 unidades x R$ 800,00 a unidade = R$ 8.000.000,00 Custos e despesas fixas
R$ 2.000.000,00 ao ano DRE
Receita R$ 12.000.000,00
(-) Custos e despesas variáveis R$ 8.000.000,00 (=) Margem de contribuição R$ 4.000.000,00 (-) Custos e despesas fixas R$ 2.000.000,00
(=) Resultado R$ 2.000.000,00
Como podemos observar, o resultado corresponde a 16,67% (R$
2.000.000,00 ÷ R$ 12.000.000,00) da receita, e a margem de contribuição corresponde a 33,33% da receita (R$ 4.000.000,00 ÷ R$ 12.000.000,00).
Vamos propor uma modificação? Imagine que a Maioral Ltda resolva comprar 20% a mais de computadores nesse ano, ou seja, 12.000 unidades. A estrutura da Montez S.A. suporta esse incremento sem nenhum tipo de modificação (não variam os custos fixos). O que aconteceria com o resultado do período? E com a margem de contribuição?
Receita
12.000 unidades x R$ 1.200,00 a unidade = R$ 14.400.000,00 Custos e despesas variáveis
12.000 unidades x R$ 800,00 a unidade = R$ 9.600.000,00 Custos e despesas fixas
R$ 2.000.000,00 ao ano DRE
Receita R$ 14.400.000,00
(-) Custos e despesas variáveis R$ 9.600.000,00 (=) Margem de contribuição R$ 4.800.000,00 (-) Custos e despesas fixas R$ 2.000.000,00
(=) Resultado R$ 2.800.000,00
Agora, podemos observar que o resultado corresponde a 19,44% (R$
2.800.000,00 ÷ R$ 14.400.000,00) da receita, e a margem de contribuição corresponde a 33,33% da receita (R$ 4.800.000,00 ÷ R$ 14.400.000,00).
Interpretando o resultado, um incremento de 20% na receita resultou um incremento de 40% no resultado da empresa. Essa é uma análise custo/volume/
lucro. Com base nesses dados, os gestores podem tomar decisões sobre incrementos da produção, descontos etc.
A análise custo/volume/lucro é de extrema importância para qualquer gestor.
Juntamente com o estudo da margem de contribuição, que já vimos, são duas importantes ferramentas para os gestores. O item que ainda nos falta para ter o tripé básico para gerenciar as informações decorrentes dos custos é o ponto de equilíbrio, que utiliza conceitos de custos fixos e variáveis. Vamos a ele!
Ponto de Equilíbrio
O ponto de equilíbrio é o número mínimo de unidades de um determinado produto que deve ser produzido e vendido para que sejam cobertos os custos e despesas relativas a ele. Na literatura acadêmica, você também pode encontrar a expressão em inglês Break Even Point. É importante frisar que o ponto de equilíbrio só poderá ser calculado quando utilizamos a metodologia do custeio variável.
117 Análise Custo/Volume/Lucro
Capítulo 5
relação é importante porque, em sua forma mais simples, é a própria definição de lucro (CREPALDI, 1999).
Perceba que, no conceito de ponto de equilíbrio, ficou claro que esse ocorre quando há igualdade dos custos totais e das receitas totais. Portanto, o lucro de uma empresa é obtido a partir de vendas ocorridas acima do ponto de equilíbrio.
A análise do ponto de equilíbrio é essencial nas decisões referentes a investimentos, nos planejamentos de controle do lucro, no lançamento ou corte de produtos e para análise das alterações
do preço de venda, conforme o comportamento do mercado (CREPALDI, 1999).
No ponto de equilíbrio, o resultado operacional de um dado produto é igual a 0. Para calculá-lo, devemos utilizar os valores unitários do preço e dos custos e despesas variáveis e o total dos custos fixos. Vejamos a seguir a fórmula de cálculo:
Ponto de equilíbrio = Q = CF ÷ (pv-cv) Onde:
Q = Quantidade de unidades do ponto de equilíbrio;
CF = Custos e despesas fixas totais;
PV = Preço unitário de venda;
CV = Custo variável unitário.
Façamos um exemplo para fixar o conteúdo: suponha que uma empresa tenha custos operacionais fixos (CF) equivalentes a R$ 25.000,00, que o preço de venda (PV) por unidade de produto seja igual a R$ 100,00 e que o custo operacional variável por unidade (CV) seja de R$ 50,00. Para obtermos o volume de vendas no ponto de equilíbrio, aplicando a equação anterior, teremos:
R$ 25.000,00
Q = --- = 500 unidades R$ 100,00 - 50,00
Resultado projetado:
Receita de vendas R$ 50.000,00 (-) Custos variáveis operacionais R$ 25.000,00
(=) Margem de contribuição R$ 25.000,00 = taxa de M.C:
2.500/5.000 = 0,50 (-) Custos fixos operacionais R$ 2.500,00
(=) Lucro R$ zero
Fazendo uma análise, podemos concluir que, se a empresa vender 500 A análise do ponto de equilíbrio é essencial nas decisões referentes
a investimentos, nos planejamentos de controle do lucro, no lançamento ou corte de produtos e para análise das alterações do preço
de venda
unidades do produto, correspondendo a um volume de vendas de R$ 50.000,00, o lucro operacional da empresa deve se igualar a zero. Nesse nível de vendas, portanto, os custos fixos e os custos variáveis estão cobertos.
O ponto de equilíbrio pode ser considerado sob três aspectos: o ponto de equilíbrio contábil, o ponto de equilíbrio econômico e o ponto de equilíbrio financeiro. Veja:
a) Ponto de Equilíbrio Contábil (PEC)
O ponto de equilíbrio contábil (PEC) será obtido quando o volume (monetário ou físico) for suficiente para cobrir todos os custos variáveis e despesas fixas, ou seja, a margem de contribuição (MC) é o ponto em que não há lucro nem prejuízo contábil. É o ponto em que a receita total é igual ao custo total. Vamos a um exemplo, com dados extraídos da empresa Lepper Ltda.:
CV = $ 5,00/u CF = $ 4.000,00/mês PV = $ 10,00/u
PEC = CF PEC = 4.000,00 = 800 MC 10,00 – 5,00
PEC = 800 u/mês ou seja, vendas de $ 8.000,00/mês é o ponto de equilíbrio financeiro da empresa Lepper Ltda.
b) Ponto de Equilíbrio Econômico (PEE)
As empresas estão sempre em busca de lucro e operar no ponto de equilíbrio contábil significa ter resultado nulo, isto é, quando as despesas e os custos variáveis são cobertos pelas vendas. Já o ponto de equilíbrio econômico acontece quando existe lucro na empresa e esse busca comparar e demonstrar o lucro da empresa em relação à taxa de atratividade que o mercado financeiro oferece ao capital investido.
Continuando com o nosso exemplo da empresa Lepper Ltda e supondo que a empresa possua um patrimônio líquido (PL) de $ As empresas estão
sempre em busca de lucro e operar no
ponto de equilíbrio contábil significa ter resultado nulo, isto é, quando as despesas e os custos variáveis são cobertos pelas
vendas.
119 Análise Custo/Volume/Lucro
Capítulo 5
resultado seja superior a esse retorno de 2% do mercado financeiro. Esse retorno sobre o investimento é também denominado de custo de oportunidade. O custo de oportunidade representa a remuneração que a empresa obteria se aplicasse seu capital no mercado financeiro, em vez de no seu próprio negócio.
Veja como fica esse cálculo:
PEE = CDFT + Custo de oportunidade Margem de contribuição unitária PEE = 4.000,00 + 1.000,00
5,00 PEE = 1.000 u/mês
Podemos concluir que, para a empresa cobrir, no mínimo, o retorno que o mercado financeiro daria ao capital investido, ou seja, os 2%, necessita vender 800 u/mês para chegar ao ponto de equilíbrio contábil e mais 200 unidades para chegar ao ponto de equilíbrio econômico, portanto, deverá vender 1.000 u/mês.
c) Ponto de Equilíbrio Financeiro (PEF)
O ponto de equilíbrio financeiro é representado pelo volume de vendas necessárias para que a empresa possa fazer frente a seus compromissos (desembolsos) financeiros.
Os resultados contábeis e econômicos não coincidem com os financeiros, pois nem todos os custos de fabricação exigem desembolsos, visto que a contabilidade trabalha pelo regime de competência.
Como exemplo de despesa não-desembolsáveis temos as
depreciações, que podem ser classificadas nos custos fixos e não exigem contrapartida, ou seja, uma saída de dinheiro do caixa.
Seguindo o exemplo da empresa Lepper Ltda., suponhamos que 20% dos custos diretos fixos total (CDFT) sejam referentes à depreciação:
PEF1 = CDFT – Despesas não-desembolsáveis
O ponto de equilíbrio financeiro é representado pelo volume de vendas necessárias para
que a empresa possa fazer frente a seus compromissos
(desembolsos) financeiros.
Margem de contribuição unitária PEF1 = 4.000,00 – (4.000,00 x 0,20)
5,00 PEF1 = 640 u/mês.
Isso significa que a empresa Lepper Ltda., para atingir o ponto de equilíbrio financeiro, precisa vender 640 u/mês.
Veja, agora, se colocarmos isso em forma de demonstração do resultado:
Demonstração do Resultado
Vendas (640u x 10,00/u) $ 6.400,00 ( - ) CDV (640u x 5,00/u) $ (3.200,00)
MC $ 3.200,00
( - ) CDF (desembolsáveis) $ (3.200,00) ( - ) CDF (não-desembolsáveis) $ (800,00)
Lucro operacional $ (800,00)
Perceba que, desse modo, mesmo operando na área de prejuízo, ou seja, abaixo do ponto de equilíbrio contábil, a empresa pode apresentar condições de liquidar suas obrigações financeiras.
Vejamos como ficaria isso no ponto de equilíbrio financeiro 2 (PEF2), quando podemos acrescentar aos custos e despesas fixas parcelas de amortização de empréstimos. Acrescentaremos ao exemplo da empresa Lepper Ltda um financiamento de longo prazo, com parcelas mensais de $ 600,00:
PEF2 = CDFT – Despesas não-desembolsáveis + amortização Margem de contribuição unitária
PEF2 = 4.000,00 – (4.000,00 x 0,20) + 600,00 5,00
PEF2 = 760 u/mês
Veja, agora, como fica a demonstração do resultado:
Demonstração do Resultado
121 Análise Custo/Volume/Lucro
Capítulo 5
Vendas (760u x 10,00/u) $ 7.600,00 ( - ) CDV (760u x 5,00/u) $ (3.800,00)
Margen de contribuição $ 3.800,00
( - ) CDF $ (4.000,00)
Lucro operacional $ (200,00)
Após esse cálculo, constatamos exatamente o que foi citado anteriormente:
mesmo com prejuízo contábil de $ 200,00, a empresa teria condições de liquidar seu compromisso operando nesse nível de atividade, pois o resultado da empresa é exatamente a diferença entre a parcela de amortização e a depreciação, ou seja, $ 600,00 - $ 800,00 = ($ 200,00).
Agora que já vimos o que é e como se calcula o ponto de equilíbrio, veremos a margem de segurança, pois ela corresponde à quantidade de produtos ou valor de receita em que se opera acima do ponto de equilíbrio.
Margem de Segurança
A margem de segurança é uma parte da produção e vendas que a empresa tem, que se encontra acima do seu ponto de equilíbrio. A empresa, conhecendo a sua margem de segurança, poderá fazer uma redução em sua produção e vendas sem entrar no “vermelho”, ou seja, ter prejuízos. Vamos ver isso no exemplo de uma empresa fabricante de lajotas:
Custos e despesas variáveis (CDV): $ 2,00 m² Custos e despesas fixas (CDF): $ 6.000,00 /mês Preço de venda: $ 5,00 / m² O seu ponto de equilíbrio é de:
PE = 6.000,00 15,00 – 2,00 PE = 2.000 m² / mês
Veja como fica na demonstração do resultado:
Demonstração do Resultado
A margem de segurança é uma parte da produção
e vendas que a empresa tem, que
se encontra acima do seu ponto
de equilíbrio.